DaVita Saúde

Você já ouviu falar da fibrose cística?

O muco é um fluido biológico que tem o papel de proteger superfícies do ser vivo ou de funcionar como lubrificante. Como tudo na natureza, se alterado por algum fenômeno, causa desequilíbrio. É o que ocorre na fibrose cística, também conhecida como mucoviscidose, doença genética que compromete o funcionamento das glândulas que produzem muco, suor e enzimas pancreáticas, tornando-os mais espessos, com repercussões importantes para os pulmões, o pâncreas e o sistema digestório. Basicamente, nas vias respiratórias, a secreção modificada – de 30 a 60 vezes mais espessa que o normal – favorece o acúmulo de agentes infecciosos e, no pâncreas e nos órgãos do trato gastrointestinal, compromete a absorção dos nutrientes. 

Causada por defeito no gene CFTR, herdado geneticamente, a fibrose cística pode provocar sintomas como infecções pulmonares recorrentes, tosse frequente com catarro, bronquite crônica, chiado no peito, falta de fôlego, baixo ganho de peso e de estatura, fezes volumosas e gordurosas, diarreia, desidratação e presença de suor salgado – sinal que pode ser percebido no bebê já nos primeiros dias de vida e confere à condição a alcunha popular de doença do beijo salgado. Evidentemente, a intensidade das manifestações varia entre os portadores. 

No Brasil, é possível flagrar a doença logo ao nascimento, uma vez que toda criança tem direito a realizar o teste do pezinho, que pesquisa essa e outras enfermidades genéticas, além de alguns erros inatos do metabolismo. Apesar disso, as associações de profissionais de saúde e familiares de portadores de fibrose cística estimam que existem muitos indivíduos sem diagnóstico. Até porque o exame do pezinho faz uma triagem. Para confirmar o quadro, há necessidade de prosseguir a investigação com o teste do suor – já que quem tem a doença perde mais cloro e sal pela pele – ou, então, com a pesquisa genética, que busca mutações no gene CFTR

Fibrose cística: importância do diagnóstico precoce

Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais cedo serão tomadas medidas para fortalecer a criança contra infecções pulmonares, impedir a desnutrição e garantir seu crescimento e desenvolvimento, ainda que não haja sintomas tão evidentes. O tratamento implica o uso de antibióticos e anti-inflamatórios para evitar complicações pulmonares, de enzimas digestivas para permitir a absorção de nutrientes, de broncodilatadores para melhorar a respiração, de mucolíticos para diluir o muco e de algumas vitaminas, envolvendo uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde. 

Em 2009, uma lei instituiu o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, em 5 de setembro, justamente para corroborar a importância do diagnóstico precoce, informar a população sobre a disponibilidade do tratamento na rede pública de saúde e ampliar o conhecimento sobre a doença. Afinal, estima-se que 5% da população carregue o gene defeituoso de forma assintomática. Na hipótese de um homem e uma mulher nessa condição constituírem família, esse casal terá 25% de chance de gerar um portador de fibrose cística em cada gravidez. Mesmo raramente, o fato é que pode acontecer em qualquer família. Converse com seu médico.

Posts Relacionados

16/09/2019
Prevenção

Prevenção do suicídio: há luz no fim do túnel

Na história contemporânea, diversos ícones da música, da literatura e da indústria do entretenimento foram parar nas manchetes dos meios de comunicação não só por suas obras, mas por terem decidido interromper a vida por conta própria. Não raro, estavam no auge de suas carreiras e saíram de cena, sem explicações e sem pistas de que fossem desistir. Muitas vezes, no entanto, essas pessoas tinham em comum histórias de transtornos como depressão e dependência química, ainda que pudessem estar abstêmias no momento do ato. Apesar de o suicídio já ser considerado um problema de saúde pública – no Brasil, são 32 mortes dessa natureza por dia, segundo o Ministério da Saúde –, não há melhor meio de preveni-las do que falar abertamente sobre saúde mental e mostrar rotas seguras de ajuda para a pessoa que está perdendo a vontade de viver e para seu núcleo afetivo. Até porque os especialistas estimam que nove entre dez casos podem ser prevenidos.   Sinais de alerta Em primeiro lugar, fique atento aos sinais de alerta. Frases de alarme – como “quero sumir”, “vou embora” e “não aguento mais” – devem ser valorizadas, especialmente no caso de adolescentes, entre os quais o número de casos vem crescendo muito nos últimos anos, apesar de os idosos serem o grupo de maior risco. Além disso, mudanças radicais de comportamento – como deixar de gostar de algo pelo qual havia grande interesse antes – também pedem atenção. Na outra ponta, uma melhoria súbita pode indicar apenas simulação e esconder uma decisão já tomada. Por fim, tentativas anteriores elevam o risco. Quem já tentou uma vez, está mais vulnerável. Se você perceber algum desses comportamentos, é importante não deixar a pessoa em risco sozinha, ouvi-la e levá-la para a avaliação de um psiquiatra. O Centro de Valorização da Vida, o CVV, que atende gratuitamente a todo o Brasil pelo número 188, também é um canal imediato para quem precisa de um ombro amigo com urgência. Treinados para escutar, acima de tudo, os voluntários do serviço estão capacitados para oferecer o que há de mais necessário nesse momento: apoio emocional e esperança.   O que fazer para ajudar? Outro ponto sempre importante, dentro ou fora desse contexto, é esclarecer a população sobre os problemas mentais e os perigos das drogas e do álcool numa mente em conflito, especialmente se essa mente ainda está em formação (como ocorre na adolescência). A depressão, o mais frequente transtorno por trás de tais casos, é doença e exige um tratamento multidisciplinar, que pode combinar medicação, psicoterapia, prática de atividade física e terapias alternativas. A mesma estratégia se aplica à dependência química. Por último, os especialistas recomendam não manter nada que seja letal por perto: venenos, pesticidas e estoque de remédios, tampouco armas brancas ou de fogo. Convém não facilitar. Isso vale ainda para estratégias de segurança em casa, como manter grades nas janelas e no espaço público. Não dá para levar uma pessoa nessas condições para um local externo que possa oferecer algum risco. Esses cuidados contribuem para dificultar o ato e ajudam a levar o indivíduo a repensar sua decisão. Não custa lembrar que, apesar de ter causas multifatoriais, o suicídio é uma atitude impulsiva. No dia seguinte, quase sempre tudo parece mais simples. Procure um profissional da área de saúde mental para conversar sobre a vida.

09/09/2019
Bem-estar

Raiva humana: prevenção, sintomas, tratamento

Quando você leva seu pet para receber a vacina antirrábica, nem sempre se lembra que, antes de ser um cuidado indicado para o bem-estar do animal, a imunização contra a raiva configura uma medida de saúde pública bastante importante para a população geral. Afinal, a raiva é uma doença infecciosa muito grave e que pode matar. Por ser transmitida por mordedura de mamíferos contaminados, notadamente cães e morcegos, a raiva é considerada uma zoonose. O vírus do gênero Lyssavirus ingressa na pele por meio da lesão e passa a circular pelos nervos periféricos, sendo atraído pelas células do sistema nervoso central. Ao chegar ali, após um período de incubação e o surgimento de sinais inespecíficos, presentes em qualquer infecção, deflagra uma encefalite aguda que dificilmente tem cura, com sintomas neurológicos característicos, como salivação excessiva, delírios, convulsões e agressividade. Apesar da gravidade da doença, existem atualmente estratégias eficazes para combatê-la. Uma delas é a vacinação de pessoas que, de alguma forma, possam estar expostas ao vírus. No Brasil, dada a situação de controle da raiva animal, só se recomenda a imunização antirrábica para biólogos, veterinários, agrotécnicos, profissionais envolvidos na captura e no estudo de animais com suspeita de raiva, equipes de laboratórios de virologia e indivíduos que atuam com animais silvestres. Fora dessas situações, os demais brasileiros devem ser vacinados apenas se forem viajar para países que ainda não contornaram o problema, como a Índia.   Raiva: o que fazer após a mordida? Outra estratégia consiste na chamada profilaxia pós-exposição, feita depois do ataque, com um protocolo diferente para cada tipo de situação. Na dúvida, o paciente começa a receber o tratamento como se tivesse sido atacado por um bicho contaminado, pois o tempo, nesse contexto, é fator fundamental para impedir a infecção. Resumidamente, a profilaxia inclui, além de um esquema de vacinações, a infusão de anticorpos que ajudam o organismo a combater o vírus da raiva. Na prática, é fundamental se preocupar com qualquer mordedura ou arranhadura de animal. Em primeiro lugar, lave o local com água e sabão para reduzir o risco de contaminação local por bactérias presentes na saliva ou nas unhas do bicho e procure rapidamente um serviço médico para que o clínico geral, ou infectologista, possa avaliar a necessidade de iniciar o tratamento pós-exposição.  A importância da vacinação do seu pet contra a raivaA baixa prevalência da raiva em nosso país deve-se aos programas de imunização de cães e gatos, que fizeram despencar o número de casos da doença em pessoas e animais. E isso é relativamente recente. Enquanto, em 1999, o Brasil contabilizava 1.200 cães contaminados, não passamos de 13 casos de raiva canina em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Em relação à raiva humana, foram 574 casos da doença de 1990 a 2009, contra 25 registros de 2010 a 2017. Das notificações feitas no ano passado, vale assinalar, todas envolveram morcegos. Ótima notícia para os mais de 52 milhões de cachorros e 22 milhões de gatos que vivem em domicílios brasileiros, de acordo com dados do IBGE.

02/09/2019
Prevenção

Você já ouviu falar da fibrose cística?

O muco é um fluido biológico que tem o papel de proteger superfícies do ser vivo ou de funcionar como lubrificante. Como tudo na natureza, se alterado por algum fenômeno, causa desequilíbrio. É o que ocorre na fibrose cística, também conhecida como mucoviscidose, doença genética que compromete o funcionamento das glândulas que produzem muco, suor e enzimas pancreáticas, tornando-os mais espessos, com repercussões importantes para os pulmões, o pâncreas e o sistema digestório. Basicamente, nas vias respiratórias, a secreção modificada – de 30 a 60 vezes mais espessa que o normal – favorece o acúmulo de agentes infecciosos e, no pâncreas e nos órgãos do trato gastrointestinal, compromete a absorção dos nutrientes.  Causada por defeito no gene CFTR, herdado geneticamente, a fibrose cística pode provocar sintomas como infecções pulmonares recorrentes, tosse frequente com catarro, bronquite crônica, chiado no peito, falta de fôlego, baixo ganho de peso e de estatura, fezes volumosas e gordurosas, diarreia, desidratação e presença de suor salgado – sinal que pode ser percebido no bebê já nos primeiros dias de vida e confere à condição a alcunha popular de doença do beijo salgado. Evidentemente, a intensidade das manifestações varia entre os portadores.  No Brasil, é possível flagrar a doença logo ao nascimento, uma vez que toda criança tem direito a realizar o teste do pezinho, que pesquisa essa e outras enfermidades genéticas, além de alguns erros inatos do metabolismo. Apesar disso, as associações de profissionais de saúde e familiares de portadores de fibrose cística estimam que existem muitos indivíduos sem diagnóstico. Até porque o exame do pezinho faz uma triagem. Para confirmar o quadro, há necessidade de prosseguir a investigação com o teste do suor – já que quem tem a doença perde mais cloro e sal pela pele – ou, então, com a pesquisa genética, que busca mutações no gene CFTR.  Fibrose cística: importância do diagnóstico precoce Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais cedo serão tomadas medidas para fortalecer a criança contra infecções pulmonares, impedir a desnutrição e garantir seu crescimento e desenvolvimento, ainda que não haja sintomas tão evidentes. O tratamento implica o uso de antibióticos e anti-inflamatórios para evitar complicações pulmonares, de enzimas digestivas para permitir a absorção de nutrientes, de broncodilatadores para melhorar a respiração, de mucolíticos para diluir o muco e de algumas vitaminas, envolvendo uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde.  Em 2009, uma lei instituiu o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, em 5 de setembro, justamente para corroborar a importância do diagnóstico precoce, informar a população sobre a disponibilidade do tratamento na rede pública de saúde e ampliar o conhecimento sobre a doença. Afinal, estima-se que 5% da população carregue o gene defeituoso de forma assintomática. Na hipótese de um homem e uma mulher nessa condição constituírem família, esse casal terá 25% de chance de gerar um portador de fibrose cística em cada gravidez. Mesmo raramente, o fato é que pode acontecer em qualquer família. Converse com seu médico.

