DaVita Saúde

Quem doa órgãos, promove a vida

Em 2012, a jovem britânica Jemima estava ajudando a preparar a festa de aniversário da mãe quando, subitamente, desmaiou. Levada ao Hospital de Bristol, na Inglaterra, foi diagnosticada com um aneurisma cerebral e veio a falecer quatro dias depois. Como ela não apresentou nenhum problema de saúde antes do ocorrido, vários de seus órgãos estavam em condições para ser doados. E assim foi feito. Seus pais autorizaram os procedimentos e, dessa forma, o coração, o pâncreas, os pulmões, os rins, o intestino delgado e o fígado, dividido em duas partes, mudaram o destino de oito pessoas – um recorde –, sendo cinco delas crianças. Hoje, a família da menina dirige a ONG The Jemima Layzell Trust, que tem como um de seus objetivos incentivar a doação de órgãos.

A doação de órgãos da pessoa falecida ainda representa um tema controverso. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o índice brasileiro de recusa, há anos, permanece na casa dos 40%. A situação é compreensível, já que envolve famílias que estão passando por um momento difícil e de sofrimento. A própria mãe de Jemima admitiu à imprensa do Reino Unido que hesitou muito para decidir, mas acabou sendo motivada por uma reportagem que mostrava a dificuldade e a baixa expectativa de vida das crianças que necessitavam de transplante de coração.

No Brasil, para ser um doador basta avisar os familiares e não é necessário deixar algum documento por escrito. Por isso é tão importante conversar sobre o assunto naturalmente e expressar esse desejo, de modo a facilitar a decisão dos entes queridos num momento tão doloroso, já que a doação depende da autorização deles. Nem todos os países, no entanto, seguem a mesma legislação. A Holanda, por exemplo, aprovou há pouco tempo uma lei que torna todos os cidadãos automaticamente doadores, a não ser que a pessoa se registre como não doadora.

 

Remoção dos órgãos

Evidentemente, os órgãos só podem ser retirados do doador após a constatação da morte encefálica, o que significa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, sem nenhuma chance de recuperação. Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é feito por exames clínicos repetidos em determinados intervalos por médicos desvinculados da equipe de transplantes (a equipe que constata o óbito não faz parte daquela responsável pela retirada dos órgãos), associados a exames complementares, como eletroencefalograma, que mede a atividade cerebral, e angiografia cerebral, que verifica o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro. Enquanto isso ocorre, o possível doador fica ligado a um ventilador, máquina que permite levar oxigênio para os órgãos, inclusive para o coração – o que possibilita que os batimentos cardíacos continuem –, de forma que todos eles permaneçam viáveis para doação.

Além de rins, pulmões, fígado, intestino, coração e pâncreas, podem ainda ser aproveitados em outros pacientes os ossos, os tendões, as válvulas cardíacas, a pele e as córneas. Independentemente do caso, o órgão e/ou tecido são  retirados por meio de uma cirurgia como qualquer outra (a exemplo da remoção do apêndice ou da vesícula) e o corpo do doador não fica com deformidades relacionadas ao procedimento.

 

Espera ainda grande

O Brasil tem avançado nesse cenário, muito embora ainda haja um número expressivo de indivíduos à espera de órgãos. De acordo com dados da ABTO, em 2018, a fila de transplantes tinha mais de 33,4 mil pessoas – a maioria aguardando rins ou córneas. Nem todos puderam ser atendidos, mas, segundo o Ministério da Saúde, foram realizados mais de 26,5 mil procedimentos – número menor que o de 2017, que contabilizou em torno de 27,4 mil procedimentos, porém significativamente superior ao de 2008, quando 18,9 mil transplantes foram realizados.

Para os especialistas, o crescimento no número de doadores se deve, principalmente, ao treinamento das equipes dentro dos hospitais para a comunicação da possibilidade de doação à família do falecido. Segundo a Aliança Brasileira para a Doação de Órgãos e Tecidos, evidências científicas do mundo todo mostram que o aumento nas taxas de doação, quando as pessoas são abordadas de forma adequada, pode chegar a 500%. Mas há outros coadjuvantes nessa história. Desde junho de 2016, o Brasil mantém um avião da Força Aérea Brasileira reservado só para transportar órgãos. Além disso, um decreto de 2017 estabeleceu que qualquer médico qualificado pode notificar a morte encefálica – até então, apenas um neurologista era autorizado a fazê-lo e, na ausência dele, não raro se perdia a oportunidade do transplante.

 

Doação em vida

Vale lembrar que esse ato nobre nem sempre ocorre num momento de dor: os órgãos provenientes de pacientes vivos também valem muito nesse contexto. Em 2018, dos 5.999 transplantes renais realizados, 17,6% foram possibilitados por pessoas vivas, que ainda podem doar parte do fígado, parte do pulmão e a medula óssea. Também existe uma legislação específica para esses casos no Brasil, que permite a doação para parentes de até quarto grau e cônjuges. Se não houver nenhum grau de parentesco entre doador e receptor, o transplante depende de autorização judicial – com exceção da medula óssea, que dispensa o aval da Justiça entre não aparentados e conta com um cadastro específico e uma gestão à parte.

Para ser doador em vida, a pessoa precisa estar em bom estado de saúde, sem riscos de ter suas aptidões vitais comprometidas com o procedimento, além de ser maior de idade ou menor emancipado e juridicamente capaz. Finalmente, deve haver um receptor com indicação formal do transplante. Com esses critérios atendidos, o doador precisa fazer testes de compatibilidade com o paciente que aguarda o transplante. Se ambos forem compatíveis, uma equipe multidisciplinar acompanhará o caso para providenciar consultas e demais exames, agendando, a seguir, o dia do procedimento.

Para saber mais, acesse: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-orgaos.

Posts Relacionados

02/12/2019
Saúde do Homem

Hiperplasia benigna: um dos problemas mais comuns de próstata

Exclusiva do aparelho reprodutor masculino, a próstata é uma glândula que fabrica esperma, o líquido que nutre os espermatozoides e que representa cerca de 30% da composição do sêmen. Está localizada junto de estruturas do trato urinário, ou seja, logo abaixo da bexiga e ao redor da uretra, por onde a urina sai. Apesar de suas dimensões diminutas perto de outros órgãos – pesa em torno de 20 gramas –, pode passar a incomodar à medida que os anos avançam.  Isso porque, na meia-idade, as células prostáticas começam se multiplicar, o que ainda não está bem explicado pela ciência, mas parece decorrer do envelhecimento e de uma combinação de fatores hormonais, genéticos e ambientais. Em consequência, ocorre um crescimento anormal da glândula na maioria dos homens, configurando a chamada hiperplasia da próstata, que, vale deixar bem claro, nada tem a ver com câncer nem aumenta esse risco. A hiperplasia é uma lesão benigna, restrita à glândula. No tumor maligno, as células crescem e invadem outros tecidos. Devido à localização da próstata, no entanto, o aumento de suas dimensões vai pressionando a bexiga e apertando a uretra. Por isso, a condição pode causar sintomas urinários obstrutivos ou de armazenamento – na prática, dificuldade para urinar e aumento da frequência das micções. Essas manifestações podem ser bem toleradas no começo, mas, conforme o tempo passa, atrapalham bastante a qualidade de vida do homem e também elevam o risco de infecções urinárias, obstruções graves, com retenção importante de urina, cálculos urinários e até de insuficiência renal.  Como se detecta a hiperplasia de próstata  O diagnóstico depende do exame clínico – de toque retal – e do levantamento da história do paciente para que o médico possa afastar outros problemas urinários e saber, por exemplo, se há uso de medicamentos que interferem no funcionamento da bexiga, tais como antialérgicos e diuréticos, além de consumo excessivo de líquidos e de cafeína, que estimulam a diurese. Alguns testes complementares são necessários, como a dosagem sanguínea do antígeno prostático específico, ou PSA, um marcador de alterações na glândula, que se eleva discretamente nesses casos. Por sua vez, o exame de urina e a ultrassonografia das vias urinárias ajudam a afastar a possibilidade de distúrbios exclusivos do trato urinário. Por fim, existem métodos diagnósticos específicos para medir a força do jato de urina e o esvaziamento da bexiga, entre outros parâmetros que dão suporte ao diagnóstico, como é caso da urodinâmica e da urofluxometria. Opções de tratamento para a hiperplasia prostática Uma vez detectada a hiperplasia benigna da próstata, os especialistas costumam tratar apenas os pacientes sintomáticos. Do contrário, mantém-se uma vigilância periódica das dimensões da próstata, com exame clínico e dosagem de PSA, pelo menos. Para casos que vão de leves a moderados, o problema pode ser tratado com medicamentos. Existem hoje várias categorias de fármacos usadas nesse contexto, que são selecionadas conforme o tipo de sintoma apresentado pelo paciente, de forma isolada ou combinada. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, os alfabloqueadores estão entre as drogas mais utilizadas, já que aliviam as queixas urinárias logo nas primeiras semanas.  Todas as classes de medicamentos, no entanto, apresentam efeitos adversos que devem ser discutidos entre médico e paciente antes de tudo. Ademais, nenhum deles cura a condição. São remédios de uso contínuo, o que significa que, se interrompida sua administração por qualquer razão, os sintomas tornam a aparecer. Quem apresenta um quadro clínico mais intenso ou não responde aos fármacos tem indicação de realizar cirurgia. Hoje, o tratamento cirúrgico é feito sobretudo por métodos menos invasivos, como o procedimento endoscópico, que usa uma microcâmera dotada de um tipo de garra, que vai da uretra até a próstata e ali abre um caminho para o escoamento da urina, ou intervenção a laser, semelhante na execução, mas com menores efeitos indesejáveis. A cirurgia convencional, com incisão abdominal, fica reservada a poucos casos. Da mesma forma que no caso dos medicamentos, o paciente deve entender vantagens e desvantagens. O fato é que nenhum homem precisa ter sua qualidade de vida comprometida por conta do aumento da próstata. Mais um motivo para visitar periodicamente o urologista a partir da meia-idade e não ser pego de surpresa pela condição. Sintomas do aumento da próstata De armazenamento: - Urgência em urinar;- Aumento da frequência das micções, especialmente à noite;- Incontinência urinária (escape);- Dores para urinar. Obstrutivos: - Demora para iniciar a micção, mesmo quando precisa urinar;- Interrupção involuntária da micção;- Jato de urina fraco;- Sensação de que a bexiga não foi totalmente esvaziada;- Gotejamento ao fim da micção. Dá para prevenir a hiperplasia de próstata? Se o homem caminha para viver cada vez mais, a hiperplasia de próstata acabará chegando no futuro, mais dia menos dia. Contudo, os especialistas acreditam que a manutenção de um estilo de vida saudável ao longo dos anos, com atividade física regular, controle do peso e ingestão de vegetais, frutas, peixes e castanhas, exerça algum efeito sobre a prevenção da condição. Vale tentar, mesmo porque essa conduta também evita muitas outras doenças.

18/11/2019
Saúde do Homem

Próstata: chegou a hora da consulta com o urologista

Novembro Azul na DaVita De acordo com um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mais da metade da população masculina só vai ao médico a pedido da esposa ou do empregador. Isso ajuda, em parte, a justificar a alta taxa de mortalidade pelo câncer de próstata no Brasil, de 25%, apesar de se tratar de um tumor de desenvolvimento lento – segundo o Instituto Nacional do Câncer, a maioria leva cerca de 15 anos para crescer um centímetro cúbico.  Essa hesitação em visitar o consultório, em particular o do urologista, já melhorou com o advento dos tratamentos para disfunção erétil, popularmente conhecida como impotência sexual, mas persiste nos dias atuais. Para os especialistas, o homem, sobretudo aquele que precisa marcar a consulta com o urologista pela primeira vez, ainda teme o exame de toque retal por preconceito e medo de dor.  Ocorre que o exame é essencial para avaliar a saúde da próstata, uma vez que permite ao urologista palpar a glândula e perceber quaisquer anormalidades ali presentes. Essa avaliação, em conjunto com a dosagem do antígeno prostático específico (PSA), um exame de sangue que, quando aumentado, sugere que a glândula apresenta algum distúrbio, alcança mais de 90% de eficiência para diagnosticar um tumor na região.  Na ausência de alterações físicas na próstata e na dosagem de PSA, médico e paciente combinam, de forma personalizada, o intervalo até a nova avaliação, que varia conforme riscos e achados de cada consulta. Já diante de resultados alterados, a investigação costuma prosseguir com ultrassonografia e biópsia da glândula, procedimento que retira fragmentos das lesões para análise no laboratório e pode revelar se elas são benignas ou malignas. Vale lembrar que a visita ao urologista configura igualmente uma boa oportunidade para que esse médico possa avaliar o estado geral da saúde do homem – e voltamos ao início deste texto –, já que, como indica a pesquisa da SBU, ele não é muito de passar na porta do consultório. Prevenção do câncer de próstata para as futuras gerações  Para desmistificar essa consulta no universo masculino, os especialistas vêm recomendando que os garotos adolescentes sejam levados para a primeira consulta com o urologista assim que iniciarem sua vida sexual – da mesma forma que as garotas, que logo são estimuladas a procurar o ginecologista para que recebam orientações sobre saúde sexual e prevenção de gravidez precoce, de doenças sexualmente transmissíveis e de outros problemas incidentes no sexo feminino. Com essa iniciativa, além de ser devidamente orientado em relação aos cuidados para uma vida sexual saudável, o rapaz pode criar um vínculo com esse especialista, que vai facilitar as coisas, no futuro, quando a questão da próstata estiver em evidência.  Dê esse passo e vá conversar com um urologista sobre sua saúde integral.  

18/11/2019
Prevenção

O que é a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)?

Sem acionar racionalmente nenhum mecanismo, o ser humano respira de 12 a 20 vezes por minuto em repouso. A cada vez, todas as células do corpo recebem oxigênio, fazem seu metabolismo e devolvem o gás carbônico resultante desse processo metabólico para a circulação. O gás carbônico é levado de volta para os pulmões para seguir o mesmo caminho do oxigênio que entrou, a fim de ser expelido pelo nariz. E assim vamos inspirando e expirando, muitas vezes sem notar a importância da respiração para a vida. A não ser que o ar comece a rarear.  Entre os problemas mais frequentes que interferem na capacidade de respirar está a conhecida asma, que acomete mais as crianças, e a doença pulmonar obstrutiva crônica, ou DPOC, que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, afeta 210 milhões de pessoas ao redor do mundo, sobretudo adultos. Enquanto a primeira decorre de uma resposta exacerbada de defesa do organismo, resultante de fatores genéticos e ambientais, a segunda é adquirida principalmente após anos de tabagismo, incluindo outros tipos de fumo, como cachimbo, charuto e narguilé. O fumo passivo e a exposição à fumaça da queima de lenha e das queimadas de lavouras, por exemplo, também causam a doença.  Na prática, a DPOC mistura um quadro de bronquite crônica, uma inflamação que estreita os brônquios por conta de engrossamento de suas paredes e da presença de secreção, com o enfisema pulmonar, que consiste na destruição progressiva do tecido pulmonar, notadamente dos alvéolos, local das trocas gasosas. A soma dessas condições obstrui as vias respiratórias.  DPOC: um mal insidioso O problema é que a doença começa discreta e lentamente, com uma leve falta de ar aos esforços, acompanhada de tosse com catarro e pigarro, que pode ser erroneamente atribuída a um resfriado malcurado, a uma alergia e até mesmo ao envelhecimento, já que as pessoas afetadas costumam ter mais de 55 anos. Com o tempo, a falta de ar vai ficando mais intensa com a realização de mínimas atividades corriqueiras, até mesmo em repouso.  Além do risco de comprometer o sistema respiratório irremediavelmente, a DPOC, ao reduzir o aporte de oxigênio para o corpo, provoca fraqueza muscular e altera a capacidade de raciocínio. Para completar, ainda predispõe o organismo à formação de respostas inflamatórias por todos os órgãos e sistemas. Com isso, elevam-se as chances de ocorrência de um episódio cardiovascular, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.  Por trás da tosse crônica e do pigarro do fumante, portanto, pode estar um quadro ignorado de DPOC. Por isso, muitos especialistas sugerem que toda pessoa que fuma há mais de dez anos faça periodicamente o exame de espirometria, o qual mede o fluxo de ar expelido pelo indivíduo, de modo a descobrir a doença antes que os agravos aos alvéolos se tornem irreversíveis.  Manutenção da função pulmonar Uma vez constatada a DPOC, todas as estratégias se voltam a mantê-la sob controle, ou seja, a preservar o que resta da função pulmonar, pois os alvéolos lesados não se regeneram. Parar de fumar é uma medida determinante, já que o quadro se agrava com o número de cigarros tragados por dia e o tempo de tabagismo. Os especialistas recomendam buscar apoio profissional para cumprir essa etapa indispensável, já que hoje se combinam estratégias de tratamento para um melhor resultado, como terapia, medicamentos e reposição de nicotina, mesmo na rede pública.  Já para as crises de tosse e falta de ar são usados broncodilatadores, que aliviam os sintomas e diminuem a produção de secreção, e corticoides inalatórios para reduzir a inflamação. A fisioterapia respiratória aumenta a resistência aos esforços e a qualidade de vida, embora não aumente a sobrevida do indivíduo em casos avançados. Quando, porém, o nível de oxigênio no sangue fica muito baixo, é necessário recorrer à oxigenioterapia (uso de cateter nasal continuamente). A atividade física, feita com regularidade sob orientação médica e acompanhada por profissional de educação física, igualmente ajuda a desacelerar a progressão das lesões da DPOC aos alvéolos. Ela  ainda é fundamental para fortalecer as fibras musculares, que sofrem uma redução devido a diversos mecanismos implicados na doença, entre os quais a insuficiência de oxigênio para o tecido muscular. Como prevenir a DPOC? Como as infecções pulmonares pioram as crises na DPOC, gerando ainda mais secreção, todos os portadores da condição devem se vacinar anualmente contra a gripe e, a cada três ou cinco anos, conforme o tipo de imunizante, também contra o pneumococo, uma bactéria perigosa, causadora de pneumonias e de outras infecções graves. A única forma de prevenir a instalação e o agravamento do quadro é manter distância do cigarro e de outros tipos de fumo. Além disso, qualquer tosse prolongada, ainda que desvinculada de tabagismo, precisa ser devidamente esclarecida por um médico. Preserve sua capacidade de respirar.

13/11/2019
Prevenção

Diabetes: Prevenir é o Melhor Remédio

Vivemos atualmente uma epidemia global de diabetes, doença crônica que ocorre quando o pâncreas não fabrica insulina suficiente ou quando o organismo não consegue usar adequadamente esse hormônio, cuja função é colocar a energia – leia-se glicose – proveniente dos alimentos dentro das células. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o contingente de diabéticos no planeta saltou de 108 milhões, em 1980, para 422 milhões, em 2014.   O Brasil acompanha o ritmo mundial e registrou, nos últimos dez anos, um crescimento do número de casos da ordem de 61,8%, de acordo com o Ministério da Saúde. Com isso, hoje a doença atinge 8,9% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 18,5 milhões de pessoas, com base na projeção atual do tamanho da população do País, calculada em 208,9 milhões de habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Não por acaso o Brasil figura como o quarto colocado entre os países que mais têm portadores da doença, só atrás de China, Índia e Estados Unidos.   Esses números trazem um grande impacto para a saúde pública porque a diabetes é uma afecção que lesa os vasos sanguíneos e, ao longo do tempo, provoca importantes complicações micro e macrovasculares, como doença renal crônica, retinopatia diabética e neuropatia diabética, com risco de amputações, no primeiro caso, e acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença arterial periférica, no segundo. A OMS estimou em 1,6 milhão o número de mortes em 2015 por conta dessas complicações.   A obesidade explica  Embora haja vários tipos da doença, o diabetes tipo 2 é o mais comum e o que mais responde pelo avanço no número de casos, uma vez que está intimamente relacionado com sedentarismo, com alimentação rica em açúcar e gorduras saturadas e com obesidade, outra epidemia em curso – só no Brasil, vale lembrar, 18,9% da população está obesa e 54% dos brasileiros têm sobrepeso, segundo dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde.  Por ação de substâncias produzidas pelas células de gordura, a insulina não consegue exercer o mesmo efeito no corpo, fenômeno que é conhecido como resistência insulínica. Isso pode levar ao pré-diabetes, que, sem tratamento, tem possibilidade de evoluir para o diabetes propriamente dito. Em paralelo, pode acontecer também de o pâncreas não conseguir fabricar quantidade suficiente do hormônio para dar conta de tanta demanda. Embora o panorama seja crítico, os especialistas concordam em que esse cenário pode ser revertido com medidas comportamentais. A mudança de hábitos ajuda a manter a taxa de glicose dentro dos índices considerados normais e reduz o risco de desenvolver a doença, mesmo em grupos mais suscetíveis (boxe/link). Converse com seu médico.   Fique a salvo do diabetes - Alimente-se de forma equilibrada, enriquecendo a dieta com hortaliças, frutas e verduras e reduzindo o consumo de carboidratos e gorduras saturadas.  - Controle o peso. A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes. - Vá ao médico periodicamente e faça os exames preventivos que ele solicitar. - Exercite-se de forma regular, no mínimo meia hora por dia. Uma caminhada já funciona. - Não fume. Há associação do tabagismo com o desenvolvimento de diabetes. - Não beba com frequência. Entre outros efeitos nocivos já conhecidos, o álcool favorece a obesidade. - Durma bem. A falta de sono atrapalha o aproveitamento da insulina pelo organismo.

12/11/2019
Prevenção

Automedicação e disfunção erétil: problemas à vista

Ainda no século passado, em 1998, a indústria farmacêutica apresentava ao mundo o citrato de sildenafila, ou sildenafil, para disfunção erétil, que é a incapacidade de ter ou manter uma ereção suficiente para a atividade sexual. O remédio, famoso como o “comprimido azul”, antes usado no manejo de doenças cardíacas, permitiu que muitos homens na maturidade voltassem a se relacionar sexualmente e pôs em pauta um assunto sobre o qual não se falava abertamente.  Na esteira do sildenafil ainda vieram outros fármacos da mesma classe, que funcionam de modo parecido, dilatando os vasos sanguíneos existentes dentro do pênis e aumentando o fluxo de sangue nos corpos cavernosos para facilitar a ereção.  Passados 20 anos, no entanto, o sucesso do tratamento vem trazendo algumas preocupações para os médicos. Apesar de a novidade ter aproximado o homem do consultório do urologista, hoje 62% dos indivíduos do sexo masculino compram esses remédios sem prescrição, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia.  Os perigos da automedicação A automedicação é uma prática condenada pela comunidade médica por oferecer vários riscos e atrasar, ou até mesmo impedir, o correto diagnóstico de uma queixa. Com a disfunção erétil não é diferente. Ela pode ser originada por múltiplos fatores, entre os quais distúrbios circulatórios, desequilíbrio hormonal, doenças crônicas como diabetes e alterações neurológicas, sem falar nos aspectos emocionais. O urologista, portanto, precisa investigar e identificar a causa para poder tratá-la e, dependendo da necessidade – que pode nem existir –, prescrever algum medicamento, desde que não haja contraindicações. Outra preocupação está no uso sem prescrição de vários medicamentos ao mesmo tempo. Os remédios da família do sildenafil não podem ser misturados com medicações à base de nitratos – usadas para algumas doenças cardíacas –, já que essa combinação provoca uma queda da pressão arterial muito acentuada. Como o leigo, muitas vezes, desconhece os componentes dos fármacos que utiliza, a prescrição de um eventual medicamento para disfunção erétil deve vir invariavelmente de um médico que conheça o histórico completo do paciente – doenças pregressas e atuais, antecedentes familiares, tratamentos realizados, etc.  Os riscos do uso recreativo de remédios para disfunção erétil Com a popularização do sildenafil, há também homens saudáveis que, embora não tenham problema algum, usam esses remédios de forma recreativa, seja por curiosidade, seja por medo de falhar no ato sexual. Os médicos observam que especialmente os mais jovens têm aderido a essa prática, que, além não trazer benefícios extras à relação, não está isenta de efeitos indesejáveis, entre eles dor de cabeça, rubor na face, congestão nasal, zumbido, palpitações cardíacas e alterações visuais, para citar os mais relatados.  Especialistas em comportamento ainda alertam para o risco de dependência psicológica desses medicamentos em tais circunstâncias, sobretudo entre os rapazes mais novos, que podem passar a atribuir a qualidade de suas relações ao remédio e deixar de acreditar que são capazes de manter a ereção sem esse apoio químico justamente quando estão no ápice de seu vigor sexual, obrigando-se ao uso contínuo de um fármaco que, de outra forma, seria totalmente dispensável.  Mas dá para evitar tudo isso com uma boa conversa com o urologista. Aproveite o Novembro Azul, mês da saúde masculina, e marque uma consulta.

04/11/2019
Prevenção

Vamos abaixar o som? Cuidados com a audição

O advento dos tocadores digitais de música, no início deste século, seguido do lançamento de smartphones cada vez mais completos nos dias atuais, colocou o fone de ouvido definitivamente no cotidiano das pessoas, de crianças inclusive. Hoje, onde quer que estejamos tem sempre alguém desligado do ambiente e mergulhado em um entretenimento nada silencioso, que inclui música, é verdade, mas também jogos, séries, vídeos, filmes e todo tipo de informação audiovisual. Diante dessa febre, os especialistas em audição estão preocupados com o volume do som desses aparelhos. Segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial, estudos indicam que uma pessoa que fica exposta 40 anos a um som de 90 decibéis (dB) tem 25% de chance de sofrer perda auditiva. Uma vez que a potência máxima dos aparelhos disponíveis no mercado varia de 90 a 120 dB, uma parte dos jovens que atualmente mantêm o fone de ouvido no volume máximo todos os dias, por muitas horas seguidas, corre o risco de chegar à meia-idade com alguma dificuldade para escutar.  Na prática, o tempo de uso do fone e a intensidade do som determinam o limite de tolerância ao ruído, após o qual há risco de lesar as células auditivas precoce e irreversivelmente. Enquanto um ruído de 85 dB, equivalente ao de uma avenida movimentada, pode ser tolerado por até oito horas, um de 115 dB, correspondente ao estrondo dos fogos de artifício, pode ser suportado por apenas sete minutos. Se o smartphone for muito potente, deixar o som do fone no volume máximo é quase o mesmo que ter uma comemoração de réveillon bem perto do tímpano.  É fácil de prevenir a perda de audição Apesar do risco, a perda auditiva por ruído é a mais simples de evitar porque só depende de proteção adequada e bom senso. Quem trabalha na rua, com britadeiras, ou na indústria usa equipamentos de proteção individual. Músicos também utilizam protetores auditivos que selecionam os sons. O fato é que é perfeitamente possível passar o dia com o fone de forma segura para a audição. A regra se resume a abaixar o volume do aparelho e fazer intervalos. Por outro lado, quanto mais alto estiver o som, menos tempo deve-se ficar com o acessório, entre outras dicas dos especialistas que você confere a seguir. Se você usa fone cotidianamente, procure um otorrinolaringologista para saber como anda sua saúde auditiva.    Faça bom uso do fone de ouvido Prefira aparelhos com limitadores de som, que avisam quando o volume está muito alto e insalubre. Na dúvida, mantenha o volume de seu smartphone em 60% da potência, um ponto seguro. Não aumente o volume quando estiver em locais barulhentos, como o metrô, que alcança 110 db. Nessa situação, você pode chegar facilmente à potência máxima do aparelho. Use fones externos, em formato de concha, uma vez que os posicionados no interior do ouvido não só impedem a saída natural da cera, como também permitem que o som chegue mais rápido ao tímpano. Caso tenha adolescentes em casa, monitore o volume do som. Se der para escutar o ruído dos fones que eles utilizam a um metro de distância, é sinal de que o volume está nocivo.

04/11/2019
Saúde do Homem

Hora de pensar na próstata: o que é? Cuidados

Novembro Azul na DaVita Em primeiro lugar, saiba mais sobre ela. Localizada na parte baixa do abdome, a próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino e tem a função de fabricar esperma, líquido que nutre os espermatozoides e facilita seu deslizamento até o óvulo, cumprindo, portanto, importante papel na fase reprodutiva do homem.  Acontece que, entre os 40 e 50 anos de idade, as células prostáticas começam a se multiplicar, em parte estimuladas pela própria testosterona, e promovem um crescimento anormal da glândula, a chamada hiperplasia benigna da próstata, que afeta de 80% a 90% dos indivíduos do sexo masculino na meia-idade, segundo especialistas. Dada sua proximidade com os órgãos do trato urinário, a glândula, aumentada, pressiona a bexiga. Com isso, o homem passa a ter dificuldade para expelir todo o volume urinário acumulado, sentindo necessidade de urinar várias vezes, especialmente durante a noite.   Apesar de os sintomas se intensificarem a partir dos 60 anos, muitos homens chegam a conviver pacificamente com eles. Contudo, para cerca de um terço da população masculina afetada, esse quadro prejudica bastante a qualidade de vida e requer tratamento, que pode ser cirúrgico ou medicamentoso, tanto com fármacos que relaxam a uretra quanto com os que bloqueiam a ação da testosterona na glândula. Tudo vai depender do grau de aumento da próstata. Câncer de próstata – como se prevenir  Pode acontecer também de as células que se multiplicam na região serem malignas e capazes de invadir tecidos vizinhos, dando origem ao câncer de próstata, o segundo mais comum no sexo masculino – o Instituto Nacional do Câncer estima que surgem mais de 60 mil novos casos por ano no Brasil. Por se tratar de uma doença mais frequente depois dos 65 anos, seu desenvolvimento costuma ser lento e assintomático. As manifestações clínicas, que incluem também queixas urinárias, só aparecem num estágio avançado, quando as chances de cura são menores. Por isso, é preciso ter uma postura vigilante para flagrar o tumor no início, conhecer sua natureza e definir a conduta, que, não raro, pode ser simplesmente de acompanhamento com exames. Contudo, diferentemente do que ocorre com o câncer de mama, em que se recomenda o rastreamento mamográfico para todas as mulheres sem sintomas em determinados grupos etários, a pesquisa do câncer de próstata em indivíduos que não apresentam queixas não é feita indistintamente, mas conforme a idade, a história e os riscos de cada paciente. Para facilitar, as sociedades médicas recomendam que homens a partir de 50 anos visitem um urologista para uma avaliação individualizada. Já aqueles que têm risco aumentado de câncer de próstata, como afrodescendentes e pessoas com histórico da doença na família, devem procurar o médico mais cedo, aos 45 anos.  Nos dois grupos, a avaliação pode incluir o exame da glândula, realizado no consultório, e testes laboratoriais, como a dosagem do antígeno prostático específico, ou PSA, um biomarcador, presente no sangue, que aumenta quando há alterações de qualquer natureza na próstata. A periodicidade das consultas é definida caso a caso. Aproveite este mês para cuidar de sua saúde. Marque uma consulta com um urologista.

28/10/2019
Saúde da Mulher

Câncer de colo de útero: atenção à prevenção

O Outubro Rosa foi criado para conscientizar as mulheres sobre a importância do rastreamento do câncer de mama, mas vale aproveitar a oportunidade e extrapolar a campanha para a prevenção de outras doenças bastante incidentes na população feminina, como o câncer de colo de útero, o terceiro mais comum entre as mulheres, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Predominantemente, o câncer de colo de útero está associado ao papilomavírus humano, o HPV, transmitido pela via sexual. A infecção na vagina e em demais áreas da região genital por esse vírus é muito frequente na população geral e pode até se resolver de modo espontâneo. Contudo, dependendo da imunidade de cada pessoa, combinada a outros fatores de risco, existe a possibilidade de o HPV causar alterações celulares no tecido uterino com risco de evolução para câncer.  Essa transformação, entretanto, costuma levar alguns anos. Por isso se recomenda que as mulheres realizem, após o início da vida sexual, o exame citopatológico, também conhecido como Papanicolaou. Por meio dele, é possível reconhecer precocemente essas lesões precursoras de câncer, permitindo seu tratamento e impedindo sua evolução. Em geral, o exame deve ser feito uma vez por ano, como o rastreamento dos tumores de mama, mas cada mulher pode receber orientações personalizadas, conforme avaliação de seu médico. Atualmente também se indica que as meninas sejam imunizadas contra o HPV antes do início da atividade sexual, dos 9 aos 14 anos, bem como os meninos, dos 11 aos 14 anos. A vacina, tetravalente, protege contra os subtipos mais frequentes do vírus, dois deles associados a verrugas genitais, que também podem afetar o sexo masculino, e outros dois relacionados com nada menos que 70% dos casos de câncer de colo uterino.  Por conta da imunização, talvez as futuras gerações de mulheres tenham menos câncer de colo de útero, mas, por enquanto, essa estratégia não substitui as demais medidas de prevenção, que, além do Papanicolaou, exigem a neutralização e/ou redução dos fatores de risco e o uso de preservativo em todas as relações sexuais. Muito embora proteja apenas parcialmente contra o HPV, o preservativo, não custa lembrar, impede o contágio com outros agentes de doenças sexualmente transmissíveis. Procure seu ginecologista e aproveite este mês para colocar sua saúde em dia! Conheça os fatores de risco para o câncer de colo de útero - Infecção pelo HPV- Múltiplos parceiros sexuais- Início precoce da atividade sexual- Tabagismo- Uso prolongado de pílula anticoncepcional- Queda na imunidade (por doenças ou tratamentos)

28/10/2019
Bem-estar

Em busca do envelhecimento saudável

O mundo está envelhecendo devido ao aumento global da expectativa de vida e à queda dos níveis de fertilidade. Assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, em 2050, as pessoas com mais de 60 anos vão somar 2 bilhões no planeta. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula que, em 2060, os idosos serão 32% da nossa população – hoje o porcentual fica em torno de 13%. Pelo que demonstram as estatísticas, portanto, quem está ainda distante da meia-idade vai viver bastante, com boas chances de passar dos 80 anos. O que se desenha no horizonte, entretanto, é como vamos chegar lá. Segundo levantamentos feitos pelo Ministério da Saúde, 25,1% dos idosos brasileiros têm diabetes, 18,7% são obesos, 57,1% são hipertensos e 66,8% estão na faixa de sobrepeso – e tudo isso é fator de risco para doenças cardiovasculares, as que mais causam morbidade e mortalidade em nosso país. Diante do envelhecimento populacional, as demências também se avolumam, com 55 mil novos casos a cada ano no Brasil, especialmente da doença de Alzheimer, de acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.  Em face desse cenário, o desafio não é o de conseguir apagar sete, oito ou nove dezenas de velhinhas, e, sim, o de comemorar esses aniversários com a maior disposição possível, de corpo e mente. Estudos estimam que os hábitos cultivados ao longo da vida, bons e maus, respondem por mais de dois terços do nosso estado de saúde na maturidade. O resto vem do que herdamos de nossos progenitores. Dessa forma, temos grande responsabilidade sobre o que nos advém no terceiro tempo da vida. Num mundo que está ficando de cabelos brancos, portanto, a palavra-chave deve ser planejamento. Não dá para começar a pensar no assunto aos 60 anos, ensinam os especialistas, mas cada vez mais instrumentalizar crianças e jovens a chegarem à meia-idade e à maturidade em boas condições, não só do ponto de vista físico e emocional, mas também social e financeiro.  Isso implica cultivar um estilo de vida saudável desde cedo, o que inclui controlar o estresse, usar os meios de prevenção disponíveis contra doenças, como acompanhamento médico, exames periódicos e vacinação, praticar atividade física regularmente, manter a mente ocupada, ter uma rede de relacionamentos e, evidentemente, tentar poupar algum dinheiro durante a vida economicamente ativa, entre outras medidas que descrevemos a seguir.  Cumprindo essa cartilha preventiva, pode ser mais fácil viver bem depois dos 60 anos. Mesmo que a genética traga alguma surpresa, sempre é menos complicado enfrentar um problema de saúde quando não há outras doenças associadas, causadas por maus hábitos. Comece hoje mesmo a preparar o terreno para que você vivencie, no futuro, todas as experiências com as quais sonha. Orientações para viver mais tempo e com mais saúdeOs cuidados que precisamos ter para envelhecer com saúde são quase os mesmos que devemos adotar em qualquer idade para desfrutar de bem-estar.  Com o corpo - Não fume. Vale lembrar que a fumaça do cigarro exala mais de 4,7 mil substâncias tóxicas e patrocina diversas doenças, inclusive vários tipos de câncer. - Beba com moderação, sempre preferindo o vinho tinto a outras bebidas, uma vez que ele é rico no antioxidante resveratrol. Só não ultrapasse uma taça por dia. - Mantenha-se no peso ideal para sua idade e gênero. - Faça exercícios regulares, no mínimo 150 minutos de atividade moderada por semana, como recomenda a OMS. - Não tome nenhum remédio por conta própria. - Respeite a necessidade de sono de seu corpo. - Cuide da saúde bucal e dos dentes, com escovação após as refeições e visitas periódicas ao dentista. - Tome todas as vacinas indicadas para sua idade. Na dúvida, consulte o Calendário Nacional de Vacinação. - Faça uma visita médica anual com um médico de sua confiança. Tanto homens quanto mulheres devem passar por exames preventivos para rastrear as doenças mais prevalentes, cujo diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Com a alimentação - Mantenha uma dieta rica em frutas, vegetais, cereais, carnes magras e leite e derivados desnatados. - Evite o consumo de leite e derivados integrais, congelados industrializados, comida ultraprocessada, embutidos, miúdos, carnes gordas, crustáceos, bacon, banha e gordura vegetal  hidrogenada, entre outros do mesmo gênero. - Dê preferência para alimentos assados ou cozidos, evitando ao máximo as frituras. - Pelo menos duas ou três vezes por semana, troque a carne vermelha por frango sem pele ou peixe. - Consuma o mínimo possível de sódio, olhando rótulos e substituindo o sal de mesa por ervas, por exemplo, e fique de olho na pressão arterial. - Ingira cerca de 25 a 35 gramas de fibras por dia para ajudar o intestino a funcionar bem, prevenir o câncer colorretal e controlar o colesterol.