26/08/2019
Comportamento

Psicólogo: especialista em promover saúde mental

Vivemos num mundo em que os avanços tecnológicos, por nos inundarem com informações sobre fatos e pessoas a todo momento, dão margem para suposições e preocupações que podem culminar em distúrbios emocionais e transtornos de humor ou, até mesmo, agravar os já existentes. Aí entra a figura do psicólogo, um profissional cada vez mais importante nesse cenário de superexposição e superinformação, na medida em que é capacitado para ajudar cada indivíduo a encontrar seu equilíbrio e a buscar as respostas dentro de si mesmo. No Brasil, segundo o Conselho Federal de Psicologia, temos cerca de 343 mil psicólogos atualmente. Mas é claro que nem todos trabalham na área clínica. Hoje esses profissionais estão em empresas, clubes desportivos, escolas, associações voltadas à educação de crianças com necessidades especiais, instituições ligadas ao trânsito e centros sociais, como abrigos e asilos, entre outros, sempre buscando extrair das pessoas suas melhores potencialidades. O fato é que, onde quer que atue, o psicólogo contribui diretamente para promover a saúde mental e, assim, melhorar o mundo.  Homenagem da DaVita ao Dia do Psicólogo, 27 de agosto.

26/08/2019
Prevenção

Os benefícios de parar de fumar

Que o cigarro faz mal, ninguém discute. Inclusive os 10,1% dos brasileiros que continuam fumando despreocupadamente, mesmo com as advertências médicas e os muitos senões da sociedade hoje em dia. Por isso mesmo, a DaVita Serviços Médicos quer explorar o lado bom de parar de fumar.  De acordo com um estudo feito no Reino Unido, quem abandona esse hábito comprovadamente ganha mais anos de vida, olha só que interessante. E quanto mais cedo a decisão é tomada, maior o incremento. Os pesquisadores britânicos constataram que, quem deixa o cigarro aos 60, conquista mais três anos na expectativa de vida. Já quem para aos 40, vive mais nove anos. O ganho resulta diretamente da melhora na saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma pessoa que cessa o tabagismo antes dos 50 anos tem uma redução de 50% no risco de morte por doenças associadas ao tabagismo, como câncer, derrame e infarto do miocárdio, após 16 anos de abstinência. Aliás, o risco de ser acometido por problemas cardiovasculares já cai pela metade após o primeiro ano sem fumar. Isso significa também menos gastos com medicações e procedimentos médicos. Há ainda outros benefícios, que impactam a qualidade de vida de forma mais sutil, mas não menos significativa, como a melhora da autoestima, do hálito, da pele e do aspecto dos dentes. A convivência com pessoas que não fumam ganha muito – pense num casal, por exemplo –, assim como o desempenho em atividades que envolvem algum condicionamento físico. Chega de ser o último da trilha!  Para que sua decisão seja bem-sucedida, não deixe de procurar um médico. Atualmente, existem estratégias terapêuticas interessantes para quem quer, de fato, parar de fumar. Como o corpo de um ex-fumante fica sem o cigarroO primeiro dia pode até ser difícil, uma vez que a dependência do tabagismo é química e psicológica. Mas, ao mesmo tempo em que o indivíduo doma a vontade de acender um cigarro no período mais crítico, seu organismo vai colhendo benefícios quase imediatos. Anote: Depois de 20 minutos sem fumarA pressão arterial e os batimentos cardíacos voltam ao normal.  Depois de duas horas sem fumarA circulação sanguínea fica livre da nicotina. Depois de oito horasO nível de oxigênio no sangue, antes reduzido, se normaliza. Depois de dois diasO paladar e o olfato melhoram, descortinando um mundo de sabores e odores. Depois de três semanasO sangue passa a circular melhor pelos vasos, favorecendo a circulação.  

19/08/2019
Prevenção

Esclerose múltipla: diagnóstico, sintomas, tratamento

Muita gente que nem chegou perto da meia-idade anda numa rotina tão extenuante de trabalho e demandas pessoais que, diante qualquer sintoma diferente, mas passageiro, acha que tudo provém do estresse. Está certo que uma parte pode até resultar das atribulações do dia a dia, porém nem tudo. Há sintomas que realmente precisam ser valorizados. Aí reside a dificuldade que envolve a esclerose múltipla, uma doença neurológica crônica e autoimune, na qual o sistema imunológico ataca a bainha de mielina que envolve os axônios, as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos, provocando lesões no cérebro, no nervo óptico e na medula espinhal. Na maioria dos casos, a afecção ocorre em surtos – forma remitente-recorrente –, mas ela pode ser também progressiva. O problema é que a doença, que afeta 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, começa com sintomas muito sutis, como uma turvação na visão, uma fraqueza nas pernas ou um pequeno descontrole urinário, que surgem a qualquer instante, sem que estejam associados a evento algum, e desaparecem rapidamente, em alguns dias. Daí a possibilidade de essas queixas efêmeras não receberem atenção ou de, por exemplo, serem associadas a uma semana mais desgastante. O quadro pode perdurar assim, mais leve, por dois a três anos até evoluir de modo mais exuberante. De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, quase metade das manifestações clínicas iniciais inclui sinais e sintomas medulares, como os que envolvem fraqueza nas pernas, formigamento, disfunção sexual e incontinência urinária. Além disso, cerca de 20% começam com problemas visuais, como visão embaçada, e uma menor parte, de 10%, com queixas relacionadas ao tronco cerebral, a exemplo de desequilíbrio, tonturas e falta de coordenação motora. O restante dos portadores tem uma combinação de todo o conjunto. Fadiga e transtornos de humor, como a depressão, também são frequentes. Com a evolução da esclerose múltipla, a perda da mielina compromete e até interrompe a transmissão de impulsos elétricos, fazendo com que essas manifestações ganhem magnitude, ainda que permaneçam aparecendo como surtos. Após 20 a 25 anos de diagnóstico, não raro o quadro culmina com uma incapacidade grave, que, segundo os especialistas, afeta até 90% dos pacientes. Medicamentos e terapias de apoio Isoladamente, os sintomas da doença podem ser confundidos com os de outras enfermidades neurológicas. Mas a forma como eles aparecem se mostra bem típica. Por isso, os neurologistas conseguem fazer o diagnóstico clinicamente, por meio do levantamento da história do paciente e do exame neurológico, no consultório, com o apoio de testes complementares, como a ressonância magnética de cérebro e a análise do líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a medula espinhal, entre outros. A doença ainda não tem cura, mas existe tratamento que visa a atenuar a intensidade dos sintomas e aumentar o espaço entre um surto e outro. Hoje, para prevenir a recorrência, usam-se imunomodulares e imunossupressores – que controlam e/ou reduzem a atividade do sistema imunológico para evitar os ataques à bainha de mielina –, bem como anticorpos monoclonais. Já os corticoides, administrados em altas doses, dão conta da redução dos sintomas durante as crises. De qualquer modo, o paciente não raro precisa de outros medicamentos sintomáticos para aliviar os problemas decorrentes da doença, como a incontinência urinária, bem como de fisioterapia, fortalecimento físico por meio de um programa de exercícios e apoio emocional. Até porque a doença afeta pessoas ainda jovens, sobretudo mulheres na faixa de 20 a 40 anos – ou seja, no auge da vida pessoal e profissional. A boa notícia é que o diagnóstico precoce ajuda muito a evitar os surtos e, portanto, a ter qualidade de vida, apesar de a iminência de um surto sempre existir. Na dúvida, converse com um neurologista quanto antes.

05/08/2019
Alimentação

Saiba a diferença entre o bom e o mau colesterol

Quem já passou de 20 anos e vai ao médico periodicamente já deve ter feito um exame de sangue para medir o colesterol, uma gordura que integra a membrana de todas as células e que, quando em excesso na circulação, pode causar doenças cardiovasculares. A maior parte do colesterol que se encontra no organismo é produzida pelo fígado porque essa substância cumpre papel fundamental para a saúde celular. O restante vem da alimentação, sobretudo de alimentos de origem animal, como leite e derivados, ovos e carnes, a vermelha principalmente.  Para distribuir colesterol a todas as células, existem duas lipoproteínas, uma de baixa densidade, denominada LDL-colesterol, cuja sigla, LDL, vem de low density lipoprotein, e outra de alta densidade, HDL-colesterol, sendo a sigla HDL referente à expressão high density lipoprotein.  O LDL é o mais importante transportador dessa gordura pela circulação. Contudo, quando está elevado, acaba depositado nas paredes dos vasos sanguíneos, estreitando seu calibre ou obstruindo-os. Ocorre que, junto com outras substâncias, ele forma placas, que podem se romper e provocar graves problemas cardiovasculares: se a ruptura ocorrer numa artéria do coração, por exemplo, há risco de infarto agudo do miocárdio; se for em um vaso cerebral, de acidente vascular cerebral.  Em vista dessa associação nada fortuita, o LDL ganhou a alcunha de mau colesterol e, para conviver pacificamente com ele, espera-se que sua concentração no sangue esteja sempre abaixo dos valores de referência. Isso, porém, é determinado de forma personalizada pelos médicos, conforme o risco cardiovascular de cada paciente.  Já o HDL executa ação contrária à do LDL, removendo o colesterol abundante na circulação e transportando-o de volta para o fígado, o que resulta num efeito protetor para as artérias do coração e do cérebro, particularmente. Assim, o HDL figura como o bom colesterol nessa história, devendo ficar sempre acima de 40 mg/dL, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia.     Como reverter o colesterol LDL alto e melhorar os níveis do HDL   A prevenção cardiovascular baseia-se na manutenção do LDL e HDL na medida certa, assim como em dieta adequada, perda de peso, prática de exercícios físicos, entre outros. Quem fuma também deve rever esse hábito. A escolha de alimentos com baixo índice de colesterol pode fazer uma grande diferença na redução da concentração do LDL, enquanto a atividade física é a medida que mais tem impacto no aumento do HDL, sobretudo as modalidades aeróbicas, como caminhada, ciclismo e corrida. Contudo, quando a pessoa já está com um nível bastante elevado de LDL e, mesmo com exercícios e dieta, não consegue bom resultado, podem entrar em cena medicamentos para diminuir especificamente esse tipo de molécula, os quais – é importante frisar – devem ser associados com as demais medidas para o controle do colesterol pelo tempo determinado pelo médico.  As estatinas são os remédios mais usados para reduzir o LDL, mas já existem novidades nessa seara, como os inibidores da proteína PCSK9, que degrada receptores do mau colesterol no fígado. Se essa proteína deixa de trabalhar, o LDL em excesso consegue sair da circulação e voltar a seu ponto de partida. Essa nova classe de fármacos costuma ser prescrita para quem não responde às estatinas e a outros medicamentos convencionais, bem como a portadores de hipercolesterolemia familiar, na qual a elevação do colesterol deriva de mutações em genes, aumentando muito o risco de doenças cardiovasculares. Antes de pensar em tratamento, no entanto, há um longo caminho pela frente, que começa com uma consulta com um médico, mesmo que você já tenha ido antes, e pode terminar simplesmente em ajuste da dieta e prática de atividade física. Dê logo esse primeiro passo. A queda do LDL na mira Conforme o risco cardiovascular de cada paciente, o médico determina a meta do LDL-colesterol, que deve ser atingida com dieta e perda de peso e, quando isso não for suficiente, também com medicamentos: Risco cardiovascular: Meta de LDL: Indivíduos com risco baixo Abaixo de 130 mg/dL Indivíduos com risco intermediário Abaixo de 100 mg/dL Indivíduos com risco alto  Abaixo de 70 mg/dL Indivíduos com risco muito alto Abaixo de 50 mg/dL Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia   O que mudar na alimentação para baixar o colesterol Para quem não apresenta alto risco cardiovascular, como uma pessoa que já sofreu um AVC ou que tem hipercolesterolemia familiar, é possível, sim, diminuir os níveis do LDL no sangue com mudanças na dieta. Além de dobrar a ingestão de fibras, na forma de grãos, cereais integrais, frutas e vegetais, vale a pena promover as seguintes trocas:   Em vez de: Fique com: Pão, arroz e macarrão comuns Pão, arroz e macarrão integrais Leite e derivados integrais Leite e derivados desnatados Carne vermelha Carne branca magra (frango sem pele e peixe) e lombo de porco Snacks e biscoitos Castanhas e nozes Pizza de muçarela Pizza de vegetais (abobrinha, berinjela, escarola) Queijos amarelos Queijo branco, ricota, cottage Frutos do mar Salmão Doces cremosos Frutas in natura ou, no máximo, em compotas Molho branco, quatro queijos Molho de tomate feito em casa Manteiga Margarina com fitoesteróis Chocolate ao leite e branco Chocolate amargo    