21/10/2019
Prevenção

Osteoporose: causas, sintomas, prevenção

Responda rápido: você já pensou em sua saúde óssea? Pois deveria. A osteoporose, condição clínica que torna o esqueleto frágil e predisposto a fraturas bastante incapacitantes, afeta 200 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, 10 milhões só no Brasil. Por fazer parte do processo natural de envelhecimento, num mundo que vem aumentando globalmente a expectativa de vida, tende a atingir cada vez mais pessoas. O sexo feminino é o mais acometido devido à queda brusca, na meia-idade, do hormônio estrógeno, que estimula a fixação de cálcio nos ossos. Segundo os especialistas, nos cinco anos subsequentes à menopausa, as mulheres sofrem uma perda óssea de 3% a cada ano. Os homens também experimentam esse processo, mas numa velocidade bem mais lenta. Até os 65 anos, estima-se que a queda de massa óssea masculina seja de 0,5% ao ano. Por volta dos 70 anos, a perda anual fica em 1% para ambos os sexos. Há também a osteoporose secundária, causada pelo uso crônico de determinados medicamentos, como corticoides e anticonvulsivantes, por diversas outras doenças, de distúrbios endócrinos (diabetes, disfunções da tireoide), passando por afecções reumáticas (artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico), até condições hematológicas (leucemias, linfomas), e também pelo tabagismo e pelo alcoolismo. Como ocorre a perda de massa óssea Qualquer que seja o desencadeante, a perda de osso provém do desequilíbrio entre o trabalho das células ósseas – osteoclastos e osteoblastos – que participam da renovação periódica do esqueleto na vida adulta.  Até os 20 anos, o processo de formação óssea predomina nas pessoas, sendo, em sua maior parte, dependente da genética e, em sua menor parte, da atividade física, da nutrição e do nível de desenvolvimento da puberdade. Após essa faixa etária, prevalece o processo de remodelação óssea, no qual os osteoclastos removem tecido ósseo antigo, abrindo cavidades, e reabsorvem os minerais, enquanto os osteoblastos preenchem tais espaços com osso novo. Tudo isso ocorre sob estímulo hormonal – incluindo a vitamina D, essencial para a absorção de cálcio – e também sob estímulo mecânico gerado pelo exercício físico. A partir da meia-idade, ou até antes, no caso da osteoporose secundária, esse trabalho tão simétrico começa a ficar descoordenado. Os osteoclastos, que degradam osso, trabalham mais rápido que os osteoblastos, que repõem esse tecido. A degeneração óssea, no entanto, não atinge igualmente a todos. Quem consumiu bastante cálcio na juventude forma uma boa reserva e consegue passar ao largo do déficit de produção de osso novo. Contudo, quem poupou pouco do mineral sofre mais as consequências na maturidade.  Sintomas em forma de fraturas A primeira etapa dessa degeneração é a osteopenia, que, sem nenhuma intervenção, evolui em silêncio para osteoporose até que haja uma fratura, que ocorre espontaneamente, diante de um esforço para tossir, por exemplo, ou devido a um trauma leve, geralmente queda. As lesões nas vértebras são as mais comuns em pessoas com a doença. Podem provocar dor crônica e deformidade, além de limitarem os movimentos e até interferirem na capacidade respiratória.  Outra fratura característica é a de fêmur, que representa a face mais grave da osteoporose, já que requer hospitalização para o tratamento cirúrgico da lesão e imobilização prolongada, com risco de complicações importantes, como trombose, tromboembolismo pulmonar e pneumonia, aumentando a taxa mortalidade pela doença – sem falar na dependência de terceiros para a realização de qualquer atividade da vida diária e na perda de produtividade.  Um estudo recente, publicado em março de 2019 no periódico científico Journal of Medical Economics, revelou que o custo da osteoporose no mundo por conta de hospitalização decorrente de fraturas osteoporóticas soma 19,8 bilhões de reais por ano, mais que o do infarto do miocárdio (16,7 bilhões de reais) e do acidente vascular cerebral (11,7 bilhões de reais). O Brasil, sozinho, gasta 1,2 milhão de reais com a doença, entre custos de saúde e previdenciários. Como diagnosticar a osteoporose antes da fratura Diante desse panorama, a osteoporose pode ser considerada mais uma ameaça fantasma na meia-idade, para as mulheres, e na maturidade, devendo ser adequadamente investigada antes que ocorra uma fratura. Para pesquisá-la, os médicos utilizam a densitometria óssea, um exame que mede a densidade do fêmur e da coluna e compara os resultados com os da média de massa óssea de uma população jovem do mesmo sexo do paciente avaliado. O exame é indicado universalmente para mulheres a partir de 65 anos e homens a partir de 70 anos, de acordo com a Sociedade Internacional de Densitometria Clínica, com periodicidade que varia de indivíduo para indivíduo. Abaixo dessa idade, deve ser realizado na presença de fatores de risco, sobretudo antecedente de fratura osteoporótica, doença associada à diminuição da massa óssea e baixo peso. Uma vez constatada a perda inicial de massa óssea, a primeira providência é ajustar a dieta para a ingestão correta de cálcio e vitamina D ou, então, recorrer ao uso de suplementos desses nutrientes. Se, contudo, a osteoporose já estiver em curso, o substrato básico para a formação de ossos não basta, havendo necessidade de medicamentos específicos para impedir a degeneração e estimular a formação óssea, como os bisfosfonatos, a calcitonina e os fármacos biológicos, feitos por meio de biotecnologia.  Mas ninguém precisa chegar a esse ponto. É fundamental consultar um médico regularmente para avaliar também a saúde óssea e, em paralelo, seguir o exemplo das crianças – apostar fortemente em exercícios físicos, ingerir alimentos ricos em cálcio e manter a vitamina D em níveis adequados no organismo. Isso também é garantia de independência e qualidade de vida na maturidade. Prevenção começa na infânciaMesmo se tratando de uma doença relacionada à meia-idade e à maturidade, a osteoporose deve começar a ser prevenida ainda na infância, com a formação de uma boa reserva óssea, o que só é possível com a manutenção dos lácteos na dieta das crianças e dos adolescentes, já que se constituem na principal fonte de cálcio.  Dos 14 aos 18 anos, especialmente, a família deve zelar para que a garotada chegue a um consumo de 1.300 mg de cálcio por dia – quase a mesma ingestão recomendada para mulheres na pós-menopausa e homens acima de 70 anos, de 1.200 mg –, o equivalente a cinco porções lácteas, como um copo de leite de 200 mL, um pote de iogurte de 200 g ou uma fatia de queijo branco de 50 g.  Outra estratégia importante é a prática regular de atividade física, visto que, assim como os músculos, o esqueleto se fortalece com os exercícios, sobretudo os de impacto, como corrida, vôlei, basquete, handebol e vários outros esportes em que os pés em algum momento ficam fora do solo.  Para completar, os especialistas recomendam 20 minutos de exposição diária ao sol, sem protetor, em horários de menor concentração de raios ultravioleta, ou seja, antes das 10 horas e depois das 16 horas. Ocorre que o astro-rei, quando toca a pele, mesmo em parte do corpo – só com braços e pernas expostos –, faz com que o organismo produza a vitamina D necessária para um dia. Pela dieta, essa meta é quase impossível, uma vez que poucos alimentos contêm o nutriente. Mais um motivo para sair de casa e se exercitar com as crianças ao ar livre, no parque ou na quadra.

21/10/2019
Bem-estar

Para sair da depressão

Há uma epidemia de depressão no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a condição afeta 4,4% da população da Terra, o que hoje totaliza por volta de 340 milhões de pessoas, sendo a quarta principal causa de incapacitação, em qualquer classe social. Apesar de a doença ocorrer com mais frequência em locais com inverno muito rigoroso – devido ao isolamento social e à ausência de luz do sol, como acontece na Finlândia –, o Brasil, um país tipicamente tropical, ostenta a nada orgulhosa marca de nação mais depressiva da América Latina, tendo quase 6% da população acometida por esse transtorno, ou 12,6 milhões de brasileiros, de acordo com os números atuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diferentemente da tristeza, que faz parte da natureza humana, tem motivos conhecidos e cessa em curto prazo, a depressão é uma doença psiquiátrica crônica, associada a uma forte predisposição genética e causada por um desequilíbrio bioquímico no cérebro, que reduz a produção de neurotransmissores relacionados ao humor e ao bem-estar, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, entre outros. Essas substâncias transmitem impulsos entre as células do cérebro, formando vários caminhos neurais que resultam em cognição, interesse e vontade. Assim, dá para entender por que a menor oferta desses neurotransmissores leva a um quadro de infelicidade profunda, desinteresse geral e falta de vitalidade, muitas vezes sem razão, embora possa haver algum gatilho, como veremos a seguir. Além disso, o quadro aumenta a vulnerabilidade do indivíduo a adoecer fisicamente, na medida em que mina suas defesas naturais e favorece o estado inflamatório do organismo. Isso explica, por exemplo, sua relação com doenças cardiovasculares, dores crônicas e infecções recorrentes. Por que o mundo anda deprimido? Segundo os especialistas, diversos motivos podem justificar esses números. Como primeiro argumento, vale assinalar que a depressão tem sido mais diagnosticada. A doença sempre existiu, é verdade, mas não só havia poucos profissionais de saúde capacitados para detectá-la, como também os pacientes, por falta de informação, mantinham os sintomas e sinais em segredo, temendo ser mal interpretados. Outro fator que contribui fortemente para aumentar a incidência é o estresse, que hoje afeta a maior parte das pessoas ao redor do globo, expostas a trabalho extenuante, violência urbana, medo do desemprego, trânsito, filas intermináveis, intempéries da natureza... Essa tensão diária atormenta a saúde mental na mesma proporção, por exemplo, que o cigarro faz mal para as artérias do coração e do cérebro, assim como para as lesões pulmonares. E essa tensão sem controle acaba culminando em transtornos de humor, entre os quais a depressão.  O consumo de álcool, de drogas ilícitas e até de certos medicamentos também predispõe ao desenvolvimento da doença e vem aumentando em todo o mundo, em especial entre os mais jovens. Algumas condições de saúde ainda favorecem o quadro, como hipotireoidismo e outras disfunções hormonais, obesidade, doenças cardíacas, doenças neurodegenerativas, câncer, traumas físicos e psicológicos e enxaqueca crônica, entre outros.  Por fim, fatos naturais da vida e do cotidiano servem como gatilhos para quadros depressivos, sobretudo para quem já apresenta histórico familiar de alterações do humor, a exemplo de divórcio, demissão e perda de um ente querido, bem como determinados comportamentos, como o uso excessivo de redes sociais – o deprimido, mais facilmente que outros, sente que todos têm uma vida melhor que a sua, viajam, divertem-se e contam com amigos e relacionamentos perfeitos.  Tratamento da depressão à base de terapia e medicamentos É importante salientar que a depressão não é uma doença autolimitada, que se resolve sozinha – ao contrário de um estado de espírito, como a raiva, a decepção e a tristeza. Pode durar de meses a anos e requer tratamento e manutenção constante. Se as pessoas conseguem conviver com a forma leve, empurrando o cotidiano do jeito que dá, a grave pode ser paralisante e ter um desfecho ruim, com comportamentos e atos suicidas.  O fato é que não dá para negligenciar o quadro nem classificá-lo como falha de caráter ou, ainda, considerá-lo como um comportamento normal da idade, notadamente em jovens e idosos, que tendem a se isolar. Deve-se buscar ajuda médica ao reconhecer os primeiros sinais e sintomas, de preferência com psiquiatra, e seguir as recomendações terapêuticas à risca. Afinal, quem teve uma primeira crise, de acordo com os especialistas, apresenta 50% de chance de passar por uma segunda e esse percentual vai se elevando conforme se repetem os episódios.  O tratamento usualmente combina psicoterapia com medicamentos. Nos casos mais leves, pode se restringir à abordagem psicológica. Os antidepressivos, no entanto, são fundamentais nos quadros moderados e graves, com o objetivo de tirar a pessoa da crise. Contudo, os fármacos não fazem efeito rapidamente, levando de duas a quatro semanas para que comecem a oferecer alguma melhora, e costumam causar alguns efeitos colaterais. Por isso, no começo, o paciente requer atenção médica e psicológica bem frequente para aderir às medicações e às sessões psicoterápicas.  A prática de atividade física é altamente recomendável em qualquer grau de depressão, uma vez que os exercícios levam o corpo liberar endorfina e outras substâncias associadas ao bem-estar. Por fim, o apoio e o acolhimento dos entes queridos têm particular importância nesse contexto. Os familiares devem se informar sobre a doença, valorizar as queixas do paciente e participar de seu tratamento, procurando entender que estão diante de uma condição crônica de saúde como outra qualquer – que demanda e pode apresentar seus altos e baixos. Ao mesmo tempo, precisam funcionar como uma referência para ajudar o indivíduo a manter determinados padrões, como se alimentar nas horas certas e de forma saudável, cuidar de sua higiene pessoal e interagir com as demais pessoas da casa.  Não é normal ficar sempre melancólico. Se o interesse pelas coisas está se esvaindo, procure orientação psiquiátrica ou peça ajuda de seu médico de confiança e de seus familiares. Vale insistir: depressão é doença e tem tratamento. Sintomas dos quadros depressivos - Angústia- Ansiedade- Baixa autoestima- Cansaço exagerado- Comportamentos compulsivos- Dificuldade de concentração- Dores crônicas- Fraqueza- Ganho ou perda de peso não intencional- Irritabilidade- Pensamentos suicidas- Perda ou redução do interesse e do prazer pela vida- Pessimismo- Problemas sexuais- Sensação de incapacidade para realizar atividades cotidianas- Sono em excesso ou insônia Dá para prevenir a depressão?Alguns cuidados podem ajudar a evitar a instalação do desequilíbrio bioquímico que caracteriza a depressão: Faça atividades que deixem a mente mais livre de preocupações e pensamentos nocivos, a exemplo de hobbies: leituras, cursos, pintura, jardinagem, música, canto... Controle o estresse. Administre os fatores que estão ao seu alcance, como evitar os horários de pico no trânsito, em shoppings, em repartições públicas e outros, e aprenda a lidar com aqueles sobre os quais não tem controle.  Pratique exercícios físicos regularmente, já que eles ajudam o organismo a produzir agentes químicos essenciais para a manutenção do humor. Sem contar que auxiliam a boa forma, melhorando a autoestima. Mantenha uma alimentação saudável, à base de alimentos consumidos pelos mediterrâneos, como azeite de oliva, nozes e castanhas, peixes, frutas e vegetais, os quais são ricos em gorduras e antioxidantes que fazem muito bem à saúde da rede de neurônios. Evite o consumo de álcool e drogas, que são devastadores para o cérebro e podem precipitar estados depressivos.

14/10/2019
Saúde da Mulher

Prevenção Para Levar Vantagem Sobre O Câncer De Mama

Outubro Rosa DaVita A detecção precoce é uma estratégia em medicina que permite a identificação de um determinado problema de saúde numa fase em que ainda não há sintomas. O rastreamento do câncer de mama com mamografia periódica tem justamente esse objetivo, ou seja, detectar o tumor em seu estágio inicial, quando ele ainda tem uns poucos milímetros e não é palpável nem para a paciente nem para o médico. Embora receber um diagnóstico de câncer seja ainda uma notícia de difícil processamento, a neoplasia de mama, quando diagnosticada precocemente, tem mais de 90% de chance de cura. O tratamento tende a ser mais conservador, o que significa remoção de apenas uma parte da mama, a chamada quadrantectomia, combinada ao uso de radioterapia e de bloqueio hormonal. Além disso, é possível fazer a reconstrução mamária. Previna o câncer de mama: não deixe os exames para depois Apesar dos avanços, a taxa de mortalidade pela doença permanece elevada. O Brasil registrou 15.403 mortes por câncer de mama em 2015, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Ocorre que, na grande maioria dos casos fatais, o diagnóstico é tardio. Por falta de acesso a serviços médicos, desconhecimento, negligência com a própria saúde ou até receio do que possa ser encontrado, muitas mulheres descobrem a doença num momento em que ela está mais evidente e, portanto, mais avançada. Nessa fase, não só o tratamento é mais radical, com cirurgia mais invasiva e quimioterapia, como também há mais chance de as células cancerígenas migrarem para outros órgãos.  O Outubro Rosa propõe justamente uma conscientização para que as mulheres jamais adiem esse compromisso periódico com sua saúde. Para que se informem, procurem seus médicos e realizem os exames periódicos indicados, de forma que, se tiverem de enfrentar um câncer de mama, possam fazê-lo em condições de vantagem. Procure seu ginecologista ou mastologista e marque os exames de rastreamento quanto antes.  

30/09/2019
Prevenção

Alzheimer: causas, sintomas e como evitar

As preocupações que circundam o diagnóstico da demência impõem à família do doente inúmeros questionamentos: em quanto tempo ele ainda vai se lembrar de nós? Como vamos cuidar dele? Teremos recursos para bancar cuidados e medicamentos? Será que precisaremos colocá-lo numa instituição? Essas e outras questões têm passado não só pela cabeça dos familiares dos mais de 50 milhões de portadores de Alzheimer no mundo, número que deve triplicar em 30 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), como também pelas planilhas das autoridades sanitárias, já que o envelhecimento é um dos principais fatores de risco para desenvolver a condição. Quanto mais a população mundial viver – e as estimativas apontam que os idosos passarão de 2 bilhões em todo o globo em 2050 –, maior será o contingente de pessoas com a doença.  Em vista desse caráter epidêmico que se desenha para o futuro, a OMS lançou, há dois anos, um Plano de Ação Global para Demências, que vai até 2025 e sugere aos países ações em sete frentes bastante carentes de iniciativas: priorização em saúde pública; redução do risco; diagnóstico, tratamento e apoio; conscientização e criação de associações amigáveis aos portadores; suporte para os cuidadores; divulgação de informações; pesquisa e inovação. Para ter uma ideia do quanto ainda precisa ser feito em todas essas searas, a OMS comparou as pesquisas científicas sobre demências com as que abordaram outras doenças. Em 2016, 7 mil estudos sobre Alzheimer foram publicados em periódicos científicos. Pareceu um bom montante, à primeira vista, mas não chegou à metade dos 15 mil trabalhos publicados no mesmo ano sobre diabetes e nem passou perto dos 99 mil sobre câncer.  O que acontece no cérebro de quem tem Alzheimer Considerada a demência mais comum, a doença de Alzheimer é causada pelo depósito de duas proteínas no cérebro: a beta-amiloide, que se acumula em placas nos espaços existentes entre os neurônios; e a tau, que se concentra dentro deles. Como consequência desse processo, há uma perda progressiva de neurônios no hipocampo, que rege a memória, e no córtex cerebral, que também é essencial para as lembranças, mas igualmente para a linguagem e a articulação, o reconhecimento de estímulos relacionados aos cinco sentidos e o pensamento abstrato. A morte das células neuronais dessas áreas provoca declínio cognitivo, ou seja, a pessoa vai desaprendendo o que adquiriu em matéria de conhecimento ao longo da vida, e esquecimento das lembranças, primeiro das mais recentes, depois das remotas. O quadro progride com desorientação no tempo e no espaço e dificuldade de comunicação e de raciocínio, chegando à total dependência  Diagnóstico precoce faz toda a diferença Infelizmente ainda não há cura para a demência. O portador requer, o quanto antes, cuidados de uma equipe multidisciplinar que inclui médico, fonoaudiólogo, psicólogo e outros. O tratamento inclui fármacos que ajudam a resguardar a função do cérebro por mais tempo, como a rivastigmina, disponível também em forma de adesivo – mais bem tolerado –, inclusive na rede pública. Além disso, podem ser usados medicamentos para o controle das doenças que costumam estar associadas ao quadro, como a insônia e os transtornos de humor. Quanto mais cedo essa abordagem começar, melhor para o paciente – e também para seus cuidadores. Um dos primeiros sintomas do Alzheimer é justamente a perda da memória recente. Na dúvida entre o esquecimento corriqueiro, associado ao estresse, e o decorrente de uma síndrome demencial, torna-se indispensável procurar um neurologista para esclarecimentos. O diagnóstico é clínico, feito no consultório por meio de avaliação neuropsicológica, que consiste em um teste para o indivíduo memorizar detalhes e repeti-los depois de minutos, e por exame neurológico, que mede força e reflexos.  Estudos complementares de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada do crânio, costumam ser solicitados para excluir outras causas, como acidente vascular cerebral e tumores cerebrais. Mais recentemente, a dosagem das proteínas beta-amiloide e fosfo-tau no liquor, líquido que ocupa o espaço entre o cérebro e as meninges, também tem sido empregada na investigação, muito embora eventuais alterações nos resultados, sozinhas, não confirmem o diagnóstico, devendo ser associadas aos sintomas. Esforço para blindar a memória Se a ciência ainda não sabe explicar exatamente o que causa os depósitos de placas de proteínas no cérebro, estudos já indicam que há fatores ambientais implicados em aumento do risco dessa demência, incluindo aqueles mesmos que elevam as chances de desenvolver doenças cardiovasculares e câncer, como sedentarismo, obesidade, diabetes, tabagismo e excesso de consumo de bebidas alcoólicas. Portanto, o esforço feito ainda na meia-idade para envelhecer bem, embora não previna diretamente a doença, vale também para a manutenção da saúde cerebral. A baixa escolaridade está relacionada ao desenvolvimento do Alzheimer. A riqueza de conexões advinda da atividade intelectual ajuda os impulsos nervosos a terem mais caminhos para contornar as lesões cerebrais e retarda o surgimento dos sintomas. Por isso, recomenda-se manter sempre uma atividade que estimule o trabalho cerebral. Invista em desafiar o cérebro com leituras, jogos tradicionais e eletrônicos, palavras cruzadas, cursos e novos aprendizados. Comece já!  Como o Alzheimer se manifestaDe acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer, os sintomas da doença se dividem em três fases: leve, moderada e grave: Fase leve - Perda de memória recente- Dificuldade para achar palavras e tomar decisões- Desorientação no tempo e no espaço – a pessoa não sabe onde e em que dia está- Falta de iniciativa- Desmotivação geral- Sinais de transtornos de humor- Agressividade- Falta de interesse por atividades e distrações Fase moderada - Prejuízo maior da memória, com esquecimento de acontecimentos relevantes e de nomes de pessoas próximas- Dependência importante de outras pessoas, inclusive para a higiene pessoal e o autocuidado- Aumento da dificuldade para falar e se expressar- Agressividade, irritabilidade e inquietação - Desconfiança e ciúmes - Alucinações visuais e auditivas Fase grave- Perda da memória recente e antiga, com muita dificuldade para a recuperação de informações do passado e o reconhecimento de pessoas e locais conhecidos- Dificuldade na alimentação e na deglutição- Baixa capacidade de entender o que se passa no ambiente- Desorientação dentro da própria casa- Possível incontinência urinária e fecal- Prejuízo motor, com necessidade de auxílio para se deslocar e evolução para uso de cadeira de rodas- Necessidade de permanecer acamado, o que usualmente leva a infecções recorrentes, como pneumonia

30/09/2019
Bem-estar

Estresse: se não dá para viver sem ele, é possível reduzir seus efeitos

A tensão de uma determinada situação faz o organismo liberar diversas substâncias para enfrentar o perigo ou escapar dele, entre as quais a adrenalina e o cortisol, dois hormônios que desencadeiam uma série de reações bioquímicas e, entre outros efeitos, resultam em batimentos cardíacos acelerados, aumento da pressão arterial e maior aporte de energia nos músculos – é o estresse, uma resposta orgânica bem conhecida dos brasileiros, visto que nosso país ocupa o segundo lugar no ranking das nações mais estressadas do mundo, de acordo com a International Stress Management Association do Brasil (Isma-BR). Se essa reação natural assegurou a sobrevivência da espécie humana em condições muito ameaçadoras, hoje a tensão constante, dia após dia, torna-se prejudicial ao organismo, uma vez que já não é possível dar vazão a esse estado de alerta quando ele chega. Os estressores estão em toda parte, sobretudo nos reveses, com os quais muitas vezes é preciso conviver, a exemplo de divórcio, demissão, falecimento de pessoas queridas, violência urbana e doenças, como também em acontecimentos bons que exigem uma carga de adaptação: gravidez, nascimento de um filho, casamento e emprego novo.  O trabalho, a propósito, figura como o fator que mais provoca estresse, de acordo com levantamento da Isma-BR. A cobrança por resultados, o excesso de demandas, as longas jornadas, o enxugamento dos quadros de funcionários e o medo do desemprego, entre outros aspectos, fazem o corpo entender o cotidiano profissional como uma verdadeira arena greco-romana de gladiadores. Para completar, características pessoais ajudam a tornar tudo mais tenso, como perfeccionismo e desejo de fazer tudo ao mesmo tempo, além de gatilhos menores, mas não menos importantes para um organismo que já acorda preparado para enfrentar leões, dentre os quais se destacam o trânsito, as filas e a burocracia, só para citar alguns.  O que fazer para reduzir o estresse? Entretanto, há situações estressantes que podem ser contornadas com pequenas mudanças de ordem prática e uma dose de planejamento. Vale tentar, por exemplo, sair meia hora mais cedo para escapar do trânsito, assim como preparar antes de dormir tudo que será usado pela manhã, como roupa, uniforme, lanche ou marmita, ganhando assim o máximo de tempo possível na hora da correria.  Se o tráfego não fluir, sempre dá para tentar um plano B para transformar a dificuldade numa oportunidade – revisar a matéria da prova com as crianças a caminho da escola ou inventar um jogo divertido, aprender uma nova língua estrangeira na volta para casa, ouvir entrevistas de personalidades interessantes no trajeto e outras diferentes opções para aproveitar as horas perdidas no congestionamento. Só fique atento para não começar a trabalhar pelo celular, o que só vai aumentar o estresse.  Essa prevenção, contudo, só se aplica mesmo aos estressores pequenos, sobre os quais as pessoas exercem controle. Em relação aos demais, é preciso aprender a administrá-los e a mudar a maneira de enfrentá-los, além de incluir na rotina novos hábitos e atividades para neutralizar os efeitos das reações bioquímicas aumentando a resistência do organismo a elas. Só assim o indivíduo pode evitar que o estresse crônico evolua para ansiedade e depressão ou que contribua para aumentar o risco de desenvolvimento de outras enfermidades, como infecções e doenças cardiovasculares. Se estiver se sentindo muito desgastado, busque ajuda médica ou psicológica e, desde já, procure pôr em prática o que os especialistas sugerem para aliviar o estresse.   O corpo fala e reclama do estressePreste atenção porque ele dá sinais de que a tensão do dia a dia está fazendo mal para os órgãos e sistemas:  . No sistema cardiovascular: batimentos cardíacos aumentados, pressão arterial elevada;. No cérebro: dor de cabeça, irritabilidade, insônia ou sono em excesso, variações de humor, problemas de atenção, memória e concentração;. Na pele: acne, queda de cabelo, outras doenças cutâneas;. Nas vias aéreas: respiração curta, sensação de dificuldade para respirar;. No estômago: má digestão, azia, gastrite;. No aparelho locomotor: dores, tensão muscular, formigamento nos membros;. No comportamento: desgaste emocional, apatia, queda na libido, alteração do apetite, perda do interesse pelas coisas. Dicas para desestressar - Cotidianamente, reserve uma parte do dia para uma atividade de que goste, mesmo que seja por alguns instantes. Você merece essa recompensa. - Faça exercícios físicos regularmente. Além de todos os benefícios para o sistema cardiovascular, que sofre bastante com os efeitos do estresse, esse hábito é fundamental e ajuda a produzir neuro-hormônios que melhoram o humor e o bem-estar. - Mantenha uma alimentação saudável para ajudar a blindar seu sistema imunológico e não pule refeições, sobretudo o almoço, muitas vezes negligenciado em nome de múltiplas tarefas e reuniões. Lembre-se ainda de comer com calma para a manutenção de sua saúde gástrica.  - Aliás, aproveite parte desse intervalo de almoço para descansar da rotina por alguns minutos, mesmo que não consiga sair do ambiente de trabalho. - Ao terminar o expediente, resista à tentação de olhar e-mails, mensagens em grupos de WhatsApp e telefone comercial. Do contrário, as demandas profissionais não terminam e invadem seus momentos de descanso e lazer. - Evite o consumo de estimulantes, como café, energético, cigarro e álcool. - Tente fazer alguma atividade diferente, que proporcione relaxamento e bem-estar, como meditar, pintar, colorir, cozinhar, cantar, tocar um instrumento e praticar jardinagem, entre outras, à sua escolha.  - Durma bem. Apague o quarto, desligue eletrônicos e dedique-se a descansar mente e corpo. - Cerque-se de boas relações afetivas e não abra mão de usar uma parte do seu tempo para estar com familiares e amigos.  - Engaje-se no voluntariado. Ajudar as pessoas ou aderir a uma causa são iniciativas que mexem com o sistema de recompensa do cérebro, criando bons sentimentos.  - Experimente fazer terapia. Os estressores externos perdem força quando você passa a se conhecer melhor.

23/09/2019
Prevenção

Quem doa órgãos, promove a vida

Em 2012, a jovem britânica Jemima estava ajudando a preparar a festa de aniversário da mãe quando, subitamente, desmaiou. Levada ao Hospital de Bristol, na Inglaterra, foi diagnosticada com um aneurisma cerebral e veio a falecer quatro dias depois. Como ela não apresentou nenhum problema de saúde antes do ocorrido, vários de seus órgãos estavam em condições para ser doados. E assim foi feito. Seus pais autorizaram os procedimentos e, dessa forma, o coração, o pâncreas, os pulmões, os rins, o intestino delgado e o fígado, dividido em duas partes, mudaram o destino de oito pessoas – um recorde –, sendo cinco delas crianças. Hoje, a família da menina dirige a ONG The Jemima Layzell Trust, que tem como um de seus objetivos incentivar a doação de órgãos. A doação de órgãos da pessoa falecida ainda representa um tema controverso. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o índice brasileiro de recusa, há anos, permanece na casa dos 40%. A situação é compreensível, já que envolve famílias que estão passando por um momento difícil e de sofrimento. A própria mãe de Jemima admitiu à imprensa do Reino Unido que hesitou muito para decidir, mas acabou sendo motivada por uma reportagem que mostrava a dificuldade e a baixa expectativa de vida das crianças que necessitavam de transplante de coração. No Brasil, para ser um doador basta avisar os familiares e não é necessário deixar algum documento por escrito. Por isso é tão importante conversar sobre o assunto naturalmente e expressar esse desejo, de modo a facilitar a decisão dos entes queridos num momento tão doloroso, já que a doação depende da autorização deles. Nem todos os países, no entanto, seguem a mesma legislação. A Holanda, por exemplo, aprovou há pouco tempo uma lei que torna todos os cidadãos automaticamente doadores, a não ser que a pessoa se registre como não doadora.   Remoção dos órgãos Evidentemente, os órgãos só podem ser retirados do doador após a constatação da morte encefálica, o que significa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, sem nenhuma chance de recuperação. Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é feito por exames clínicos repetidos em determinados intervalos por médicos desvinculados da equipe de transplantes (a equipe que constata o óbito não faz parte daquela responsável pela retirada dos órgãos), associados a exames complementares, como eletroencefalograma, que mede a atividade cerebral, e angiografia cerebral, que verifica o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro. Enquanto isso ocorre, o possível doador fica ligado a um ventilador, máquina que permite levar oxigênio para os órgãos, inclusive para o coração – o que possibilita que os batimentos cardíacos continuem –, de forma que todos eles permaneçam viáveis para doação. Além de rins, pulmões, fígado, intestino, coração e pâncreas, podem ainda ser aproveitados em outros pacientes os ossos, os tendões, as válvulas cardíacas, a pele e as córneas. Independentemente do caso, o órgão e/ou tecido são  retirados por meio de uma cirurgia como qualquer outra (a exemplo da remoção do apêndice ou da vesícula) e o corpo do doador não fica com deformidades relacionadas ao procedimento.   Espera ainda grande O Brasil tem avançado nesse cenário, muito embora ainda haja um número expressivo de indivíduos à espera de órgãos. De acordo com dados da ABTO, em 2018, a fila de transplantes tinha mais de 33,4 mil pessoas – a maioria aguardando rins ou córneas. Nem todos puderam ser atendidos, mas, segundo o Ministério da Saúde, foram realizados mais de 26,5 mil procedimentos – número menor que o de 2017, que contabilizou em torno de 27,4 mil procedimentos, porém significativamente superior ao de 2008, quando 18,9 mil transplantes foram realizados. Para os especialistas, o crescimento no número de doadores se deve, principalmente, ao treinamento das equipes dentro dos hospitais para a comunicação da possibilidade de doação à família do falecido. Segundo a Aliança Brasileira para a Doação de Órgãos e Tecidos, evidências científicas do mundo todo mostram que o aumento nas taxas de doação, quando as pessoas são abordadas de forma adequada, pode chegar a 500%. Mas há outros coadjuvantes nessa história. Desde junho de 2016, o Brasil mantém um avião da Força Aérea Brasileira reservado só para transportar órgãos. Além disso, um decreto de 2017 estabeleceu que qualquer médico qualificado pode notificar a morte encefálica – até então, apenas um neurologista era autorizado a fazê-lo e, na ausência dele, não raro se perdia a oportunidade do transplante.   Doação em vida Vale lembrar que esse ato nobre nem sempre ocorre num momento de dor: os órgãos provenientes de pacientes vivos também valem muito nesse contexto. Em 2018, dos 5.999 transplantes renais realizados, 17,6% foram possibilitados por pessoas vivas, que ainda podem doar parte do fígado, parte do pulmão e a medula óssea. Também existe uma legislação específica para esses casos no Brasil, que permite a doação para parentes de até quarto grau e cônjuges. Se não houver nenhum grau de parentesco entre doador e receptor, o transplante depende de autorização judicial – com exceção da medula óssea, que dispensa o aval da Justiça entre não aparentados e conta com um cadastro específico e uma gestão à parte. Para ser doador em vida, a pessoa precisa estar em bom estado de saúde, sem riscos de ter suas aptidões vitais comprometidas com o procedimento, além de ser maior de idade ou menor emancipado e juridicamente capaz. Finalmente, deve haver um receptor com indicação formal do transplante. Com esses critérios atendidos, o doador precisa fazer testes de compatibilidade com o paciente que aguarda o transplante. Se ambos forem compatíveis, uma equipe multidisciplinar acompanhará o caso para providenciar consultas e demais exames, agendando, a seguir, o dia do procedimento. Para saber mais, acesse: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-orgaos.