05/08/2019
Alimentação

Hábitos saudáveis: mudanças na rotina para ganhar saúde

É verdade que a ciência caminha a passos largos no desenvolvimento de soluções para aumentar a saúde e conseguir a cura para enfermidades que, pouco mais de algumas décadas atrás, soavam como ameaças quase invencíveis. Contudo, ainda não saiu das bancadas dos laboratórios farmacêuticos ou das universidades uma pílula capaz de prolongar a vida do ser humano com qualidade e prevenir a maior parte das doenças. Uma das formas mais efetivas de fazer ao menos uma parcela desse aparente milagre é mesmo a adoção de hábitos saudáveis ou, para quem está longe de andar na linha, a mudança do estilo de vida. Tome-se o exemplo do câncer. Muito embora existam fatores de risco que não podemos mudar, como idade e histórico familiar, os demais são passíveis de modificação. Tanto é assim que a Sociedade Americana de Câncer atribui um terço das mortes por essa causa à manutenção de dietas desequilibradas e à falta de atividade física. Da mesma forma, diversos estudos já demonstraram a associação entre a redução de doenças do coração e a combinação de prática regular de exercícios físicos, adoção da dieta mediterrânea – rica em peixes, castanhas e azeite de oliva extravirgem –, controle do peso e, claro, distância do tabagismo.  Além desses hábitos, outras atitudes, algumas mais trabalhosas, outras menos, estão por trás da manutenção da boa saúde e da prevenção de enfermidades e desequilíbrios orgânicos, ainda que momentâneos. A boa notícia é que muitas vezes uma única mudança pode trazer múltiplos benefícios. Quando dormimos melhor, não só conseguimos ter mais disposição para enfrentar os desafios do dia seguinte, com diminuição do estresse, mas também ajudamos a melhorar o metabolismo e prevenir a obesidade, que, entre outros prejuízos, ocasiona o diabetes, doença associada a eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio. O fato é que a incorporação cotidiana de hábitos saudáveis tem um efeito positivo sistêmico no organismo. Converse com seu médico e comece agora mesmo a trabalhar pela sua saúde. Caso precise de ajuda, procure ainda apoio psicológico.   Dicas para manter a saúde Não fume.  O cigarro tem cerca de 4.700 substâncias nocivas e está implicado com problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer e afecções pulmonares, como a doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras.   Pratique exercícios físicos.  A Organização Mundial de Saúde recomenda um mínimo de 150 minutos de atividade física moderada por semana. Sempre que possível, vá até os lugares caminhando ou pedalando. Exercícios físicos regulares ajudam a perder peso, elevam a autoestima, evitam doenças e melhoram o humor.   Coma alimentos saudáveis. Opte por comida de verdade, preparada em casa, com alimentos in natura. Produtos processados, como preparações congeladas, macarrão instantâneo, mistura para sopas e bolos, molhos e temperos prontos, ou ultraprocessados, a exemplo de embutidos, linguiça e nuggets, carregam muito sal, açúcar e gorduras nocivas para o organismo.   Reduza o consumo de sal. O excesso de sódio, presente no sal, está relacionado com a hipertensão arterial e com a doença renal crônica. Leia os rótulos dos produtos, evitando levar os ricos em sódio, e troque parte do sal nas receitas por ervas. Importante: não leve o saleiro à mesa.   Beba água. Os especialistas preferem usar, como parâmetro, não quantidade de litros ou copos, mas um volume suficiente para deixar a urina amarelo-clara. Só evite a ingestão de água e outros líquidos durante as refeições para não dilatar o estômago e acabar comendo mais do que você realmente necessita.    Evite refrigerantes. Fuja mesmo dos que não levam açúcar e prefira comer as frutas a transformá-las em sucos. O organismo demora mais a metabolizar a sacarose das frutas em pedaços, postergando a sensação de saciedade, e as fibras ingeridas ajudam o intestino a funcionar.   Aliás, consuma fibras. Homens devem ingerir 34 gramas e mulheres, 28 gramas, segundo a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes. Além das frutas, as fibras estão nos vegetais e nos grãos integrais. São importantes para a saúde do aparelho digestório, ajudam a baixar o colesterol e a controlar o peso e contribuem para prevenir o câncer de intestino.   Evite bebidas alcoólicas. Não dá para falar em sinal verde em matéria de álcool, dados os prejuízos do alcoolismo à saúde física e mental do dependente e de seu núcleo familiar, mas o vinho tem alguma qualidade nessa seara, uma vez que possui o resveratrol, um antioxidante que protege contra doenças cardiovasculares. Contudo, não ultrapasse um cálice por dia.    Lave as mãos. É imprescindível manter esse hábito, especialmente antes de comer e cozinhar, bem como após usar o banheiro, para evitar a contaminação com possíveis agentes infecciosos.   Controle o estresse.  Um dos fatores vitais nesse sentido é administrar bem o tempo, dividindo-o melhor entre atividades de trabalho, de lazer e da rotina em casa. Ademais, encontre uma válvula de escape. A atividade física costuma dar conta desse recado e ainda acrescenta outros benefícios.   Cuide de seus vínculos afetivos e sociais. Mantenha um círculo de pessoas, amigos e parentes, com quem possa contar para dividir seus problemas, comemorar suas conquistas e se distrair.   Durma bem.  A falta de sono altera o metabolismo e pode acabar resultando em sobrepeso e resistência à insulina, hormônio que coloca a energia para dentro das células, com consequente risco de evolução para o diabetes. Para se dar bem com o travesseiro, não coma demais à noite nem se exercite antes de dormir. Quando for para a cama, desligue todos os eletrônicos e diminua a luminosidade do quarto, bem como os ruídos.   Use filtro solar. O protetor deve ter FPS 30, no mínimo, para pessoas de pele clara, e FPS 15, no mínimo, para pessoas afrodescendentes. Além disso, a exposição ao sol deve ocorrer nos horários de menor radiação ultravioleta (antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas).   Vá ao médico periodicamente. Faça um check-up de saúde uma vez ao ano ou conforme recomendação médica. Caso tenha algum sintoma no intervalo entre uma consulta e outra, procure seu médico ou um serviço de emergência.

01/08/2019
Prevenção

Hepatites virais: o que são? Como prevenir

O fígado tem múltiplas funções. Produz a bile, que ajuda a digerir gorduras, armazena glicose, sintetiza colesterol, dá cabo de glóbulos vermelhos envelhecidos, fabrica e metaboliza proteínas, atua na defesa contra agentes patogênicos e ainda desintoxica o organismo. Não por acaso, os problemas que o acometem configuram motivo de preocupação entre os médicos, pelo desequilíbrio sistêmico que podem gerar, e também entre as autoridades sanitárias, por sua alta incidência e elevada taxa de mortalidade.  Entre as doenças hepáticas mais comuns estão as hepatites virais, que consistem numa inflamação causada pelos vírus HAV, HBV, HCV, HDV, ou delta-vírus, e HVE. No Brasil, somando todos esses agentes, foram registrados nada menos que 40,1 mil casos de hepatite em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde.  Embora o prognóstico seja muito distinto entre as hepatites virais, todas apresentam sintomas semelhantes, evidentemente quando estes se manifestam, tais como vômitos, enjoo, tontura, cansaço, febre, mal-estar, pele e olhos amarelados – condição conhecida como icterícia –, dor no abdome, fezes claras e urina escura. Contudo, o quadro pode passar despercebido ou mesmo ser confundido com o de outras viroses que afetam o aparelho digestório.  Para ter uma ideia, 7,2 milhões de pessoas carregam o vírus da hepatite C nas Américas, mas três em cada quatro delas desconhecem estar infectadas, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde. Não por acaso, a doença causada pelo vírus HCV é a mais letal, inclusive no Brasil, apesar de hoje contar com um tratamento bem avançado. O fato é que só é possível saber exatamente o agente envolvido por meio de exames de sangue, uma informação essencial para o médico planejar a estratégia terapêutica e evitar o comprometimento hepático que ocorre quando a hepatite se torna crônica. Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, 1,75 milhão de pessoas morrem a cada ano em todo o globo em decorrência de complicações dessas doenças, em particular as provocadas pelo HBV e pelo HCV. Se você não sabe se já teve contato com algum vírus da hepatite, converse com seu médico para fazer a testagem e, se preciso, adote as medidas necessárias para se tratar e se prevenir quanto antes. Três das cinco hepatites virais mais comuns podem ser evitadas por vacinas.   Saiba como é feito o tratamento de cada hepatite   Hepatite A:geralmente se cura espontaneamente, com o surgimento dos anticorpos após algumas semanas do início dos sintomas, requerendo só repouso e dieta para a melhora do estado geral. Mesmo assim requer atenção médica especializada. Em casos muito raros, o HAV pode causar uma hepatite fulminante e insuficiência hepática grave.  Hepatite B: também costuma ser naturalmente debelada pelo organismo, com os mesmos cuidados, mas, em uma parcela de casos, pode se tornar crônica, de modo silencioso, e não tem cura. Esses pacientes precisam de seguimento clínico frequente e, ao longo da vida, de medicamentos para controlar a multiplicação do HBV, bem como para evitar prejuízo às células hepáticas. Na falta de tratamento para essa forma da doença, há risco de cirrose hepática, com substituição do tecido hepático saudável por áreas de fibrose – como cicatrizes –, que impedem o fígado de exercer suas funções, e de câncer de fígado.  Hepatite C: em, pelo menos, 80% dos casos, a doença fica crônica e, dada a presença constante do agente no fígado, com risco de surgimento de áreas de fibrose e câncer. Até pouco tempo, era tratada com uma combinação de medicamentos, usados conforme o genótipo do HCV. Recentemente, surgiram antivirais de ação direta, que inibem enzimas essenciais para o vírus se multiplicar e têm sido associados às demais opções terapêuticas, elevando a possibilidade de cura para mais de 90%. O grande problema da hepatite C, e que faz dela uma das mais perigosas, é o fato de as pessoas não saberem que carregam o vírus. Hepatite D (delta): esse agente depende da preexistência do HBV para se estabelecer. Quando a infecção aguda ocorre simultaneamente, não há tratamento específico, mas apenas a necessidade de fazer repouso e dieta até que o organismo consiga eliminar os dois patógenos. Contudo, se o indivíduo já tem a forma crônica da hepatite B e adquire o vírus delta, a doença assume um caráter mais grave, exigindo combinações de medicamentos para controlar a replicação de ambos os vírus. Mais frequente no Norte do Brasil, a hepatite D é a principal causa de cirrose hepática em crianças e adultos jovens na região amazônica.  Hepatite E: também se cura de modo espontâneo, tão logo o organismo tenha desenvolvido defesas contra o HEV. Da mesma forma que nas demais, pede dieta e repouso para o completo restabelecimento do paciente.   De onde vem e como prevenir cada hepatite Hepatite Formas de transmissão Dicas para a prevenção A - Contato direto com indivíduos contaminados (o vírus sobrevive até quatro horas nas mãos das pessoas)- Ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal contendo o vírus- Relações sexuais desprotegidas (pelo contato com resíduos de fezes imperceptíveis a olho nu) - Tome a vacina contra a hepatite A. - Cuide de sua higiene pessoal, especialmente após usar o banheiro e antes das refeições ou de cozinhar, assim como antes das relações sexuais. - Higienize adequadamente alimentos que serão consumidos crus. - Não coma frutos do mar malcozidos, sobretudo mariscos e ostras.- Não consuma carne de porco crua ou malcozida. - Só tome água clorada ou fervida em locais sem saneamento básico.- Não coma nem beba nada de procedência desconhecida. B - Relações sexuais desprotegidas- Da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação- Compartilhamento de instrumentos de corte (seringas e agulhas, lâminas de barbear e depilar, materiais para confecção de tatuagem e colocação de piercings)- Transfusão de sangue (rara no Brasil por conta do alto controle de qualidade dos bancos de sangue) - Tome a vacina contra a hepatite B. - Use preservativo em todas as relações sexuais. - Não compartilhe objetos de uso pessoal nem materiais perfurocortantes. - Não se exponha a situações de risco, como uso de álcool e drogas de abuso, que prejudicam a capacidade de julgamento e impedem o autocuidado. - Caso esteja grávida, faça o pré-natal para evitar a transmissão da doença ao bebê. C - Transfusão de sangue (comum antes dos anos 90, mas hoje rara no Brasil por conta do alto controle de qualidade dos bancos de sangue)- Compartilhamento de instrumentos de corte (seringas e agulhas, lâminas de barbear e depilar, materiais para confecção de tatuagem e colocação de piercings)- Da mãe infectada para o filho durante a gravidez (mais rara)- Relações sexuais desprotegidas (rara) - Não compartilhe objetos de uso pessoal nem materiais perfurocortantes.- Não se exponha a situações de risco, como uso de álcool e drogas de abuso, que prejudicam a capacidade de julgamento e impedem o autocuidado. - Caso esteja grávida, faça o pré-natal para evitar a transmissão da doença ao bebê.- Use preservativo em todas as relações sexuais. D - Relações sexuais desprotegidas- Da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação- Compartilhamento de instrumentos de corte (seringas e agulhas, lâminas de barbear e depilar, materiais para confecção de tatuagem e colocação de piercings)- Transfusão de sangue (rara no Brasil por conta do alto controle de qualidade dos bancos de sangue) - Vacine-se contra a hepatite B, pois o delta-vírus é incompleto e depende do antígeno de superfície do HBV para se multiplicar.- Use preservativo em todas as relações sexuais. - Não compartilhe objetos de uso pessoal nem materiais perfurocortantes.- Não se exponha a situações de risco, como uso de álcool e drogas de abuso, que prejudicam a capacidade de julgamento e impedem o autocuidado. E - Ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal contendo o vírus - Cuide de sua higiene pessoal, especialmente após usar o banheiro e antes das refeições e de cozinhar, assim como antes das relações sexuais. - Higienize adequadamente alimentos que serão consumidos crus. - Não coma frutos do mar malcozidos, sobretudo mariscos e ostras. - Não consuma carne de porco crua ou malcozida. - Só tome água clorada ou fervida em locais sem saneamento básico.- Não coma nem beba nada de procedência desconhecida. Fonte: Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais.