23/09/2019
Alimentação

Coração bem cuidado

Apesar dos avanços da ciência na hora de prevenir e identificar problemas de saúde, as doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral,  ainda apresentam as maiores taxas de mortalidade do planeta, especialmente nos países desenvolvidos e nas nações emergentes. No Brasil, causam 300 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Ocorre que, além dos riscos que já conhecemos – como o tabagismo –, o atual modo de vida, especialmente nas grandes cidades, está ajudando a deixar o coração mais vulnerável. As pessoas são mais sedentárias porque trabalham muito tempo sentadas e se deslocam em veículos automotivos; as crianças dificilmente vão e voltam da escola a pé e trocaram a brincadeira de rua pelos comandos do videogame; a comida caseira, não raro, é trocada por alimentos industrializados e por lanches de arrepiar as artérias. Mas com um pouco de vontade, todos esses hábitos podem ser mudados. Basicamente é preciso se exercitar com regularidade e comer direito, além de se manter longe do tabaco e do excesso de álcool e equilibrar as horas de trabalho ou de estudo com momentos de lazer, reduzindo o estresse.   O impacto do exercício A atividade física regular, quando feita cinco vezes na semana e pelo menos meia hora por dia, não apenas permite um melhor funcionamento do sistema circulatório, como também melhora o metabolismo, contribuindo para reduzir os níveis de colesterol e de glicose no sangue. Além disso, os exercícios ajudam a relaxar corpo e mente, diminuindo o estresse, e evitam o sobrepeso e a obesidade, também considerados fatores de risco cardiovascular por favorecerem o diabetes e a hipertensão arterial.    Prato do bem Já a alimentação deve ser rica em grãos integrais, frutas, vegetais, carnes magras e gorduras boas e, ao mesmo tempo, ter a redução de alimentos processados, gorduras saturadas, açúcar e sódio, inimigos declarados do peito. A grande quantidade de fibras presentes nessa opção confere saciedade por mais tempo, ajudando a manter o peso ideal, atrasa a entrada de glicose nas células e ainda reduz a absorção de gorduras e de colesterol pela corrente sanguínea.   Rotina organizada O controle do estresse é essencial porque esse estado, quando crônico, também agrava fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, e exerce influência negativa nas demais escolhas que ajudam a blindar o coração. Uma pessoa estressada nem sempre interrompe o trabalho para almoçar e nem acha tempo para se exercitar, por exemplo. Por isso é importante escolher atividades para desestressar – além dos exercícios – e organizar a rotina. Muitas vezes, acordar 15 minutos mais cedo pode ser a diferença entre um dia caótico e um dia tranquilo.   O papel do médico Essas mudanças estão ao alcance de qualquer pessoa, mas não custa lembrar que algumas condições que afetam o coração são silenciosas e requerem uma avaliação clínica para que sejam descobertas e tratadas. É o caso da hipertensão arterial, do colesterol elevado e do próprio diabetes. Pelo menos uma vez por ano, portanto, ainda que você não esteja sentindo nada, marque uma consulta para uma avaliação clínica geral e faça os exames laboratoriais solicitados na oportunidade. Com isso, o cerco às doenças cardiovasculares fica completo.

16/09/2019
Bem-estar

Doação em vida: como ajudar quem precisa de medula óssea

Entre os órgãos e tecidos que podem ser doados em vida, está a medula óssea, que se localiza no interior dos ossos e contém as células-tronco hematopoéticas (ou progenitoras), responsáveis por produzir os elementos que compõem o sangue – leucócitos, que fazem a defesa do organismo, hemácias, que levam oxigênio para todo o corpo, e plaquetas, que atuam na coagulação sanguínea. O transplante de medula óssea, muitas vezes, é a única esperança de cura de pacientes com doenças hematológicas como a anemia falciforme e as leucemias. A primeira alternativa, quando se busca um doador, é procurar dentro da própria família do indivíduo – o que tem uma probabilidade de sucesso de 25%, especialmente entre irmãos, uma vez que deve haver compatibilidade genética entre doador e receptor. Esgotadas as possibilidades, recorre-se aos não aparentados, quando a chance de encontrar uma pessoa compatível não passa de 1 em 100 mil. Por isso é tão importante contar com um vasto número de doadores. O Brasil mantém, desde 1993, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, cadastro coordenado pelo Instituto Nacional do Câncer que hoje possui mais de 4,6 milhões de voluntários inscritos, segundo o Ministério da Saúde. Esse número fica atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Os pacientes que precisam de um transplante não se restringem aos doadores de seu Estado: podem usufruir da busca em todo o território nacional, assim como nos bancos internacionais, visto que o Brasil tem parceria com uma rede mundial, a Worldwide Network For Blood & Marrow Transplantation. Apesar desse bom desempenho, o Redome está sempre procurando novos voluntários para aumentar as chances de quem já não pode se dar ao luxo de esperar muito tempo. Para se cadastrar como doador, é necessário ter entre 18 e 55 anos e estar em boas condições de saúde, sem doenças infecciosas, hematológicas e do sistema imunológico, tampouco câncer e enfermidades incapacitantes. Com esses critérios atendidos, basta se dirigir ao hemocentro mais próximo, preencher uma ficha de identificação e coletar sangue para o teste de histocompatibilidade, também chamado de tipagem HLA, que fornece as características genéticas do voluntário. A partir do momento em que esses dados entram no sistema, as informações genéticas do doador são cruzadas com as de todos os receptores que aguardam o transplante. Uma vez encontrado o voluntário compatível, ele é imediatamente contatado para confirmar seu interesse em doar a medula óssea e convocado para fazer novos testes e para se submeter a uma avaliação de seu estado de saúde. Se tudo estiver bem, o médico decide, portanto, a melhor maneira de realizar o procedimento, levando em conta as necessidades do receptor e as características do doador.   Como é feita a doação? A coleta de células progenitoras da medula óssea pode ser feita por meio de quatro a oito punções com agulha nos ossos da bacia, sob anestesia geral ou peridural, em centro cirúrgico. Embora seja uma intervenção rápida (de cerca de 90 minutos), o doador permanece em regime de internação por 24 horas. Outra forma de doação é por aférese, na qual o voluntário toma uma medicação por cinco dias para aumentar o número de células-tronco na circulação. No dia do procedimento, que dura em torno de quatro horas, uma máquina colhe o sangue, separa essas células e devolve os demais elementos sanguíneos para o doador, usando exclusivamente o acesso venoso, sem necessidade de sedação nem de hospitalização. Em qualquer um dos casos, a medula do doador se recompõe totalmente em cerca de 15 dias e ele pode doar parte de suas células progenitoras de novo no futuro, caso apareça um outro receptor compatível. Os riscos da doação em centro cirúrgico são poucos e estão relacionados ao uso da anestesia. O voluntário também pode sentir algum desconforto no local das punções, o que cessa com analgésico, e é orientado a retomar suas atividades habituais somente após uma semana. A doação por aférese pode causar apenas dor no corpo durante o período de uso do medicamento, semelhante à provocada por uma gripe, mas libera a pessoa para suas atribuições já no dia seguinte. Para o paciente que vai receber a doação, o transplante é mais simples do que qualquer outro, bem parecido com o de uma transfusão de sangue, e leva apenas duas horas. As células injetadas circulam em seu organismo e se alojam na medula óssea, onde se espera que, algum tempo depois, comecem a produzir glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas normalmente e em quantidade suficiente. Até que a “pega” da nova medula ocorra (como os médicos costumam se referir ao sucesso do tratamento), o paciente permanece internado e isolado porque, nesse momento, fica suscetível a infecções e sangramentos, entre outras complicações.   Atualize seu cadastro Após o cadastro no Redome, podem se passar meses e até anos sem que nada aconteça, dada a chance pequena de encontrar um doador compatível entre não aparentados. Por esse motivo, é fundamental o voluntário atualizar o cadastro quando troca o número de celular ou muda de casa ou de emprego. Segundo os especialistas, um terço dos transplantes de medula óssea deixa de ocorrer por falta de atualização dos dados. Nada mais triste para o paciente e a família, inclusive para a equipe médica, em saber que existe um pessoa compatível em algum lugar e não conseguir localizá-la. Quem se torna um doador voluntário de medula óssea, portanto, deve estar sempre acessível. Quando menos se espera, o telefone pode tocar anunciando o convite para salvar uma vida. Para saber mais, acesse: http://redome.inca.gov.br/

16/09/2019
Prevenção

Prevenção do suicídio: há luz no fim do túnel

Na história contemporânea, diversos ícones da música, da literatura e da indústria do entretenimento foram parar nas manchetes dos meios de comunicação não só por suas obras, mas por terem decidido interromper a vida por conta própria. Não raro, estavam no auge de suas carreiras e saíram de cena, sem explicações e sem pistas de que fossem desistir. Muitas vezes, no entanto, essas pessoas tinham em comum histórias de transtornos como depressão e dependência química, ainda que pudessem estar abstêmias no momento do ato. Apesar de o suicídio já ser considerado um problema de saúde pública – no Brasil, são 32 mortes dessa natureza por dia, segundo o Ministério da Saúde –, não há melhor meio de preveni-las do que falar abertamente sobre saúde mental e mostrar rotas seguras de ajuda para a pessoa que está perdendo a vontade de viver e para seu núcleo afetivo. Até porque os especialistas estimam que nove entre dez casos podem ser prevenidos.   Sinais de alerta Em primeiro lugar, fique atento aos sinais de alerta. Frases de alarme – como “quero sumir”, “vou embora” e “não aguento mais” – devem ser valorizadas, especialmente no caso de adolescentes, entre os quais o número de casos vem crescendo muito nos últimos anos, apesar de os idosos serem o grupo de maior risco. Além disso, mudanças radicais de comportamento – como deixar de gostar de algo pelo qual havia grande interesse antes – também pedem atenção. Na outra ponta, uma melhoria súbita pode indicar apenas simulação e esconder uma decisão já tomada. Por fim, tentativas anteriores elevam o risco. Quem já tentou uma vez, está mais vulnerável. Se você perceber algum desses comportamentos, é importante não deixar a pessoa em risco sozinha, ouvi-la e levá-la para a avaliação de um psiquiatra. O Centro de Valorização da Vida, o CVV, que atende gratuitamente a todo o Brasil pelo número 188, também é um canal imediato para quem precisa de um ombro amigo com urgência. Treinados para escutar, acima de tudo, os voluntários do serviço estão capacitados para oferecer o que há de mais necessário nesse momento: apoio emocional e esperança.   O que fazer para ajudar? Outro ponto sempre importante, dentro ou fora desse contexto, é esclarecer a população sobre os problemas mentais e os perigos das drogas e do álcool numa mente em conflito, especialmente se essa mente ainda está em formação (como ocorre na adolescência). A depressão, o mais frequente transtorno por trás de tais casos, é doença e exige um tratamento multidisciplinar, que pode combinar medicação, psicoterapia, prática de atividade física e terapias alternativas. A mesma estratégia se aplica à dependência química. Por último, os especialistas recomendam não manter nada que seja letal por perto: venenos, pesticidas e estoque de remédios, tampouco armas brancas ou de fogo. Convém não facilitar. Isso vale ainda para estratégias de segurança em casa, como manter grades nas janelas e no espaço público. Não dá para levar uma pessoa nessas condições para um local externo que possa oferecer algum risco. Esses cuidados contribuem para dificultar o ato e ajudam a levar o indivíduo a repensar sua decisão. Não custa lembrar que, apesar de ter causas multifatoriais, o suicídio é uma atitude impulsiva. No dia seguinte, quase sempre tudo parece mais simples. Procure um profissional da área de saúde mental para conversar sobre a vida.

12/09/2019
Saúde do Homem

Linfoma, um câncer do sistema linfático

Nos últimos anos, o linfoma ganhou as manchetes da grande imprensa depois que algumas pessoas públicas anunciaram ter recebido tal diagnóstico. Mesmo assim, a condição ainda permanece desconhecida por muitos, apesar de não se tratar de uma doença rara. Apenas para dar uma ideia, em 2018, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) calculou uma estimativa de quase 13 mil novos casos por ano no Brasil, os quais incidem com maior frequência no sexo masculino e na população idosa. Grupo de diversos cânceres formados por células de defesa do organismo, o linfoma classicamente se divide em Hodgkin e não Hodgkin – nome do patologista inglês que primeiro descreveu a doença, em 1832, Thomas Hodgkin. A diferença está nas características das células que geram o tumor e também no prognóstico. Enquanto o primeiro envolve um tipo celular específico, conhecido como Reed-Sternberg, e tem um desfecho clínico melhor, o segundo pode surgir a partir de qualquer célula do sistema linfático e apresenta menor probabilidade de cura. Tanto é assim que o INCA contabilizou 4.394 mortes que tiveram como causa o linfoma não Hodgkin, em 2015, ante 562 mortes pelo linfoma de Hodgkin no mesmo ano. Nos dois casos, no entanto, o câncer se desenvolve da mesma forma. Uma célula de defesa, por razões desconhecidas na maioria das vezes, sofre transformação maligna passando a se dividir de maneira desordenada e a se multiplicar descontroladamente dentro dos gânglios linfáticos – também chamados de linfonodos ou de ínguas –, podendo afetar diferentes partes do corpo, já que a circulação linfática percorre todo o organismo. A principal manifestação clínica é o aumento indolor desses linfonodos, sobretudo nas laterais do pescoço, nas axilas, nas virilhas e acima da clavícula. Diferentemente daqueles gânglios que aparecem durante infecções, os do linfoma crescem rapidamente, têm consistência de borracha, muitas vezes podem ser vistos e sentidos pelo toque e persistem por semanas. Nem todos os pacientes relatam os mesmos sintomas mas, além dos linfonodos, há possibilidade da doença causar queixas comuns a outras enfermidades, especialmente febre, perda de peso inexplicável e sudorese noturna, que molha a roupa de cama. Como o linfoma pode acometer diversos órgãos, por vezes acontece também de ocorrerem manifestações específicas envolvendo, por exemplo, o sistema digestório (dor abdominal, náuseas e vômitos), a pele (manchas vermelhas e coceira) e o sistema nervoso central (dor de cabeça e alterações na visão, na coordenação motora e no comportamento). A origem do linfoma Embora o fator que explique o surgimento do linfoma não seja totalmente conhecido, o risco aumenta em fumantes, em indivíduos que passam muito tempo expostos a produtos químicos, sobretudo agrícolas, em portadores de doenças que afetam o sistema imunológico, como HIV/AIDS, e em pessoas que usam medicamentos imunossupressores. Alguns agentes infecciosos igualmente podem estar associados ao desenvolvimento desse câncer – apesar de o fato de ter tido infecções causadas por eles não determinar, necessariamente, a ocorrência da doença –, como o vírus Epstein-Barr, que está por trás da mononucleose, o vírus HTLV-1, uma espécie de primo do HIV, visto que se comporta de modo semelhante, e a bactéria Helicobacter pylori, envolvida em casos de gastrite e úlcera. A partir da história clínica, o diagnóstico é confirmado por meio de biópsia do linfonodo e do estudo anatomopatológico, que analisa a natureza de seus tecidos. Exames de imagem costumam ser pedidos para avaliar a extensão do linfoma. Até pouco tempo atrás, o tratamento não diferia do de qualquer câncer, com quimioterapia associada à radioterapia. Hoje, porém, os protocolos mais modernos usam agentes quimioterápicos combinados a fármacos mais inteligentes, que atuam exclusivamente sobre as células doentes, seja atacando-as diretamente, seja bloqueando vias que permitem a progressão da doença. A prevenção se restringe a evitar as situações que elevam o risco de linfoma, como o tabagismo, a exposição a produtos químicos e a prática de sexo sem proteção, que pode levar a infecções sexualmente transmissíveis associadas ao surgimento da condição. De qualquer modo, conhecer bem o próprio corpo ajuda a notar qualquer sinal diferente, suspeito de linfonodo aumentado, o que vale sobretudo para quem já tem problemas de saúde que comprometem o sistema imunológico ou toma remédios que minam as defesas.  Diante de qualquer dúvida, o mais importante é procurar um médico quanto antes para esclarecimentos, uma vez que o diagnóstico precoce sempre amplia as possibilidades de cura. Conheça o sistema linfáticoTrabalhando em conjunto com o sistema imunológico, o sistema linfático tem a função de combater infecções e de eliminar microrganismos e outras impurezas do organismo. Para tanto, conta com vasos linfáticos que percorrem o mesmo trajeto da circulação sanguínea, pelos quais passa a linfa, um fluido transparente resultante de uma pequena fração do plasma, a parte líquida do sangue. A linfa recolhe todo o lixo orgânico dos tecidos e o deposita nos linfonodos, onde as células de defesa podem, então, entrar em ação.  

09/09/2019
Bem-estar

Raiva humana: prevenção, sintomas, tratamento

Quando você leva seu pet para receber a vacina antirrábica, nem sempre se lembra que, antes de ser um cuidado indicado para o bem-estar do animal, a imunização contra a raiva configura uma medida de saúde pública bastante importante para a população geral. Afinal, a raiva é uma doença infecciosa muito grave e potencialmente letal. Por ser transmitida por mordedura de mamíferos contaminados, notadamente cães e morcegos, a raiva é considerada uma zoonose. O vírus do gênero Lyssavirus ingressa na pele por meio da lesão e passa a circular pelos nervos periféricos, sendo atraído pelas células do sistema nervoso central. Ao chegar ali, após um período de incubação e o surgimento de sinais inespecíficos, presentes em qualquer infecção, deflagra uma encefalite aguda que dificilmente tem cura, com sintomas neurológicos característicos, como salivação excessiva, delírios, convulsões e agressividade. Apesar da gravidade da doença, existem atualmente estratégias eficazes para combatê-la. Uma delas é a vacinação de pessoas que, de alguma forma, possam estar expostas ao vírus. No Brasil, dada a situação de controle da raiva animal, só se recomenda a imunização antirrábica para biólogos, veterinários, agrotécnicos, profissionais envolvidos na captura e no estudo de animais com suspeita de raiva, equipes de laboratórios de virologia e indivíduos que atuam com animais silvestres. Fora dessas situações, os demais brasileiros devem ser vacinados apenas se forem viajar para países que ainda não contornaram o problema, como a Índia.   Raiva: o que fazer após a mordida? Outra estratégia consiste na chamada profilaxia pós-exposição, feita depois do ataque, com um protocolo diferente para cada tipo de situação. Na dúvida, o paciente começa a receber o tratamento como se tivesse sido atacado por um bicho contaminado, pois o tempo, nesse contexto, é fator fundamental para impedir a infecção. Resumidamente, a profilaxia inclui, além de um esquema de vacinações, a infusão de anticorpos que ajudam o organismo a combater o vírus da raiva. Na prática, é fundamental se preocupar com qualquer mordedura ou arranhadura de animal. Em primeiro lugar, lave o local com água e sabão para reduzir o risco de contaminação local por bactérias presentes na saliva ou nas unhas do bicho e procure rapidamente um serviço médico para que o clínico geral, ou infectologista, possa avaliar a necessidade de iniciar o tratamento pós-exposição.  A importância da vacinação do seu pet contra a raivaA baixa prevalência da raiva em nosso país deve-se aos programas de imunização de cães e gatos, que fizeram despencar o número de casos da doença em pessoas e animais. E isso é relativamente recente. Enquanto, em 1999, o Brasil contabilizava 1.200 cães contaminados, não passamos de 13 casos de raiva canina em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Em relação à raiva humana, foram 574 casos da doença de 1990 a 2009, contra 25 registros de 2010 a 2017. Das notificações feitas no ano passado, vale assinalar, todas envolveram morcegos. Ótima notícia para os mais de 52 milhões de cachorros e 22 milhões de gatos que vivem em domicílios brasileiros, de acordo com dados do IBGE.

02/09/2019
Prevenção

Você já ouviu falar da fibrose cística?

O muco é um fluido biológico que tem o papel de proteger superfícies do ser vivo ou de funcionar como lubrificante. Como tudo na natureza, se alterado por algum fenômeno, causa desequilíbrio. É o que ocorre na fibrose cística, também conhecida como mucoviscidose, doença genética que compromete o funcionamento das glândulas que produzem muco, suor e enzimas pancreáticas, tornando-os mais espessos, com repercussões importantes para os pulmões, o pâncreas e o sistema digestório. Basicamente, nas vias respiratórias, a secreção modificada – de 30 a 60 vezes mais espessa que o normal – favorece o acúmulo de agentes infecciosos e, no pâncreas e nos órgãos do trato gastrointestinal, compromete a absorção dos nutrientes.  Causada por defeito no gene CFTR, herdado geneticamente, a fibrose cística pode provocar sintomas como infecções pulmonares recorrentes, tosse frequente com catarro, bronquite crônica, chiado no peito, falta de fôlego, baixo ganho de peso e de estatura, fezes volumosas e gordurosas, diarreia, desidratação e presença de suor salgado – sinal que pode ser percebido no bebê já nos primeiros dias de vida e confere à condição a alcunha popular de doença do beijo salgado. Evidentemente, a intensidade das manifestações varia entre os portadores.  No Brasil, é possível flagrar a doença logo ao nascimento, uma vez que toda criança tem direito a realizar o teste do pezinho, que pesquisa essa e outras enfermidades genéticas, além de alguns erros inatos do metabolismo. Apesar disso, as associações de profissionais de saúde e familiares de portadores de fibrose cística estimam que existem muitos indivíduos sem diagnóstico. Até porque o exame do pezinho faz uma triagem. Para confirmar o quadro, há necessidade de prosseguir a investigação com o teste do suor – já que quem tem a doença perde mais cloro e sal pela pele – ou, então, com a pesquisa genética, que busca mutações no gene CFTR.  Fibrose cística: importância do diagnóstico precoce Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais cedo serão tomadas medidas para fortalecer a criança contra infecções pulmonares, impedir a desnutrição e garantir seu crescimento e desenvolvimento, ainda que não haja sintomas tão evidentes. O tratamento implica o uso de antibióticos e anti-inflamatórios para evitar complicações pulmonares, de enzimas digestivas para permitir a absorção de nutrientes, de broncodilatadores para melhorar a respiração, de mucolíticos para diluir o muco e de algumas vitaminas, envolvendo uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde.  Em 2009, uma lei instituiu o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, em 5 de setembro, justamente para corroborar a importância do diagnóstico precoce, informar a população sobre a disponibilidade do tratamento na rede pública de saúde e ampliar o conhecimento sobre a doença. Afinal, estima-se que 5% da população carregue o gene defeituoso de forma assintomática. Na hipótese de um homem e uma mulher nessa condição constituírem família, esse casal terá 25% de chance de gerar um portador de fibrose cística em cada gravidez. Mesmo raramente, o fato é que pode acontecer em qualquer família. Converse com seu médico.

26/08/2019
Comportamento

Psicólogo: especialista em promover saúde mental

Vivemos num mundo em que os avanços tecnológicos, por nos inundarem com informações sobre fatos e pessoas a todo momento, dão margem para suposições e preocupações que podem culminar em distúrbios emocionais e transtornos de humor ou, até mesmo, agravar os já existentes. Aí entra a figura do psicólogo, um profissional cada vez mais importante nesse cenário de superexposição e superinformação, na medida em que é capacitado para ajudar cada indivíduo a encontrar seu equilíbrio e a buscar as respostas dentro de si mesmo. No Brasil, segundo o Conselho Federal de Psicologia, temos cerca de 343 mil psicólogos atualmente. Mas é claro que nem todos trabalham na área clínica. Hoje esses profissionais estão em empresas, clubes desportivos, escolas, associações voltadas à educação de crianças com necessidades especiais, instituições ligadas ao trânsito e centros sociais, como abrigos e asilos, entre outros, sempre buscando extrair das pessoas suas melhores potencialidades. O fato é que, onde quer que atue, o psicólogo contribui diretamente para promover a saúde mental e, assim, melhorar o mundo.  Homenagem da DaVita ao Dia do Psicólogo, 27 de agosto.

26/08/2019
Prevenção

Os benefícios de parar de fumar

Que o cigarro faz mal, ninguém discute. Inclusive os 10,1% dos brasileiros que continuam fumando despreocupadamente, mesmo com as advertências médicas e os muitos senões da sociedade hoje em dia. Por isso mesmo, a DaVita Serviços Médicos quer explorar o lado bom de parar de fumar.  De acordo com um estudo feito no Reino Unido, quem abandona esse hábito comprovadamente ganha mais anos de vida, olha só que interessante. E quanto mais cedo a decisão é tomada, maior o incremento. Os pesquisadores britânicos constataram que, quem deixa o cigarro aos 60, conquista mais três anos na expectativa de vida. Já quem para aos 40, vive mais nove anos. O ganho resulta diretamente da melhora na saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma pessoa que cessa o tabagismo antes dos 50 anos tem uma redução de 50% no risco de morte por doenças associadas ao tabagismo, como câncer, derrame e infarto do miocárdio, após 16 anos de abstinência. Aliás, o risco de ser acometido por problemas cardiovasculares já cai pela metade após o primeiro ano sem fumar. Isso significa também menos gastos com medicações e procedimentos médicos. Há ainda outros benefícios, que impactam a qualidade de vida de forma mais sutil, mas não menos significativa, como a melhora da autoestima, do hálito, da pele e do aspecto dos dentes. A convivência com pessoas que não fumam ganha muito – pense num casal, por exemplo –, assim como o desempenho em atividades que envolvem algum condicionamento físico. Chega de ser o último da trilha!  Para que sua decisão seja bem-sucedida, não deixe de procurar um médico. Atualmente, existem estratégias terapêuticas interessantes para quem quer, de fato, parar de fumar. Como o corpo de um ex-fumante fica sem o cigarroO primeiro dia pode até ser difícil, uma vez que a dependência do tabagismo é química e psicológica. Mas, ao mesmo tempo em que o indivíduo doma a vontade de acender um cigarro no período mais crítico, seu organismo vai colhendo benefícios quase imediatos. Anote: Depois de 20 minutos sem fumarA pressão arterial e os batimentos cardíacos voltam ao normal.  Depois de duas horas sem fumarA circulação sanguínea fica livre da nicotina. Depois de oito horasO nível de oxigênio no sangue, antes reduzido, se normaliza. Depois de dois diasO paladar e o olfato melhoram, descortinando um mundo de sabores e odores. Depois de três semanasO sangue passa a circular melhor pelos vasos, favorecendo a circulação.  

19/08/2019
Alimentação

Conheça dez benefícios de amamentar

O leite materno tem tudo de que o bebê precisa para ficar saudável e bem alimentado. Mas os benefícios de amamentar vão ainda mais longe. A DaVita selecionou uma dezena de motivos para as mães se dedicarem com afinco a essa nobre tarefa, pelo maior tempo possível. Afinal, quanto mais meses de amamentação, melhores os resultados para todo o núcleo familiar. Não custa lembrar que a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno até 2 anos de idade ou mais, com exclusividade nos primeiros seis meses e, depois, com o complemento de outros alimentos. Permite que o bebê ganhe peso na medida certa e que a mãe perca peso. Segundo os especialistas, para produzir um litro de leite, o organismo da mulher gasta cerca de 700 calorias, o que contribui para a perda dos quilos adquiridos durante a gestação num ritmo acelerado. Já o bebê tem um ganho de peso adequado com o leite materno, nada a mais, nada a menos. Isso ocorre porque a quantidade de gordura do alimento varia durante a amamentação e chega a seu ponto máximo perto do fim de cada mamada, saciando a criança e levando-a a parar naturalmente, ao contrário do que ocorre com as fórmulas artificiais – a saciedade pode demorar mais para ocorrer, fazendo o bebê mamar além do necessário porque o nível de gordura é sempre o mesmo. Protege a criança contra alergias, infecções respiratórias e diarreias. Por conter inúmeros fatores imunológicos que atuam contra agentes infecciosos e ajudam a evitar respostas inflamatórias exageradas – as reações alérgicas –, o leite materno literalmente funciona como um elixir de prevenção para o bebê. Conforme um estudo da Organização Mundial de Saúde, a redução de diarreias em crianças amamentadas, em comparação com as não amamentadas, chega a 63% nas menores de 6 meses, enquanto a redução de pneumonias alcança um terço naquelas com menos de 2 anos. A chance de desenvolver rinite alérgica também cai 21% nos cinco primeiros anos de vida de quem mama no peito. Contribui com o desenvolvimento intelectual da criança. O leite materno é composto de substâncias que ajudam os neurônios a se desenvolverem e a fazerem conexões entre si, ou sinapses, nos três primeiros anos de vida – ocasião em que 90% das sinapses cerebrais de um indivíduo ocorrem. Estudos neozelandeses e irlandeses também mostram que crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses de idade apresentam melhor desempenho escolar. Semelhante conclusão foi encontrada em um trabalho publicado na revista científica Lancet, em 2015. Crianças e adolescentes que receberam leite materno demonstraram um resultado no teste de quociente de inteligência (QI) 3,4 pontos maior que o dos não amamentados.  Ajuda a prevenir diabetes tipo 2, sobrepeso e obesidade nas diferentes etapas da vida. Crianças que mamam no peito têm uma redução de 26% no risco de ficar com sobrepeso ou obesidade na infância, na adolescência e na vida adulta, assim como uma diminuição de 35% no risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo dos anos, segundo um estudo publicado em 2015 no suplemento científico Acta Paediatrica. Quando submetido a aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade, o bebê não ingere calorias extras, que são dispensáveis nessa fase do desenvolvimento infantil, e não ganha mais peso do que deveria. Ademais, o leite materno possui substâncias que contribuem para regular o apetite e o metabolismo dos alimentos por toda a vida. Ajuda a fortalecer a mandíbula e demais estruturas craniofaciais do bebê. A amamentação é essencial para o desenvolvimento oral e facial dos pequenos. Isso porque, ao sugar o leite, o bebê exercita a boca, os dentes, os músculos da face, a mandíbula e o maxilar. De acordo com um estudo publicado em 2015 no Acta Paediatrica, dois terços das irregularidades nos encaixes dos dentes de leite poderiam ser evitados apenas com o aleitamento materno. Em outro trabalho, que saiu no jornal BMC Public Health, em 2012, os pesquisadores observaram que crianças que receberam leite materno por 12 meses ou mais apresentaram melhor função da mastigação que as amamentadas por menos tempo. Ajuda a mulher a se recuperar no pós-parto e funciona como método anticoncepcional temporário. O aleitamento materno contribui para que o útero reassuma seu tamanho normal de forma mais rápida, evitando sangramentos muito intensos e uma consequente anemia. Como se não bastasse, ao amamentar exclusivamente e de forma regular nos primeiros seis meses, a mulher não ovula nem menstrua. Contudo, à medida que as mamadas vão sendo espaçadas, por conta da alternância com outros alimentos, os ciclos menstruais retornam, juntamente com a necessidade de usar um método contraceptivo caso não haja o desejo de uma nova gravidez. Vale pontuar que especialistas recomendam 18 meses de intervalo entre dois partos. Um parto antes desse período apresenta riscos de prematuridade, baixo peso ao nascimento e desenvolvimento abaixo do normal dentro do útero.  É fator de proteção contra o câncer de mama e outros tumores femininos. Uma vez que não tem ciclos menstruais durante a amamentação exclusiva, a mulher não fica exposta ao estrógeno, hormônio associado ao câncer de mama. Além disso, quando o bebê suga o leite, promove uma esfoliação do tecido mamário, contribuindo para a renovação celular local. De fato, conforme um grande estudo publicado pela Lancet em 2001, que envolveu mais de 146 mil mulheres de 30 países, o risco de desenvolver o tumor de mama cai 4,3% a cada 12 meses de aleitamento. Quanto mais filhos amamentados, portanto, maior a proteção. Em outro trabalho publicado pela Lancet em 2016, os autores calcularam que a amamentação evita 19 mil mortes por câncer de mama a cada ano em 75 países de média e baixa renda, além de terem estimado que mais 22 mil mortes poderiam ser prevenidas se o aleitamento se prolongasse por 12 meses, nas nações mais ricas, e por 24 meses, nas mais pobres. A prática ainda constitui um fator protetor contra o câncer de ovário – estima-se uma redução de 2% no risco da doença a cada mês de amamentação – e contra o câncer de endométrio (mucosa que recobre a parte interna do útero).  Reduz o risco de diabetes tipo 2 na mulher. Para fabricar o leite, o organismo retira diariamente 50 gramas de açúcar da circulação. A mulher que amamenta também tem um expressivo gasto calórico para amamentar. Por fim, existem evidências de que a prolactina, o hormônio que circula no corpo durante a fase de aleitamento, preservaria as células betapancreáticas, justamente as que fabricam insulina, o hormônio encarregado de captar a glicose da circulação e nutrir as células. A combinação desses mecanismos ajuda a explicar por que o risco de desenvolver diabetes tipo 2 cai quase pela metade nas mulheres que amamentam por pelo menos seis meses, de acordo com os achados de um estudo publicado no jornal Jama Internal Medicine, o qual acompanhou 1.238 mulheres por 30 anos. Constrói laços de afeto entre mãe e bebê. Durante a amamentação, o vínculo entre a mãe e bebê aumenta por conta do contato visual e da pele entre ambos. Como a criança tem dificuldade para focar imagens a distância, a posição em que fica na hora da mamada, a cerca de 30 centímetros do rosto materno, permite que contemple perfeitamente a mãe, o que contribui para fortalecer esse laço. O afeto cresce também porque, quando o bebê está mamando, o leite é ejetado por ação da ocitocina, o hormônio do amor, cuja liberação causa profundo relaxamento e boas sensações na mulher. Os especialistas afirmam que esse vínculo colabora para facilitar as relações dos pequenos com outras pessoas no futuro. Economiza dinheiro e recursos naturais. Já pensou nisso? Há pesquisas da Associação Americana de Pediatria que indicam que mães que amamentam exclusivamente nos primeiros seis meses de vida do bebê deixam de gastar mil dólares entre compra de fórmulas infantis e mamadeiras. Isso no âmbito pessoal. Mas, no público, um estudo publicado na Lancet em 2016, apontou que um aumento de apenas 10% nas taxas de aleitamento materno até os 6 meses de idade ou de amamentação continuada por até 12 ou 24 meses seria capaz de reduzir em 1,8 milhão de dólares os custos anuais dos tratamentos de doenças em crianças no Brasil. Além de fazer diferença nas contas da saúde pública, toda essa economia geraria impacto positivo ao meio ambiente, na medida em que os resíduos de latas de leite, mamadeiras, medicamentos e insumos médicos usados em internações deixariam de existir com a prática do aleitamento nessas condições. Portanto, amamentar também é uma prática sustentável.