01/08/2019
Prevenção

O que causa a icterícia?

Amarelo. Essa é cor que predomina na icterícia, um sintoma de diversas doenças, e não uma condição patológica em si, que tinge pele, mucosas e o branco dos olhos (denominado esclera). O aspecto amarelado provém da elevação não natural de um pigmento na corrente sanguínea, a bilirrubina, que resulta da morte dos glóbulos vermelhos do sangue.  Numa situação de normalidade, o fígado capta esse pigmento da circulação após a morte das hemácias envelhecidas e o processa. Só para ter uma ideia do caráter ininterrupto desse trabalho, as células vermelhas se renovam a cada 120 dias. Após ser metabolizada, a bilirrubina fica armazenada nas vias biliares e é excretada pelo intestino, juntamente com a bile.  Numa situação anormal, porém, ou a quantidade de bilirrubina produzida ultrapassa a capacidade de processamento do fígado devido à destruição acelerada de glóbulos vermelhos ou, então, o metabolismo do pigmento está prejudicado por alguma alteração no fígado ou nas vias biliares. Bilirrubina que não sai do corpo Na prática, o fígado pode ficar com a capacidade comprometida de captar a bilirrubina e de processá-la em decorrência de hepatites causadas por vírus, por medicamentos, alcoolismo, de cirrose hepática, febre amarela e enfermidades genéticas raras, como na Síndrome de Crigler-Najjar e na Síndrome de Gilbert.  Já a degradação anormal dos glóbulos vermelhos ocorre em anemias hemolíticas, em que há destruição aumentada e precoce dessas células, com destaque para a anemia falciforme, e também em doenças infecciosas, como a malária, o que faz aumentar bastante a quantidade do pigmento na circulação, sem que o fígado possa dar conta do volume de trabalho.  Por fim, a bilirrubina, após ser metabolizada, pode não encontrar o caminho livre nas vias biliares, rumo ao intestino. Isso ocorre no cálculo biliar, ou pedra na vesícula, em tumores ou estreitamentos nessa região, bem como na colangite biliar primária, uma doença autoimune na qual o organismo produz autoanticorpos que inflamam e obstruem as vias biliares.  O fato é que, em todas essas condições, o pigmento não consegue sair e acaba se acumulando na pele, nas mucosas e nos olhos.    O que há por trás do amarelo da icterícia Por ser um sinal clínico aparente, a presença de icterícia pode levar naturalmente a uma consulta médica, em especial se estiver acompanhada de outras manifestações ligadas ao aumento de bilirrubina, como urina escura, fezes esbranquiçadas e coceira, que muitas vezes chamam mais a atenção do paciente que o tom da pele.  A história clínica já fornece ao médico pistas para ele suspeitar de alguma das doenças que causam icterícia, mas a investigação inicial não prescinde de exames de sangue para medir a quantidade de bilirrubina e de glóbulos vermelhos, bem como para avaliar a função hepática. A partir dos resultados, outros testes geralmente são necessários para o diagnóstico. A elevação de determinadas enzimas do fígado, por exemplo, pode sugerir inflamação e levar o médico a pesquisar as hepatites virais.  O tratamento visa a combater a causa da icterícia que, uma vez removida, termina de vez com a manifestação amarelada. Contudo, os especialistas também recomendam outras medidas de proteção, como o aumento da hidratação corporal, a restrição de alimentos gordurosos e o uso de anti-histamínicos para combater a coceira.   Ficar amarelo não é normal. Ainda que não sinta nada, procure esclarecimento médico. Meu bebê está com icterícia. E agora? A icterícia neonatal costuma surgir em até 60% dos bebês, em geral no terceiro dia de vida, sendo detectada pelo exame clínico e confirmada pela dosagem de bilirrubina no sangue. Mas, na grande maioria das vezes, decorre de uma imaturidade da função do fígado, que não consegue dar conta de metabolizar o pigmento – por isso mesmo, recebe o nome de icterícia fisiológica (função habitual do organismo). A condição não costuma preocupar, mas precisa de controle para evitar complicações, o que é feito com fototerapia ainda na maternidade. Quando não fisiológica, pode derivar de incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, síndromes genéticas, obstruções nas vias biliares, anemias hemolíticas e infecções por vírus e bactérias, entre outras causas pouco frequentes nesse grupo.

22/07/2019
Prevenção

Como vai a sua tiroide?

Para algumas pessoas, pode ser mesmo um pouco difícil responder a essa pergunta sem uma busca prévia na internet, uma vez que nem todo mundo sabe que possui essa glândula pequena, em formato de borboleta, logo abaixo da faringe. A falta de intimidade com a tiroide (ou tireoide) ocorre justamente porque ela trabalha em silêncio, produzindo os hormônios tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4), cuja função é regular o metabolismo, ou seja, a forma como o corpo armazena e gasta energia, o que garante o equilíbrio de todos os sistemas do corpo.   Essa harmonia, no entanto, pode ser interrompida por algum problema de funcionamento da glândula, seja porque ela passa a produzir menos hormônios, situação conhecida como hipotireoidismo, seja porque seja ela passa a trabalhar em excesso, fabricando mais hormônios do que o necessário, caso do hipertireoidismo. Nos dois casos, extremos, o organismo se ressente de várias formas. Afinal, os hormônios tireoidianos agem nos órgãos vitais e participam de diversos processos orgânicos, como a fertilidade, os ciclos menstruais, o crescimento – no caso de crianças e adolescentes –, a capacidade de concentração, as oscilações de humor e a manutenção da memória, entre outros.   Hormônios em baixa no hipotireoidismo Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o hipotiroidismo é a disfunção de tireoide mais comum, afetando com maior frequência as mulheres após a sexta década de vida, em especial aquelas com histórico familiar da condição. Tem, como causa principal, a doença de Hashimoto, uma afecção autoimune em que o organismo produz autoanticorpos que atacam a glândula, inflamando-a, às vezes com aumento de seu volume, e reduzindo sua atividade. O problema também pode ser ocasionado por tratamento anterior de qualquer órgão com iodo radioativo, que destrói as células da tireoide, e por cirurgia local – para remover um nódulo, por exemplo. Nessa situação de insuficiência de hormônios tireoidianos, tudo fica mais lento no organismo, como se o combustível estivesse no fim. Dessa forma, os sintomas podem incluir, além da lentidão característica, cansaço excessivo, sensação de frio, prisão de ventre, irregularidade menstrual, depressão, insônia, redução da memória, batimentos cardíacos diminuídos e dores musculares e articulares, entre outros. Além disso, usualmente há pequeno aumento de peso, assim como elevação dos níveis de colesterol na circulação. O hipotiroidismo é tratado com a reposição do T4, feita com o uso diário do hormônio sintético, a levotiroxina, na dose apropriada para cada pessoa, o que varia bastante de indivíduo para indivíduo, podendo ter ajustes periodicamente e sempre necessitando de acompanhamento do endocrinologista com exames laboratoriais.  Os especialistas avisam que a falta de tratamento empobrece o desempenho físico e mental e favorece o surgimento de doenças cardíacas. Nas gestantes, a disfunção merece atenção dobrada, já que o problema da mãe pode gerar prejuízos ao desenvolvimento do feto. Portanto, o funcionamento adequado da tireoide precisa ser garantido no período gestacional.  Vale lembrar que, ao nascimento, os bebês também são testados para o hipotireoidismo congênito por meio do teste do pezinho, que permite o diagnóstico e o tratamento precoce da condição, uma providência essencial porque a deficiência de hormônios tireoidianos compromete o desenvolvimento neurológico da criança.   Hormônios em excesso no hipertireoidismo Na outra ponta, o hipertireoidismo produz manifestações relacionadas à produção hormonal excessiva por uma tireoide hiperativa – e, portanto, contrárias ao hipotireoidismo. O coração bate muito rápido e de modo irregular, o intestino funciona demais, a pessoa parece estar com duas baterias carregadas, falando e gesticulando muito. Há ainda queixas de calor, aumento da transpiração, tremor nas mãos, irritação nos olhos, irritabilidade, ansiedade, fadiga e perda de peso. A infertilidade também pode ser causada por esse quadro. Contudo, pessoas com aumentos pouco significativos dos hormônios tireoidianos, assim como idosos, podem não ter absolutamente nenhum sintoma. A causa principal do hipertireoidismo é igualmente um problema autoimune, a doença de Graves, uma enfermidade crônica na qual autoanticorpos atacam a glândula e promovem seu aumento, o que leva a uma produção hormonal acima do normal. Em menor proporção, inflamações e nódulos podem dar origem à condição. O tratamento dessa disfunção depende do que a causou, do estado de saúde e da idade do paciente e, claro, do grau dos sintomas. O endocrinologista escolhe a estratégia terapêutica com cuidado, de forma personalizada para o paciente, entre as quais se encontram medicamentos antitireoidianos, que reduzem a quantidade de hormônio, fármacos betabloqueadores, que controlam a taquicardia, e medidas mais impactantes, como a remoção da tireoide por cirurgia ou a aplicação de iodo radioativo – ambas gerando um consequente hipotiroidismo, com necessidade posterior de reposição diária do T4 com levotiroxina.  As disfunções da tireoide são democráticas. Aparecem em qualquer faixa etária, em ambos os sexos, sem que possam contar com medidas de prevenção primária, como ocorre com doenças cardiovasculares. O fato é que, como os sintomas desses distúrbios são inespecíficos, recomenda-se visitar um médico regularmente, fazer exames que medem a atividade da tireoide e, assim, possibilitar o diagnóstico precoce, antes que a condição detectada possa acarretar mais desconforto ou um problema de saúde maior.    Para conhecer a função da tireoide O trabalho da tireoide é controlado pela hipófise, glândula que também faz parte do sistema endócrino e que produz o hormônio estimulante da tireoide (TSH), que, como sugere o nome, a induz a produzir T4 e T3. Assim, o diagnóstico do hipertireoidismo e do hipotireoidismo só depende da dosagem laboratorial desses hormônios no sangue. Na prática clínica, porém, basta conhecer os níveis de TSH e T4 para chegar a um veredicto. Um resultado de TSH alto com T4 baixo indica hipotiroidismo – a tiroide se encontra estimulada, mas, por ter adoecido, não consegue produzir hormônio a contento. Já um resultado de TSH baixo com T4 alto aponta hipertiroidismo – a glândula nem está estimulada, mas, mesmo assim, há hormônio em excesso devido a um processo patológico. Esses exames servem, da mesma forma, para acompanhar o tratamento e para ajustar a dose de levotiroxina. É claro que, para a busca das causas de cada quadro, há necessidade de outros testes, inclusive alguns até de imagem, mas as dosagens de TSH e T4 configuram-se como a base para a detecção das disfunções tireoidianas.