19/08/2019
Prevenção

Esclerose múltipla: diagnóstico, sintomas, tratamento

Muita gente que nem chegou perto da meia-idade anda numa rotina tão extenuante de trabalho e demandas pessoais que, diante qualquer sintoma diferente, mas passageiro, acha que tudo provém do estresse. Está certo que uma parte pode até resultar das atribulações do dia a dia, porém nem tudo. Há sintomas que realmente precisam ser valorizados. Aí reside a dificuldade que envolve a esclerose múltipla, uma doença neurológica crônica e autoimune, na qual o sistema imunológico ataca a bainha de mielina que envolve os axônios, as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos, provocando lesões no cérebro, no nervo óptico e na medula espinhal. Na maioria dos casos, a afecção ocorre em surtos – forma remitente-recorrente –, mas ela pode ser também progressiva. O problema é que a doença, que afeta 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, começa com sintomas muito sutis, como uma turvação na visão, uma fraqueza nas pernas ou um pequeno descontrole urinário, que surgem a qualquer instante, sem que estejam associados a evento algum, e desaparecem rapidamente, em alguns dias. Daí a possibilidade de essas queixas efêmeras não receberem atenção ou de, por exemplo, serem associadas a uma semana mais desgastante. O quadro pode perdurar assim, mais leve, por dois a três anos até evoluir de modo mais exuberante. De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, quase metade das manifestações clínicas iniciais inclui sinais e sintomas medulares, como os que envolvem fraqueza nas pernas, formigamento, disfunção sexual e incontinência urinária. Além disso, cerca de 20% começam com problemas visuais, como visão embaçada, e uma menor parte, de 10%, com queixas relacionadas ao tronco cerebral, a exemplo de desequilíbrio, tonturas e falta de coordenação motora. O restante dos portadores tem uma combinação de todo o conjunto. Fadiga e transtornos de humor, como a depressão, também são frequentes. Com a evolução da esclerose múltipla, a perda da mielina compromete e até interrompe a transmissão de impulsos elétricos, fazendo com que essas manifestações ganhem magnitude, ainda que permaneçam aparecendo como surtos. Após 20 a 25 anos de diagnóstico, não raro o quadro culmina com uma incapacidade grave, que, segundo os especialistas, afeta até 90% dos pacientes. Medicamentos e terapias de apoio Isoladamente, os sintomas da doença podem ser confundidos com os de outras enfermidades neurológicas. Mas a forma como eles aparecem se mostra bem típica. Por isso, os neurologistas conseguem fazer o diagnóstico clinicamente, por meio do levantamento da história do paciente e do exame neurológico, no consultório, com o apoio de testes complementares, como a ressonância magnética de cérebro e a análise do líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a medula espinhal, entre outros. A doença ainda não tem cura, mas existe tratamento que visa a atenuar a intensidade dos sintomas e aumentar o espaço entre um surto e outro. Hoje, para prevenir a recorrência, usam-se imunomodulares e imunossupressores – que controlam e/ou reduzem a atividade do sistema imunológico para evitar os ataques à bainha de mielina –, bem como anticorpos monoclonais. Já os corticoides, administrados em altas doses, dão conta da redução dos sintomas durante as crises. De qualquer modo, o paciente não raro precisa de outros medicamentos sintomáticos para aliviar os problemas decorrentes da doença, como a incontinência urinária, bem como de fisioterapia, fortalecimento físico por meio de um programa de exercícios e apoio emocional. Até porque a doença afeta pessoas ainda jovens, sobretudo mulheres na faixa de 20 a 40 anos – ou seja, no auge da vida pessoal e profissional. A boa notícia é que o diagnóstico precoce ajuda muito a evitar os surtos e, portanto, a ter qualidade de vida, apesar de a iminência de um surto sempre existir. Na dúvida, converse com um neurologista quanto antes.

05/08/2019
Alimentação

Saiba a diferença entre o bom e o mau colesterol

Quem já passou de 20 anos e vai ao médico periodicamente já deve ter feito um exame de sangue para medir o colesterol, uma gordura que integra a membrana de todas as células e que, quando em excesso na circulação, pode causar doenças cardiovasculares. A maior parte do colesterol que se encontra no organismo é produzida pelo fígado porque essa substância cumpre papel fundamental para a saúde celular. O restante vem da alimentação, sobretudo de alimentos de origem animal, como leite e derivados, ovos e carnes, a vermelha principalmente.  Para distribuir colesterol a todas as células, existem duas lipoproteínas, uma de baixa densidade, denominada LDL-colesterol, cuja sigla, LDL, vem de low density lipoprotein, e outra de alta densidade, HDL-colesterol, sendo a sigla HDL referente à expressão high density lipoprotein.  O LDL é o mais importante transportador dessa gordura pela circulação. Contudo, quando está elevado, acaba depositado nas paredes dos vasos sanguíneos, estreitando seu calibre ou obstruindo-os. Ocorre que, junto com outras substâncias, ele forma placas, que podem se romper e provocar graves problemas cardiovasculares: se a ruptura ocorrer numa artéria do coração, por exemplo, há risco de infarto agudo do miocárdio; se for em um vaso cerebral, de acidente vascular cerebral.  Em vista dessa associação nada fortuita, o LDL ganhou a alcunha de mau colesterol e, para conviver pacificamente com ele, espera-se que sua concentração no sangue esteja sempre abaixo dos valores de referência. Isso, porém, é determinado de forma personalizada pelos médicos, conforme o risco cardiovascular de cada paciente.  Já o HDL executa ação contrária à do LDL, removendo o colesterol abundante na circulação e transportando-o de volta para o fígado, o que resulta num efeito protetor para as artérias do coração e do cérebro, particularmente. Assim, o HDL figura como o bom colesterol nessa história, devendo ficar sempre acima de 40 mg/dL, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia.     Como reverter o colesterol LDL alto e melhorar os níveis do HDL   A prevenção cardiovascular baseia-se na manutenção do LDL e HDL na medida certa, assim como em dieta adequada, perda de peso, prática de exercícios físicos, entre outros. Quem fuma também deve rever esse hábito. A escolha de alimentos com baixo índice de colesterol pode fazer uma grande diferença na redução da concentração do LDL, enquanto a atividade física é a medida que mais tem impacto no aumento do HDL, sobretudo as modalidades aeróbicas, como caminhada, ciclismo e corrida. Contudo, quando a pessoa já está com um nível bastante elevado de LDL e, mesmo com exercícios e dieta, não consegue bom resultado, podem entrar em cena medicamentos para diminuir especificamente esse tipo de molécula, os quais – é importante frisar – devem ser associados com as demais medidas para o controle do colesterol pelo tempo determinado pelo médico.  As estatinas são os remédios mais usados para reduzir o LDL, mas já existem novidades nessa seara, como os inibidores da proteína PCSK9, que degrada receptores do mau colesterol no fígado. Se essa proteína deixa de trabalhar, o LDL em excesso consegue sair da circulação e voltar a seu ponto de partida. Essa nova classe de fármacos costuma ser prescrita para quem não responde às estatinas e a outros medicamentos convencionais, bem como a portadores de hipercolesterolemia familiar, na qual a elevação do colesterol deriva de mutações em genes, aumentando muito o risco de doenças cardiovasculares. Antes de pensar em tratamento, no entanto, há um longo caminho pela frente, que começa com uma consulta com um médico, mesmo que você já tenha ido antes, e pode terminar simplesmente em ajuste da dieta e prática de atividade física. Dê logo esse primeiro passo. A queda do LDL na mira Conforme o risco cardiovascular de cada paciente, o médico determina a meta do LDL-colesterol, que deve ser atingida com dieta e perda de peso e, quando isso não for suficiente, também com medicamentos: Risco cardiovascular: Meta de LDL: Indivíduos com risco baixo Abaixo de 130 mg/dL Indivíduos com risco intermediário Abaixo de 100 mg/dL Indivíduos com risco alto  Abaixo de 70 mg/dL Indivíduos com risco muito alto Abaixo de 50 mg/dL Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia   O que mudar na alimentação para baixar o colesterol Para quem não apresenta alto risco cardiovascular, como uma pessoa que já sofreu um AVC ou que tem hipercolesterolemia familiar, é possível, sim, diminuir os níveis do LDL no sangue com mudanças na dieta. Além de dobrar a ingestão de fibras, na forma de grãos, cereais integrais, frutas e vegetais, vale a pena promover as seguintes trocas:   Em vez de: Fique com: Pão, arroz e macarrão comuns Pão, arroz e macarrão integrais Leite e derivados integrais Leite e derivados desnatados Carne vermelha Carne branca magra (frango sem pele e peixe) e lombo de porco Snacks e biscoitos Castanhas e nozes Pizza de muçarela Pizza de vegetais (abobrinha, berinjela, escarola) Queijos amarelos Queijo branco, ricota, cottage Frutos do mar Salmão Doces cremosos Frutas in natura ou, no máximo, em compotas Molho branco, quatro queijos Molho de tomate feito em casa Manteiga Margarina com fitoesteróis Chocolate ao leite e branco Chocolate amargo    

05/08/2019
Alimentação

Hábitos saudáveis: mudanças na rotina para ganhar saúde

É verdade que a ciência caminha a passos largos no desenvolvimento de soluções para aumentar a saúde e conseguir a cura para enfermidades que, pouco mais de algumas décadas atrás, soavam como ameaças quase invencíveis. Contudo, ainda não saiu das bancadas dos laboratórios farmacêuticos ou das universidades uma pílula capaz de prolongar a vida do ser humano com qualidade e prevenir a maior parte das doenças. Uma das formas mais efetivas de fazer ao menos uma parcela desse aparente milagre é mesmo a adoção de hábitos saudáveis ou, para quem está longe de andar na linha, a mudança do estilo de vida. Tome-se o exemplo do câncer. Muito embora existam fatores de risco que não podemos mudar, como idade e histórico familiar, os demais são passíveis de modificação. Tanto é assim que a Sociedade Americana de Câncer atribui um terço das mortes por essa causa à manutenção de dietas desequilibradas e à falta de atividade física. Da mesma forma, diversos estudos já demonstraram a associação entre a redução de doenças do coração e a combinação de prática regular de exercícios físicos, adoção da dieta mediterrânea – rica em peixes, castanhas e azeite de oliva extravirgem –, controle do peso e, claro, distância do tabagismo.  Além desses hábitos, outras atitudes, algumas mais trabalhosas, outras menos, estão por trás da manutenção da boa saúde e da prevenção de enfermidades e desequilíbrios orgânicos, ainda que momentâneos. A boa notícia é que muitas vezes uma única mudança pode trazer múltiplos benefícios. Quando dormimos melhor, não só conseguimos ter mais disposição para enfrentar os desafios do dia seguinte, com diminuição do estresse, mas também ajudamos a melhorar o metabolismo e prevenir a obesidade, que, entre outros prejuízos, ocasiona o diabetes, doença associada a eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio. O fato é que a incorporação cotidiana de hábitos saudáveis tem um efeito positivo sistêmico no organismo. Converse com seu médico e comece agora mesmo a trabalhar pela sua saúde. Caso precise de ajuda, procure ainda apoio psicológico.   Dicas para manter a saúde Não fume.  O cigarro tem cerca de 4.700 substâncias nocivas e está implicado com problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer e afecções pulmonares, como a doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras.   Pratique exercícios físicos.  A Organização Mundial de Saúde recomenda um mínimo de 150 minutos de atividade física moderada por semana. Sempre que possível, vá até os lugares caminhando ou pedalando. Exercícios físicos regulares ajudam a perder peso, elevam a autoestima, evitam doenças e melhoram o humor.   Coma alimentos saudáveis. Opte por comida de verdade, preparada em casa, com alimentos in natura. Produtos processados, como preparações congeladas, macarrão instantâneo, mistura para sopas e bolos, molhos e temperos prontos, ou ultraprocessados, a exemplo de embutidos, linguiça e nuggets, carregam muito sal, açúcar e gorduras nocivas para o organismo.   Reduza o consumo de sal. O excesso de sódio, presente no sal, está relacionado com a hipertensão arterial e com a doença renal crônica. Leia os rótulos dos produtos, evitando levar os ricos em sódio, e troque parte do sal nas receitas por ervas. Importante: não leve o saleiro à mesa.   Beba água. Os especialistas preferem usar, como parâmetro, não quantidade de litros ou copos, mas um volume suficiente para deixar a urina amarelo-clara. Só evite a ingestão de água e outros líquidos durante as refeições para não dilatar o estômago e acabar comendo mais do que você realmente necessita.    Evite refrigerantes. Fuja mesmo dos que não levam açúcar e prefira comer as frutas a transformá-las em sucos. O organismo demora mais a metabolizar a sacarose das frutas em pedaços, postergando a sensação de saciedade, e as fibras ingeridas ajudam o intestino a funcionar.   Aliás, consuma fibras. Homens devem ingerir 34 gramas e mulheres, 28 gramas, segundo a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes. Além das frutas, as fibras estão nos vegetais e nos grãos integrais. São importantes para a saúde do aparelho digestório, ajudam a baixar o colesterol e a controlar o peso e contribuem para prevenir o câncer de intestino.   Evite bebidas alcoólicas. Não dá para falar em sinal verde em matéria de álcool, dados os prejuízos do alcoolismo à saúde física e mental do dependente e de seu núcleo familiar, mas o vinho tem alguma qualidade nessa seara, uma vez que possui o resveratrol, um antioxidante que protege contra doenças cardiovasculares. Contudo, não ultrapasse um cálice por dia.    Lave as mãos. É imprescindível manter esse hábito, especialmente antes de comer e cozinhar, bem como após usar o banheiro, para evitar a contaminação com possíveis agentes infecciosos.   Controle o estresse.  Um dos fatores vitais nesse sentido é administrar bem o tempo, dividindo-o melhor entre atividades de trabalho, de lazer e da rotina em casa. Ademais, encontre uma válvula de escape. A atividade física costuma dar conta desse recado e ainda acrescenta outros benefícios.   Cuide de seus vínculos afetivos e sociais. Mantenha um círculo de pessoas, amigos e parentes, com quem possa contar para dividir seus problemas, comemorar suas conquistas e se distrair.   Durma bem.  A falta de sono altera o metabolismo e pode acabar resultando em sobrepeso e resistência à insulina, hormônio que coloca a energia para dentro das células, com consequente risco de evolução para o diabetes. Para se dar bem com o travesseiro, não coma demais à noite nem se exercite antes de dormir. Quando for para a cama, desligue todos os eletrônicos e diminua a luminosidade do quarto, bem como os ruídos.   Use filtro solar. O protetor deve ter FPS 30, no mínimo, para pessoas de pele clara, e FPS 15, no mínimo, para pessoas afrodescendentes. Além disso, a exposição ao sol deve ocorrer nos horários de menor radiação ultravioleta (antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas).   Vá ao médico periodicamente. Faça um check-up de saúde uma vez ao ano ou conforme recomendação médica. Caso tenha algum sintoma no intervalo entre uma consulta e outra, procure seu médico ou um serviço de emergência.

01/08/2019
Prevenção

Hepatites virais: o que são? Como prevenir

O fígado tem múltiplas funções. Produz a bile, que ajuda a digerir gorduras, armazena glicose, sintetiza colesterol, dá cabo de glóbulos vermelhos envelhecidos, fabrica e metaboliza proteínas, atua na defesa contra agentes patogênicos e ainda desintoxica o organismo. Não por acaso, os problemas que o acometem configuram motivo de preocupação entre os médicos, pelo desequilíbrio sistêmico que podem gerar, e também entre as autoridades sanitárias, por sua alta incidência e elevada taxa de mortalidade.  Entre as doenças hepáticas mais comuns estão as hepatites virais, que consistem numa inflamação causada pelos vírus HAV, HBV, HCV, HDV, ou delta-vírus, e HVE. No Brasil, somando todos esses agentes, foram registrados nada menos que 40,1 mil casos de hepatite em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde.  Embora o prognóstico seja muito distinto entre as hepatites virais, todas apresentam sintomas semelhantes, evidentemente quando estes se manifestam, tais como vômitos, enjoo, tontura, cansaço, febre, mal-estar, pele e olhos amarelados – condição conhecida como icterícia –, dor no abdome, fezes claras e urina escura. Contudo, o quadro pode passar despercebido ou mesmo ser confundido com o de outras viroses que afetam o aparelho digestório.  Para ter uma ideia, 7,2 milhões de pessoas carregam o vírus da hepatite C nas Américas, mas três em cada quatro delas desconhecem estar infectadas, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde. Não por acaso, a doença causada pelo vírus HCV é a mais letal, inclusive no Brasil, apesar de hoje contar com um tratamento bem avançado. O fato é que só é possível saber exatamente o agente envolvido por meio de exames de sangue, uma informação essencial para o médico planejar a estratégia terapêutica e evitar o comprometimento hepático que ocorre quando a hepatite se torna crônica. Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, 1,75 milhão de pessoas morrem a cada ano em todo o globo em decorrência de complicações dessas doenças, em particular as provocadas pelo HBV e pelo HCV. Se você não sabe se já teve contato com algum vírus da hepatite, converse com seu médico para fazer a testagem e, se preciso, adote as medidas necessárias para se tratar e se prevenir quanto antes. Três das cinco hepatites virais mais comuns podem ser evitadas por vacinas.   Saiba como é feito o tratamento de cada hepatite   Hepatite A:geralmente se cura espontaneamente, com o surgimento dos anticorpos após algumas semanas do início dos sintomas, requerendo só repouso e dieta para a melhora do estado geral. Mesmo assim requer atenção médica especializada. Em casos muito raros, o HAV pode causar uma hepatite fulminante e insuficiência hepática grave.  Hepatite B: também costuma ser naturalmente debelada pelo organismo, com os mesmos cuidados, mas, em uma parcela de casos, pode se tornar crônica, de modo silencioso, e não tem cura. Esses pacientes precisam de seguimento clínico frequente e, ao longo da vida, de medicamentos para controlar a multiplicação do HBV, bem como para evitar prejuízo às células hepáticas. Na falta de tratamento para essa forma da doença, há risco de cirrose hepática, com substituição do tecido hepático saudável por áreas de fibrose – como cicatrizes –, que impedem o fígado de exercer suas funções, e de câncer de fígado.  Hepatite C: em, pelo menos, 80% dos casos, a doença fica crônica e, dada a presença constante do agente no fígado, com risco de surgimento de áreas de fibrose e câncer. Até pouco tempo, era tratada com uma combinação de medicamentos, usados conforme o genótipo do HCV. Recentemente, surgiram antivirais de ação direta, que inibem enzimas essenciais para o vírus se multiplicar e têm sido associados às demais opções terapêuticas, elevando a possibilidade de cura para mais de 90%. O grande problema da hepatite C, e que faz dela uma das mais perigosas, é o fato de as pessoas não saberem que carregam o vírus. Hepatite D (delta): esse agente depende da preexistência do HBV para se estabelecer. Quando a infecção aguda ocorre simultaneamente, não há tratamento específico, mas apenas a necessidade de fazer repouso e dieta até que o organismo consiga eliminar os dois patógenos. Contudo, se o indivíduo já tem a forma crônica da hepatite B e adquire o vírus delta, a doença assume um caráter mais grave, exigindo combinações de medicamentos para controlar a replicação de ambos os vírus. Mais frequente no Norte do Brasil, a hepatite D é a principal causa de cirrose hepática em crianças e adultos jovens na região amazônica.  Hepatite E: também se cura de modo espontâneo, tão logo o organismo tenha desenvolvido defesas contra o HEV. Da mesma forma que nas demais, pede dieta e repouso para o completo restabelecimento do paciente.   De onde vem e como prevenir cada hepatite Hepatite Formas de transmissão Dicas para a prevenção A - Contato direto com indivíduos contaminados (o vírus sobrevive até quatro horas nas mãos das pessoas)- Ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal contendo o vírus- Relações sexuais desprotegidas (pelo contato com resíduos de fezes imperceptíveis a olho nu) - Tome a vacina contra a hepatite A. - Cuide de sua higiene pessoal, especialmente após usar o banheiro e antes das refeições ou de cozinhar, assim como antes das relações sexuais. - Higienize adequadamente alimentos que serão consumidos crus. - Não coma frutos do mar malcozidos, sobretudo mariscos e ostras.- Não consuma carne de porco crua ou malcozida. - Só tome água clorada ou fervida em locais sem saneamento básico.- Não coma nem beba nada de procedência desconhecida. B - Relações sexuais desprotegidas- Da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação- Compartilhamento de instrumentos de corte (seringas e agulhas, lâminas de barbear e depilar, materiais para confecção de tatuagem e colocação de piercings)- Transfusão de sangue (rara no Brasil por conta do alto controle de qualidade dos bancos de sangue) - Tome a vacina contra a hepatite B. - Use preservativo em todas as relações sexuais. - Não compartilhe objetos de uso pessoal nem materiais perfurocortantes. - Não se exponha a situações de risco, como uso de álcool e drogas de abuso, que prejudicam a capacidade de julgamento e impedem o autocuidado. - Caso esteja grávida, faça o pré-natal para evitar a transmissão da doença ao bebê. C - Transfusão de sangue (comum antes dos anos 90, mas hoje rara no Brasil por conta do alto controle de qualidade dos bancos de sangue)- Compartilhamento de instrumentos de corte (seringas e agulhas, lâminas de barbear e depilar, materiais para confecção de tatuagem e colocação de piercings)- Da mãe infectada para o filho durante a gravidez (mais rara)- Relações sexuais desprotegidas (rara) - Não compartilhe objetos de uso pessoal nem materiais perfurocortantes.- Não se exponha a situações de risco, como uso de álcool e drogas de abuso, que prejudicam a capacidade de julgamento e impedem o autocuidado. - Caso esteja grávida, faça o pré-natal para evitar a transmissão da doença ao bebê.- Use preservativo em todas as relações sexuais. D - Relações sexuais desprotegidas- Da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação- Compartilhamento de instrumentos de corte (seringas e agulhas, lâminas de barbear e depilar, materiais para confecção de tatuagem e colocação de piercings)- Transfusão de sangue (rara no Brasil por conta do alto controle de qualidade dos bancos de sangue) - Vacine-se contra a hepatite B, pois o delta-vírus é incompleto e depende do antígeno de superfície do HBV para se multiplicar.- Use preservativo em todas as relações sexuais. - Não compartilhe objetos de uso pessoal nem materiais perfurocortantes.- Não se exponha a situações de risco, como uso de álcool e drogas de abuso, que prejudicam a capacidade de julgamento e impedem o autocuidado. E - Ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal contendo o vírus - Cuide de sua higiene pessoal, especialmente após usar o banheiro e antes das refeições e de cozinhar, assim como antes das relações sexuais. - Higienize adequadamente alimentos que serão consumidos crus. - Não coma frutos do mar malcozidos, sobretudo mariscos e ostras. - Não consuma carne de porco crua ou malcozida. - Só tome água clorada ou fervida em locais sem saneamento básico.- Não coma nem beba nada de procedência desconhecida. Fonte: Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais.

01/08/2019
Prevenção

O que causa a icterícia?

Amarelo. Essa é cor que predomina na icterícia, um sintoma de diversas doenças, e não uma condição patológica em si, que tinge pele, mucosas e o branco dos olhos (denominado esclera). O aspecto amarelado provém da elevação não natural de um pigmento na corrente sanguínea, a bilirrubina, que resulta da morte dos glóbulos vermelhos do sangue.  Numa situação de normalidade, o fígado capta esse pigmento da circulação após a morte das hemácias envelhecidas e o processa. Só para ter uma ideia do caráter ininterrupto desse trabalho, as células vermelhas se renovam a cada 120 dias. Após ser metabolizada, a bilirrubina fica armazenada nas vias biliares e é excretada pelo intestino, juntamente com a bile.  Numa situação anormal, porém, ou a quantidade de bilirrubina produzida ultrapassa a capacidade de processamento do fígado devido à destruição acelerada de glóbulos vermelhos ou, então, o metabolismo do pigmento está prejudicado por alguma alteração no fígado ou nas vias biliares. Bilirrubina que não sai do corpo Na prática, o fígado pode ficar com a capacidade comprometida de captar a bilirrubina e de processá-la em decorrência de hepatites causadas por vírus, por medicamentos, alcoolismo, de cirrose hepática, febre amarela e enfermidades genéticas raras, como na Síndrome de Crigler-Najjar e na Síndrome de Gilbert.  Já a degradação anormal dos glóbulos vermelhos ocorre em anemias hemolíticas, em que há destruição aumentada e precoce dessas células, com destaque para a anemia falciforme, e também em doenças infecciosas, como a malária, o que faz aumentar bastante a quantidade do pigmento na circulação, sem que o fígado possa dar conta do volume de trabalho.  Por fim, a bilirrubina, após ser metabolizada, pode não encontrar o caminho livre nas vias biliares, rumo ao intestino. Isso ocorre no cálculo biliar, ou pedra na vesícula, em tumores ou estreitamentos nessa região, bem como na colangite biliar primária, uma doença autoimune na qual o organismo produz autoanticorpos que inflamam e obstruem as vias biliares.  O fato é que, em todas essas condições, o pigmento não consegue sair e acaba se acumulando na pele, nas mucosas e nos olhos.    O que há por trás do amarelo da icterícia Por ser um sinal clínico aparente, a presença de icterícia pode levar naturalmente a uma consulta médica, em especial se estiver acompanhada de outras manifestações ligadas ao aumento de bilirrubina, como urina escura, fezes esbranquiçadas e coceira, que muitas vezes chamam mais a atenção do paciente que o tom da pele.  A história clínica já fornece ao médico pistas para ele suspeitar de alguma das doenças que causam icterícia, mas a investigação inicial não prescinde de exames de sangue para medir a quantidade de bilirrubina e de glóbulos vermelhos, bem como para avaliar a função hepática. A partir dos resultados, outros testes geralmente são necessários para o diagnóstico. A elevação de determinadas enzimas do fígado, por exemplo, pode sugerir inflamação e levar o médico a pesquisar as hepatites virais.  O tratamento visa a combater a causa da icterícia que, uma vez removida, termina de vez com a manifestação amarelada. Contudo, os especialistas também recomendam outras medidas de proteção, como o aumento da hidratação corporal, a restrição de alimentos gordurosos e o uso de anti-histamínicos para combater a coceira.   Ficar amarelo não é normal. Ainda que não sinta nada, procure esclarecimento médico. Meu bebê está com icterícia. E agora? A icterícia neonatal costuma surgir em até 60% dos bebês, em geral no terceiro dia de vida, sendo detectada pelo exame clínico e confirmada pela dosagem de bilirrubina no sangue. Mas, na grande maioria das vezes, decorre de uma imaturidade da função do fígado, que não consegue dar conta de metabolizar o pigmento – por isso mesmo, recebe o nome de icterícia fisiológica (função habitual do organismo). A condição não costuma preocupar, mas precisa de controle para evitar complicações, o que é feito com fototerapia ainda na maternidade. Quando não fisiológica, pode derivar de incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, síndromes genéticas, obstruções nas vias biliares, anemias hemolíticas e infecções por vírus e bactérias, entre outras causas pouco frequentes nesse grupo.

22/07/2019
Prevenção

Como vai a sua tiroide?

Para algumas pessoas, pode ser mesmo um pouco difícil responder a essa pergunta sem uma busca prévia na internet, uma vez que nem todo mundo sabe que possui essa glândula pequena, em formato de borboleta, logo abaixo da faringe. A falta de intimidade com a tiroide (ou tireoide) ocorre justamente porque ela trabalha em silêncio, produzindo os hormônios tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4), cuja função é regular o metabolismo, ou seja, a forma como o corpo armazena e gasta energia, o que garante o equilíbrio de todos os sistemas do corpo.   Essa harmonia, no entanto, pode ser interrompida por algum problema de funcionamento da glândula, seja porque ela passa a produzir menos hormônios, situação conhecida como hipotireoidismo, seja porque seja ela passa a trabalhar em excesso, fabricando mais hormônios do que o necessário, caso do hipertireoidismo. Nos dois casos, extremos, o organismo se ressente de várias formas. Afinal, os hormônios tireoidianos agem nos órgãos vitais e participam de diversos processos orgânicos, como a fertilidade, os ciclos menstruais, o crescimento – no caso de crianças e adolescentes –, a capacidade de concentração, as oscilações de humor e a manutenção da memória, entre outros.   Hormônios em baixa no hipotireoidismo Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o hipotiroidismo é a disfunção de tireoide mais comum, afetando com maior frequência as mulheres após a sexta década de vida, em especial aquelas com histórico familiar da condição. Tem, como causa principal, a doença de Hashimoto, uma afecção autoimune em que o organismo produz autoanticorpos que atacam a glândula, inflamando-a, às vezes com aumento de seu volume, e reduzindo sua atividade. O problema também pode ser ocasionado por tratamento anterior de qualquer órgão com iodo radioativo, que destrói as células da tireoide, e por cirurgia local – para remover um nódulo, por exemplo. Nessa situação de insuficiência de hormônios tireoidianos, tudo fica mais lento no organismo, como se o combustível estivesse no fim. Dessa forma, os sintomas podem incluir, além da lentidão característica, cansaço excessivo, sensação de frio, prisão de ventre, irregularidade menstrual, depressão, insônia, redução da memória, batimentos cardíacos diminuídos e dores musculares e articulares, entre outros. Além disso, usualmente há pequeno aumento de peso, assim como elevação dos níveis de colesterol na circulação. O hipotiroidismo é tratado com a reposição do T4, feita com o uso diário do hormônio sintético, a levotiroxina, na dose apropriada para cada pessoa, o que varia bastante de indivíduo para indivíduo, podendo ter ajustes periodicamente e sempre necessitando de acompanhamento do endocrinologista com exames laboratoriais.  Os especialistas avisam que a falta de tratamento empobrece o desempenho físico e mental e favorece o surgimento de doenças cardíacas. Nas gestantes, a disfunção merece atenção dobrada, já que o problema da mãe pode gerar prejuízos ao desenvolvimento do feto. Portanto, o funcionamento adequado da tireoide precisa ser garantido no período gestacional.  Vale lembrar que, ao nascimento, os bebês também são testados para o hipotireoidismo congênito por meio do teste do pezinho, que permite o diagnóstico e o tratamento precoce da condição, uma providência essencial porque a deficiência de hormônios tireoidianos compromete o desenvolvimento neurológico da criança.   Hormônios em excesso no hipertireoidismo Na outra ponta, o hipertireoidismo produz manifestações relacionadas à produção hormonal excessiva por uma tireoide hiperativa – e, portanto, contrárias ao hipotireoidismo. O coração bate muito rápido e de modo irregular, o intestino funciona demais, a pessoa parece estar com duas baterias carregadas, falando e gesticulando muito. Há ainda queixas de calor, aumento da transpiração, tremor nas mãos, irritação nos olhos, irritabilidade, ansiedade, fadiga e perda de peso. A infertilidade também pode ser causada por esse quadro. Contudo, pessoas com aumentos pouco significativos dos hormônios tireoidianos, assim como idosos, podem não ter absolutamente nenhum sintoma. A causa principal do hipertireoidismo é igualmente um problema autoimune, a doença de Graves, uma enfermidade crônica na qual autoanticorpos atacam a glândula e promovem seu aumento, o que leva a uma produção hormonal acima do normal. Em menor proporção, inflamações e nódulos podem dar origem à condição. O tratamento dessa disfunção depende do que a causou, do estado de saúde e da idade do paciente e, claro, do grau dos sintomas. O endocrinologista escolhe a estratégia terapêutica com cuidado, de forma personalizada para o paciente, entre as quais se encontram medicamentos antitireoidianos, que reduzem a quantidade de hormônio, fármacos betabloqueadores, que controlam a taquicardia, e medidas mais impactantes, como a remoção da tireoide por cirurgia ou a aplicação de iodo radioativo – ambas gerando um consequente hipotiroidismo, com necessidade posterior de reposição diária do T4 com levotiroxina.  As disfunções da tireoide são democráticas. Aparecem em qualquer faixa etária, em ambos os sexos, sem que possam contar com medidas de prevenção primária, como ocorre com doenças cardiovasculares. O fato é que, como os sintomas desses distúrbios são inespecíficos, recomenda-se visitar um médico regularmente, fazer exames que medem a atividade da tireoide e, assim, possibilitar o diagnóstico precoce, antes que a condição detectada possa acarretar mais desconforto ou um problema de saúde maior.    Para conhecer a função da tireoide O trabalho da tireoide é controlado pela hipófise, glândula que também faz parte do sistema endócrino e que produz o hormônio estimulante da tireoide (TSH), que, como sugere o nome, a induz a produzir T4 e T3. Assim, o diagnóstico do hipertireoidismo e do hipotireoidismo só depende da dosagem laboratorial desses hormônios no sangue. Na prática clínica, porém, basta conhecer os níveis de TSH e T4 para chegar a um veredicto. Um resultado de TSH alto com T4 baixo indica hipotiroidismo – a tiroide se encontra estimulada, mas, por ter adoecido, não consegue produzir hormônio a contento. Já um resultado de TSH baixo com T4 alto aponta hipertiroidismo – a glândula nem está estimulada, mas, mesmo assim, há hormônio em excesso devido a um processo patológico. Esses exames servem, da mesma forma, para acompanhar o tratamento e para ajustar a dose de levotiroxina. É claro que, para a busca das causas de cada quadro, há necessidade de outros testes, inclusive alguns até de imagem, mas as dosagens de TSH e T4 configuram-se como a base para a detecção das disfunções tireoidianas.

22/07/2019
Prevenção

Acidentes de trabalho, um problema de saúde e da sociedade

Numa sequência clássica do filme de Charles Chaplin, Tempos Modernos, o personagem Carlitos começa a apertar parafusos freneticamente e é tragado pela máquina de produção. Uma brincadeira e, ao mesmo tempo, uma crítica que, ainda hoje, diz muito sobre a relação do homem com o trabalho desde o advento da Revolução Industrial. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,3 milhões pessoas morrem e mais de 300 milhões se ferem a cada ano em todo o globo em decorrência de acidentes de trabalho, que incluem não só o incidente típico, com ferimentos de graus variados, como também a doença profissional e a doença do trabalho, sendo a primeira ligada à profissão, como o professor que desenvolve bursite no ombro por passar anos a fio escrevendo na lousa, e a segunda, ao ambiente em que se realiza o trabalho, como o operário que perde a audição por causa da exposição constante a ruídos na linha de produção em que atuava.  Essas ocorrências, além de desequilibrarem tantas famílias, com vidas interrompidas, sequelas físicas irreversíveis e danos à integridade física e até mental dos trabalhadores, ainda têm um custo bastante alto para a sociedade, da ordem de 4% do PIB mundial, de acordo com a OIT, somando dias perdidos de trabalho, pagamento de pensões e gastos com tratamento, reabilitação e reintegração dos acidentados.   Brasil, o quarto em ocorrências de acidentes de trabalho Infelizmente o Brasil ocupa a quarta colocação no ranking dos países que mais registram acidentes de trabalho, posicionando-se atrás apenas da China, da Índia e da Indonésia. Conforme dados do Anuário Estatístico da Previdência Social, entre 2012 e 2016, 3,5 milhões de brasileiros se acidentaram em território nacional durante a execução de sua atividade laboral ou em consequência dela, o que resulta numa média de 700 mil casos por ano.  Esse montante inclui acidentes graves, como fraturas e lacerações, exposições a material biológico e intoxicações, assim como as doenças ocupacionais, a exemplo de lesões por esforços repetitivos/doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, conhecidas pela sigla LER/DORT, perdas auditivas, dermatoses, pneumoconioses e o chamado câncer ocupacional. Sem contar os acidentes de percurso, que ocorrem da residência para o local de trabalho e vice-versa, qualquer que seja o veículo usado para o deslocamento do trabalhador. E, lamentavelmente, há os casos fatais. De janeiro de 2017 a fevereiro de 2018, o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho registrou 2.351 mortes com essa causa.  De acordo com os especialistas, os números aqui descritos representam só a ponta do iceberg, já que muitos casos não são notificados, e se devem a práticas pobres de segurança no trabalho e falta de equipamentos proteção individual, do lado das empresas, bem como a descuido e exaustão, do lado do trabalhador.  No Brasil, existe uma cultura de que o acidentado deixa de ser um problema do empregador para se tornar um problema previdenciário. Contudo, a responsabilidade é de todos, do Poder Público, de patrões e de empregados, na medida em que o acidente ou a doença ocupacional, como se já não bastasse tirar do indivíduo seu bem-estar e sua saúde, geram custos que todo contribuinte paga e que poderiam estar sendo investidos em outros benefícios para a sociedade. Entre 2012 e 2017, a hoje tão discutida Previdência Social desembolsou R$ 26,2 bilhões com o pagamento de auxílios-doença e auxílios-acidente, aposentadorias por invalidez e pensões por óbitos de trabalhadores.  Por tudo isso, não fique numa situação de vulnerabilidade. Previna-se no dia a dia de trabalho, cobre providências de superiores e conte com seu médico se tiver alguma queixa ou exposição a risco que estejam relacionados à atividade profissional que realiza.   Ajude a evitar acidentes de trabalho Para quem é empregado: Cobre e utilize equipamentos de proteção individual, tais como luvas, óculos, capacetes, protetores auriculares e outros. Fique atento à necessidade de substituição desses itens. Redobre a atenção ao realizar qualquer atividade de risco dentro de seu escopo de trabalho. Procure fazer treinamentos de segurança com frequência. Caso não estejam disponíveis na empresa, repasse as normas com superiores. Tente encontrar e corrigir pontos de risco dentro do ambiente de trabalho, desde um piso escorregadio até uma falha em uma máquina. Peça a ajuda de um técnico caso não saiba manusear uma máquina ou equipamento. Faça pausas em sua atividade ocupacional, especialmente se realiza movimentos repetitivos.  No escritório, certifique-se da perfeita adaptação de seu corpo ao mobiliário e ao posto de trabalho. Do contrário, solicite orientação de equipe de saúde e segurança. Se opera máquinas e dirige automóveis como parte de sua função, procure dormir bem e avise colegas e superiores se sentir que não está em plenas condições para exercer sua atividade. Caso dirija para ir e voltar do trabalho, faça-o com atenção e obedeça às leis de trânsito. Deixe o carro na garagem se estiver muito cansado.   Para quem emprega: Crie uma política de segurança, disponibilizando a seus empregados um documento com regras claras para evitar acidentes, bem como instruções em caso de ocorrência. As normas devem ser tanto mais rígidas quanto mais perigosa for a atividade da empresa. Mantenha um gestor exclusivo – como um gerente de segurança no trabalho – para verificar se as regras estão sendo cumpridas e estabeleça uma cultura de segurança na empresa. Identifique e corrija possíveis riscos de acidentes, envolvendo seus funcionários nesse trabalho, e mantenha ferramentas por perto para eliminar rapidamente eventuais problemas, se necessário for. Promova treinamentos de segurança regularmente, incluindo aqueles voltados para o combate a incêndios, de forma que as pessoas conheçam bem as rotas de fuga e identifiquem quem pode liderá-las nessas situações – os brigadistas. Mantenha sempre um kit de primeiros socorros num local de fácil acesso para evitar que os ferimentos em acidentados se agravem. Quantifique e analise cada acidente, avaliando o que poderia ter sido feito para evitá-lo e traçando um plano de prevenção. Identifique possíveis perigos no ambiente de trabalho com placas de sinalização, por exemplo.   Certifique-se de que todas as áreas da empresa tenham boa luminosidade, inclusive o escritório, e invista em mobiliário ergonômico.  

15/07/2019
Prevenção

Anemia falciforme

Quando o problema está na forma da célula sanguínea Uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil, a anemia falciforme caracteriza-se por uma alteração nos glóbulos vermelhos do sangue, que, devido a um defeito genético, a hemoglobina (proteína que transporta oxigênio pela circulação), adquire o formato de foice, ou meia-lua, em lugar da forma tradicional, arredondada. As células falciformes, ao contrário das normais, são pouco flexíveis e não conseguem passar adequadamente pelos vasos sanguíneos menores, obstruindo-os em diferentes órgãos do corpo. Além de causar anemia desde o nascimento, por conta da má distribuição de oxigênio ao organismo pela hemoglobina defeituosa – a hemoglobina S –, a doença provoca icterícia, aquele aspecto amarelado da pele e dos olhos, devido à morte precoce das células sanguíneas, e dores em ossos, músculos e articulações, decorrentes da oclusão dos vasos, também chamadas de crises de falcização. Como se não bastasse, essas crises são ainda precipitadas por exposição a temperaturas frias e pela desidratação, já que o portador da condição costuma perder mais água que o normal porque não consegue concentrar a urina.  A vulnerabilidade a infecções é outra característica da anemia falciforme. Ocorre que a destruição dos vasos afeta brutalmente o baço, importante órgão produtor de anticorpos e de linfócitos, e vai minando sua função, o que abre espaço para os invasores proliferarem. Por isso, o surgimento de febre configura um sinal de alerta, especialmente nos pequenos, uma vez que as infecções são a principal causa de morte em crianças com a condição. O entupimento dos capilares, veias e artérias pelas células falciformes ainda pode ocasionar complicações graves, como infarto agudo do miocárdio, doença renal crônica, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral, além de impactar outros órgãos.   Diagnóstico precoce da anemia falciforme previne complicações O quadro clínico da anemia falciforme já aparece no primeiro ano de vida, como a suscetibilidade a infecções, em virtude do mau funcionamento do baço, o que justifica sua pesquisa logo ao nascimento. Não por acaso, a doença é rastreada em todos os recém-nascidos em território nacional pelo teste do pezinho. Havendo alteração nessa triagem, a família é reconvocada para a realização de um exame de sangue confirmatório no bebê, denominado eletroforese de hemoglobina. Uma vez feito o diagnóstico, o portador precisa receber uma série de cuidados para reduzir as consequências da anemia, as crises de dor e a suscetibilidade a infecções. Na prática, isso inclui boa nutrição, não só com alimentação, mas com suplementação de ácido fólico, para controle da anemia, uso de antibióticos, tanto para prevenir quanto para tratar infecções, manutenção de hidratação adequada e proteção contra temperaturas adversas. O tratamento ainda pode exigir outras medidas, conforme a evolução do quadro em cada paciente, a exemplo de transfusões regulares de sangue. A cura depende de transplante alogênico de medula óssea. A dificuldade, no entanto, é encontrar um doador compatível e garantir que o paciente esteja em boas condições de saúde para realizar o procedimento. No futuro, acredita-se que a terapia gênica possa trazer boas perspectivas para esse grupo, visto que a doença deriva de uma mutação genética que causa o defeito na hemoglobina. Para ser portador dessa falha, é necessário ter herdado o gene alterado da mãe e do pai. Se apenas um dos genitores transmitir a alteração, a pessoa terá o traço falciforme, passando-o a seus descendentes, mas não manifestará a condição. A anemia falciforme é considerada um problema de saúde pública no mundo, justamente por afetar os países mais pobres. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 300 mil crianças ao redor do globo nascem com a doença a cada ano, a maior parte na África Subsaariana. No Brasil, com base nos dados do teste do pezinho, o Ministério da Saúde calcula uma incidência anual de 3.500 casos novos, sobretudo na Bahia, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Ao fazer seu planejamento familiar, converse com seu médico sobre a possibilidade de rastrear essa e outras doenças genéticas antes mesmo da concepção.  

15/07/2019
Prevenção

Você sabe a diferença entre gripe e resfriado?

Diante de qualquer manifestação envolvendo as vias respiratórias, não raro as pessoas logo relatam que estão gripadas. Quem nunca? Mas, muito embora possam ter manifestações semelhantes, como febre, tosse e dor no corpo, gripes e resfriados guardam diferenças quanto ao quadro clínico e à gravidade.  Os resfriados são causados por mais de 200 vírus diferentes, em especial da família do rinovírus. Iniciam-se lentamente, com os sintomas aparecendo de forma gradativa, e costumam se resolver de modo rápido, necessitando apenas de medicamentos para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. O próprio organismo dá cabo da infecção ao fim de alguns dias, desenvolvendo defesas para combater o vírus.  Nas pessoas mais vulneráveis, evidentemente, podem ocorrer complicações. Bebês, quando infectados pelo vírus sincicial respiratório, por exemplo, têm risco de evoluir para bronquiolite, uma inflamação nos bronquíolos que exige acompanhamento médico bem próximo.   Gripe inspira maior cuidado Já a gripe provém da ação do vírus influenza, que possui três tipos: o A, com dois subtipos em circulação atualmente, segundo o Ministério da Saúde, sendo um deles o H1N1, o causador da gripe suína, além do B e do C. Começa com uma febre alta, repentina, acompanhada de tosse seca e mal-estar geral.  Embora também possa ser debelada pelo sistema imunológico, devido à agressividade do quadro e ao risco de progressão para a síndrome respiratória aguda grave, não é incomum a prescrição de antivirais para o tratamento dos pacientes – aí sim – gripados, de preferência nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Nesses casos, precisa haver previamente o diagnóstico de infecção pelo influenza. Para tanto, hoje existem testes rápidos, feitos por métodos de biologia molecular, que conseguem dar essa resposta em poucas horas.   Como prevenir a gripe  Não custa lembrar que a gripe pode ser prevenida por vacina, que precisa ser aplicada uma vez por ano porque as cepas do vírus em circulação se modificam a cada temporada. Anualmente, no mês de setembro, a Organização Mundial da Saúde recomenda as cepas que devem ser utilizadas na fabricação dos imunizantes para o próximo ano no Hemisfério Sul.  Os resfriados não contam com esse recurso, mas o número de episódios pode ser diminuído com algumas medidas, como lavar as mãos com frequência, alimentar-se bem, manter uma hidratação adequada do corpo, ter um sono reparador e evitar locais fechados no frio, nos quais os agentes infecciosos são transmitidos com mais facilidade, entre outras providências.

08/07/2019
Alimentação

Alergia alimentar: conheça causas e sintomas

É muito frequente encontrar pessoas alérgicas, já que pelo menos 30% da população brasileira apresenta algum tipo de alergia, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). A doença consiste na resposta exagerada do sistema de defesa a um alérgeno, seja ele a poeira doméstica ou os polens, nos casos de alergia respiratória, seja a proteína de determinado alimento, no caso de alergia alimentar. Afetando 6-8% das crianças e 2-3% dos adultos, de acordo com a Asbai, a alergia alimentar é uma reação adversa que ocorre depois da ingestão de determinados alimentos ou aditivos alimentares. Pode desencadear manifestações na pele, no sistema respiratório e no sistema digestório ou, ainda, envolver vários órgãos, culminando no que se chama de reação anafilática, uma condição grave, que precisa ser revertida imediatamente.  Todo alimento tem potencial de causar alergia, porém os mais envolvidos com esses quadros são o leite de vaca, o ovo, a soja, os crustáceos, o trigo e os peixes. Além disso, há possibilidade de reações cruzadas. Quem sabidamente é alérgico a camarão pode não tolerar mariscos, ostras e afins. Do mesmo modo, a sensibilidade ao amendoim não raro se estende a grãos como soja, ervilha e feijões.  A reação adversa a conservantes, corantes e outros aditivos alimentares ocorre mais raramente, mas deve ser valorizada. Entre os agentes mais comuns desse grupo, vale destacar o corante tartrazina, usado em sucos artificiais, gelatinas e balas, assim como o glutamato monossódico, que entra em alimentos salgados, a exemplo de temperos, e os sulfitos, que conservam frutas desidratadas, vinhos e sucos, além de serem adicionados a alguns medicamentos.   A reação alérgica ocorre sempre logo depois de ingerir o alimento? O diagnóstico costuma ser feito pelo alergista por meio de um completo detalhamento da história do paciente, que inclui o relato dos alimentos ingeridos de forma rotineira e eventual para que o médico possa associar sintomas à ingestão, bem como do exame físico. Nas crianças, os casos envolvem principalmente leite e ovo, enquanto, nos adultos, o camarão é o maior implicado. De qualquer forma, nem sempre as reações ocorrem logo após o consumo, o que dificulta a identificação da doença. Para ajudar a esclarecer o quadro, o especialista pode pedir testes alérgicos cutâneos e exames de sangue. O tratamento consiste no uso de anti-histamínicos para controlar os sintomas e na retirada, da dieta, do alimento que provoca alergia, sempre com o cuidado de substituí-lo adequadamente para evitar deficiências nutricionais – o que é crucial em crianças para evitar prejuízos a seu pleno desenvolvimento. O paciente e os familiares são orientados para que evitem novos contatos com o agente causador da alergia e para que se habituem a ler rótulos em busca da presença do alimento e de nomes associados, como, ainda no caso do leite, manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato.  Essa missão foi simplificada com a resolução RDC 26/2015, da Anvisa, que determina que os fabricantes informem, no rótulo dos produtos, a existência de até 17 alimentos potencialmente causadores de alergia. A mesma norma também exige que os rótulos exibam avisos de que podem conter traços desses alimentos. Isso porque há industrializados que, mesmo sem ter nenhum deles, são fabricados em máquinas que processam produtos que levam efetivamente tais itens em sua composição. Um biscoito feito com água, farinha e sal, por exemplo, pode ser produzido no mesmo maquinário que um outro, composto de ovos e leite, tendo, portanto, possibilidade de contaminação cruzada.     O que fazer quando a alergia ocorre por exposição acidental? Apesar dos cuidados, excluir totalmente um item da dieta não é missão fácil e a exposição acidental acaba acontecendo com muita frequência, de acordo com os especialistas. Nesses casos, as reações leves podem ser controladas com os anti-histamínicos ou até desaparecerem espontaneamente. Contudo, para o grupo com histórico de reações mais graves, recomenda-se até andar com medicamentos próprios para a reversão dos sintomas – um autoinjetor de adrenalina. Mesmo assim, essas pessoas devem ser encaminhadas para um serviço médico após a exposição porque há risco de uma segunda reação tardia. Felizmente, o prognóstico costuma ser bom na alergia alimentar. Segundo a Asbai, cerca de 85% das crianças deixam de reagir à maioria dos alimentos que lhes causa alergia entre os 3 e os 5 anos, sobretudo ovos, leite, trigo e soja, que, afinal, estão nos produtos industrializados e nos cardápios mais comuns. Para tanto, o especialista vai fazendo a reintrodução gradual do alimento. Já a sensibilidade a amendoim, nozes, crustáceos e peixe costuma permanecer pela vida toda.   Como prevenir a alergia alimentar na primeira infância? Por se tratar de uma doença que afeta crianças, parece razoável identificar quem pode ter esse quadro, em especial na primeira infância, quando o leite de vaca responde por grande parte da dieta. Mas, na prática, a preocupação deve existir justamente em famílias de alérgicos, já que, segundo a Asbai, de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar têm parentes com o mesmo problema. Além disso, se tanto o pai quanto a mãe apresentarem qualquer tipo de condição alérgica, a chance de gerarem um filho com alergia alimentar chega a 75%. Nesse grupo, portanto, os especialistas estimulam ainda mais o aleitamento materno, assim como a introdução tardia dos alimentos mais associados a quadros de alergia: sólidos somente após o sexto mês de vida, leite de vaca após 1 ano de idade, ovos aos 2 anos e amendoim, nozes e peixes apenas depois dos 3 anos.    Se você suspeita de alguma ligação entre a ingestão de alimentos e reações adversas, procure um alergista para esclarecer o quadro. Conheça os sintomas da alergia alimentar Reações na pele: placas salientes na superfície do corpo (urticária), inchaço, coceira e inflamação cutânea (dermatite atópica). Reações gastrointestinais: diarreia, vômitos, dor no abdome e, nas crianças, perda de sangue nas fezes, com consequente anemia e atraso no crescimento. Reações respiratórias: tosse, chiado no peito e rouquidão. Raramente, pode haver obstrução nasal. Reação anafilática: coceira generalizada, inchaço, dificuldade respiratória, diarreia e vômitos, dor abdominal, aperto na garganta e no peito, queda da pressão arterial, descompasso dos batimentos cardíacos e incapacidade do sistema vascular de irrigar todos os tecidos do corpo (choque vascular).  

08/07/2019
Prevenção

A saúde dos olhos pede atenção

Estima-se que 80% da relação do ser humano com o mundo ocorra por meio da visão, segundo o Projeto Olhar Brasil, do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde. Apesar disso, muitas vezes só nos damos conta de importância desse sentido quando algo o prejudica. E isso não constitui um evento raro. De acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, 253 milhões de pessoas ao redor do mundo estão cegas ou apresentam grande dificuldade para enxergar. Felizmente, no entender da Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria desses casos pode ser evitada por meio de tratamentos ou de estratégias preventivas. A prevenção de doenças oculares requer alguns cuidados no dia a dia, a maior parte de fácil acesso, mas depende de visitas regulares ao oftalmologista, uma vez que os primeiros sinais de doenças que resultam em perda de visão, se não tratadas a tempo, só podem ser flagrados nessas consultas. Da mesma forma, esse especialista consegue identificar erros de refração, como a miopia e o astigmatismo, e fornecer o caminho para a correção de tais problemas – a prescrição de óculos de grau ou lentes de contato ou mesmo a cirurgia. Na prática, recomenda-se que a criança seja levada anualmente ao oftalmologista até os 8 anos de idade, especialmente por conta de erros refrativos que ela não consegue verbalizar e, que, não raro, podem estar por trás de uma dificuldade de aprendizado, por exemplo, ou de uma queixa constante de dor de cabeça. Dos 8 aos 40 anos de idade, o intervalo das consultas pode ser maior, de dois em dois anos ou conforme recomendação médica, desde que não haja sintomas nem histórico de doenças oculares na família.  Dos 40 anos em diante, no entanto, devem ser retomadas as avaliações oftalmológicas anuais. Nessa fase, com frequência surgem outras queixas, como a dificuldade de ler de perto, que caracteriza a presbiopia, corrigida geralmente com óculos para leitura. Ainda que não haja nada de diferente nos olhos, a partir dessa idade o oftalmologista precisa medir a pressão intraocular, para detectar e deter o avanço do glaucoma, e avaliar o estado das estruturas do fundo do olho, buscando diagnosticar precocemente doenças como a catarata, a degeneração macular e a retinopatia diabética, que, juntamente com o glaucoma, estão entre as principais causas de cegueira em adultos e idosos no Brasil. O fato é que a regularidade do check-up ocular pode prevenir e resolver, se não todas, a maioria das causas de cegueira e baixa acuidade visual. Assim sendo, não deixe de priorizar também essa necessidade na sua agenda de saúde e jamais se acostume com quaisquer queixas visuais, por mais corriqueiras que pareçam.  8 cuidados à vistaSe apenas o oftalmologista consegue observar alterações nos olhos que somos incapazes de perceber, no dia a dia há várias medidas que podemos adotar para a manutenção da saúde ocular:  Proteja seus olhos da exposição ao sol, que agrava a catarata e pode causar dano irreversível às células da retina. Para tanto, use óculos escuros com lentes que possuam fator de proteção contra raios ultravioleta, mesmo em dias nublados. Não pingue colírios nos olhos sem prescrição médica e, mesmo quando houver indicação, só aplique o medicamento pelo tempo recomendado pelo oftalmologista. Especialmente os que contêm corticoides podem elevar a pressão intraocular e dar origem ao glaucoma secundário. Opte por maquiagem hipoalergênica para a região dos olhos e, ainda assim, sempre a remova antes de dormir para não entupir os folículos pilosos, o que pode causar terçóis doloridos. Evite produtos cosméticos para a limpeza. Shampoo de bebê neutro e água dão conta do recado. Não coce os olhos. Esse hábito agrava os quadros de irritação e ainda pode levar à região agentes infecciosos que provocam não só doenças oculares, a exemplo de conjuntivites, como também nas vias aéreas – gripes e resfriados são um bom exemplo. Não tente remover qualquer corpo estranho dos olhos com pinças ou outros instrumentos pontiagudos, ainda que seja um prosaico cílio. Procure um oftalmologista em caráter de emergência. Se você trabalha com atividades que podem desprender partículas ou gotículas capazes de comprometer a saúde de seus olhos, use protetores oculares. Evite o diabetes. Tenha uma dieta saudável, pratique exercícios físicos regulares e mantenha-se no peso ideal para sua altura e gênero. Faça intervalos no uso de computador e de dispositivos móveis para descansar os olhos da luminosidade das telas. Sintomas de problemas na visão: quando procurar o oftalmologista Além de fazer as consultas de rotina, conforme sua faixa etária, sempre procure um oftalmologista na presença de:- Lacrimejamento durante ou após esforço visual;- Sensação de olho seco;- Secreção;- Olhos vermelhos;- Crosta nos cílios;- Necessidade de apertar ou mesmo de arregalar os olhos para enxergar;- Necessidade de se aproximar muito para ver e ler;- Necessidade de afastar o objeto ou texto para poder visualizá-lo;- Necessidade de inclinar a cabeça para ver e ler;- Visão embaçada;- Sensibilidade à luz;- Dores de cabeça;- Visão dupla;- Desvio ocular.

01/07/2019
Bem-estar

Mitos e verdades sobre a doação de sangue

Com a chegada das férias escolares, os estoques dos bancos de sangue caem cerca de 30%. Que tal tirar algumas horas do seu dia para reverter esse cenário e mudar o destino de até quatro pessoas?  Você pode ser doador se tiver entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, encontrar-se em bom estado de saúde, estar alimentado e ter dormido bem.  Muita gente atende a esses requisitos, porém ainda hesita em tomar essa importante resolução por acreditar em alguns mitos que cercam a doação. Chegou a hora de conferir se eles procedem ou não. Será que o sangue doado não vai fazer falta ao corpo?Esqueça. A reposição começa naturalmente já nas primeiras 24 horas da doação. De qualquer modo, o volume doado, de 450 ml, corresponde a menos de 10% do volume total de sangue de um adulto, que é de cinco litros. Não dá para sentir a diferença. Há risco de contrair alguma doença infecciosa durante a doação?Nem pensar. A doação não oferece nenhum risco de contrair doenças infecciosas, uma vez que o material usado no procedimento é estéril e descartável. Se o doador for informado de que apresenta alguma enfermidade, deve entender que isso se refere aos resultados dos testes feitos com o material para a pesquisa de infecções antes do uso do sangue nos pacientes necessitados.  O sangue pode ficar diferente, mais grosso ou mais fino, depois de doar?Não. O procedimento não torna o sangue mais viscoso, tampouco mais fino ou mesmo mais fraco. Novamente, vale lembrar que o trabalho de reposição começa nas horas seguintes. É possível sentir dor no momento da coleta do sangue?Se considerarmos a picada da agulha, a resposta pode ser afirmativa para os mais sensíveis. A partir do momento em que o sangue começa a ser coletado, no entanto, tudo flui muito bem, sem incômodos. Ao doar sangue uma vez, tenho que voltar periodicamente ao hemocentro? Não. Mas quem gostou da experiência está sempre convidado a voltar. Homens podem doar até quatro vezes por ano, com dois meses de intervalo entre uma doação e outra, e mulheres, três vezes, com três meses de intervalo. No sexo feminino, a reposição dos estoques de ferro demora um pouco mais por conta da menstruação. Mulheres podem doar sangue durante a menstruação?Podem. A menstruação não constitui empecilho para a doação por se tratar de uma perda prevista pelo organismo e, além disso, num volume reduzido. Fumantes são aceitos como doadores de sangue?Apesar dos males do cigarro à saúde do fumante, o tabagismo não impede a doação. No entanto, é necessário ficar duas horas sem fumar antes do procedimento. Também não se recomenda que o doador acenda um cigarro logo após a coleta, sob o risco de desmaio ou tontura. Para saber mais, clique aqui.  

01/07/2019
Prevenção

Teste de pezinho

Mais do que um diagnóstico, a oportunidade de viver plenamente Além do teste de Apgar, no qual o recém-nascido é avaliado quanto a fatores como frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, prontidão reflexa e cor da pele, nas horas seguintes ao nascimento o bebê passa por outras avaliações, algumas obrigatórias, outras recomendadas. Entre as obrigatórias está a triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho. O exame consiste na coleta, em papel-filtro, de algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê entre o terceiro e o quinto dia de vida – tempo necessário para o organismo do pequeno já estar trabalhando sozinho. O objetivo é pesquisar doenças congênitas importantes, que causam prejuízo à saúde física e mental da criança, antes mesmo que ela possa apresentar sintomas, e permitir que os médicos possam intervir em tempo hábil.  Na rede pública, o teste está disponível gratuitamente desde 1992 e investiga seis doenças, as mais prevalentes na população de neonatos: o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, a fenilcetonúria, a hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase. A amostra é enviada para um serviço de referência nesse tipo de análise. Em São Paulo, vai para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), entidade que implementou o método no Brasil em 1976. Se houver alguma alteração na triagem, a família é reconvocada para que o bebê realize um exame específico para a condição suspeita, a fim de confirmá-la ou afastá-la. Uma vez fechado o diagnóstico, o pediatra consegue estabelecer a conduta rapidamente, o que, para as crianças, pode fazer toda a diferença entre um desenvolvimento normal e algum grau de atraso físico ou mental. Num caso de fenilcetonúria, por exemplo, a terapêutica consiste na adoção de uma dieta com baixo teor de fenilalanina, aminoácido presente em alimentos proteicos. As crianças que nascem com a doença acumulam essa substância e, sem a instituição da dieta alimentar antes dos 3 meses de vida, acabam apresentando atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, hiperatividade ou autismo, convulsões e problemas de pele. Ainda que o portador da condição precise passar a vida controlando o que ingere e recorrendo a fórmulas especiais, ter uma informação como essa logo ao nascer representa um benefício inestimável, que justifica a realização do rastreamento em todos os recém-nascidos.  Teste do pezinho ampliado: qual a diferença? É com esse raciocínio que a rede particular vem oferecendo, há algumas décadas, versões ampliadas do teste, que rastreiam de 10 a 53 condições graves ao nascimento, entre afecções metabólicas, congênitas e infecciosas. Recentemente, as triagens passaram a incluir ainda a pesquisa de alguns defeitos inatos da imunidade, denominados imunodeficiências primárias, que, em geral, apresentam um prognóstico muito ruim quando identificados tardiamente. Embora essas enfermidades sejam – felizmente – pouco frequentes, o diagnóstico e o tratamento precoce de qualquer uma delas muda o destino da criança, dando-lhe uma oportunidade de viver com saúde e quase sem limitações.  Caso faça planos de aumentar a família ou já esteja prestes a receber um herdeiro, não deixe de conversar com seu médico sobre as opções disponíveis de triagem neonatal. Quais são as doenças rastreadas pelo teste do pezinho? Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias: alterações anormais da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio no sangue, as quais dificultam a circulação e a devida oxigenação das células. Podem causar atraso no crescimento e infecções generalizadas. Exigem acompanhamento frequente de uma equipe multidisciplinar para a adoção de medidas terapêuticas conforme cada necessidade, como transfusões.  Deficiência de biotinidase: doença metabólica caracterizada por um defeito da enzima biotinidase, que responde pela absorção da biotina dos alimentos, vitamina presente em diversos alimentos da alimentação normal. Quando não corrigida, ocasiona distúrbios neurológicos e problemas de pele. Contudo, o tratamento é simples e se baseia no uso diário da biotina. Fenilcetonúria: deriva de um defeito na produção da enzima fenilalanina hidroxilase, que leva o portador a acumular o aminoácido fenilalanina. O diagnóstico precoce permite a instituição precoce da conduta, de modo que, ao deixar o aleitamento exclusivo, o bebê já receba uma fórmula com baixo teor de fenilalanina e, assim, não corra risco de comprometimento neurológico. Fibrose cística: doença genética que afeta o funcionamento das glândulas que produzem muco, suor e enzimas pancreáticas, tornando essas secreções mais espessas, com repercussões importantes para os pulmões, o pâncreas e o sistema digestório. O tratamento consiste no uso de medicamentos, em especial para reduzir as complicações pulmonares e garantir a absorção de nutrientes. Hipotireoidismo congênito: ocorre quando a glândula tireoide do bebê não produz adequadamente os hormônios tireoidianos, T3 e T4, o que, sem tratamento com reposição do hormônio sintético, a levotiroxina, determina danos neurológicos permanentes.  Hiperplasia adrenal congênita: alteração na glândula adrenal, decorrente de defeitos enzimáticos que causam a falta dos hormônios cortisol e aldosterona, fundamentais para o crescimento e o equilíbrio de minerais no organismo. A forma mais grave resulta na perda acentuada de sal, uma emergência em Pediatria. A condição é tratada com glicocorticoides, para resolver a falta de cortisol, e mineralocorticoides, para equilibrar os sais minerais.   

24/06/2019
Prevenção

Asma sob controle

Uma das doenças respiratórias mais comuns, a asma afeta 5% da população geral, segundo a Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia, e 10% das crianças. Caracteriza-se por uma reação inflamatória exagerada do organismo, que, quando exposto a um agente irritante, fecha os brônquios, cujas ramificações transportam o ar para os alvéolos pulmonares, onde ocorrem as trocas gasosas – a saída do gás carbônico e a entrada do oxigênio, que cai na circulação. Por isso, durante a crise, a inspiração e, sobretudo, a expiração ficam comprometidas, o que ocasiona falta de ar, chiado no peito, tosse seca e respiração rápida e curta. Essas manifestações pioram à noite, atrapalhando o sono, e nas primeiras horas da manhã, inclusive após atividades físicas ou do dia a dia. Esse sufoco, literalmente, decorre de uma combinação de fatores genéticos, ou seja, predisposição a alergias, herdada dos pais, com fatores ambientais, como exposição à poeira doméstica, a ácaros, a polens e a fungos, entre outros alérgenos, exposição a odores fortes, mudanças bruscas de temperatura e infecções causadas por vírus. Na prática, portanto, a criança já nasce com essa propensão e, ao entrar em contato com um ou mais desses estímulos, apresenta a primeira crise, que, apesar de poder ser controlada com medicamentos, acaba se repetindo sempre que a pessoa se vê diante dos mesmos gatilhos, em qualquer idade. O diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas, e pode contar com o apoio de algumas provas respiratórias, exceto nas crianças pequenas, a exemplo do teste de broncoprovocação, que quantifica a resposta do organismo diante de um estímulo, e da espirometria, que mede a função pulmonar, já que a doença pode acarretar alterações no funcionamento dos pulmões. Como a maioria dos casos tem origem alérgica, também podem ser realizadas dosagens sanguíneas ou testes cutâneos para a pesquisa dos alérgenos que desencadeiam crises. Muitos asmáticos não toleram pelos de animais, por exemplo, mas nem todos apresentam essa mesma sensibilidade. Medicamentos e educação para tratar a asma O tratamento da asma requer broncodilatadores para reduzir o reflexo da musculatura dos pulmões de contrair os brônquios, combinados a corticoides inalatórios para diminuir a inflamação, que, como se não bastasse, ainda produz muito muco para atrapalhar o caminho do ar até os alvéolos pulmonares. As conhecidas bombinhas hoje associam as duas categorias de medicamentos. As doses dos remédios costumam ser aumentadas nas crises e reduzidas quando visam apenas à manutenção da doença. Os especialistas preferem dizer que a asma não tem cura, mas controle. Dada a predisposição genética e a permanente exposição a agentes irritantes – por mais que alguns sejam evitados, quem mora nas grandes cidades, por exemplo, vai estar sempre exposto à poluição e à poeira –, a possibilidade de apresentar uma crise pode persistir ao longo da vida. Assim, é imperativo que o tratamento inclua medidas educativas e de gerenciamento dos fatores que agravam a doença para que o indivíduo viva bem com a asma e reduza a dependência dos medicamentos. Ademais, tanto familiares quanto o paciente precisam aprender a manejar as crises, de modo que possam identificar quando ela está chegando, tomar as providências necessárias antes que os sintomas se agravem e, caso estas não surtam os resultados esperados, procurar um serviço de emergência. Como em qualquer doença que afeta a respiração, um dos processos vitais para o organismo, não dá para perder tempo nesses casos. Mantenha sempre o acompanhamento médico e não hesite em buscar ajuda profissional se tiver qualquer dúvida no intervalo entre as consultas. Para evitar a chiadeira - Previna-se contra gripes e resfriados, lavando sempre as mãos com água e sabonete ou usando álcool gel 70%, mas especialmente ao ter contato com pessoas e superfícies contaminadas. Tome também a vacina anual contra o influenza, vírus causador da gripe, disponível na rede pública para quem tem asma.- Fique longe do cigarro e de quem fuma. Numa família de asmáticos, esse hábito é uma péssima ideia.- Mantenha o ambiente em que vive limpo e arejado, livre de poeira e ácaros. Recomenda-se dar cabo dos itens que acumulam muito pó, como cortinas e tapetes, especialmente no quarto de asmáticos. - Use colchões, travesseiros e cobertores antialérgicos. Na ausência deles, o bom e velho costume de expor essas peças ao sol diariamente ajuda a eliminar ácaros.- A possibilidade de ter um cachorro ou gato deve ser repensada. Além dos pelos, que podem servir como gatilho de crises, a descamação da pele, a saliva e a urina dos animais igualmente funcionam como agentes irritantes para portadores de asma.- Outros inalantes podem desencadear crises, como odores desprendidos de tinta e solventes, produtos de limpeza ou de higiene pessoal, perfumes, além de qualquer fumaça. Procure não ter contato com esses possíveis irritantes.- Evite mudanças bruscas de temperatura. Por exemplo, não saia do banho quente para a rua num dia frio, nem entre num ambiente super-refrigerado num dia tórrido de verão. - Agasalhe-se bem no frio e não respire pela boca quando estiver andando na rua. Respirar pelo nariz aquece o ar que chega aos pulmões.- Procure se exercitar todos os dias, sempre de forma moderada, com supervisão médica. Atividades que trabalham os músculos respiratórios, como a natação, são particularmente recomendadas.- Tome muito líquido, por volta de dois litros por dia, para ajudar a diluir a secreção brônquica e facilitar a saída desse muco.- Invista em uma alimentação saudável, com muitas fibras, que ajudam a controlar o peso e reduzir os processos inflamatórios no organismo, inclusive o que está por trás da asma. - Procure controlar a ansiedade e o pânico nos momentos de crise, pois esse estado pode exacerbar a reação de defesa da musculatura dos pulmões.   Quando procurar um pronto-socorro numa crise de asma Sintomas mais intensos que os habituais; Dificuldade em falar as frases de uma única vez; Uso inadequado dos inaladores devido à intensidade da falta de ar; Efeito muito curto da bombinha, com retorno rápido dos sintomas; Sensação de exaustão e falta de posição; Presença de unhas e lábios azulados (cianose).