22/07/2019
Prevenção

Acidentes de trabalho, um problema de saúde e da sociedade

Numa sequência clássica do filme de Charles Chaplin, Tempos Modernos, o personagem Carlitos começa a apertar parafusos freneticamente e é tragado pela máquina de produção. Uma brincadeira e, ao mesmo tempo, uma crítica que, ainda hoje, diz muito sobre a relação do homem com o trabalho desde o advento da Revolução Industrial. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,3 milhões pessoas morrem e mais de 300 milhões se ferem a cada ano em todo o globo em decorrência de acidentes de trabalho, que incluem não só o incidente típico, com ferimentos de graus variados, como também a doença profissional e a doença do trabalho, sendo a primeira ligada à profissão, como o professor que desenvolve bursite no ombro por passar anos a fio escrevendo na lousa, e a segunda, ao ambiente em que se realiza o trabalho, como o operário que perde a audição por causa da exposição constante a ruídos na linha de produção em que atuava.  Essas ocorrências, além de desequilibrarem tantas famílias, com vidas interrompidas, sequelas físicas irreversíveis e danos à integridade física e até mental dos trabalhadores, ainda têm um custo bastante alto para a sociedade, da ordem de 4% do PIB mundial, de acordo com a OIT, somando dias perdidos de trabalho, pagamento de pensões e gastos com tratamento, reabilitação e reintegração dos acidentados.   Brasil, o quarto em ocorrências de acidentes de trabalho Infelizmente o Brasil ocupa a quarta colocação no ranking dos países que mais registram acidentes de trabalho, posicionando-se atrás apenas da China, da Índia e da Indonésia. Conforme dados do Anuário Estatístico da Previdência Social, entre 2012 e 2016, 3,5 milhões de brasileiros se acidentaram em território nacional durante a execução de sua atividade laboral ou em consequência dela, o que resulta numa média de 700 mil casos por ano.  Esse montante inclui acidentes graves, como fraturas e lacerações, exposições a material biológico e intoxicações, assim como as doenças ocupacionais, a exemplo de lesões por esforços repetitivos/doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, conhecidas pela sigla LER/DORT, perdas auditivas, dermatoses, pneumoconioses e o chamado câncer ocupacional. Sem contar os acidentes de percurso, que ocorrem da residência para o local de trabalho e vice-versa, qualquer que seja o veículo usado para o deslocamento do trabalhador. E, lamentavelmente, há os casos fatais. De janeiro de 2017 a fevereiro de 2018, o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho registrou 2.351 mortes com essa causa.  De acordo com os especialistas, os números aqui descritos representam só a ponta do iceberg, já que muitos casos não são notificados, e se devem a práticas pobres de segurança no trabalho e falta de equipamentos proteção individual, do lado das empresas, bem como a descuido e exaustão, do lado do trabalhador.  No Brasil, existe uma cultura de que o acidentado deixa de ser um problema do empregador para se tornar um problema previdenciário. Contudo, a responsabilidade é de todos, do Poder Público, de patrões e de empregados, na medida em que o acidente ou a doença ocupacional, como se já não bastasse tirar do indivíduo seu bem-estar e sua saúde, geram custos que todo contribuinte paga e que poderiam estar sendo investidos em outros benefícios para a sociedade. Entre 2012 e 2017, a hoje tão discutida Previdência Social desembolsou R$ 26,2 bilhões com o pagamento de auxílios-doença e auxílios-acidente, aposentadorias por invalidez e pensões por óbitos de trabalhadores.  Por tudo isso, não fique numa situação de vulnerabilidade. Previna-se no dia a dia de trabalho, cobre providências de superiores e conte com seu médico se tiver alguma queixa ou exposição a risco que estejam relacionados à atividade profissional que realiza.   Ajude a evitar acidentes de trabalho Para quem é empregado: Cobre e utilize equipamentos de proteção individual, tais como luvas, óculos, capacetes, protetores auriculares e outros. Fique atento à necessidade de substituição desses itens. Redobre a atenção ao realizar qualquer atividade de risco dentro de seu escopo de trabalho. Procure fazer treinamentos de segurança com frequência. Caso não estejam disponíveis na empresa, repasse as normas com superiores. Tente encontrar e corrigir pontos de risco dentro do ambiente de trabalho, desde um piso escorregadio até uma falha em uma máquina. Peça a ajuda de um técnico caso não saiba manusear uma máquina ou equipamento. Faça pausas em sua atividade ocupacional, especialmente se realiza movimentos repetitivos.  No escritório, certifique-se da perfeita adaptação de seu corpo ao mobiliário e ao posto de trabalho. Do contrário, solicite orientação de equipe de saúde e segurança. Se opera máquinas e dirige automóveis como parte de sua função, procure dormir bem e avise colegas e superiores se sentir que não está em plenas condições para exercer sua atividade. Caso dirija para ir e voltar do trabalho, faça-o com atenção e obedeça às leis de trânsito. Deixe o carro na garagem se estiver muito cansado.   Para quem emprega: Crie uma política de segurança, disponibilizando a seus empregados um documento com regras claras para evitar acidentes, bem como instruções em caso de ocorrência. As normas devem ser tanto mais rígidas quanto mais perigosa for a atividade da empresa. Mantenha um gestor exclusivo – como um gerente de segurança no trabalho – para verificar se as regras estão sendo cumpridas e estabeleça uma cultura de segurança na empresa. Identifique e corrija possíveis riscos de acidentes, envolvendo seus funcionários nesse trabalho, e mantenha ferramentas por perto para eliminar rapidamente eventuais problemas, se necessário for. Promova treinamentos de segurança regularmente, incluindo aqueles voltados para o combate a incêndios, de forma que as pessoas conheçam bem as rotas de fuga e identifiquem quem pode liderá-las nessas situações – os brigadistas. Mantenha sempre um kit de primeiros socorros num local de fácil acesso para evitar que os ferimentos em acidentados se agravem. Quantifique e analise cada acidente, avaliando o que poderia ter sido feito para evitá-lo e traçando um plano de prevenção. Identifique possíveis perigos no ambiente de trabalho com placas de sinalização, por exemplo.   Certifique-se de que todas as áreas da empresa tenham boa luminosidade, inclusive o escritório, e invista em mobiliário ergonômico.  

15/07/2019
Prevenção

Anemia falciforme

Quando o problema está na forma da célula sanguínea Uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil, a anemia falciforme caracteriza-se por uma alteração nos glóbulos vermelhos do sangue, que, devido a um defeito genético, a hemoglobina (proteína que transporta oxigênio pela circulação), adquire o formato de foice, ou meia-lua, em lugar da forma tradicional, arredondada. As células falciformes, ao contrário das normais, são pouco flexíveis e não conseguem passar adequadamente pelos vasos sanguíneos menores, obstruindo-os em diferentes órgãos do corpo. Além de causar anemia desde o nascimento, por conta da má distribuição de oxigênio ao organismo pela hemoglobina defeituosa – a hemoglobina S –, a doença provoca icterícia, aquele aspecto amarelado da pele e dos olhos, devido à morte precoce das células sanguíneas, e dores em ossos, músculos e articulações, decorrentes da oclusão dos vasos, também chamadas de crises de falcização. Como se não bastasse, essas crises são ainda precipitadas por exposição a temperaturas frias e pela desidratação, já que o portador da condição costuma perder mais água que o normal porque não consegue concentrar a urina.  A vulnerabilidade a infecções é outra característica da anemia falciforme. Ocorre que a destruição dos vasos afeta brutalmente o baço, importante órgão produtor de anticorpos e de linfócitos, e vai minando sua função, o que abre espaço para os invasores proliferarem. Por isso, o surgimento de febre configura um sinal de alerta, especialmente nos pequenos, uma vez que as infecções são a principal causa de morte em crianças com a condição. O entupimento dos capilares, veias e artérias pelas células falciformes ainda pode ocasionar complicações graves, como infarto agudo do miocárdio, doença renal crônica, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral, além de impactar outros órgãos.   Diagnóstico precoce da anemia falciforme previne complicações O quadro clínico da anemia falciforme já aparece no primeiro ano de vida, como a suscetibilidade a infecções, em virtude do mau funcionamento do baço, o que justifica sua pesquisa logo ao nascimento. Não por acaso, a doença é rastreada em todos os recém-nascidos em território nacional pelo teste do pezinho. Havendo alteração nessa triagem, a família é reconvocada para a realização de um exame de sangue confirmatório no bebê, denominado eletroforese de hemoglobina. Uma vez feito o diagnóstico, o portador precisa receber uma série de cuidados para reduzir as consequências da anemia, as crises de dor e a suscetibilidade a infecções. Na prática, isso inclui boa nutrição, não só com alimentação, mas com suplementação de ácido fólico, para controle da anemia, uso de antibióticos, tanto para prevenir quanto para tratar infecções, manutenção de hidratação adequada e proteção contra temperaturas adversas. O tratamento ainda pode exigir outras medidas, conforme a evolução do quadro em cada paciente, a exemplo de transfusões regulares de sangue. A cura depende de transplante alogênico de medula óssea. A dificuldade, no entanto, é encontrar um doador compatível e garantir que o paciente esteja em boas condições de saúde para realizar o procedimento. No futuro, acredita-se que a terapia gênica possa trazer boas perspectivas para esse grupo, visto que a doença deriva de uma mutação genética que causa o defeito na hemoglobina. Para ser portador dessa falha, é necessário ter herdado o gene alterado da mãe e do pai. Se apenas um dos genitores transmitir a alteração, a pessoa terá o traço falciforme, passando-o a seus descendentes, mas não manifestará a condição. A anemia falciforme é considerada um problema de saúde pública no mundo, justamente por afetar os países mais pobres. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 300 mil crianças ao redor do globo nascem com a doença a cada ano, a maior parte na África Subsaariana. No Brasil, com base nos dados do teste do pezinho, o Ministério da Saúde calcula uma incidência anual de 3.500 casos novos, sobretudo na Bahia, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Ao fazer seu planejamento familiar, converse com seu médico sobre a possibilidade de rastrear essa e outras doenças genéticas antes mesmo da concepção.  

15/07/2019
Prevenção

Você sabe a diferença entre gripe e resfriado?

Diante de qualquer manifestação envolvendo as vias respiratórias, não raro as pessoas logo relatam que estão gripadas. Quem nunca? Mas, muito embora possam ter manifestações semelhantes, como febre, tosse e dor no corpo, gripes e resfriados guardam diferenças quanto ao quadro clínico e à gravidade.  Os resfriados são causados por mais de 200 vírus diferentes, em especial da família do rinovírus. Iniciam-se lentamente, com os sintomas aparecendo de forma gradativa, e costumam se resolver de modo rápido, necessitando apenas de medicamentos para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. O próprio organismo dá cabo da infecção ao fim de alguns dias, desenvolvendo defesas para combater o vírus.  Nas pessoas mais vulneráveis, evidentemente, podem ocorrer complicações. Bebês, quando infectados pelo vírus sincicial respiratório, por exemplo, têm risco de evoluir para bronquiolite, uma inflamação nos bronquíolos que exige acompanhamento médico bem próximo.   Gripe inspira maior cuidado Já a gripe provém da ação do vírus influenza, que possui três tipos: o A, com dois subtipos em circulação atualmente, segundo o Ministério da Saúde, sendo um deles o H1N1, o causador da gripe suína, além do B e do C. Começa com uma febre alta, repentina, acompanhada de tosse seca e mal-estar geral.  Embora também possa ser debelada pelo sistema imunológico, devido à agressividade do quadro e ao risco de progressão para a síndrome respiratória aguda grave, não é incomum a prescrição de antivirais para o tratamento dos pacientes – aí sim – gripados, de preferência nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Nesses casos, precisa haver previamente o diagnóstico de infecção pelo influenza. Para tanto, hoje existem testes rápidos, feitos por métodos de biologia molecular, que conseguem dar essa resposta em poucas horas.   Como prevenir a gripe  Não custa lembrar que a gripe pode ser prevenida por vacina, que precisa ser aplicada uma vez por ano porque as cepas do vírus em circulação se modificam a cada temporada. Anualmente, no mês de setembro, a Organização Mundial da Saúde recomenda as cepas que devem ser utilizadas na fabricação dos imunizantes para o próximo ano no Hemisfério Sul.  Os resfriados não contam com esse recurso, mas o número de episódios pode ser diminuído com algumas medidas, como lavar as mãos com frequência, alimentar-se bem, manter uma hidratação adequada do corpo, ter um sono reparador e evitar locais fechados no frio, nos quais os agentes infecciosos são transmitidos com mais facilidade, entre outras providências.

08/07/2019
Alimentação

Alergia alimentar: conheça causas e sintomas

É muito frequente encontrar pessoas alérgicas, já que pelo menos 30% da população brasileira apresenta algum tipo de alergia, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). A doença consiste na resposta exagerada do sistema de defesa a um alérgeno, seja ele a poeira doméstica ou os polens, nos casos de alergia respiratória, seja a proteína de determinado alimento, no caso de alergia alimentar. Afetando 6-8% das crianças e 2-3% dos adultos, de acordo com a Asbai, a alergia alimentar é uma reação adversa que ocorre depois da ingestão de determinados alimentos ou aditivos alimentares. Pode desencadear manifestações na pele, no sistema respiratório e no sistema digestório ou, ainda, envolver vários órgãos, culminando no que se chama de reação anafilática, uma condição grave, que precisa ser revertida imediatamente.  Todo alimento tem potencial de causar alergia, porém os mais envolvidos com esses quadros são o leite de vaca, o ovo, a soja, os crustáceos, o trigo e os peixes. Além disso, há possibilidade de reações cruzadas. Quem sabidamente é alérgico a camarão pode não tolerar mariscos, ostras e afins. Do mesmo modo, a sensibilidade ao amendoim não raro se estende a grãos como soja, ervilha e feijões.  A reação adversa a conservantes, corantes e outros aditivos alimentares ocorre mais raramente, mas deve ser valorizada. Entre os agentes mais comuns desse grupo, vale destacar o corante tartrazina, usado em sucos artificiais, gelatinas e balas, assim como o glutamato monossódico, que entra em alimentos salgados, a exemplo de temperos, e os sulfitos, que conservam frutas desidratadas, vinhos e sucos, além de serem adicionados a alguns medicamentos.   A reação alérgica ocorre sempre logo depois de ingerir o alimento? O diagnóstico costuma ser feito pelo alergista por meio de um completo detalhamento da história do paciente, que inclui o relato dos alimentos ingeridos de forma rotineira e eventual para que o médico possa associar sintomas à ingestão, bem como do exame físico. Nas crianças, os casos envolvem principalmente leite e ovo, enquanto, nos adultos, o camarão é o maior implicado. De qualquer forma, nem sempre as reações ocorrem logo após o consumo, o que dificulta a identificação da doença. Para ajudar a esclarecer o quadro, o especialista pode pedir testes alérgicos cutâneos e exames de sangue. O tratamento consiste no uso de anti-histamínicos para controlar os sintomas e na retirada, da dieta, do alimento que provoca alergia, sempre com o cuidado de substituí-lo adequadamente para evitar deficiências nutricionais – o que é crucial em crianças para evitar prejuízos a seu pleno desenvolvimento. O paciente e os familiares são orientados para que evitem novos contatos com o agente causador da alergia e para que se habituem a ler rótulos em busca da presença do alimento e de nomes associados, como, ainda no caso do leite, manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato.  Essa missão foi simplificada com a resolução RDC 26/2015, da Anvisa, que determina que os fabricantes informem, no rótulo dos produtos, a existência de até 17 alimentos potencialmente causadores de alergia. A mesma norma também exige que os rótulos exibam avisos de que podem conter traços desses alimentos. Isso porque há industrializados que, mesmo sem ter nenhum deles, são fabricados em máquinas que processam produtos que levam efetivamente tais itens em sua composição. Um biscoito feito com água, farinha e sal, por exemplo, pode ser produzido no mesmo maquinário que um outro, composto de ovos e leite, tendo, portanto, possibilidade de contaminação cruzada.     O que fazer quando a alergia ocorre por exposição acidental? Apesar dos cuidados, excluir totalmente um item da dieta não é missão fácil e a exposição acidental acaba acontecendo com muita frequência, de acordo com os especialistas. Nesses casos, as reações leves podem ser controladas com os anti-histamínicos ou até desaparecerem espontaneamente. Contudo, para o grupo com histórico de reações mais graves, recomenda-se até andar com medicamentos próprios para a reversão dos sintomas – um autoinjetor de adrenalina. Mesmo assim, essas pessoas devem ser encaminhadas para um serviço médico após a exposição porque há risco de uma segunda reação tardia. Felizmente, o prognóstico costuma ser bom na alergia alimentar. Segundo a Asbai, cerca de 85% das crianças deixam de reagir à maioria dos alimentos que lhes causa alergia entre os 3 e os 5 anos, sobretudo ovos, leite, trigo e soja, que, afinal, estão nos produtos industrializados e nos cardápios mais comuns. Para tanto, o especialista vai fazendo a reintrodução gradual do alimento. Já a sensibilidade a amendoim, nozes, crustáceos e peixe costuma permanecer pela vida toda.   Como prevenir a alergia alimentar na primeira infância? Por se tratar de uma doença que afeta crianças, parece razoável identificar quem pode ter esse quadro, em especial na primeira infância, quando o leite de vaca responde por grande parte da dieta. Mas, na prática, a preocupação deve existir justamente em famílias de alérgicos, já que, segundo a Asbai, de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar têm parentes com o mesmo problema. Além disso, se tanto o pai quanto a mãe apresentarem qualquer tipo de condição alérgica, a chance de gerarem um filho com alergia alimentar chega a 75%. Nesse grupo, portanto, os especialistas estimulam ainda mais o aleitamento materno, assim como a introdução tardia dos alimentos mais associados a quadros de alergia: sólidos somente após o sexto mês de vida, leite de vaca após 1 ano de idade, ovos aos 2 anos e amendoim, nozes e peixes apenas depois dos 3 anos.    Se você suspeita de alguma ligação entre a ingestão de alimentos e reações adversas, procure um alergista para esclarecer o quadro. Conheça os sintomas da alergia alimentar Reações na pele: placas salientes na superfície do corpo (urticária), inchaço, coceira e inflamação cutânea (dermatite atópica). Reações gastrointestinais: diarreia, vômitos, dor no abdome e, nas crianças, perda de sangue nas fezes, com consequente anemia e atraso no crescimento. Reações respiratórias: tosse, chiado no peito e rouquidão. Raramente, pode haver obstrução nasal. Reação anafilática: coceira generalizada, inchaço, dificuldade respiratória, diarreia e vômitos, dor abdominal, aperto na garganta e no peito, queda da pressão arterial, descompasso dos batimentos cardíacos e incapacidade do sistema vascular de irrigar todos os tecidos do corpo (choque vascular).  

08/07/2019
Prevenção

A saúde dos olhos pede atenção

Estima-se que 80% da relação do ser humano com o mundo ocorra por meio da visão, segundo o Projeto Olhar Brasil, do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde. Apesar disso, muitas vezes só nos damos conta de importância desse sentido quando algo o prejudica. E isso não constitui um evento raro. De acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, 253 milhões de pessoas ao redor do mundo estão cegas ou apresentam grande dificuldade para enxergar. Felizmente, no entender da Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria desses casos pode ser evitada por meio de tratamentos ou de estratégias preventivas. A prevenção de doenças oculares requer alguns cuidados no dia a dia, a maior parte de fácil acesso, mas depende de visitas regulares ao oftalmologista, uma vez que os primeiros sinais de doenças que resultam em perda de visão, se não tratadas a tempo, só podem ser flagrados nessas consultas. Da mesma forma, esse especialista consegue identificar erros de refração, como a miopia e o astigmatismo, e fornecer o caminho para a correção de tais problemas – a prescrição de óculos de grau ou lentes de contato ou mesmo a cirurgia. Na prática, recomenda-se que a criança seja levada anualmente ao oftalmologista até os 8 anos de idade, especialmente por conta de erros refrativos que ela não consegue verbalizar e, que, não raro, podem estar por trás de uma dificuldade de aprendizado, por exemplo, ou de uma queixa constante de dor de cabeça. Dos 8 aos 40 anos de idade, o intervalo das consultas pode ser maior, de dois em dois anos ou conforme recomendação médica, desde que não haja sintomas nem histórico de doenças oculares na família.  Dos 40 anos em diante, no entanto, devem ser retomadas as avaliações oftalmológicas anuais. Nessa fase, com frequência surgem outras queixas, como a dificuldade de ler de perto, que caracteriza a presbiopia, corrigida geralmente com óculos para leitura. Ainda que não haja nada de diferente nos olhos, a partir dessa idade o oftalmologista precisa medir a pressão intraocular, para detectar e deter o avanço do glaucoma, e avaliar o estado das estruturas do fundo do olho, buscando diagnosticar precocemente doenças como a catarata, a degeneração macular e a retinopatia diabética, que, juntamente com o glaucoma, estão entre as principais causas de cegueira em adultos e idosos no Brasil. O fato é que a regularidade do check-up ocular pode prevenir e resolver, se não todas, a maioria das causas de cegueira e baixa acuidade visual. Assim sendo, não deixe de priorizar também essa necessidade na sua agenda de saúde e jamais se acostume com quaisquer queixas visuais, por mais corriqueiras que pareçam.  8 cuidados à vistaSe apenas o oftalmologista consegue observar alterações nos olhos que somos incapazes de perceber, no dia a dia há várias medidas que podemos adotar para a manutenção da saúde ocular:  Proteja seus olhos da exposição ao sol, que agrava a catarata e pode causar dano irreversível às células da retina. Para tanto, use óculos escuros com lentes que possuam fator de proteção contra raios ultravioleta, mesmo em dias nublados. Não pingue colírios nos olhos sem prescrição médica e, mesmo quando houver indicação, só aplique o medicamento pelo tempo recomendado pelo oftalmologista. Especialmente os que contêm corticoides podem elevar a pressão intraocular e dar origem ao glaucoma secundário. Opte por maquiagem hipoalergênica para a região dos olhos e, ainda assim, sempre a remova antes de dormir para não entupir os folículos pilosos, o que pode causar terçóis doloridos. Evite produtos cosméticos para a limpeza. Shampoo de bebê neutro e água dão conta do recado. Não coce os olhos. Esse hábito agrava os quadros de irritação e ainda pode levar à região agentes infecciosos que provocam não só doenças oculares, a exemplo de conjuntivites, como também nas vias aéreas – gripes e resfriados são um bom exemplo. Não tente remover qualquer corpo estranho dos olhos com pinças ou outros instrumentos pontiagudos, ainda que seja um prosaico cílio. Procure um oftalmologista em caráter de emergência. Se você trabalha com atividades que podem desprender partículas ou gotículas capazes de comprometer a saúde de seus olhos, use protetores oculares. Evite o diabetes. Tenha uma dieta saudável, pratique exercícios físicos regulares e mantenha-se no peso ideal para sua altura e gênero. Faça intervalos no uso de computador e de dispositivos móveis para descansar os olhos da luminosidade das telas. Sintomas de problemas na visão: quando procurar o oftalmologista Além de fazer as consultas de rotina, conforme sua faixa etária, sempre procure um oftalmologista na presença de:- Lacrimejamento durante ou após esforço visual;- Sensação de olho seco;- Secreção;- Olhos vermelhos;- Crosta nos cílios;- Necessidade de apertar ou mesmo de arregalar os olhos para enxergar;- Necessidade de se aproximar muito para ver e ler;- Necessidade de afastar o objeto ou texto para poder visualizá-lo;- Necessidade de inclinar a cabeça para ver e ler;- Visão embaçada;- Sensibilidade à luz;- Dores de cabeça;- Visão dupla;- Desvio ocular.