21/06/2019
Prevenção

Prepare-se para as doenças típicas do inverno

A chegada daquele vento gelado de inverno coincide com a grande procura das pessoas pelos serviços de saúde, em busca de alívio para os sintomas das doenças típicas da estação, como coriza, tosse, espirros, febre, dor no corpo e mal-estar geral, entre outros, decorrentes de gripes, resfriados e alergias. A verdade é que não é fácil escapar de uma infecção respiratória ou mesmo de uma crise alérgica nos meses mais frios do ano. Claro que há explicações técnicas para esse fenômeno. A baixa umidade do ar entre junho e setembro, combinada a uma maior concentração de poluentes na atmosfera das grandes cidades, deixa as vias respiratórias mais secas e desprotegidas, especialmente o nariz e a garganta. Com menor capacidade de barrar visitantes indesejáveis, vírus e bactérias, além de agentes irritantes, como ácaros e fungos – terríveis para os alérgicos –, conseguem ingressar no sistema respiratório mais facilmente. Se já contam com uma porta de entrada mais acessível e pouco vigiada, os microrganismos causadores de doenças ganham reforço em seu time nessa época do ano, uma vez que o inverno leva as pessoas a se concentrarem mais em ambientes fechados, o que facilita a proliferação dos agentes infecciosos. Para ter uma ideia, um único espirro pode conter até 40 mil gotículas e sai do nariz a 45 metros por segundo, de acordo com um trabalho publicado no periódico científico Journal of the Royal Society Interface. Com essa potência, consegue contaminar um espaço fechado por até seis horas. Não por acaso, é tão comum pegar um resfriado numa sala de aula ou num vagão de metrô.   Variações de temperatura podem aumentar doenças no inverno Para completar, as mudanças bruscas de temperatura também levam as pessoas a contraírem mais doenças respiratórias. De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo que fizeram um estudo sobre essa relação, portadores de afecções alérgicas, como rinite e asma, sofrem mais diante da chegada súbita de uma frente fria depois de um dia relativamente quente. Para um asmático, por exemplo, é muito provável que essas variações climáticas repentinas signifiquem maior necessidade de uso de medicação e, não raro, de idas ao pronto-socorro por conta de crises não controladas. De qualquer modo, os mais afetados estão nos extremos etários, ou seja, crianças menores de 5 anos e idosos, por conta da fragilidade de seu sistema de defesa, o que faz com que mesmo os resfriados possam se transformar em problemas mais importantes, como sinusites e pneumonias. O fato é que, nesses grupos, não dá para esperar os sintomas desaparecerem só com repouso e medicamentos sintomáticos, notadamente quando há febre e tosse produtiva. Convém fazer uma consulta com um médico da confiança da família ou se dirigir ao pronto atendimento mais próximo. Dicas para se proteger das doenças de inverno Vacine-se anualmente contra a gripe. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade, independentemente da vulnerabilidade. Na rede pública, crianças de 6 meses a 5 anos, idosos, portadores de doenças crônicas e imunossuprimidos, entre outros grupos especiais, têm prioridade. Lave as mãos com água e sabão com frequência. Esse cuidado prosaico é vital para levar embora vírus que tenham sido transmitidos por pessoas ou superfícies contaminadas. Ingira bastante água para hidratar as vias aéreas, sempre em quantidade suficiente para deixar a urina amarelo-clara. Consuma alimentos ricos em vitamina C – frutas ácidas, couve e brócolis, além de produtos enriquecidos com esse nutriente. Lave as narinas diariamente com soro fisiológico. Coloque bacias e toalhas molhadas nos ambientes para torná-los mais úmidos. O umidificador de ar é uma opção, mas requer uma manutenção impecável. Sem boa limpeza, o aparelho pode acabar espalhando mais agentes infecciosos pela casa. Cuide bem de sua imunidade com uma alimentação saudável e um bom sono. Evite permanecer em lugares fechados em que haja muita gente. É mais saudável ir a um parque num dia frio ensolarado do que numa sessão de cinema lotada. Agasalhe-se bem ao sair de casa e cubra a boca e o nariz para aquecer o ar que vai entrar pelas vias respiratórias – aquele cachecol quentinho dá conta do recado. Mantenha a casa bem limpa e livre de poeira, especialmente os quartos onde as pessoas mais vulneráveis dormem. Não mande as crianças para a escola se tiverem febre e outros sintomas típicos de gripes e resfriados. Numa sala de aula fechada, o risco de contágio é muito alto. Caso esteja com sintomas, cubra sua tosse ou espirro com um lenço descartável ou mesmo com as mãos, lavando-as bem a seguir. Em caso de gripe por H1N1, pode ser recomendável usar máscara até que não exista mais possibilidade de transmissão do agente.

14/06/2019
Bem-estar

Doação de sangue, um ato de cidadania

No Brasil, as campanhas de doação de sangue costumam focar períodos que antecedem grandes feriados ou épocas de férias escolares, quando ocorre uma queda significativa nos estoques dos bancos de sangue, acompanhada paradoxalmente por uma demanda maior. Afinal, com a grande concentração de veículos nas estradas, há mais acidentes e, portanto, mais gente necessitando de transfusões de sangue ou hemocomponentes. A doação, no entanto, não beneficia apenas os acidentados. Uma única bolsa de sangue ajuda até quatro pessoas porque todos os elementos sanguíneos – glóbulos vermelhos, plaquetas e plasma – são aproveitados em diversas situações, tais como múltiplas cirurgias não decorrentes de traumas, transplantes de órgãos, quimioterapias, distúrbios da coagulação, anemias e queimaduras, entre outros. É vasta, portanto, a extensão desse ato de cidadania. Se você tem pretensão de protagonizá-lo, basta se dirigir ao posto de coleta mais próximo de sua residência ou local de trabalho, como os diversos hemocentros espalhados pelo Brasil, o Hemointo, ligado ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Ministério da Saúde, os postos da Fundação Pró-Saúde e o Serviço de Hemoterapia do Instituto Nacional do Câncer, só para citar alguns, desde que atendidos alguns requisitos básicos: Ter entre 16 e 69 anos (ou até 60 anos, se for a primeira doação); Pesar ao menos 50 kg; Estar alimentado (evitando-se, porém, alimentação gordurosa nas três horas anteriores); Ter dormido no mínimo seis horas na noite anterior; Encontrar-se em boas condições de saúde; Apresentar documento de identidade original com foto e, para menores de 18 anos, também o formulário de autorização de um responsável legal. Antes de dar esse passo, contudo, convém conferir a lista de impedimentos temporários e definitivos e, se houver alguma dúvida extra, ligar para o serviço de coleta para não perder a viagem. O uso crônico de medicamentos, por exemplo, precisa ser avaliado caso a caso.   Como doar sangue: o que acontece no hemocentro A doação de sangue é simples, segura e indolor, levando apenas cerca de 40 minutos. Esse período inclui o cadastro do candidato, a aferição de seus sinais vitais, como temperatura corporal, peso, pressão arterial e batimentos cardíacos, um teste de anemia – para a segurança do doador, que não pode ter seu estoque sanguíneo ainda mais reduzido se estiver anêmico – e a triagem clínica, que contempla uma entrevista sobre o histórico de saúde do indivíduo. Se não for detectado nenhum impedimento na triagem, o próximo passo é a coleta da bolsa de 450 ml e sangue para a doação e a realização dos exames para a pesquisa de hepatite B e C, sífilis, doença de Chagas, HIV/aids e infecção pelos vírus HTLV-I e II, conforme determina a legislação vigente. Evidentemente, o material coletado só é usado pelo banco após o resultado dos testes confirmar a ausência dessas doenças, mas existem outras condições que podem prejudicar o paciente que vai receber o sangue e não são flagradas por esses exames. Assim, é fundamental ser muito sincero na entrevista. Após a doação, o indivíduo recebe um lanche ainda no serviço de coleta, para que não sinta fraqueza ou tontura, e é orientado a não fazer grandes esforços por 12 horas, incluindo a prática de esportes radicais e de atividades profissionais ou não que impliquem algum risco. Além desses cuidados, o doador não deve fumar por duas horas nem tomar bebidas alcoólicas por 12 horas e ingerir bastante água para ajudar o corpo a repor seus estoques sanguíneos – o organismo dá conta disso cerca de 24 horas após a doação. O curativo no local puncionado precisa ser mantido por, pelo menos, quatro horas. O benefício para quem recebe o sangue é incalculável. Para o doador, fica no campo da satisfação de constatar que sua atitude ajudou alguém a sobreviver a uma cirurgia ou a um acidente ou, então, deu novo fôlego à saúde de tantas pessoas que dependem frequentemente de transfusões para terem qualidade de vida. O fato é que vale a pena abraçar essa causa. Caso tenha dúvidas pertinentes a seu estado de saúde e mesmo aos impedimentos, aconselhe-se primeiramente com um médico de sua confiança.   Impedimentos temporários: quando é preciso esperar para doar Condição/situação Tempo de espera antes da doação Gripes e resfriados 7 dias após o desaparecimento dos sintomas Gravidez 90 dias após parto normal180 dias após cesárea Amamentação Até 12 meses após o parto Ingestão de bebida alcoólica 12 horas Tatuagem ou piercing* 12 meses Extração dentária 72 horas Cirurgias diversas De 3 a 6 meses, conforme o tipo de intervenção Transfusão de sangue 12 meses após o recebimento de sangue e hemocomponentes Vacinação De 3 a 4 semanas após vacinas de vírus atenuados 48 horas após vacinas de vírus inativados Exposição de risco a infecções sexualmente transmissíveis (relações desprotegidas, múltiplos parceiros, parceiro portador de infecção sexualmente transmissível e outras situações afins) 12 meses Exames feitos com endoscópio (colonoscopia, endoscopia e outros) 6 meses *Se o piercing estiver na cavidade oral ou nos órgãos genitais, o impedimento é definitivo.   Impedimentos definitivos: quem não pode doar sangue Hepatite diagnosticada após os 11 anos de idade Diagnóstico clínico ou laboratorial de hepatite B ou C, HIV/aids, doenças ligadas aos vírus HTLV-I e II e doença de Chagas Malária atual ou pregressa Uso de drogas injetáveis Diagnóstico anterior de qualquer tipo de câncer Piercing na cavidade oral ou nos genitais Para mais informações, acesse o site do Ministério da Saúde.

10/06/2019
Prevenção

Hemofilia: quando o sangue não coagula

Nos casos em que alguma parte do corpo sofre um ferimento e começa a sangrar, as proteínas – que são os elementos responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de todos os tecidos corporais – entram em ação para estancar o sangramento. Esse processo é chamado de coagulação. As pessoas portadoras de hemofilia, uma doença genética com a qual já se nasce, não possuem essas proteínas e, por isso, sangram mais do que o normal. Existem vários fatores da coagulação no sangue, que agem em uma sequência determinada para que, ao fim desta, o coágulo seja formado e o sangramento, interrompido. Em uma pessoa com hemofilia, um desses fatores não funciona e, portanto, o coágulo não se forma e o sangramento continua. Quando o fator VIII dessa sequência está faltando, temos a hemofilia A; se for o fator IX, a hemofilia B. Para o diagnóstico da doença, usam-se exames de sangue que medem justamente esses fatores de coagulação. Os sangramentos muitas vezes podem ser espontâneos ou decorrentes de traumas leves, externos, tais como cortes na pele e sangramentos na gengiva ou no nariz, ou internos, especialmente em articulações – as mais acometidas são joelho, tornozelo e cotovelo – e músculos, provocando inchaço, dor e dificuldade de movimento. Mais tardiamente, deformidades articulares podem ocorrer. É possível tratar a hemofilia O tratamento da doença, que, segundo a Federação Mundial de Hemofilia, afeta cerca de 12 mil pessoas no Brasil nos dias atuais, principalmente do sexo masculino, evoluiu bastante e se baseia na reposição dos fatores de coagulação com o uso de concentrados de origem plasmática, feitos com plasma humano purificado e inativo, ou de origem recombinante, produzidos em laboratório por biotecnologia. Ao utilizar a medicação, o hemofílico volta a ter todos os fatores de coagulação presentes, permitindo que o sangue coagule normalmente. Pessoas já diagnosticadas, que têm a forma mais leve da doença, podem fazer essa terapia por demanda, quando apresentam algum trauma ou quando sabem que vão se expor a algum risco. De forma geral, no entanto, quanto mais precocemente começam a terapia, menos os portadores apresentam sangramentos e suas sequelas – em especial as deformidades articulares –, sobretudo nas formas mais graves da enfermidade. A hemofilia pode ser leve, moderada ou grave. Alguns hemofílicos não possuem o fator coagulante em seu sangue. Outros têm algum, porém não o suficiente para fazer parar todas as hemorragias. Há hemofílicos que apresentam hemorragias todas as semanas, outros, todos os meses, e alguns, somente uma vez por ano. A frequência com que uma pessoa hemofílica tem hemorragias depende da quantidade de fator no sangue. Por conta disso, os especialistas preconizam a chamada profilaxia primária. Como a hemofilia pode ser diagnosticada muito cedo, já se indica a reposição diante do primeiro episódio de sangramento, se o quadro ficar confirmado, antes mesmo de haver uma segunda queixa. Para esses casos, incentiva-se que a família aprenda a fazer a infusão do concentrado na criança e que esta, à medida que vá crescendo, também se capacite no futuro, de forma que o núcleo familiar fique menos dependente do hemocentro. Assim, pacientes e seus familiares só precisam retirar mensalmente as doses diárias da medicação, que é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde, e mais algumas de reserva para emergências – acidentes acontecem e o ideal é que o portador de hemofilia esteja prevenido. Em caso de dúvida, procure um hematologista.   Atenção a sintomas da hemofilia em crianças Fique atento ao surgimento de muitas manchas roxas no bebê, quando ele começa a andar ou bate os membros no berço. Os hematomas podem ser indício de hemofilia. Se seu filho pequeno começar a ter sangramentos frequentes, muito maiores do que o tamanho do ferimento, procure assistência médica. Uma vez feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, estimule seu filho a levar uma vida normal, estudando e brincando como as demais crianças. Aliás, a prática de esportes é uma recomendação fundamental para os hemofílicos, a fim de fortalecer a musculatura. Só evite judô e futebol, pela possibilidade maior de traumas. Por fim, esteja ciente de que cada pessoa com hemofilia é um caso único e cada organismo reage de forma própria. Por exemplo: em dois jovens com hemofilia grave que praticam o mesmo esporte, da mesma forma, um pode ter hemorragia e o outro, não.

10/06/2019
Prevenção

Vacinar as crianças: proteção que vale para todos

Existe alguma razão para não vacinar a população infantil? Não há, segundo os especialistas, uma justificativa razoável para negar essa prevenção a uma criança saudável, já que os imunizantes ensinam o sistema imunológico a se defender naturalmente dos agentes patogênicos causadores de moléstias infectocontagiosas importantes. Assim, quando o organismo entra em contato com os patógenos, já tem uma memória imunológica que o permite produzir anticorpos para debelar o agente infeccioso. O fato é que a vacinação configura-se como uma estratégia preventiva altamente eficiente, além de evitar que a criança passe pelo sofrimento imposto pela doença, por mais benigna que ela seja – o que, convenhamos, não tem preço. Quem contraiu catapora na infância conhece bem o desconforto de ficar com o corpo coberto de vesículas que doem e coçam, além de deixarem cicatrizes. Do ponto de vista da saúde pública, prevenir sai muito mais barato que remediar. Surtos de doenças infectocontagiosas, num passado não muito distante, abarrotavam as alas pediátricas dos hospitais, onerando o sistema de saúde como um todo. Ademais, quanto mais gente vacinada contra essas enfermidades, menos pessoas são contaminadas mesmo entre aquelas que não foram imunizadas por qualquer motivo, dada a baixa circulação de vírus e bactérias. A proteção, embora pareça individual, estende-se a toda a comunidade. Por conta disso, os especialistas sustentam que não vacinar as crianças é uma negligência, que, ainda por cima, coloca em risco a população de uma determinada localidade, à medida que traz a possibilidade de reintrodução de doenças erradicadas, a exemplo do que ocorreu com o sarampo recentemente. A moléstia havia sido varrida do Brasil em 2016, mas acabou retornando por aqui por conta de um surto não controlado na Venezuela. O caso descortinou uma realidade preocupante: a cobertura vacinal contra essa e outras doenças imunopreveníveis estava baixa em nosso país e nos pegou desprevenidos. Mesmo com as iniciativas do Ministério da Saúde para imunizar as crianças, tivemos 10.374 casos de sarampo entre fevereiro de 2018 e fevereiro de 2019, boa parte em bebês de até 1 ano. De olho na carteirinha de vacinação O que já ocorreu, não tem remédio. Agora é correr para deter o crescimento dessa ameaça – que, no mundo todo, já registrou um crescimento de 300% só nos três primeiros meses de 2019, segundo dados da Organização Mundial de Saúde –, além de evitar que o problema se repita com outras enfermidades infectocontagiosas não erradicadas, como tétano, coqueluche e difteria, mas controladas graças ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Se, do lado das autoridades de saúde, isso se faz com a realização de campanhas e o constante incentivo à imunização, do lado do cidadão, basta seguir à risca o Calendário Nacional de Vacinação, conforme cada faixa etária. As vacinas oferecidas pelo programa estão disponíveis em Unidades Básicas de Saúde de todo o território nacional e são gratuitas. Preocupação com segurança na imunização Feitas com partículas de microrganismos, enfraquecidos ou inativados e, portanto, incapazes de provocar infecção, as vacinas mostram-se bastante seguras e passam por muitos testes antes de terem seu uso liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No Brasil, 96% das doses utilizadas pelo PNI são produzidas dentro do nosso próprio país por instituições reconhecidas por sua qualidade, como o Instituto Butantan (SP) e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (RJ). Os efeitos adversos podem ocorrer, mas geralmente se limitam a dor no local e febre, que cessam com analgésico e antitérmico, respectivamente. É importante assinalar que, na infância, a maioria dos imunizantes requer a aplicação de mais de uma dose e que a criança não fica protegida se receber apenas uma delas – algo que também foi observado na análise das justificativas para a baixa cobertura vacinal dos pequenos durante o surto de sarampo. Portanto, fique atento às demandas do Calendário Nacional de Vacinação e, o principal, não deixe de fazer o seguimento com o pediatra, especialmente nos primeiros anos de vida. Um dos objetivos das consultas de puericultura é também verificar se a criança está sendo vacinada corretamente. A vacina só perde o sentido quando a doença some do mapa Na década de 1950, a varíola figurava ainda como causa de internação e morte de adultos e crianças no Brasil, mas, graças à vacinação em massa, foi erradicada das Américas, em 1971, e do mundo, em 1977. Hoje nem precisamos imunizar as crianças contra essa doença. O Brasil deu cabo da poliomielite da mesma forma, usando a vacina Sabin, aquela administrada por via oral. O último caso foi registrado em 1990 em território nacional. Contudo, como a doença continua existindo em alguns países, a necessidade de imunização permanece, hoje com a fórmula injetável combinada ao reforço com a fórmula oral.  

03/06/2019
Bem-estar

É tempo de agir para proteger o meio ambiente

No desenho Wall-e, da Pixar-Disney, um robô vive sozinho numa Terra coberta de lixo e poluição depois de décadas de consumismo em massa. Na ficção, os seres humanos foram compulsoriamente transportados para uma nave, no espaço, depois que o ar se tornou irrespirável no ano de 2110. De fato, as coisas não caminham muito bem para planeta e humanidade. A poluição do ar mata anualmente 7 milhões de pessoas no mundo todo, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado no ano passado. Nove em cada dez indivíduos inalam cronicamente partículas com elevados teores de poluentes que penetram nos pulmões e no sistema cardiovascular, ocasionando problemas nas vias aéreas, como infecções respiratórias e a doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, doenças do coração e acidente vascular cerebral. O relatório aponta ainda que, além da poluição ambiental, causada sobretudo pela queima de combustíveis por veículos automotores, por usinas termelétricas e por indústrias em geral, a poluição interna também contribui para a ocorrência dessas mortes. Ao redor do mundo, mais de 3 bilhões de pessoas – em especial, mulheres e crianças de países mais pobres – ficam expostos à fumaça proveniente do uso de carvão e da madeira para cozinhar, assim como do emprego de querosene para aquecer os ambientes. Tudo porque não têm acesso nem à eletricidade nem a soluções limpas de cozinha. Infelizmente não temos uma nave nos esperando. A solução, de acordo com a OMS, está no desenvolvimento de tecnologias não poluentes para moradias, indústrias e meios de transporte, no estímulo à construção de residências energeticamente mais eficazes e na melhoria do planejamento urbano, o que inclui, por exemplo, apostar em mais áreas verdes. Parece perfeito, mas tudo isso exige a criação de políticas públicas, além de muito investimento. Levará tempo, portanto. O cidadão comum pouco consegue interferir nesses macroproblemas, mas, por outro lado, pode cobrar iniciativas dos governantes e, claro, procurar não agravar a situação do planeta com seu estilo de vida e hábitos de consumo. Aqui, no Brasil, segundo um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo, carros, ônibus e motocicletas respondem por 60% da poluição nas grandes cidades – com exceção daquelas que são polos industriais, nas quais as fábricas lideram o ranking de poluidores –, seguidos pelo lixo, que participa com 25%, e pelos poluentes emitidos pela indústria, que ficam com os 15% restantes. Esses números sinalizam, de modo prático, que existe espaço para a contribuição individual no sentido de melhorar a qualidade do ar e do ambiente como um todo. Comece agora mesmo.   O que fazer para reduzir a poluição? Menos lixo Aproveite bem todos os alimentos. Além de poderem entrar em diferentes receitas, talos, folhas, sementes e cascas, por exemplo, têm alto valor nutritivo. Só coloque no prato o que vai comer e não encha demais a geladeira com produtos perecíveis. Você não vai dar conta de prepará-los e os alimentos acabarão no lixo. Separe os resíduos orgânicos dos recicláveis e dê a estes uma finalidade. Em condomínios, há empresas que compram o material que pode ser reciclado, desde que esteja separado e limpo. Consuma menos, de modo geral. Reforme roupas e acessórios antigos e procure não comprar itens de que não precisa ou fazer compras por impulso. Prefira produtos de consumo que contenham menos embalagens ou que estejam embalados em recipientes que possam ser reaproveitados. Ao fazer supermercado, leve uma sacola ecológica ou um carrinho de feira Cuide do destino de móveis ou eletrodomésticos que queira descartar, os quais sempre podem ser consertados ou reformados para que sirvam a outras pessoas. Lembre-se de que o serviço de coleta de lixo não recolhe itens grandes. Descarte pilhas, baterias e medicamentos em locais próprios para recolher esses itens, que podem contaminar de forma importante o solo e lençóis freáticos.   Menos energia Evite usar muitos eletrodomésticos nos horários de pico de consumo de energia. Aproveite a iluminação natural, evitando acender luzes durante o dia. Não sobrecarregue tomadas com vários plugues ligados ao mesmo tempo. Além de gastar mais energia, isso ainda pode causar um curto-circuito. Tire da tomada os aparelhos que não estejam em uso. Prefira lâmpadas fluorescentes, que utilizam até cinco vezes menos energia. Verifique sempre se a porta da geladeira está bem vedada e não sobrecarregue as prateleiras. Junte roupas para lavar em uma única vez, conforme a capacidade da máquina, e ligue o ferro de passar também numa só oportunidade. Tome banhos rápidos e desligue o chuveiro para se ensaboar. Cozinhe mais com a panela de pressão, que abrevia o tempo do preparo e utiliza muito menos gás. Menos poluentes Deixe o carro na garagem tanto quanto for possível. Para pequenas distâncias, caminhe ou pedale, mesmo porque essa mudança só traz saúde para seu corpo. Caso não consiga utilizar transporte coletivo, qualquer que seja o motivo, experimente montar um sistema de carona solidária. A cada dia, um colega de trabalho faz as vezes de motorista de três ou quatro pessoas. Plante árvores e cultive plantas ornamentais, temperos, etc. No condomínio ou dentro de casa, esses aliados naturais melhoram a qualidade do ar.  

03/06/2019
Prevenção

Todo o cuidado é pouco para evitar queimaduras

Abusou do sol? Respingou leite fervente nos braços? Foi atingido pelas chamas da churrasqueira? Esses incidentes, acredite, configuram um problema de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde estima que ocorram em torno de 1 milhão de casos de queimaduras a cada ano, dos quais 100 mil requerem atendimento hospitalar. Além disso, são registradas anualmente 2.500 pessoas mortes no País em decorrência de complicações desses acidentes, sobretudo infecções. O risco de infecção aumenta conforme a profundidade da queimadura, ou seja, de acordo com o número de camadas da pele atingidas, assim como dos tecidos subcutâneos e de outras estruturas acometidas, como terminações nervosas, vasos sanguíneos e até músculos e ossos. Acontece que, sem a proteção do maior órgão do corpo humano, a pele, o organismo fica muito suscetível à ação dos agentes infecciosos.   Não é só o fogo que provoca queimaduras Quando se trata de queimaduras, é natural que pensemos apenas em fontes de calor como causa, a exemplo do fogo, do sol e de superfícies e líquidos superaquecidos. Mas elas podem ser causadas também por produtos químicos, por agentes radioativos, por descargas elétricas e pelo contato com determinados animais e plantas – águas-vivas, por exemplo –, assim como por fontes de frio. Do ponto de vista da distribuição dessas ocorrências na população, as crianças representam 40% dos queimados no País, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). Entre as menores de 6 anos, os acidentes acontecem principalmente com líquidos quentes, inclusive água do banho, e entre as maiores, com substâncias inflamáveis, sobretudo o álcool líquido, usado para limpeza. Além de haver risco de vida quando a queimadura atinge 10% do corpo infantil, as lesões podem deixar cicatrizes e sequelas motoras que afetam o desenvolvimento social, intelectual e psicológico dos pequenos.   Prevenção dentro de casa Diferentemente de outros problemas de saúde pública, a prevenção das queimaduras depende bastante de cuidados de segurança básicos, sobretudo quando há crianças em jogo – curiosas por natureza, elas não sabem calcular os perigos existentes em cima do fogão ou na fiação, por exemplo. Mesmo porque, de acordo com dados da SBQ, 80% dos casos ocorrem dentro de casa. As providências domésticas, contudo, não isentam as autoridades de saúde do cumprimento de seu papel no sentido de educar a população para a prevenção e de estimular a criação de leis que possam reduzir os riscos à população. Afinal, o custo de remediar é mais alto para todos, pacientes e sistema de saúde. Para ter uma ideia, entre junho de 2013 e junho de 2014, o governo gastou cerca de R$ 44 milhões com 43,6 mil internações decorrentes de queimaduras em crianças e jovens de 0 a 24 anos de idade. Números superlativos que, em boa parte, podem ser evitados. Faça a sua parte. Cuidado para não se queimar   Fontes inflamáveis Troque o álcool líquido pelo álcool gel, que não só tem maior poder germicida, já que demora mais para evaporar das superfícies, como também oferece um risco muito reduzido de explosão. Mantenha o gás fora de casa, em local distante de qualquer fonte de calor, e feche o registro sempre que terminar de cozinhar. Fique atento para corrigir qualquer vazamento. Fontes de calor Não permita que as crianças fiquem na cozinha quando estiver usando o fogão. Deixe as panelas nas bocas de trás do fogão, mantendo seus cabos para trás ou para o lado, de modo de que os pequenos não possam puxá-los. Aliás, cuide da manutenção dos cabos das panelas, de modo que não se soltem e provoquem acidentes com líquidos ou preparados fumegantes. Não deixe fósforos e isqueiros ao alcance das crianças. Não espalhe velas pela casa e, caso realmente precise utilizar alguma chama, tire de perto qualquer tecido, como cortinas, toalhas e tapetes, e fique de olho. Jamais acenda a churrasqueira usando álcool e mantenha as crianças distantes da grelha e do fogo, assim como de fogueiras, em festas juninas. Por falar em festas juninas e comemorações, impeça que os pequenos soltem fogos de artifício ou fiquem próximos a locais de uso desses artefatos, que são causa frequente de queimaduras no mês de junho. Quando estiver passando roupa, tire as crianças de perto e mantenha o ferro em pé nos intervalos entre um movimento e outro. Teste a água do banho antes de colocar a criançada debaixo do chuveiro. Na banheira, coloque o antebraço, que é bastante sensível, ou use um termômetro próprio para essa finalidade. A temperatura deve ficar entre 36º e 37º C para não queimar a pele dos bebês. Use protetor solar e não se exponha ao sol nos períodos de maior incidência de raios ultravioleta, entre 10 e 16 horas. Não fume. Além de fazer mal à saúde, o cigarro causa incêndios. Fontes elétricas Oriente as crianças para que não soltem pipa em locais próximos a torres de energia, postes ou cabos de alta tensão nem tentem recuperar uma pipa que tenha ficado presa num fio elétrico.   Procure deixar os eletrônicos que não estejam sendo utilizados fora da tomada para evitar acidentes com crianças pequenas e animais. Use protetores de tomada e não deixe fios desencapados pela casa. Desligue imediatamente qualquer aparelho que soltar faísca e chame um eletricista.   Primeiros socorros em caso de queimaduras O que fazer? Remova a fonte causadora da queimadura. Lave a área atingida com água corrente até que esteja resfriada. Leve a vítima rapidamente para um serviço de saúde mais próximo do local do acidente. Caso seja preciso cobrir a área queimada durante o percurso até o pronto-socorro, use um pano limpo e úmido. Se não houver um local próximo, acione o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193). O que não fazer? Não coloque preparados caseiros nem pomadas sobre a área afetada, pois isso pode aumentar o risco de infecção. Não estoure as bolhas provocadas pela queimadura. Se houver roupas ou corpos estranhos grudados no ferimento, não tente removê-los. Procure retirar pulseiras, anéis e outros acessórios do indivíduo acidentado, uma vez que o corpo fica inchado após uma queimadura e esses itens podem ficar presos.  

27/05/2019
Alimentação

Como ter uma boa digestão

O aparelho digestório processa tudo aquilo que ingerimos a fim de obter nutrientes para a manutenção da saúde do organismo. Para garantir uma digestão adequada, e atingir esse precioso objetivo, o primeiro passo é manter uma dieta balanceada, com alimentos de alto valor nutricional, incluindo vegetais, frutas, cereais e proteínas mais magras, como peixe e frango, além de tomar, no mínimo, seis copos de água por dia – de preferência longe das refeições principais, para não dilatar o estômago e gerar uma falsa sensação de saciedade. Isso não quer dizer que alimentos ricos em gorduras e açúcares devam ser totalmente excluídos do cardápio. Tudo depende da frequência, do tamanho da porção e do momento. Encher o prato de feijoada naquela horinha curta que temos para almoçar e voltar para trabalhar pode ser um desafio para o sistema digestório. Vale escolher um dia em que haja mais tempo para comer, sempre em quantidade moderadas.   Dicas para evitar problemas de digestão Outra medida essencial é prestar muita atenção ao que se come e na forma de comer. O almoço, o jantar ou o desjejum não devem ser automáticos, com o olho no celular, na televisão ou na tela do laptop, ou até mesmo durante o trabalho, como tanta gente faz hoje em dia. A digestão depende muito de uma refeição feita paulatinamente, de 20 a 40 minutos, num ambiente tranquilo. Uma das razões dessa necessidade está no fato de o processo digestivo já começar na boca. Portanto, quem engole a comida muito rápido já sai perdendo logo no início do jogo. Ocorre que a mastigação aciona a produção de enzimas presentes na saliva, as amilases salivares, que servem para digerir parcialmente o amido – encontrado em carboidratos, como pão, macarrão e batata, entre outros. Ainda que essas enzimas não digiram outros grupos de alimentos, a mastigação ajuda a triturar os demais alimentos e a facilitar a próxima etapa do processo digestivo, quando o estômago libera a enzima pepsina para quebrar as moléculas de proteína. Assim sendo, mastigar mal um pedaço de carne, por exemplo, dificulta bastante o trabalho da pepsina e prolonga a lembrança daquele suculento bife do almoço. Como, na prática, poucas pessoas pensam em contar as mastigadas em busca da meta de 30 a 50 vezes, de acordo com o que recomendam os especialistas, uma dica para encompridar esse processo é pousar os talheres no prato cada vez que a comida for levada à boca. Isso não só aumenta o tempo entre uma garfada e outra, como também permite prestar mais atenção ao sabor daquilo que está sendo ingerido.   Nada de pular refeições Juntamente com a alimentação e a mastigação adequadas, a manutenção de uma boa digestão ainda depende do fracionamento de refeições: além das principais, em porções reduzidas, deve-se fazer mais três lanchinhos no intervalo entre elas, com frutas in natura ou sementes oleaginosas, como castanhas. Isso ajuda a evitar aquela sensação cortante de fome, que nos leva a comer mais rápido e em maior quantidade do que precisamos na próxima refeição. Deixar de comer no desjejum, no almoço ou no jantar também é um péssimo hábito para a saúde. Sem ingestão alimentar, o estômago continua produzindo suco gástrico, que pode agredir a mucosa e gerar problemas como a gastrite. Como se não bastasse, o organismo entende que vive um período de restrição alimentar e, para poupar energia, diminui o metabolismo. Ainda que sejam reduzidas, portanto, é sempre mais indicado fazer todas as refeições. Tomando esses cuidados, o objetivo de ter uma boa digestão fica ao alcance de todos. Contudo, na presença de azia, empachamento e outras manifestações gástricas, mesmo que discretas, não use antiácidos ou outros remédios, nem se habitue a esses sintomas. Procure a orientação de um gastroenterologista.   O que fazer para seu estômago não reclamar Não fume. Além de prejudicar vários sistemas orgânicos, o cigarro atrapalha a digestão e aumenta o risco de doenças gástricas. Álcool em excesso igualmente ocasiona esses efeitos. Portanto, não fume e beba ocasionalmente, com moderação. Lave as mãos antes de se alimentar e após evacuar para evitar a contaminação por vírus, bactérias e protozoários que podem afetar o estômago e o intestino. Não ande descalço em lugares cujas condições sanitárias sejam desconhecidas, já que vermes podem ingressar em seu corpo pelos pés. E verminoses também cursam com sintomas de má digestão. Não compartilhe escovas de dente, canudos, copos, gargalos, talheres, que podem transmitir, de uma pessoa para outra, agentes patogênicos potencialmente causadores de problemas gástricos. A saúde do sistema digestório exige que outras doenças crônicas que causam impactos ao estômago e/ou intestino estejam controladas, como o diabetes, o hipotireoidismo, a insuficiência cardíaca e infecções, entre outras. Valorize qualquer incômodo gastrointestinal, sobretudo se tiver parentes diagnosticados com câncer de estômago ou câncer de intestino. Não tome nenhum remédio por conta própria. Anti-inflamatórios costumam ser nocivos às paredes gástricas e, quando realmente necessários, somente um médico pode prescrevê-los e orientar a forma correta de ingeri-los. Reduza o estresse na medida do possível, melhore a qualidade do seu sono e saia do sedentarismo. O descontrole desses fatores favorece maus hábitos alimentares e o consequente surgimento de queixas gástricas.

27/05/2019
Prevenção

Tabagismo tem remédio. É possível parar de fumar

Que fique bem claro: o tabagismo é uma doença crônica, causada pela dependência da nicotina, presente nos produtos feitos com tabaco, dos quais o cigarro é o mais consumido. Portanto, desconfie daquela conversa de que a pessoa não para de fumar porque não quer. Os fumantes que se lançam a essa empreitada de fato sofrem um desconforto não só psicológico, como também físico, e precisam de uma ajuda concreta para que se mantenham firmes em seu intento. Ocorre que a nicotina, quando inalada, altera o sistema nervoso central, modificando o estado emocional e o comportamento do usuário. Esse efeito gera abuso e dependência, que se caracteriza por tolerância ao cigarro, crise de abstinência quando o maço acaba e compulsão para fumar o próximo, criando-se um padrão de uso, muito embora o fumante conheça os riscos do tabagismo à saúde. Que não são poucos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o cigarro mata 428 brasileiros por dia, sobretudo em decorrência de doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica e, claro, vários tipos de câncer, além de estar por trás de outras diversas enfermidades. Os dados econômicos também são sombrios, observa o Inca. Cerca de 56,9 bilhões de reais se perdem a cada ano por conta de despesas médicas e improdutividade, culminando num grande problema de saúde pública, mas que tem solução.   Como é feito o tratamento para o tabagismo A rede pública oferece a todo interessado em deixar o cigarro um tratamento composto por terapia cognitivo-comportamental durante um ano, feita de forma individual e em grupo, combinada ao uso da bupropiona, um antidepressivo para reduzir os sintomas da abstinência, e da chamada terapia de reposição de nicotina (TRN), com adesivos ou goma de mascar, para ajudar o organismo a se desacostumar dessa substância paulatinamente. Uma pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde, de 2013, revelou que esse tipo de abordagem contribui para a cessação do tabagismo em um em cada três fumantes. Outra opção terapêutica, bem mais recente e não disponível no Sistema Único de Saúde, é o uso da vareniclina, um medicamento que interfere no funcionamento dos receptores de nicotina no cérebro, reduzindo a satisfação obtida com as tragadas – isso mesmo, a pessoa perde o prazer de fumar – e, paralelamente, os sintomas de abstinência, à medida que o número de cigarros fumados diminui. Como esse fármaco tem uma ação mais exuberante no sistema nervoso central, os especialistas recomendam tratar inicialmente eventuais transtornos do humor, como a depressão, antes de optar por essa linha terapêutica. Vale ainda lembrar que, enquanto o tratamento com vareniclina começa algum tempo antes de o indivíduo parar de fumar, a associação de bupropiona com TRN exige a interrupção do tabagismo, já que a combinação de produtos para substituir a nicotina com o cigarro pode ser perigosa para o organismo.   Parar de fumar: uma ação em várias frentes Qualquer que seja a escolha, que pode até combinar os tratamentos, sempre de acordo com indicação médica, não dá para esperar milagre dos medicamentos usados na abordagem antitabagista. É o usuário que vence o vício, não a medicação. Por isso mesmo, o remédio deve ser associado a outras frentes, incluindo, além da terapia, atividade física, alimentação adequada, apoio da família e dos amigos e seguimento profissional de uma equipe multidisciplinar. Atualmente, os especialistas que mais manejam o tratamento do tabagismo são pneumologistas, cardiologistas e psiquiatras, mas nada impede que você procure um médico de sua confiança para começar a conversar sobre o assunto. Já é um primeiro passo.

20/05/2019
Prevenção

Saiba como prevenir os riscos do glaucoma

Quando você faz uma consulta médica, quase sempre o exame físico inclui a medida da pressão arterial. No oftalmologista, no entanto, a pressão que esse especialista verifica é a intraocular, aferida por meio de um exame denominado tonometria. Ocorre que uma pressão elevada no interior dos olhos já dá o alerta para a presença de glaucoma, doença que afeta 65 milhões de pessoas ao redor do globo, dentre as quais 1 milhão de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde, e é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Por trás do aumento da pressão está um desequilíbrio entre a produção de humor aquoso, líquido que existe no olho para lubrificar e nutrir a córnea e o cristalino, e o escoamento dessa substância. Esse problema de drenagem pode ser gerado por alterações na anatomia do próprio olho – a causa mais comum, responsável pelo chamado glaucoma de ângulo aberto –, por fatores hereditários, por infecções, por traumas e pelo uso indevido de medicamentos, em especial colírios com corticoides. Na prática, portanto, o acúmulo do humor aquoso nos olhos eleva a pressão intraocular, que, por sua vez, vai lesando lenta e silenciosamente o nervo óptico, estrutura que leva as informações visuais captadas pela retina para o cérebro decodificar e, assim, permitir a visão.     Atenção à pressão dos olhos   O grande problema do glaucoma é que, na maioria dos casos, não há sintomas no início da doença. As manifestações visuais surgem apenas quando o nervo óptico já está bastante comprometido. Contra isso, só funciona mesmo o rastreamento para a identificação precoce do glaucoma. Pessoas com mais de 35 anos ou com outros fatores de risco, como afrodescendência, história familiar da doença e diabetes, devem procurar um oftalmologista ao menos uma vez ao ano para a medida da pressão intraocular com a tonometria e o exame de fundo de olho, que pesquisa lesões nas células do nervo óptico. Caso seja feito o diagnóstico, o tratamento inicialmente requer colírios que ajudam a diminuir a produção de humor aquoso ou estimulam sua drenagem. Na forma mais comum do glaucoma, que é crônica, esses medicamentos precisam ser usados sem interrupção, mantendo-se, evidentemente, as visitas periódicas ao oftalmologista. O acompanhamento constante é indispensável porque os colírios podem parar de funcionar e a pressão intraocular, voltar a subir e lesar o nervo óptico. Em tais casos, o próximo passo é recorrer à cirurgia para a criação de um caminho alternativo para escoar o humor aquoso. Além da técnica convencional, chamada de trabeculectomia, e do procedimento a laser, menos invasivo, recentemente também tem sido usado um microimplante, que, colocado na área de filtração do olho, ajuda a restabelecer a drenagem do líquido. Tão importante quanto a necessidade de passar por uma consulta oftalmológica periódica é a adesão ao tratamento quando o diagnóstico for fechado. O uso dos colírios jamais pode ser abandonado por conta própria. A cirurgia ajuda a drenar o líquido, mas não corrige os estragos feitos ao nervo óptico. Antes de qualquer atitude, converse com um oftalmologista.

20/05/2019
Alimentação

Diabetes gestacional: diagnóstico, riscos, tratamento

Durante a gravidez, ocorrem diversas alterações hormonais que afetam o funcionamento do organismo da mulher. O metabolismo de carboidratos também se modifica nesse período e reduz a ação da insulina, hormônio encarregado de colocar dentro das células a energia proveniente dos alimentos. Na maioria das grávidas, o pâncreas consegue produzir mais dessa substância para compensar a redução. Contudo, numa parcela estimada pela Sociedade Brasileira de Diabetes em 3% a 25% das gestantes, sobra glicose na circulação, caracterizando o que se conhece por diabetes gestacional. O surgimento da condição, portanto, independe da vigência de diabetes antes da gravidez e pode acometer qualquer mulher, dizem os especialistas. Contudo, alguns fatores aumentam essa possibilidade, como ganho elevado de peso, sobrepeso ou mesmo obesidade na gestação em curso, idade acima de 35 anos, baixa estatura, parentes de primeiro grau diabéticos, crescimento fetal excessivo, pré-eclâmpsia, síndrome dos ovários policísticos e história de aborto espontâneo, malformações e diabetes gestacional em outras gestações. Sem diagnóstico e sem controle, essa forma de diabetes traz riscos para a mulher e para o bebê. A mãe adquire maior chance de se tornar diabética no futuro e de voltar a ter a condição em outra gravidez. Uma vez que a glicose em excesso na circulação atravessa a placenta, o bebê pode nascer com excesso de peso, o que já o predispõe à obesidade na adolescência e na vida adulta, e ainda apresentar complicações importantes ao nascimento, como a queda nos níveis de glicose, já que ele estava acostumado com índices elevados de açúcar no ambiente intrauterino, e dificuldades para passar pelo canal de parto devido ao encaixe do ombro fetal no osso púbico da mãe – a chamada distócia de ombro. Tais complicações, aliadas aos riscos trazidos por essa doença na vida adulta, levaram à criação de um consenso que prevê a investigação do diabetes gestacional já na primeira consulta de pré-natal, seja com um exame de sangue simples para verificar a taxa de glicose, seja com a curva glicêmica, teste em que se mede a glicemia em jejum e após a ingestão de uma solução de glicose, seja com ambos – depende do tempo de início do pré-natal. O fato é que esses testes permitem ao médico diagnosticar a condição ou mesmo saber se o excesso de glicose no sangue já ocorria previamente e, assim, adotar a conduta terapêutica mais adequada. Em geral, o diabetes gestacional pode ser controlado com uma alimentação balanceada e exercícios físicos, na maioria dos casos – aliás, as mesmas estratégias recomendadas para prevenir o diabetes na população geral. Se isso não bastar para manter a taxa de glicose em níveis seguros para a gestante e o bebê, o obstetra tem a opção de associar a tais medidas um tratamento medicamentoso. Faça a sua parte para evitar o diabetes na gestação no dia a dia e compareça assiduamente às consultas do pré-natal. Dicas para ficar longe do diabetes   Controle o ganho de peso, ingerindo, no máximo, de 200 a 300 calorias a mais que uma dieta normalmente recomendada, sobretudo no segundo e terceiro trimestres. Se você não tiver nenhuma contraindicação, pratique exercícios físicos regularmente, sempre com o aval de seu obstetra. Mantenha uma alimentação rica em fibras, que saciam e estabilizam os níveis de glicose no sangue. Elas estão presentes em vegetais, leguminosas (feijão, lentilha) e cereais integrais. Coma frutas ao natural. Como têm muita frutose, transformá-las em sucos ou cremes faz com que a energia desses alimentos seja absorvida muito rapidamente pelo organismo. Procure ingerir os carboidratos sempre com alguma proteína – torrada com queijo, cereal com leite e outras combinações assim – para retardar sua absorção.   Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes Ministério da Saúde

13/05/2019
Prevenção

Enfermagem: conheça mais sobre os mestres do cuidado

Antes, durante e depois da assistência médica, quem presta o cuidado em um serviço de saúde é o profissional de enfermagem, encarregando-se não apenas de executar a prescrição, seguindo os procedimentos técnicos e científicos, mas levando em conta as necessidades de cada paciente em particular. Assim, não se furta a repetir uma orientação quantas vezes forem necessárias para tranquilizar um indivíduo mais aflito, desdobra-se para obter a colaboração de uma criança num procedimento, vale-se de grande empatia num momento de dor e, claro, vibra junto com o paciente diante da melhora do quadro clínico. Além de participar de todas as etapas da assistência, o enfermeiro, assim como o técnico e o auxiliar de enfermagem, hoje está envolvido em muitas outras iniciativas que ajudam a promover saúde para a coletividade, como pesquisas, programas de prevenção, empreendedorismo, saúde ocupacional e atividades acadêmicas, só para citar algumas. O fato é que a atuação dos profissionais dessa área, que já são mais de 2 milhões no Brasil, segundo o Conselho Federal de Enfermagem, vem se ampliando cada vez mais, sem jamais deixar de lado a essência humana do cuidar, que tanta diferença faz na vida de milhões de pessoas a cada dia, em qualquer lugar do mundo. Na DaVita Serviços Médicos, prezamos muito pelo cuidado com os nossos pacientes e isso se reflete em nosso time de enfermagem, que está sempre pronto para atender e cuidar deles com todo o carinho e atenção necessários.   Por isso, gostaríamos de deixar o nosso agradecimento e homenagem a esses profissionais que, todos os dias, atuam de forma dedicada para oferecer sempre o melhor atendimento que nossos pacientes poderiam querer.   Homenagem da DaVita ao Dia Internacional da Enfermagem – 12 de maio

13/05/2019
Prevenção

Você sabe qual a diferença entre pronto atendimento e pronto-socorro?

O serviço de pronto atendimento está capacitado para atender pacientes com doenças e condições clínicas agudas, de surgimento súbito, que não podem esperar uma consulta eletiva, mas que não configuram uma urgência médica. Como exemplos desses casos, podemos citar dor de garganta, gripes e resfriados, crise de dor nas costas, sintomas como febre alta, tosse, diarreia e vômitos, ferimentos leves e lesões ortopédicas. Diante de sintomas ou suspeita de condições que ofereçam algum risco de danos permanentes ou até mesmo risco iminente de vida, o serviço mais indicado é o pronto-socorro, que dispõe de pessoal e estrutura para prestar cuidados intensivos. Nessa categoria, estão incluídas situações clínicas como dor no peito, perda de consciência, convulsões, fraturas, diabetes descompensado, hemorragias, falta de ar, acidentes de trânsito e de trabalho, picada de animais venenosos e ferimentos profundos, entre outras. Entender essa diferença é fundamental para que, em uma ou em outra circunstância, você possa receber rapidamente o cuidado mais eficiente e adequado para a melhora de sua queixa.   Como o pronto atendimento pode ajudar você O pronto atendimento é o serviço capacitado para prestar cuidados aos pacientes com problemas agudos de saúde, aqueles que podem evoluir, se não procurarmos atendimento médico, mas que não representam agravos mais sérios à saúde. Alguns exemplos de condições agudas: Crise de dor nas costas Resfriados e gripes Dor de garganta Dor de ouvido Tosse persistente Ferimentos leves Diarreia e vômitos     Saiba quando você deve procurar um pronto-socorro Diante de sintomas ou de suspeita de doenças graves, que impliquem risco de vida ou de danos permanentes, apenas um pronto-socorro pode oferecer os cuidados que essas situações requerem. Alguns exemplos de urgências: Dor no peito Perda de consciência Hemorragias Ferimentos profundos Acidentes de trânsito Acidentes de trabalho Picada de animais venenosos Falta de ar Fraturas Saber a diferença entre esses dois serviços ajuda a ganhar tempo, num momento em que ele pode ser tão precioso, e permite que você receba o atendimento mais adequado para seu caso.

06/05/2019
Prevenção

Como e por que manter a higienização correta das mãos

Na década de 1840, impressionado com o número de mortes de mulheres por febre puerperal, o médico húngaro Ignaz Philipp Semmelweis começou a buscar as causas do problema na maternidade do Hospital de Viena, no qual trabalhava, e constatou que as pacientes morriam mais na ala em que eram atendidas por médicos e estudantes do que na ala em que eram assistidas por parteiras. Depois de observar que quanto mais rápido era o parto, menos as parturientes adoeciam, o médico concluiu que não se tratava de nenhuma epidemia, mas de uma causa endêmica, ou seja, de dentro da instituição. Seu raciocínio já se aproximava da solução quando um professor de Medicina Legal veio a morrer após ter contraído uma infecção decorrente de um ferimento ocasionado por seus alunos durante as autópsias. Ao comparar o quadro clínico do colega com o das mulheres que tinham a infecção pós-parto, Semmelweis percebeu que estava diante de uma causa comum. As mãos de médicos e estudantes carregavam bactérias dos cadáveres para as gestantes, as mesmas que infectaram o professor. Diante disso, o obstetra determinou que toda a equipe médica e de enfermagem, incluindo estudantes, passasse a usar, naquele hospital, uma solução clorada para a lavagem das mãos após as autópsias e antes de examinar as gestantes. Em pouco tempo, a mortalidade despencou de 12,2% para 1,2%. Hoje, quase 200 anos depois, a higienização correta de mãos continua sendo a medida mais importante para evitar infecções em serviços de saúde – e, portanto, para salvar vidas –, incluindo aquelas provocadas por microrganismos multirresistentes, que não respondem aos tratamentos clássicos. A solução clorada foi substituída por produtos de eficiência comprovada contra agentes patogênicos, como sabonete antisséptico, álcool e clorexidina, só para citar os mais conhecidos. Mas a verdade é que o tema, desde então, jamais saiu da pauta diária no ambiente de assistência à saúde.   Contra epidemias   Fora dos serviços de saúde, a recomendação é a mesma para manter a família a salvo de doenças – lavar as mãos adequadamente, apenas com água e sabão ou sabonete. A Organização Pan-Americana de Saúde recomenda que o cuidado seja ensinado desde cedo, como parte da educação, em casa e na escola, de modo que as crianças levem esse hábito vida afora e se mantenham protegidas das infecções, já que são alvo de muitas das doenças provocadas pela negligência a essa recomendação. Para ter uma ideia, 50% das mortes por diarreia e 25% das mortes por infecções respiratórias na população abaixo de 5 anos podem ser evitadas com a lavagem das mãos com água e sabão, antes das refeições e após o uso do banheiro, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A correta higienização das mãos também previne 41% dos óbitos de recém-nascidos, de acordo com o Unicef, sendo reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como a atitude mais eficaz contra epidemias. Então, o que está esperando para se prevenir?   Quando lavar as mãos   Na assistência à saúde: - Antes e depois do contato com o paciente;- Antes da realização de um procedimento;- Após a exposição a fluidos corporais do paciente;- Depois do contato com áreas próximas ao paciente. No dia a dia: - Antes e depois de preparar os alimentos; - Antes de fazer cada refeição;- Antes e depois de manusear qualquer machucado, sobretudo em crianças;- Antes e depois do contato com pessoas doentes;- Depois de usar o banheiro;- Ao chegar em casa. Passo a passo da lavagem das mãos   Abra a torneira e molhe as mãos. Use sabão, sabonete ou detergente. Friccione as palmas das mãos, esfregando a da direita contra o dorso da esquerda e vice-versa, além de entrelaçar os dedos. Esfregue pontas dos dedos, unhas, polegares e punhos. Enxágue as mãos e remova os resíduos de sabonete. Enxugue bem as mãos com toalha ou pano limpos ou, ainda, papel-toalha.  

06/05/2019
Alimentação

Como manter uma alimentação saudável na gravidez

Foi-se o tempo em que o fato de estar grávida era desculpa para comer por dois. Com a epidemia de obesidade e de diabetes que assola o planeta, mais do que nunca as autoridades de saúde recomendam uma dieta saudável não desde o berço, mas logo após a concepção. Bebês gerados com alimentos inflamatórios, como o açúcar e a farinha refinada, que se convertem rapidamente em glicose no organismo da mãe, têm maior probabilidade de se tornar adultos obesos e diabéticos, alertam os especialistas, com risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro. É claro que as necessidades de energia aumentam nesse período, mas, em termos calóricos, não mais do que algo em torno de 200 a 300 calorias por dia, em média, especialmente no segundo e terceiro trimestres – só para ter uma ideia comparativa, seria como acrescentar ao cardápio um copo de leite desnatado e uma porção de salada de frutas. Além disso, há pesquisas que sugerem que a alimentação da mãe pode alterar a função de genes responsáveis por reparar mutações, como um trabalho publicado em 2015 no periódico científico Genome Biology. A oferta de bons nutrientes, segundo esse estudo, garantiria a integridade do material genético do bebê, enquanto a falta deles silenciaria esses genes de proteção, elevando a predisposição a doenças na vida adulta. Em vez de pensar em quantidade, portanto, a gestante deve se preocupar com a qualidade dos alimentos para manter a própria saúde e permitir que o bebê tenha todos os nutrientes de que precisa para seu pleno desenvolvimento. Para tanto, deve ingerir boas fontes de energia, de proteínas, de gorduras boas – com destaque para o ômega-3 –, de vitaminas e de minerais, notadamente o cálcio, que ajuda a construir o esqueleto fetal, e o ferro, que forma a hemoglobina, proteína transportadora de oxigênio no sangue.   Coma sem exageros durante a gestação   De acordo com os especialistas em nutrição, com exceção das bebidas alcoólicas, nenhum alimento está proibido na gravidez, a não ser que o obstetra tenha dado orientações expressas. Contudo, além de reduzir o consumo de carboidratos simples, a gestante só tem benefícios ao excluir da dieta alguns itens. Entre eles, a carne seca e o bacalhau, por conterem muito sódio, bebidas gaseificadas, por estufarem, bebidas estimulantes, por serem ricas em cafeína, e embutidos, por terem muitos conservantes, bem como comidas e sobremesas processadas, pobres em nutrientes e repletas de sódio, açúcar e gorduras nocivas. Por outro lado, há de se ter cuidado para não exacerbar a preocupação com a alimentação, a ponto de transformar os nove meses num regime prolongado, com receio de engordar. Até porque isso vai acontecer de todo jeito. Para mulheres com peso normal ao engravidar, considera-se que um ganho de peso entre 10 e 12 quilos na gestação está dentro do esperado. Assim sendo, uma dieta demasiadamente restritiva, que não permite à gestante ganhar o peso adequado, pode impedir que o bebê receba o aporte necessário para uma vida intrauterina saudável. Na prática, o bom senso, que não significa abrir mão do prazer do comer, deve guiar as escolhas. Veja as dicas dos especialistas e não deixe de pôr esse assunto em discussão logo no início das consultas de pré-natal.   Cardápio da gestante   Divida as refeições ao longo do dia, de três em três horas, mantendo, evidentemente, o almoço e o jantar, sempre com porções moderadas e variedade de cores e sabores.   A mistura de arroz com feijão continua ótima na gestação. Fique com a versão integral do cereal e, para variar, substitua o feijão por outras leguminosas, como soja, grão-de-bico e lentilha, todas ricas em fibras e em proteínas.   Aposte nas frutas e nos vegetais, ótimos aliados dessa fase por conterem, em comum, água, fibras, vitaminas e minerais. Os verde-escuros são fontes de ácido fólico, essencial para a formação do tubo neural do bebê. As frutas ainda têm carboidratos de absorção mais lenta, desde que ingeridas in natura.   Prefira aves, peixes e cortes magros de carne vermelha e ingira-os sempre muito bem cozidos para impedir eventual contaminação por bactérias e protozoários. Especialmente no primeiro trimestre gestacional, convém não consumir preparações cruas da culinária japonesa.   Evite comida industrializada. Esse grupo abrange carnes processadas, como linguiça e salsicha, preparações congeladas, misturas para bolo, sopas em pó, bolacha recheada, macarrão instantâneo, gelatina em pó, sucos artificiais, salgadinhos de pacote e tantos outros desse naipe.   Por mais que o excesso de doce seja prejudicial na gestação, só troque o açúcar de mesa por algum adoçante com o aval de seu obstetra.   Maneire no café e no chocolate, por conta da presença de cafeína nesses alimentos, que deve ser limitada a 300 mg/dia – o equivalente a duas xícaras de expresso.   Consuma diariamente leite e derivados, como queijos e iogurtes, optando pelas versões magras ou desnatadas.   Tome por volta de dois litros de água por dia, mas evite fazê-lo durante as refeições, para evitar azia. A hidratação do corpo contribui para a manutenção da placenta e do líquido amniótico, assim como para o bom trânsito intestinal.   Por último, uma dica prática para reduzir os enjoos: coma alimentos secos assim que acordar, a exemplo de uma bolacha de água e sal ou uma torrada.   Fontes: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica Genome Biology

29/04/2019
Prevenção

Hanseníase ainda existe. Conheça os sintomas

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa que ocorre desde a Antiguidade, havendo relatos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, de que existiria há mais de 4 mil anos em países como Índia, China e Egito. Mas não pense que esse problema sumiu do mapa. O Brasil, acredite, ainda registra cerca de 30 mil casos por ano, ficando só atrás da Índia no ranking mundial. Antes conhecida como lepra, a moléstia é causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, em referência a Armauer Hansen, o cientista que descobriu esse microrganismo, em 1873. Apesar de se tratar de uma doença de pele, o bacilo não é transmitido pelo contato físico com doentes, mas por gotículas de saliva e espirros, o que se dá mais facilmente quando há convivência prolongada com um paciente que não sabe ser portador da hanseníase. Para ter uma ideia, o período de incubação, entre a contaminação e o surgimento dos sintomas, varia de seis meses a cinco anos. A alta prevalência nos dias atuais se deve ao fato de muitas pessoas ainda viverem sob péssimas condições de saneamento básico ao redor do mundo, razão por que os especialistas consideram que a hanseníase é uma enfermidade típica de países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos e nos países europeus, por exemplo, a doença foi erradicada no século passado, após a melhoria da qualidade de vida de suas populações.   Quando suspeitar da doença? Como é o diagnóstico e o tratamento da hanseníase?   A hanseníase causa manchas claras, vermelhas e até escuras, de limites imprecisos. Ao exame clínico-dermatológico, observa-se diminuição ou até perda da sensibilidade nas áreas afetadas – a pessoa pode encostar o local afetado numa superfície muito quente e nada sentir –, associadas à queda de pelos e ausência de transpiração. Isso ocorre porque o M. leprae afeta nervos e músculos. Também pode haver dormência e fraqueza muscular, retração dos dedos e até incapacidade física. Ainda na fase aguda, existe a possibilidade de aparecerem caroços e/ou inchaços nas partes mais frias do corpo, tais como orelhas, mãos, cotovelos e pés. Geralmente o médico faz o diagnóstico por meio do exame físico, ou dermatoneurológico, mas, caso tenha dúvidas, segue com a coleta de secreções úmidas presentes em orelhas, cotovelos e pele em geral, que encaminha para análise laboratorial, além de fazer a biópsia de pele, que consiste na obtenção de minúsculos fragmentos das áreas lesionadas para estudo anatomopatológico, exame que verifica macro e microscopicamente a natureza das alterações. Uma vez confirmada a infecção pelo bacilo de Hansen, o paciente é submetido a um tratamento de longa duração, de seis meses a um ano, feito com uma combinação de antibióticos e fornecido gratuitamente pelo SUS. Após a primeira dose, não há mais risco de transmissão, porém a cura só vem com o término da terapêutica. Diante de qualquer mancha na pele, convém buscar esclarecimento com um dermatologista. Além disso, em caso de conviver com algum paciente com hanseníase, é necessário receber a vacina BCG, também disponível na rede pública, que configura um cuidado essencial para evitar a contaminação e a disseminação do bacilo. Se tiver dúvidas, procure um dermatologista.

22/04/2019
Prevenção

Aprenda a cuidar da sua voz. Confira dicas

Como qualquer outra estrutura do corpo, a voz também precisa de atenção para não sofrer alterações, envelhecimento precoce – sim, ela muda com o passar dos anos – e impactos dos distúrbios no aparelho fonador, dos quais os mais comuns são os calos, ou nódulos, nas cordas vocais. Essa missão exige, além de disciplina, um estilo de vida saudável. Segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o fumo e o álcool comprometem a saúde vocal. O cigarro afeta os tecidos da laringe, justamente onde estão as cordas vocais, e aumenta os riscos de câncer nessa cavidade. As bebidas alcoólicas, por sua vez, promovem inicialmente um efeito anestésico, com possibilidade até de suavizar problemas. Tal qual o cigarro, são irritativas e ainda diminuem o controle sobre a voz – podendo resultar num abuso vocal, como falar muito alto e gritar. A exposição ao ar condicionado igualmente pode ser prejudicial, não pela temperatura mais fria do ambiente, mas pela falta de umidade que afeta todo o aparelho fonador. A solução, dizem os especialistas, é beber bastante água, que hidrata as cordas vocais e reduz o esforço necessário para produzir o som da fala. A recomendação de comer maçã para complementar os cuidados não é mito. Os fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas indicam o consumo da fruta por conta de suas propriedades adstringentes – ou seja, ela ajuda a limpar a boca e a laringe, melhorando a ressonância da voz. Fora isso, a mastigação que a maçã exige solta a musculatura responsável pela articulação das palavras. Ainda dentro do quesito alimentação, vale lembrar que extremos de temperatura irritam a laringe, de acordo com os especialistas, e comprometem a saúde vocal. Os fumegantes, particularmente, fazem mal inclusive para o esôfago. O mais seguro, portanto, é optar por alimentos e líquidos nem tão gelados nem muito quentes.   Como educar a voz   Além de tudo isso, a forma de usar a voz precisa ser educada. Uma vez que ocasiona um forte atrito entre as cordas vocais, o ato de gritar constantemente acaba dando origem a lesões na região – quem nunca acordou rouco depois de se empolgar em um show ou uma partida de futebol? Por outro lado, sussurrar com frequência causa impacto ao aparelho fonador porque, para a emissão do sussurro, há necessidade de tensão para bloquear o som natural da voz. Na prática, deve-se buscar o equilíbrio, ou seja, falar sem fazer força e abrir bem a boca para articular cada palavra, evitando ambientes muito ruidosos, que acabam resultando em abuso vocal. O cuidado pode precisar ser ainda mais intenso se a voz for, digamos, um instrumento de trabalho. Atores, advogados, apresentadores, jornalistas, radialistas, professores, cantores, políticos e, mais recentemente, palestrantes, operadores de telemarketing e youtubers, entre muitos outros, soltam o verbo no dia a dia para defender suas ideias e vender seu peixe. Para essas pessoas, a realização de exercícios vocais com fonoaudiólogo pode ajudar a manter a voz bonita e minimizar o risco de lesões.   Problemas com a voz. O que fazer?   Até aqui, tratamos de prevenção. Mas, se já houver queixas, apenas essas providências não bastam. De acordo com os especialistas, qualquer dificuldade deve ser valorizada. Isso vai desde mudanças perceptíveis na voz – ficou fina, grossa ou entrecortada –, passando por cansaço ao falar, pigarro e tosse, até rouquidão e dor ao engolir. Vale observar se as manifestações aumentam quando há uso excessivo da voz ou se diminuem em momentos de repouso vocal. Nesses casos, procure logo um otorrinolaringologista e não caia na tentação de recorrer a soluções caseiras, como fazer gargarejos, que podem até piorar o quadro.  

22/04/2019
Prevenção

Hipertensão: cuidado com o consumo de sal

Provavelmente você já deve ter ouvido por aí que o sal está associado ao aumento da pressão sistólica e diastólica nas artérias e que, em excesso, contribui para o surgimento da hipertensão arterial, condição caracterizada por índices pressóricos iguais ou superiores a 140/90 milímetros de mercúrio – ou 14 por 9 –, que configura importante fator de risco para o acidente vascular cerebral e a insuficiência renal. Essa relação realmente existe e se deve à ação do cloreto de sódio, elemento presente no sal. Ocorre que, quando ingerimos alimentos muito salgados, o sódio se acumula não só na corrente sanguínea, como também nos fluidos que ficam fora das células. Como ele atrai moléculas de água, o organismo passa a reter líquidos para manter o equilíbrio entre o volume hídrico no espaço extracelular e no sangue, cuja quantidade em circulação aumenta. Com mais sangue no interior dos vasos, a pressão que ele faz para contornar o sistema circulatório fica maior, já que naturalmente as artérias oferecem alguma resistência à sua passagem – é como se o fluxo de uma torneira fosse aberto e a água passasse a avançar violentamente pelo interior de uma mangueira. Se isso ocorre de forma crônica, está estabelecida a hipertensão arterial.   Prevenção pede menos sal no prato e nas prateleiras   Por ser uma doença silenciosa, que costuma causar sintomas só quando o organismo já está bastante exposto aos efeitos de níveis pressóricos elevados, pode demorar até que uma pessoa saiba ser hipertensa, principalmente se não vai ao médico de forma periódica. Desse modo, a redução do consumo de sal para níveis aceitáveis é uma medida acessível e eficaz para prevenir o aumento da pressão arterial – muito embora a hipertensão tenha também outras causas. Entretanto, não dá para cortar o sal de vez porque o cloreto de sódio tem funções importantes no corpo, visto que atua no equilíbrio da água, participa das contrações dos músculos e fornece energia. Assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a necessidade diária de sódio é de 2.000 mg, equivalentes a 5 g de sal. Os brasileiros, porém, consomem mais que o dobro desse limite, por volta de 12 g, segundo o Ministério da Saúde. E, na maioria das vezes, fazemos isso por hábito, veja só. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelaram que a indústria responde por 23,8% do sódio consumido em território nacional, enquanto o restante, 76,2%, é adicionado no fim da preparação dos alimentos como tempero. Faça a sua parte para controlar a ingestão de sal e não deixe de ir ao médico periodicamente para avaliar sua pressão arterial.   Dicas para reduzir o consumo de sódio   - Retire o saleiro da mesa. - Cozinhe sem nenhum sal e depois acrescente apenas a quantidade recomendada, especialmente se for hipertenso. - Abuse de ervas e temperos naturais – alho, cebola, orégano, salsinha, manjericão, limão e gengibre, entre outros –, usando-os no lugar do sal. - Dê preferência ao consumo de alimentos frescos, como carnes, frutas e vegetais. - Fora de casa, prefira estabelecimentos que servem comida pouco temperada e restaurantes por quilo, que oferecem mais opções de alimentos frescos. - Antes de comprar industrializados, leia o rótulo e leve apenas os que tiverem baixo teor de sódio. - Evite alimentos ultraprocessados, como linguiça e bacon, além de molhos prontos, como maionese, shoyo, catchup e mostarda.   Outras causas da hipertensão arterial Além do consumo de sal em excesso, outros fatores contribuem para uma pessoa se tornar hipertensa:- História familiar da doença (o único não modificável)- Bebidas alcoólicas- Cigarro- Obesidade- Estresse- Níveis altos de colesterol- Falta de atividade física

15/04/2019
Saúde da Mulher

Como reduzir o risco de câncer de mama

Diversos aspectos estão relacionados ao surgimento do câncer de mama, incluindo fatores biológicos, hormonais, genéticos e comportamentais. Muitos não podem ser modificados, como a idade. De cada cinco casos da neoplasia, quatro ocorrem em pacientes com mais de 50 anos. Contudo, naquilo que compete a cada mulher, há, sim, muito que fazer para evitar o desenvolvimento da doença – é o que médicos chamam de prevenção primária. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que seja possível reduzir o risco em até 30% com algumas mudanças no estilo de vida. Saiba como se prevenir contra o câncer de mama: Controle o pesoManter-se no peso ideal é uma estratégia de prevenção bastante importante, em especial na menopausa. As gorduras que sobram produzem estrógeno em excesso, numa fase em que as mulheres precisam menos dele porque os ovários já não funcionam. O estrógeno produzido pelo tecido gorduroso estimula a proliferação de células mamárias. Isso, somado ao estado inflamatório crônico gerado pela obesidade, cria um cenário próprio para a multiplicação desordenada de células mamárias malignas.   Faça atividade físicaExercitar-se beneficia todo o organismo e favorece a prevenção de diversas outras doenças, além do câncer de mama. A atividade física, quando feita regularmente e sob orientação, é essencial para a manutenção do peso ideal, impedindo a formação de um ambiente propício ao desenvolvimento de células mamárias malignas. Além disso, previne o envelhecimento celular. Evite bebidas alcoólicasO consumo de álcool está cada vez mais associado aos tumores de mama. Pesquisadores europeus e norte-americanos têm constatado que a ingestão de apenas uma dose por dia de qualquer bebida com mais de 10 gramas de álcool – por exemplo, uma taça de vinho – já aumenta o risco de câncer de mama em 5% e 9% na pré-menopausa e na menopausa, respectivamente. Especula-se que o fator por trás dessa relação também seja a produção estrogênica demasiada. Convém lembrar que o álcool ainda compromete outros órgãos, causa acidentes de trânsito e traz inúmeros prejuízos sociais quando usado de forma crônica. Mantenha uma alimentação balanceadaEstudos populacionais indicam que o consumo de uma dieta baseada em frutas, vegetais e grãos integrais reduz o risco de desenvolver câncer de mama, o que é maior quando esse hábito já vem da adolescência – mais um motivo para as garotas não rejeitarem a salada! Em comum, tais alimentos estão repletos de fibras, que contribuem para a saciedade e o controle do peso. Vale lembrar que esse cardápio também diminui o risco de outros cânceres, como de intestino, de esôfago, de próstata e de estômago, segundo o Inca. Diga sim à amamentaçãoSe você engravidar, faça o impossível para amamentar. Além de proporcionar inúmeros benefícios ao bebê, essa prática é considerada um fator protetor da saúde das mamas. De acordo com informações do Ministério da Saúde, o risco de ter câncer de mama cai 4,3% a cada ano de amamentação. O mecanismo de proteção não está bem esclarecido, mas se acredita que, pelo fato de não ovular nesse período, a mulher fica menos exposta à ação do estrógeno. Esse hormônio, afinal, guarda relação com a maioria dos casos de câncer de mama. Não fumeO cigarro está relacionado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de problemas cardiovasculares. Em relação aos tumores de mama, há evidências da participação do tabagismo no aumento do risco, mas os resultados ainda são contraditórios, no entender do Inca. De qualquer forma, vale também ficar bem longe desse hábito no contexto da prevenção da doença.