01/07/2019
Prevenção

Teste de pezinho

Mais do que um diagnóstico, a oportunidade de viver plenamente Além do teste de Apgar, no qual o recém-nascido é avaliado quanto a fatores como frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, prontidão reflexa e cor da pele, nas horas seguintes ao nascimento o bebê passa por outras avaliações, algumas obrigatórias, outras recomendadas. Entre as obrigatórias está a triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho. O exame consiste na coleta, em papel-filtro, de algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê entre o terceiro e o quinto dia de vida – tempo necessário para o organismo do pequeno já estar trabalhando sozinho. O objetivo é pesquisar doenças congênitas importantes, que causam prejuízo à saúde física e mental da criança, antes mesmo que ela possa apresentar sintomas, e permitir que os médicos possam intervir em tempo hábil.  Na rede pública, o teste está disponível gratuitamente desde 1992 e investiga seis doenças, as mais prevalentes na população de neonatos: o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, a fenilcetonúria, a hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase. A amostra é enviada para um serviço de referência nesse tipo de análise. Em São Paulo, vai para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), entidade que implementou o método no Brasil em 1976. Se houver alguma alteração na triagem, a família é reconvocada para que o bebê realize um exame específico para a condição suspeita, a fim de confirmá-la ou afastá-la. Uma vez fechado o diagnóstico, o pediatra consegue estabelecer a conduta rapidamente, o que, para as crianças, pode fazer toda a diferença entre um desenvolvimento normal e algum grau de atraso físico ou mental. Num caso de fenilcetonúria, por exemplo, a terapêutica consiste na adoção de uma dieta com baixo teor de fenilalanina, aminoácido presente em alimentos proteicos. As crianças que nascem com a doença acumulam essa substância e, sem a instituição da dieta alimentar antes dos 3 meses de vida, acabam apresentando atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, hiperatividade ou autismo, convulsões e problemas de pele. Ainda que o portador da condição precise passar a vida controlando o que ingere e recorrendo a fórmulas especiais, ter uma informação como essa logo ao nascer representa um benefício inestimável, que justifica a realização do rastreamento em todos os recém-nascidos.  Teste do pezinho ampliado: qual a diferença? É com esse raciocínio que a rede particular vem oferecendo, há algumas décadas, versões ampliadas do teste, que rastreiam de 10 a 53 condições graves ao nascimento, entre afecções metabólicas, congênitas e infecciosas. Recentemente, as triagens passaram a incluir ainda a pesquisa de alguns defeitos inatos da imunidade, denominados imunodeficiências primárias, que, em geral, apresentam um prognóstico muito ruim quando identificados tardiamente. Embora essas enfermidades sejam – felizmente – pouco frequentes, o diagnóstico e o tratamento precoce de qualquer uma delas muda o destino da criança, dando-lhe uma oportunidade de viver com saúde e quase sem limitações.  Caso faça planos de aumentar a família ou já esteja prestes a receber um herdeiro, não deixe de conversar com seu médico sobre as opções disponíveis de triagem neonatal. Quais são as doenças rastreadas pelo teste do pezinho? Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias: alterações anormais da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio no sangue, as quais dificultam a circulação e a devida oxigenação das células. Podem causar atraso no crescimento e infecções generalizadas. Exigem acompanhamento frequente de uma equipe multidisciplinar para a adoção de medidas terapêuticas conforme cada necessidade, como transfusões.  Deficiência de biotinidase: doença metabólica caracterizada por um defeito da enzima biotinidase, que responde pela absorção da biotina dos alimentos, vitamina presente em diversos alimentos da alimentação normal. Quando não corrigida, ocasiona distúrbios neurológicos e problemas de pele. Contudo, o tratamento é simples e se baseia no uso diário da biotina. Fenilcetonúria: deriva de um defeito na produção da enzima fenilalanina hidroxilase, que leva o portador a acumular o aminoácido fenilalanina. O diagnóstico precoce permite a instituição precoce da conduta, de modo que, ao deixar o aleitamento exclusivo, o bebê já receba uma fórmula com baixo teor de fenilalanina e, assim, não corra risco de comprometimento neurológico. Fibrose cística: doença genética que afeta o funcionamento das glândulas que produzem muco, suor e enzimas pancreáticas, tornando essas secreções mais espessas, com repercussões importantes para os pulmões, o pâncreas e o sistema digestório. O tratamento consiste no uso de medicamentos, em especial para reduzir as complicações pulmonares e garantir a absorção de nutrientes. Hipotireoidismo congênito: ocorre quando a glândula tireoide do bebê não produz adequadamente os hormônios tireoidianos, T3 e T4, o que, sem tratamento com reposição do hormônio sintético, a levotiroxina, determina danos neurológicos permanentes.  Hiperplasia adrenal congênita: alteração na glândula adrenal, decorrente de defeitos enzimáticos que causam a falta dos hormônios cortisol e aldosterona, fundamentais para o crescimento e o equilíbrio de minerais no organismo. A forma mais grave resulta na perda acentuada de sal, uma emergência em Pediatria. A condição é tratada com glicocorticoides, para resolver a falta de cortisol, e mineralocorticoides, para equilibrar os sais minerais.   

24/06/2019
Prevenção

Asma sob controle

Uma das doenças respiratórias mais comuns, a asma afeta 5% da população geral, segundo a Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia, e 10% das crianças. Caracteriza-se por uma reação inflamatória exagerada do organismo, que, quando exposto a um agente irritante, fecha os brônquios, cujas ramificações transportam o ar para os alvéolos pulmonares, onde ocorrem as trocas gasosas – a saída do gás carbônico e a entrada do oxigênio, que cai na circulação. Por isso, durante a crise, a inspiração e, sobretudo, a expiração ficam comprometidas, o que ocasiona falta de ar, chiado no peito, tosse seca e respiração rápida e curta. Essas manifestações pioram à noite, atrapalhando o sono, e nas primeiras horas da manhã, inclusive após atividades físicas ou do dia a dia. Esse sufoco, literalmente, decorre de uma combinação de fatores genéticos, ou seja, predisposição a alergias, herdada dos pais, com fatores ambientais, como exposição à poeira doméstica, a ácaros, a polens e a fungos, entre outros alérgenos, exposição a odores fortes, mudanças bruscas de temperatura e infecções causadas por vírus. Na prática, portanto, a criança já nasce com essa propensão e, ao entrar em contato com um ou mais desses estímulos, apresenta a primeira crise, que, apesar de poder ser controlada com medicamentos, acaba se repetindo sempre que a pessoa se vê diante dos mesmos gatilhos, em qualquer idade. O diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas, e pode contar com o apoio de algumas provas respiratórias, exceto nas crianças pequenas, a exemplo do teste de broncoprovocação, que quantifica a resposta do organismo diante de um estímulo, e da espirometria, que mede a função pulmonar, já que a doença pode acarretar alterações no funcionamento dos pulmões. Como a maioria dos casos tem origem alérgica, também podem ser realizadas dosagens sanguíneas ou testes cutâneos para a pesquisa dos alérgenos que desencadeiam crises. Muitos asmáticos não toleram pelos de animais, por exemplo, mas nem todos apresentam essa mesma sensibilidade. Medicamentos e educação para tratar a asma O tratamento da asma requer broncodilatadores para reduzir o reflexo da musculatura dos pulmões de contrair os brônquios, combinados a corticoides inalatórios para diminuir a inflamação, que, como se não bastasse, ainda produz muito muco para atrapalhar o caminho do ar até os alvéolos pulmonares. As conhecidas bombinhas hoje associam as duas categorias de medicamentos. As doses dos remédios costumam ser aumentadas nas crises e reduzidas quando visam apenas à manutenção da doença. Os especialistas preferem dizer que a asma não tem cura, mas controle. Dada a predisposição genética e a permanente exposição a agentes irritantes – por mais que alguns sejam evitados, quem mora nas grandes cidades, por exemplo, vai estar sempre exposto à poluição e à poeira –, a possibilidade de apresentar uma crise pode persistir ao longo da vida. Assim, é imperativo que o tratamento inclua medidas educativas e de gerenciamento dos fatores que agravam a doença para que o indivíduo viva bem com a asma e reduza a dependência dos medicamentos. Ademais, tanto familiares quanto o paciente precisam aprender a manejar as crises, de modo que possam identificar quando ela está chegando, tomar as providências necessárias antes que os sintomas se agravem e, caso estas não surtam os resultados esperados, procurar um serviço de emergência. Como em qualquer doença que afeta a respiração, um dos processos vitais para o organismo, não dá para perder tempo nesses casos. Mantenha sempre o acompanhamento médico e não hesite em buscar ajuda profissional se tiver qualquer dúvida no intervalo entre as consultas. Para evitar a chiadeira - Previna-se contra gripes e resfriados, lavando sempre as mãos com água e sabonete ou usando álcool gel 70%, mas especialmente ao ter contato com pessoas e superfícies contaminadas. Tome também a vacina anual contra o influenza, vírus causador da gripe, disponível na rede pública para quem tem asma.- Fique longe do cigarro e de quem fuma. Numa família de asmáticos, esse hábito é uma péssima ideia.- Mantenha o ambiente em que vive limpo e arejado, livre de poeira e ácaros. Recomenda-se dar cabo dos itens que acumulam muito pó, como cortinas e tapetes, especialmente no quarto de asmáticos. - Use colchões, travesseiros e cobertores antialérgicos. Na ausência deles, o bom e velho costume de expor essas peças ao sol diariamente ajuda a eliminar ácaros.- A possibilidade de ter um cachorro ou gato deve ser repensada. Além dos pelos, que podem servir como gatilho de crises, a descamação da pele, a saliva e a urina dos animais igualmente funcionam como agentes irritantes para portadores de asma.- Outros inalantes podem desencadear crises, como odores desprendidos de tinta e solventes, produtos de limpeza ou de higiene pessoal, perfumes, além de qualquer fumaça. Procure não ter contato com esses possíveis irritantes.- Evite mudanças bruscas de temperatura. Por exemplo, não saia do banho quente para a rua num dia frio, nem entre num ambiente super-refrigerado num dia tórrido de verão. - Agasalhe-se bem no frio e não respire pela boca quando estiver andando na rua. Respirar pelo nariz aquece o ar que chega aos pulmões.- Procure se exercitar todos os dias, sempre de forma moderada, com supervisão médica. Atividades que trabalham os músculos respiratórios, como a natação, são particularmente recomendadas.- Tome muito líquido, por volta de dois litros por dia, para ajudar a diluir a secreção brônquica e facilitar a saída desse muco.- Invista em uma alimentação saudável, com muitas fibras, que ajudam a controlar o peso e reduzir os processos inflamatórios no organismo, inclusive o que está por trás da asma. - Procure controlar a ansiedade e o pânico nos momentos de crise, pois esse estado pode exacerbar a reação de defesa da musculatura dos pulmões.   Quando procurar um pronto-socorro numa crise de asma Sintomas mais intensos que os habituais; Dificuldade em falar as frases de uma única vez; Uso inadequado dos inaladores devido à intensidade da falta de ar; Efeito muito curto da bombinha, com retorno rápido dos sintomas; Sensação de exaustão e falta de posição; Presença de unhas e lábios azulados (cianose).

21/06/2019
Prevenção

Prepare-se para as doenças típicas do inverno

A chegada daquele vento gelado de inverno coincide com a grande procura das pessoas pelos serviços de saúde, em busca de alívio para os sintomas das doenças típicas da estação, como coriza, tosse, espirros, febre, dor no corpo e mal-estar geral, entre outros, decorrentes de gripes, resfriados e alergias. A verdade é que não é fácil escapar de uma infecção respiratória ou mesmo de uma crise alérgica nos meses mais frios do ano. Claro que há explicações técnicas para esse fenômeno. A baixa umidade do ar entre junho e setembro, combinada a uma maior concentração de poluentes na atmosfera das grandes cidades, deixa as vias respiratórias mais secas e desprotegidas, especialmente o nariz e a garganta. Com menor capacidade de barrar visitantes indesejáveis, vírus e bactérias, além de agentes irritantes, como ácaros e fungos – terríveis para os alérgicos –, conseguem ingressar no sistema respiratório mais facilmente. Se já contam com uma porta de entrada mais acessível e pouco vigiada, os microrganismos causadores de doenças ganham reforço em seu time nessa época do ano, uma vez que o inverno leva as pessoas a se concentrarem mais em ambientes fechados, o que facilita a proliferação dos agentes infecciosos. Para ter uma ideia, um único espirro pode conter até 40 mil gotículas e sai do nariz a 45 metros por segundo, de acordo com um trabalho publicado no periódico científico Journal of the Royal Society Interface. Com essa potência, consegue contaminar um espaço fechado por até seis horas. Não por acaso, é tão comum pegar um resfriado numa sala de aula ou num vagão de metrô.   Variações de temperatura podem aumentar doenças no inverno Para completar, as mudanças bruscas de temperatura também levam as pessoas a contraírem mais doenças respiratórias. De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo que fizeram um estudo sobre essa relação, portadores de afecções alérgicas, como rinite e asma, sofrem mais diante da chegada súbita de uma frente fria depois de um dia relativamente quente. Para um asmático, por exemplo, é muito provável que essas variações climáticas repentinas signifiquem maior necessidade de uso de medicação e, não raro, de idas ao pronto-socorro por conta de crises não controladas. De qualquer modo, os mais afetados estão nos extremos etários, ou seja, crianças menores de 5 anos e idosos, por conta da fragilidade de seu sistema de defesa, o que faz com que mesmo os resfriados possam se transformar em problemas mais importantes, como sinusites e pneumonias. O fato é que, nesses grupos, não dá para esperar os sintomas desaparecerem só com repouso e medicamentos sintomáticos, notadamente quando há febre e tosse produtiva. Convém fazer uma consulta com um médico da confiança da família ou se dirigir ao pronto atendimento mais próximo. Dicas para se proteger das doenças de inverno Vacine-se anualmente contra a gripe. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade, independentemente da vulnerabilidade. Na rede pública, crianças de 6 meses a 5 anos, idosos, portadores de doenças crônicas e imunossuprimidos, entre outros grupos especiais, têm prioridade. Lave as mãos com água e sabão com frequência. Esse cuidado prosaico é vital para levar embora vírus que tenham sido transmitidos por pessoas ou superfícies contaminadas. Ingira bastante água para hidratar as vias aéreas, sempre em quantidade suficiente para deixar a urina amarelo-clara. Consuma alimentos ricos em vitamina C – frutas ácidas, couve e brócolis, além de produtos enriquecidos com esse nutriente. Lave as narinas diariamente com soro fisiológico. Coloque bacias e toalhas molhadas nos ambientes para torná-los mais úmidos. O umidificador de ar é uma opção, mas requer uma manutenção impecável. Sem boa limpeza, o aparelho pode acabar espalhando mais agentes infecciosos pela casa. Cuide bem de sua imunidade com uma alimentação saudável e um bom sono. Evite permanecer em lugares fechados em que haja muita gente. É mais saudável ir a um parque num dia frio ensolarado do que numa sessão de cinema lotada. Agasalhe-se bem ao sair de casa e cubra a boca e o nariz para aquecer o ar que vai entrar pelas vias respiratórias – aquele cachecol quentinho dá conta do recado. Mantenha a casa bem limpa e livre de poeira, especialmente os quartos onde as pessoas mais vulneráveis dormem. Não mande as crianças para a escola se tiverem febre e outros sintomas típicos de gripes e resfriados. Numa sala de aula fechada, o risco de contágio é muito alto. Caso esteja com sintomas, cubra sua tosse ou espirro com um lenço descartável ou mesmo com as mãos, lavando-as bem a seguir. Em caso de gripe por H1N1, pode ser recomendável usar máscara até que não exista mais possibilidade de transmissão do agente.