15/04/2019
Criança

Criança e cachorro: benefícios da convivência com o pet

Qual seria o melhor presente para uma criança? Algo capaz de deixá-la entretida por dias a fio, proporcionar-lhe lições de afeto inesquecíveis, fazê-la se movimentar, desenvolver seu senso de responsabilidade... E que tenha também um impacto positivo sobre sua saúde. Definitivamente não é um joguinho novo nem um smartphone, tampouco uma boneca que interage. Mas o que pensar de um presente que sente fome, sede e sono, que é fiel a toda prova e, ainda por cima, adora uma bagunça? Segundo os especialistas em comportamento, o contato das crianças com animais de estimação – não só com os cães, vale sublinhar – contribui muito para seu desenvolvimento social, uma vez que permite que elas aprendam a expressar a afetividade e a lidar com regras de convívio. Mesmo as menores rapidamente percebem que não devem interferir quando o pet está comendo e que têm de respeitar o tempo do bicho quando ele está esgotado, precisa descansar e não quer mais brincar. Existem também diversas evidências do benefício dessa convivência para a saúde física das crianças. Embora haja associação entre animais e alergias na infância, pesquisas comprovam que, se o pequeno desde cedo for exposto a um bicho de estimação, terá menos chance de desenvolver não somente reações alérgicas a pelos, como também a pólen, poeira e outros alérgenos inaláveis. Um estudo americano recente, publicado num importante jornal de Pediatria, o JAMA Pediatrics, observou uma queda de 13% no desenvolvimento de asma em crianças que conviveram com cachorros no primeiro ano de vida. A presença do animal na casa também melhora a imunidade do organismo infantil, diminuindo a incidência de resfriados, assim como de dores de cabeça e problemas gástricos, de acordo com os especialistas. Os estudos disponíveis mostram que o contato com o pet faz aumentar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação de vírus e bactérias. Outros trabalhos científicos constataram que crianças doentes se recuperam mais rápido quando têm contato com um cãozinho, gatinho ou afim. Não por acaso, atualmente várias equipes de voluntários em todo o mundo visitam hospitais pediátricos acompanhadas de “cães-terapeutas”, com ótimos resultados. Cachorro em casa: as responsabilidades Tudo parece fazer muito sentido, mas, pensando igualmente no bem-estar do bicho, algumas ponderações de ordem prática devem ser feitas. O animal vive por volta de 13 a 18 anos e, durante esse período, demanda muita atenção dos donos. Precisa tomar banho periodicamente, ser vermifugado e vacinado – para a própria segurança das crianças –, ter comida e água fresca à disposição, passear com regularidade e ficar num local seguro quando a família viaja. Para que a criança cresça feliz com esse companheiro, os pais devem se perguntar, antes de tudo, se conseguem dar conta de tais cuidados. Por mais que estejam dispostos a dividir algumas responsabilidades com os filhos – como trocar a água, dar comida, escovar os pelos, etc. –, são os adultos que ficam com grande parte das atribuições nas mãos. Pense sobre essas questões práticas e converse com o pediatra a esse respeito.  

15/04/2019
Prevenção

Saiba como é garantida a segurança do paciente

Quando você utiliza qualquer serviço de saúde, espera que o médico e a equipe de enfermagem entendam suas queixas clínicas e ofereçam uma solução para atenuá-las, seja uma orientação, seja um procedimento mais invasivo, seja um exame de sangue ou de imagem, seja a administração ou a prescrição de medicamentos. Muito embora as instituições de saúde também tenham a expectativa de que tudo funcione a contento, sempre há um pequeno risco do que os especialistas chamam de evento adverso, ou seja, qualquer incidente que resulte em dano para o paciente, desde falhas em sua identificação, passando por lesões, como hematomas após coleta de sangue ou infusão de medicações, até erros em procedimentos cirúrgicos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil ainda tem uma alta incidência desses problemas, beirando os 10%, segundo estudos recentes. Procurando reduzir o número de eventos adversos no País, o Ministério da Saúde lançou, em 2013, o Programa Nacional de Segurança ao Paciente, seguindo o modelo da Organização Mundial de Saúde, que mantém a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente. O objetivo da iniciativa é reduzir, para um mínimo aceitável, o risco de dano para quem recebe qualquer tipo de assistência à saúde, em qualquer ponto do território nacional. Além de estabelecer continuamente diversos protocolos de segurança, a Anvisa determinou, dentro do programa, a criação de Núcleos de Segurança ao Paciente, uma instância obrigatória, tanto nos serviços públicos quanto nos privados, para promover ações voltadas à segurança do paciente. Juntamente com atividades de prevenção, essa estrutura deve controlar e mitigar riscos, integrar setores de trabalho e articular processos e informações que impactam o indivíduo assistido.   Abril: mês da segurança do paciente Como o programa foi criado em 1º abril de 2013, muitas instituições de saúde dedicam justamente esse mês para reforçar os procedimentos a fim de garantir a segurança na abordagem do paciente e, assim, melhorar a qualidade do serviço como um todo. Entre os assuntos revisitados nessas ocasiões, podem estar, por exemplo, os protocolos de manuseio e descarte de material perfurocortante e aqueles que versam sobre segurança cirúrgica, apenas para citar alguns temas em foco. Para a Anvisa, tudo isso contribui para a qualificação dos processos de cuidado e da prestação de serviços nos estabelecimentos instalados no Brasil, o que permite oferecer maior segurança não apenas para quem recebe a assistência, mas também para quem a presta e para todo o ambiente em que ocorre o cuidado.   O que pode afetar a segurança do paciente Conheça alguns dos temas que merecem profunda atenção de quem trabalha para evitar eventos adversos na assistência à saúde: Higiene das mãos Aspectos relacionados a cirurgias Prescrição, uso e administração de medicamentos Transfusões de sangue e hemocomponentes Utilização de equipamentos e materiais Prevenção de quedas Prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde    

08/04/2019
Prevenção

Mamografia substitui o autoexame das mamas?

Quem já está na casa dos 30, 40 anos deve se lembrar dos folhetos explicativos que mostravam, há algumas décadas, o passo a passo do autoexame em campanhas sobre a prevenção do câncer de mama. Naquele momento, preconizava-se esse procedimento como uma estratégia essencial para a detecção precoce da doença. Mas vieram os avanços em Medicina Diagnóstica, especialmente na área de imagem. Com o surgimento da mamografia, capaz de flagrar tumores com milímetros, ainda em estágio inicial, por um baixo custo, as autoridades de saúde passaram a ser mais parcimoniosas com a recomendação do autoexame. Afinal, perto da mamografia, essa prática só consegue identificar sinais visíveis ou massas palpáveis, que, se confirmados como manifestações de um tumor maligno, já podem corresponder a um câncer num estágio mais avançado. Mas isso não significa que o autoexame tenha saído de cena. Os especialistas concordam em que a mulher deve reservar periodicamente um tempo para buscar qualquer alteração interna ou externa nas mamas, mesmo uma ligeira assimetria, fazendo uma palpação minuciosa e uma observação detalhada. Isso pode fazer diferença, por exemplo, no intervalo entre uma mamografia e outra – que geralmente é de um ano – ou mesmo numa região com pouca disponibilidade de serviços de saúde.   O fato é que o autoexame permanece importante, desde que integre um programa de rastreamento de câncer de mama. Quando isolado, não reduz a mortalidade pela doença, o que foi comprovado por estudos internacionais que envolveram milhares de mulheres. Assim, as sociedades médicas não desestimulam a estratégia, porém deixam claro que, para rastrear os tumores mamários, é indispensável realizar o exame clínico das mamas, durante a consulta com ginecologista ou mastologista, bem como os métodos de imagem indicados para cada mulher, notadamente a mamografia. Autoexame é válido, mas dentro desse pacote. Converse com seu ginecologista ou mastologista e saiba mais.

08/04/2019
Atividade Física

Anabolizantes: consequências e riscos à saúde

A musculação é hoje a segunda atividade física mais praticada no Brasil, segundo pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. De fato, essa modalidade tem indicação para jovens, adultos e idosos, uma vez que promove uma melhora da força, da circulação e do equilíbrio. Como os músculos consomem muita energia, a prática de exercícios resistidos ainda leva a um gasto calórico e, para completar, resulta num aumento da massa muscular, também chamada de massa magra. De olho nesse último benefício, muitos homens não se contentam com os resultados obtidos com o treinamento e recorrem a esteroides anabolizantes, que são os mais comuns, assim como ao hormônio do crescimento. Para ter uma ideia da frequência desse uso, um em cada 16 estudantes já utilizou tais substâncias, de acordo com levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Feitos a partir do hormônio testosterona, os esteroides causam, sim, hipertrofia muscular, mas trazem uma série de efeitos paradoxais, ou seja, contrários ao que se esperaria de um hormônio masculino, como crescimento das mamas, redução dos testículos, disfunção erétil e diminuição dos espermatozoides. Isso ocorre porque, quando recebe muita testosterona artificial, o organismo a transforma em estrogênio, um hormônio feminino, por meio de um processo denominado aromatização, capitaneado por uma enzima. O excesso desse tipo anabolizante também bloqueia a secreção de dois hormônios que estimulam os testículos a produzirem espermatozoides e testosterona natural. Os efeitos, porém, não se restringem aos sistemas reprodutivo e endócrino, mas se espalham pelo organismo. Os esteroides ainda provocam acne importante, calvície e problemas no fígado, inclusive tumores, assim como efeitos que favorecem doenças cardiovasculares, como aumento da pressão arterial, elevação do colesterol, retenção de líquido no organismo e formação de coágulos, sem contar ainda as alterações de comportamento, a exemplo de agressividade e alucinações. Já os anabolizantes à base de hormônio do crescimento (GH) sintético, também conhecidos como somatropina, produzem aumento da massa magra e queima de gordura, mas igualmente à custa de riscos relevantes. Na prática, seus efeitos vão desde o surgimento do diabetes do tipo 2 e de reações alérgicas graves até o desenvolvimento de tumores malignos, alertam os especialistas. Uso clínico dos anabolizantes É importante salientar que a testosterona sintética tem uso clínico, mas em condições muito particulares. Entre elas, destacam-se os casos de deficiência do hormônio masculino, de desnutrição grave que causa emagrecimento muito rápido e no pós-operatório de grandes cirurgias que provocam desgaste físico, entre outras (poucas) situações. O GH, por sua vez, só é empregado em pacientes com deficiência na produção desse hormônio na infância e em determinadas síndromes genéticas em que podem promover um melhor crescimento para as crianças. Para a finalidade de hipertrofia muscular, vale o grifo, os médicos não prescrevem esteroides nem GH. É possível, no entanto, associar ao treinamento a ingestão de suplementos alimentares, que estimulam os músculos sem acarretar prejuízos ao organismo, desde que usados corretamente, ou mesmo seguir uma dieta com alimentos que comprovadamente ajudam a formar massa magra. Converse com um médico ou com um nutricionista e descubra o que fazer para atingir seus objetivos nos treinos de musculação.   Fontes:Sociedade Brasileira de Endocrinologia e MetabologiaMinistério da SaúdeEndocrinologistasMédicos do esporte

01/04/2019
Atividade Física

Exercícios físicos geram benefícios à saúde mental

Não é segredo que a atividade física tem mil e uma utilidades no que diz respeito à saúde. A prática regular de exercícios participa de forma bastante relevante na prevenção de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo todo, promove um funcionamento mais harmônico de todos os órgãos e, claro, melhora a forma e a disposição, entre muitos outros benefícios ao corpo. Não é à toa que boa parte das pessoas, quando começa algum programa de treinamento tem, como propósito, emagrecer ou tratar – isso mesmo – outras enfermidades. Por exemplo, em associação a uma dieta equilibrada, os exercícios regulares podem manter os índices de glicemia controlados em pacientes com diabetes tipo 2, diminuindo ou reduzindo a necessidade de medicamentos. Se esses efeitos são incontestáveis, cada vez mais se associa o trabalho corporal à manutenção da boa saúde mental. Além de a atividade física fazer o cérebro liberar endorfina, o “hormônio da felicidade”, e outros neurotransmissores associados ao bem-estar, os exercícios, segundo os especialistas, parecem estimular o crescimento de células nervosas no hipocampo, área que regular o humor e que, em pacientes com depressão, é menor, quando vista em exames de imagem. Contudo, se a liberação de substâncias que conferem satisfação ocorre logo após o treino, o impacto da malhação na regeneração neuronal de um cérebro deprimido depende da regularidade da prática. Exercícios como antídoto contra a depressão As linhas de pesquisa demonstram ainda que os exercícios não apenas contribuem para tratar, como também para prevenir transtornos de humor. Um estudo publicado pelo The American Journal of Psichiatry no ano passado mostrou que movimentar o corpo exerce um efeito protetor contra a depressão em indivíduos saudáveis, independentemente da idade da pessoa e da região geográfica em que vive. Feito por pesquisadores de quatro universidades brasileiras e sete estrangeiras, esse estudo reuniu informações de 49 trabalhos e analisou dados de 265 mil pessoas, de 20 países. Outros benefícios dos exercícios físicos Além dos mecanismos neuronais e bioquímicos, os exercícios interferem em outros fatores que impactam a saúde mental. Reduzem os efeitos do estresse do dia a dia, o que dispensa explicações, e elevam a qualidade do sono, permitindo que o indivíduo ingresse em suas fases mais profundas e possa acordar mais relaxado e disposto. Por último, mas não menos importante, a prática de atividades físicas favorece igualmente o ganho de autoestima, uma vez que modela o corpo, e, sobretudo quando feita em grupo, possibilita interações com outras pessoas, tirando o indivíduo do isolamento. Uma coleção de motivos para ficar de bem com a vida. Lembre-se sempre de procurar um médico antes de começar a se exercitar. O efeito da atividade física no corpo Contribui para o bom funcionamento dos órgãos, sobretudo do sistema cardiorrespiratório Ajuda o intestino a funcionar bem Previne doenças, tais como problemas cardiovasculares, diabetes, osteoporose e reumatismo, entre outras, além de ser adjuvante em seu tratamento Contribui para a perda de gordura e o ganho de músculos Ajuda a equilibrar a ingestão de calorias e o gasto de energia  

01/04/2019
Prevenção

Câncer: tire suas dúvidas sobre a doença

Tipos de Câncer   As células normais do corpo humano O corpo humano é composto por trilhões de células vivas, que crescem, têm uma divisão ordenada e morrem. Na fase adulta, a maioria delas se divide para substituir células desgastadas ou para reparar danos.   Como o câncer começa O câncer resulta de uma multiplicação celular desordenada. Esse crescimento é diferente do normal, pois, em vez de morrer, a célula continua formando unidades anormais. Essas células cancerosas crescem e invadem outros tecidos, algo que as normais não fazem. Além disso, são capazes de formar novos vasos sanguíneos para receber oxigênio e nutrientes e driblar nosso sistema imunológico. Algumas chegam a se desprender desse tumor inicial, caem na corrente sanguínea ou nos vasos linfáticos e dão origem a novos tumores em órgãos distantes, o que os médicos chamam de metástases.   Por que o câncer ocorre A multiplicação desordenada de células pode ser desencadeada por motivos biológicos internos, como herança genética, envelhecimento celular ou doenças do próprio organismo, ou por motivo externo, como o ambiente. Em muitos casos, a causa do câncer ainda é desconhecida e a doença pode se desenvolver em qualquer tecido ou órgão. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a exposição solar, o tabagismo, o sedentarismo e a alimentação inadequada são os principais fatores ambientais que favorecem o surgimento de tumores.   Novas perspectivas Com base nos dados do Inca, foram estimados, no Brasil, aproximadamente 600 mil casos novos de câncer no ano de 2018. A importância de um diagnóstico precoce, com exames clínicos e rastreamento de rotina, pode fazer com que a história dessa doença tenha um desfecho muito favorável na grande maioria das vezes, alcançando melhores resultados no tratamento e, em muitos casos, até a cura. Dessa forma, a necessidade de acompanhamento médico periódico e realização de exames específicos faz toda a diferença na vida do paciente.   O papel da genética Em aproximadamente 10% dos casos, o fator que altera o material genético, levando à predisposição ao surgimento de câncer, é herdado do pai, da mãe ou de ambos, os quais, por sua vez, o herdam de gerações anteriores. São os cânceres hereditários, que incluem alguns casos de tumor de mama, ovário, intestino, tireoide e rim, entre outros. Com a evolução da Medicina Genética, hoje podem ser identificadas alterações em determinados genes por meio de exames de DNA. A detecção dessas mutações permite intervir no rumo da doença e, em algumas circunstâncias, até evitar seu aparecimento. Como exemplo, podemos referir o câncer de mama e ovário, no qual se observam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.   Avanços terapêuticos Conhecer o câncer em profundidade possibilita escolher o melhor tratamento para o paciente. Tradicionalmente, o tratamento dos diversos tipos de câncer baseia-se na quimioterapia, na radioterapia e em cirurgias. Enquanto a quimioterapia, criada em 1970, ataca todas as células de crescimento rápido do corpo, trazendo resultados muito aquém dos esperados, com efeitos colaterais penosos para o paciente, o surgimento de novas modalidades terapêuticas vem mudando esse cenário, com resultados surpreendentemente superiores à quimioterapia e ainda com efeitos colaterais imensamente menores, promovendo uma qualidade de vida excepcional. São eles: -Os agentes antiangiogênicos, que promovem o bloqueio dos vasos sanguíneos do tumor, impedindo seu crescimento. -Os agentes imunoterápicos, que estimulam o sistema imunológico a atacar especificamente as células cancerígenas e vêm se destacando em alguns tipos de câncer, como o melanoma, o renal e o de pulmão. -E, o que parece ser o maior dos avanços atuais, o surgimento do tratamento personalizado para cada tipo de câncer, chamado de terapia-alvo.  Trata-se de uma modalidade que surgiu por meio do melhor entendimento da ação dos genes, das proteínas e de moléculas presentes nas células tumorais. Na prática, esses medicamentos identificam e atacam características específicas das células cancerígenas, bloqueando o crescimento e a disseminação do câncer. Alguns exemplos da aplicação dessa terapêutica: Câncer de mama – Cerca de 20% a 25% dos casos da doença têm a proteína denominada receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2), que estimula o crescimento das células tumorais. Assim, em pacientes com câncer de mama invasivo, recomenda-se que sejam realizados testes para HER2. Se os resultados mostram que o tumor é positivo para essa proteína, vários medicamentos podem ser utilizados como opções de tratamento. Câncer colorretal – Medicamentos que bloqueiam o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), que, muitas vezes, é produzido em excesso nesse tipo de câncer, podem ser eficazes para parar ou retardar o crescimento do tumor colorretal, desde que este não tenha uma mutação no gene KRAS. Além disso, a terapia-alvo pode ser direcionada para o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), uma proteína que ajuda a formar novos vasos sanguíneos. Câncer de pulmão – Medicamentos que bloqueiam o EGFR podem ser eficazes para deter ou retardar o crescimento desse câncer, especialmente se o gene EGFR contiver determinadas mutações. A terapia-alvo também está disponível para tratar o tumor de pulmão acionado pelo gene ALK mutado. Melanoma – Aproximadamente 50% dos melanomas têm um gene BRAF mutante ou ativado. Pesquisas recentes mostraram que alterações específicas nesse gene funcionam como bons alvos para fármacos. Leucemia mieloide crônica – É causada por uma lesão genética específica, denominada BCR-ABL ou, ainda, cromossomo Filadélfia. Vários medicamentos foram criados para atacar especificamente essa alteração genética, como imatinib, dasatinib e nilotinib. Notavelmente, esses tratamentos podem ser administrados por via oral, têm poucos efeitos colaterais e alguns pacientes podem ser efetivamente curados.   Apesar de o cenário de tratamento do câncer estar se transformando a cada ano, é importante também buscar um estilo de vida saudável, não fumar, ingerir bebidas alcoólicas com muita parcimônia, manter uma dieta equilibrada, rica em fibras e alimentos frescos, controlar o peso, fazer exercícios regulares e se proteger do sol. Esse conjunto de medidas, segundo o Inca, pode ajudar a prevenir pelo menos uma parcela de todos os casos de câncer que ocorrem a cada ano. Faça a sua parte.   Fontes: AC Camargo Instituto Nacional do CâncerOncoguia

28/03/2019
Bem-estar

Epilepsia: dá para viver bem com a doença

O que o escritor brasileiro Machado de Assis, a heroína francesa Joana D’arc, o escritor russo Fiódor Dostoiévski, o pintor holandês Vincent van Gogh e o escritor francês Gustave Flaubert tinham em comum? Há relatos de que todos viviam com epilepsia, doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e em excesso no cérebro, que desencadeiam crises repentinas, com alterações ou perda da consciência, torpor, alucinações e convulsões – estas marcadas por contrações musculares e movimentos involuntários. Se estivessem entre nós, essas celebridades integrariam os 50 milhões de portadores da doença que existem no planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 3 milhões dos quais no Brasil. E que procuram tocar suas vidas normalmente, não obstante o estigma que a epilepsia continua carregando. Desde a Antiguidade, afinal, a condição já foi associada a forças sobrenaturais e à possessão espiritual, à loucura e até a moléstias contagiosas. Nos Estados Unidos, acredite, até os anos 70 o acesso a restaurantes, teatros, centros recreativos e outros locais públicos não era permitido a esse grupo. E, ainda hoje, alguns países refletem o desconhecimento em leis e costumes. Segundo a OMS, China e Índia, por exemplo, permitem a anulação do casamento se um cônjuge alegar a epilepsia do esposo/esposa como motivo. Mas por que tudo isso? Ocorre que a doença mina a sensação de controle que julgamos ter sobre nós mesmos. Embora possa ser precipitada por alguns fatores, a crise é capaz de chegar a qualquer momento e subjugar completamente o portador. As pessoas em volta não raro se assustam, alimentadas pela ignorância em relação ao assunto, e muitas vezes não sabem o que fazer.   Outros tempos para o tratamento da epilepsia Hoje se sabe que a epilepsia é uma doença complexa, na verdade uma disfunção na comunicação entre as células nervosas, que ocorre devido a fatores como predisposição genética, traumas durante ou após o parto, malformações e até sequelas de acidente vascular cerebral e de infecções, como a meningite. Numa situação de normalidade, os neurônios se comunicam e se organizam usando suas propriedades excitantes e inibidoras. No momento da crise, porém, há um processo acelerado de excitação que se propaga de um neurônio para outro, sem interrupção, como se eles estivessem em rebelião. Se, no passado, havia escassas tentativas terapêuticas, as coisas melhoraram muito atualmente. Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia, 70% dos casos podem ser tratados de forma bem-sucedida com medicamentos. A ponto de, depois de um tempo variável de tratamento, a medicação poder até ser suspensa em alguns casos, dependendo do tipo de epilepsia. O diagnóstico também evoluiu, muito embora o clássico eletroencefalograma – exame que capta o ritmo das ondas cerebrais – continue sendo o método de escolha para avaliar esses pacientes. A questão é que, graças às descobertas da ciência, os neurologistas já sabem que cada tipo de epilepsia responde melhor a determinado fármaco, o que permite individualizar a prescrição, que pode ser selecionada dentre mais de duas dezenas de anticonvulsivantes existentes. De qualquer forma, ainda persistem os casos resistentes aos medicamentos, nos quais a cirurgia costuma ser uma opção. O fato é que algum caminho sempre pode ser tentado quando se procura ajuda médica especializada. Inaceitável, nos dias atuais, é se isolar e deixar de aproveitar a vida por causa da condição.   Dá para fazer de tudo com epilepsia? O portador de epilepsia bem controlada pode fazer tudo que qualquer um faz: estudar, trabalhar, praticar esportes, namorar, constituir família... Apenas deve evitar o que favorece crises, como privação de sono, luzes estroboscópicas – utilizadas em danceterias – e uso de álcool, mesmo durante o tratamento. A condução de veículos de passeio é permitida pelo Detran, desde que se corrobore, com laudo médico, que a pessoa está há 12 meses sem crises na vigência de anticonvulsivante ou, quando já não toma mais remédio, que se encontra há dois anos sem crises após a suspensão da medicação. Nesse último caso, a retirada do medicamento deve contar com, no mínimo, seis meses – e, claro, não pode ter havido nenhuma crise nesse período. A gravidez também está liberada, mas deve ser planejada, segundo os especialistas, com antecedência de um ano e contar com uma ampla interação entre obstetra e neurologista. Ocorre que alguns anticonvulsivantes têm potencial de causar malformações fetais e, para reduzi-lo, pode haver necessidade de troca da medicação ou redução de sua dose, o que precisa ser feito sempre antes da concepção. Da mesma forma, o uso do ácido fólico, que previne defeitos do tubo neural no bebê, costuma ser implementado nessa fase prévia à gestação. Praticar atividade física é mais do que recomendado para portadores da doença. Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas concluiu que os exercícios aumentam a autoestima, a resiliência e a qualidade de vida desses indivíduos, além de reduzirem sintomas depressivos, comuns em pessoas com epilepsia (link para matéria de Atividade física e humor). Apenas as modalidades aquáticas devem ser praticadas ao lado de um instrutor. Já os esportes radicais são pouco incentivados porque, mesmo em dupla, há risco de acidentes em caso de crise. Para outros esclarecimentos, procure um neurologista. Epilepsia: o que fazer ao presenciar uma crise - Mantenha a calma e procure tranquilizar quem estiver por perto.- Se possível, evite que a pessoa caia bruscamente no chão e a coloque num local onde ela não possa se machucar, mas não tente impedir os movimentos involuntários.- Coloque alguma peça macia sob a cabeça do indivíduo.- Procure acomodar o paciente de lado, de forma que não haja risco de aspiração de excesso de saliva ou vômito.- Não coloque a mão na boca da pessoa para desenrolar a língua. Isso é mito e pode acabar em mordida.- Quando o episódio cessar, conte o que ocorreu e se ofereça para chamar um familiar.

19/03/2019
Saúde da Mulher

Conheça Mitos E Verdades Sobre A Mamografia

Uma vez que o câncer de mama é o segundo mais frequente entre as mulheres, a campanha Outubro Rosa surgiu na década de 1990 com o objetivo de falar sobre a doença e incentivar a população feminina a procurar serviços de saúde para fazer consultas e exames de rastreamento. Entre eles, o destaque fica por conta da mamografia, que comprovadamente reduz a mortalidade pelo câncer de mama por conseguir detectar o tumor em estágio inicial, numa fase em que as chances de cura são maiores. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer e o Ministério da Saúde recomendam a realização do exame a partir de 50 anos para mulheres sem histórico da doença na família, enquanto o Colégio Brasileiro de Radiologia sugere fazer a primeira avaliação mamográfica a partir dos 40 anos. Na prática, porém, vale a indicação de seu médico. Apesar de a mamografia ser um exame simples, não invasivo, o assunto ainda gera dúvidas, que a DaVita ajuda a esclarecer nesta oportunidade. Não tenho nódulos nem alterações nas mamas, então estou dispensada da mamografia.Mito. A mamografia procura justamente alterações milimétricas, que podem corresponder ao câncer de mama em estágio inicial, quando tem maiores chances de cura. Quando o nódulo está palpável ou a mama se encontra visivelmente alterada, existe a possibilidade de se tratar de um tumor em estágio mais avançado e, por conseguinte, mais difícil de tratar. Não preciso fazer o exame porque ninguém da minha família teve câncer de mama.Mito. A maioria dos casos de câncer de mama não é hereditária. Portanto, toda mulher pode vir a desenvolver a doença e, dessa forma, deve fazer o estudo mamográfico para rastreá-la quanto antes. Mantenho um estilo de vida saudável e não preciso me preocupar com o risco desse câncer.Mito. Apesar da importância de bons hábitos de vida para diminuir o risco de qualquer tumor, isso não basta para prevenir a neoplasia de mama, cujo surgimento está relacionado também a fatores genéticos e hormonais, sobre os quais temos pouco ou nenhum controle. A radiação emitida pelo exame pode fazer mal.Mito. Só há contraindicações em caso de gravidez, condição mais difícil na faixa etária em que se indica a mamografia. Fora dessa circunstância, o exame está liberado, pois a radiação que emite é muito baixa e insuficiente para causar problemas em outros órgãos do corpo. A mamografia causa desconforto.Verdade. Mesmo não sendo invasivo, o exame comprime as mamas entre duas placas, o que, para determinadas mulheres, gera incômodo, embora tolerável. De qualquer forma, é possível tornar a mamografia menos desconfortável, marcando-a no começo do ciclo menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis. Há médicos que recomendam a ingestão de um analgésico simples antes do exame. Converse com o seu e veja o que ele também pode sugerir nesse sentido. Como tenho mamas pequenas, o exame será doloroso.Mito. O eventual desconforto com a compressão das mamas não está relacionado a tamanho, mas à sensibilidade individual de cada mulher. A prótese mamária torna a mamografia menos eficaz.Verdade. Mas não significa que o exame não deva ser feito, e, sim, eventualmente complementado com outro método de imagem, se assim for indicado pelo médico. Se você tem mais dúvidas, não deixe de esclarecê-las com um ginecologista ou mastologista antes da próxima mamografia.

14/02/2019
Prevenção

Os benefícios do sol para a saúde

Está certo que a exposição solar em excesso causa queimaduras, câncer de pele e envelhecimento precoce.  Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 30% dos tumores malignos no Brasil são câncer de pele, com uma estimativa de 165,5 mil novos casos do tumor não melanoma entre os anos 2018-2019.  Mas, apesar dos cuidados que inspira, o sol está longe de ser um vilão para a saúde. Um dos benefícios mais importantes proporcionados pelo astro-rei é a produção de vitamina D, essencial para consolidar a absorção de cálcio e manter os ossos saudáveis. Há poucos alimentos ricos nesse nutriente e, na prática, sua maior fonte é mesmo a exposição solar por 20 minutos, sem filtro de proteção – sempre nos períodos de menor incidência dos raios UVA e UVB, vale o grifo, antes das 10 horas e depois das 16 horas –, o que permite a obtenção de 10.000 unidades de vitamina D, a meta diária para um adulto. Tomar sol ainda contribui para fortalecer o sistema imunológico, igualmente por ação da polivalente vitamina D, e atua como adjuvante no tratamento de doenças de pele, como vitiligo, já que os raios solares estimulam a produção de células que fabricam pigmentos, que não funcionam bem em portadores dessa doença. No campo da saúde mental, a luz solar também oferece contribuição ao ajudar no controle da depressão. Isso porque, ao ser exposto ao sol, o cérebro reduz a produção de melatonina, hormônio que causa relaxamento e sonolência e que, em excesso, pode levar o indivíduo a se ensimesmar. Ao mesmo tempo, o sol promove um incremento na síntese de serotonina, um neurotransmissor associado ao bem-estar, melhorando o humor. Fotoproteção Apesar dessas qualidades, não dá para abrir mão da fotoproteção. Se é possível dispensar o protetor solar para obter a cota diária de vitamina D naqueles poucos minutos, fora dessa circunstância a Sociedade Brasileira de Dermatologia preconiza o uso de FPS 30, no mínimo, tanto para sair diariamente à rua quanto para exposições mais prolongadas, na praia, na piscina ou no campo, nesses casos com reaplicações a cada duas horas ou, então, após entrar na água ou transpirar demasiadamente. Essa recomendação não vale apenas para pessoas de pele mais clara, mas também para indivíduos de pele negra. Contudo, por conterem maior quantidade de melanina, que funciona como uma proteção natural, os afrodescendentes podem usar um produto com FPS menor, mas nunca inferior a 15. O filtro solar deve ser utilizado em bebês apenas a partir dos 6 meses de idade, em forma de produtos específicos à pele da criança, prescritos pelo médico pediatra ou dermatologista. É importante lembrar que a conscientização da fotoproteção deve começar desde a infância e a adolescência para evitar os efeitos nocivos do sol ao longo dos anos. Além do filtro solar, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de outros acessórios para se proteger do sol, como boné e chapéu, assim como o de camisetas de algodão nas atividades ao ar livre, pois estas roupas bloqueiam a maior parte da radiação ultravioleta. Óculos escuros são essenciais também para prevenir catarata e outras doenças nos olhos. Na praia, vale utilizar ainda barracas de lona ou de algodão, que absorvem pelo menos metade da radiação ultravioleta, de acordo com a entidade. De qualquer forma, mesmo com filtro solar e a paramentação necessária, onde quer que seja o cenário, invariavelmente é mais seguro encarar o sol antes das 10 horas e depois das 16 horas, além de se manter sob a sombra sempre que possível. Para quem quer se bronzear, esse objetivo vai ser alcançado do mesmo jeito, mas sem agressão à pele nem risco de lesão maligna. Consulte um dermatologista ao menos uma vez por ano para fazer um check-up da pele ou sempre que tiver alguma queixa.

13/02/2019
Bem-estar

Aproveite a folia sem descuidar da saúde

Se, por um lado, o carnaval é uma das festas mais alegres do mundo, por outro, a aglomeração de pessoas, o calor intenso do verão, as chuvas torrenciais e os excessos de toda a sorte acabam predispondo as pessoas a adoecerem durante e, especialmente, após esse período. Pensando no seu bem-estar, a DaVita selecionou algumas dicas para você começar e terminar a folia com saúde e alto-astral. Água e companhiaQualquer que seja seu destino, praia, campo ou blocos na cidade, hidrate-se de forma abundante a qualquer hora do dia. Para quem não abre mão das bebidas alcoólicas, é imperativo intercalar os drinques com água ou bebidas hidratantes, como água de coco e isotônicos. Como se não bastasse o calor intenso de fevereiro, o álcool também desidrata rapidamente o organismo. Uma boa opção para complementar a hidratação é consumir frutas como melancia, laranja, melão e abacaxi, ricas em água, optar por sorvetes de frutas ou, ainda, fazer sucos que combinem vegetais e frutas, ótimos para repor sais minerais. AlimentosNão saia sem se alimentar de verdade, especialmente se for enfrentar uma maratona de blocos e desfiles. O cardápio pré-folia, segundo especialistas, deve conter carboidrato na versão integral, que sacia e confere energia por mais tempo, combinado com uma proteína e vegetais. Um macarrão integral ao sugo, acompanhado de frango grelhado e salada, agrada ao paladar e dá conta do recado. Frituras e alimentos gordurosos, de difícil digestão, são más escolhas. Leve ainda uma fruta ou barrinha de cereais para comer durante a festa. Sanduíche, só se for com recheios que não se deterioram facilmente, como atum ou sardinha em conserva. Procure não comer alimentos preparados por ambulantes, que podem estar contaminados por causa das más condições de higiene e mesmo do calor. SolAinda que esteja longe da praia, não vá para a folia durante o dia sem protetor solar – FPS 30, no mínimo, para peles claras, e FPS 15, no mínimo, para peles escuras. Use também acessórios como chapéu ou boné e óculos de sol, bem como roupas leves. Um único dia de exagero pode minar o restante da festa. Evite ainda a exposição solar nos horários de maior incidência dos raios ultravioletas, ou seja, das 10 às 16 horas. Doenças causadas por mosquitosContra a febre amarela, é possível e recomendado vacinar-se dez dias antes da viagem – hoje, apenas alguns Estados do Nordeste não são considerados áreas endêmicas da doença. Portanto, a maioria dos destinos no Brasil requer esse cuidado. Existe uma vacina que previne a dengue, mas tem indicação limitada e está sujeita à prescrição médica. Vale conversar com seu médico com antecedência. Na prática, as estratégias contra a dengue, a febre chikungunya e a infecção pelo vírus zika, as três causadas pelo Aedes aegypti, infelizmente ainda se restringem à aplicação de um repelente potente nas áreas expostas do corpo e à utilização de telas nas janelas. Sexo É imprescindível usar métodos de barreira física em todas as relações sexuais para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia, sífilis e HIV/aids, entre outras. Nesse período, o Ministério da Saúde sempre aumenta a distribuição de preservativos femininos e masculinos não só nos postos de saúde, como também em locais de grande afluxo de pessoas. Mas isso não basta. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, o álcool e outras substâncias que prejudicam a capacidade de julgamento também configuram fator de risco para a aquisição de doenças como HIV/aids. Leve em conta mais esse aspecto para moderar o consumo de bebidas alcoólicas e ficar longe de drogas ilícitas. Viagem Quem vai pegar estrada deve fazer uma revisão no automóvel e nos pneus antes de partir, além de planejar a viagem, com paciência e sem pressa de chegar. É imprescindível se programar para dirigir sem sono ou cansaço em demasia e respeitar as placas de sinalização e a velocidade permitida, bem como manter distância do veículo da frente. Convém ainda lembrar que álcool e volante não combinam, tampouco olhar o celular no trânsito. Se houver alguma urgência para resolver por telefone ou por mensagem, vá para o acostamento. Para quem tem, como destino, locais muito afastados ou exóticos, é interessante levar uma farmacinha para situações mais comuns, como picadas de insetos, alergias, ferimentos leves, diarreias e resfriados. Peça orientações para seu médico.