10/06/2019
Prevenção

Hemofilia: quando o sangue não coagula

Nos casos em que alguma parte do corpo sofre um ferimento e começa a sangrar, as proteínas – que são os elementos responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de todos os tecidos corporais – entram em ação para estancar o sangramento. Esse processo é chamado de coagulação. As pessoas portadoras de hemofilia, uma doença genética com a qual já se nasce, não possuem essas proteínas e, por isso, sangram mais do que o normal. Existem vários fatores da coagulação no sangue, que agem em uma sequência determinada para que, ao fim desta, o coágulo seja formado e o sangramento, interrompido. Em uma pessoa com hemofilia, um desses fatores não funciona e, portanto, o coágulo não se forma e o sangramento continua. Quando o fator VIII dessa sequência está faltando, temos a hemofilia A; se for o fator IX, a hemofilia B. Para o diagnóstico da doença, usam-se exames de sangue que medem justamente esses fatores de coagulação. Os sangramentos muitas vezes podem ser espontâneos ou decorrentes de traumas leves, externos, tais como cortes na pele e sangramentos na gengiva ou no nariz, ou internos, especialmente em articulações – as mais acometidas são joelho, tornozelo e cotovelo – e músculos, provocando inchaço, dor e dificuldade de movimento. Mais tardiamente, deformidades articulares podem ocorrer. É possível tratar a hemofilia O tratamento da doença, que, segundo a Federação Mundial de Hemofilia, afeta cerca de 12 mil pessoas no Brasil nos dias atuais, principalmente do sexo masculino, evoluiu bastante e se baseia na reposição dos fatores de coagulação com o uso de concentrados de origem plasmática, feitos com plasma humano purificado e inativo, ou de origem recombinante, produzidos em laboratório por biotecnologia. Ao utilizar a medicação, o hemofílico volta a ter todos os fatores de coagulação presentes, permitindo que o sangue coagule normalmente. Pessoas já diagnosticadas, que têm a forma mais leve da doença, podem fazer essa terapia por demanda, quando apresentam algum trauma ou quando sabem que vão se expor a algum risco. De forma geral, no entanto, quanto mais precocemente começam a terapia, menos os portadores apresentam sangramentos e suas sequelas – em especial as deformidades articulares –, sobretudo nas formas mais graves da enfermidade. A hemofilia pode ser leve, moderada ou grave. Alguns hemofílicos não possuem o fator coagulante em seu sangue. Outros têm algum, porém não o suficiente para fazer parar todas as hemorragias. Há hemofílicos que apresentam hemorragias todas as semanas, outros, todos os meses, e alguns, somente uma vez por ano. A frequência com que uma pessoa hemofílica tem hemorragias depende da quantidade de fator no sangue. Por conta disso, os especialistas preconizam a chamada profilaxia primária. Como a hemofilia pode ser diagnosticada muito cedo, já se indica a reposição diante do primeiro episódio de sangramento, se o quadro ficar confirmado, antes mesmo de haver uma segunda queixa. Para esses casos, incentiva-se que a família aprenda a fazer a infusão do concentrado na criança e que esta, à medida que vá crescendo, também se capacite no futuro, de forma que o núcleo familiar fique menos dependente do hemocentro. Assim, pacientes e seus familiares só precisam retirar mensalmente as doses diárias da medicação, que é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde, e mais algumas de reserva para emergências – acidentes acontecem e o ideal é que o portador de hemofilia esteja prevenido. Em caso de dúvida, procure um hematologista.   Atenção a sintomas da hemofilia em crianças Fique atento ao surgimento de muitas manchas roxas no bebê, quando ele começa a andar ou bate os membros no berço. Os hematomas podem ser indício de hemofilia. Se seu filho pequeno começar a ter sangramentos frequentes, muito maiores do que o tamanho do ferimento, procure assistência médica. Uma vez feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, estimule seu filho a levar uma vida normal, estudando e brincando como as demais crianças. Aliás, a prática de esportes é uma recomendação fundamental para os hemofílicos, a fim de fortalecer a musculatura. Só evite judô e futebol, pela possibilidade maior de traumas. Por fim, esteja ciente de que cada pessoa com hemofilia é um caso único e cada organismo reage de forma própria. Por exemplo: em dois jovens com hemofilia grave que praticam o mesmo esporte, da mesma forma, um pode ter hemorragia e o outro, não.

10/06/2019
Prevenção

Vacinar as crianças: proteção que vale para todos

Existe alguma razão para não vacinar a população infantil? Não há, segundo os especialistas, uma justificativa razoável para negar essa prevenção a uma criança saudável, já que os imunizantes ensinam o sistema imunológico a se defender naturalmente dos agentes patogênicos causadores de moléstias infectocontagiosas importantes. Assim, quando o organismo entra em contato com os patógenos, já tem uma memória imunológica que o permite produzir anticorpos para debelar o agente infeccioso. O fato é que a vacinação configura-se como uma estratégia preventiva altamente eficiente, além de evitar que a criança passe pelo sofrimento imposto pela doença, por mais benigna que ela seja – o que, convenhamos, não tem preço. Quem contraiu catapora na infância conhece bem o desconforto de ficar com o corpo coberto de vesículas que doem e coçam, além de deixarem cicatrizes. Do ponto de vista da saúde pública, prevenir sai muito mais barato que remediar. Surtos de doenças infectocontagiosas, num passado não muito distante, abarrotavam as alas pediátricas dos hospitais, onerando o sistema de saúde como um todo. Ademais, quanto mais gente vacinada contra essas enfermidades, menos pessoas são contaminadas mesmo entre aquelas que não foram imunizadas por qualquer motivo, dada a baixa circulação de vírus e bactérias. A proteção, embora pareça individual, estende-se a toda a comunidade. Por conta disso, os especialistas sustentam que não vacinar as crianças é uma negligência, que, ainda por cima, coloca em risco a população de uma determinada localidade, à medida que traz a possibilidade de reintrodução de doenças erradicadas, a exemplo do que ocorreu com o sarampo recentemente. A moléstia havia sido varrida do Brasil em 2016, mas acabou retornando por aqui por conta de um surto não controlado na Venezuela. O caso descortinou uma realidade preocupante: a cobertura vacinal contra essa e outras doenças imunopreveníveis estava baixa em nosso país e nos pegou desprevenidos. Mesmo com as iniciativas do Ministério da Saúde para imunizar as crianças, tivemos 10.374 casos de sarampo entre fevereiro de 2018 e fevereiro de 2019, boa parte em bebês de até 1 ano. De olho na carteirinha de vacinação O que já ocorreu, não tem remédio. Agora é correr para deter o crescimento dessa ameaça – que, no mundo todo, já registrou um crescimento de 300% só nos três primeiros meses de 2019, segundo dados da Organização Mundial de Saúde –, além de evitar que o problema se repita com outras enfermidades infectocontagiosas não erradicadas, como tétano, coqueluche e difteria, mas controladas graças ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Se, do lado das autoridades de saúde, isso se faz com a realização de campanhas e o constante incentivo à imunização, do lado do cidadão, basta seguir à risca o Calendário Nacional de Vacinação, conforme cada faixa etária. As vacinas oferecidas pelo programa estão disponíveis em Unidades Básicas de Saúde de todo o território nacional e são gratuitas. Preocupação com segurança na imunização Feitas com partículas de microrganismos, enfraquecidos ou inativados e, portanto, incapazes de provocar infecção, as vacinas mostram-se bastante seguras e passam por muitos testes antes de terem seu uso liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No Brasil, 96% das doses utilizadas pelo PNI são produzidas dentro do nosso próprio país por instituições reconhecidas por sua qualidade, como o Instituto Butantan (SP) e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (RJ). Os efeitos adversos podem ocorrer, mas geralmente se limitam a dor no local e febre, que cessam com analgésico e antitérmico, respectivamente. É importante assinalar que, na infância, a maioria dos imunizantes requer a aplicação de mais de uma dose e que a criança não fica protegida se receber apenas uma delas – algo que também foi observado na análise das justificativas para a baixa cobertura vacinal dos pequenos durante o surto de sarampo. Portanto, fique atento às demandas do Calendário Nacional de Vacinação e, o principal, não deixe de fazer o seguimento com o pediatra, especialmente nos primeiros anos de vida. Um dos objetivos das consultas de puericultura é também verificar se a criança está sendo vacinada corretamente. A vacina só perde o sentido quando a doença some do mapa Na década de 1950, a varíola figurava ainda como causa de internação e morte de adultos e crianças no Brasil, mas, graças à vacinação em massa, foi erradicada das Américas, em 1971, e do mundo, em 1977. Hoje nem precisamos imunizar as crianças contra essa doença. O Brasil deu cabo da poliomielite da mesma forma, usando a vacina Sabin, aquela administrada por via oral. O último caso foi registrado em 1990 em território nacional. Contudo, como a doença continua existindo em alguns países, a necessidade de imunização permanece, hoje com a fórmula injetável combinada ao reforço com a fórmula oral.  

03/06/2019
Prevenção

Todo o cuidado é pouco para evitar queimaduras

Abusou do sol? Respingou leite fervente nos braços? Foi atingido pelas chamas da churrasqueira? Esses incidentes, acredite, configuram um problema de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde estima que ocorram em torno de 1 milhão de casos de queimaduras a cada ano, dos quais 100 mil requerem atendimento hospitalar. Além disso, são registradas anualmente 2.500 pessoas mortes no País em decorrência de complicações desses acidentes, sobretudo infecções. O risco de infecção aumenta conforme a profundidade da queimadura, ou seja, de acordo com o número de camadas da pele atingidas, assim como dos tecidos subcutâneos e de outras estruturas acometidas, como terminações nervosas, vasos sanguíneos e até músculos e ossos. Acontece que, sem a proteção do maior órgão do corpo humano, a pele, o organismo fica muito suscetível à ação dos agentes infecciosos.   Não é só o fogo que provoca queimaduras Quando se trata de queimaduras, é natural que pensemos apenas em fontes de calor como causa, a exemplo do fogo, do sol e de superfícies e líquidos superaquecidos. Mas elas podem ser causadas também por produtos químicos, por agentes radioativos, por descargas elétricas e pelo contato com determinados animais e plantas – águas-vivas, por exemplo –, assim como por fontes de frio. Do ponto de vista da distribuição dessas ocorrências na população, as crianças representam 40% dos queimados no País, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). Entre as menores de 6 anos, os acidentes acontecem principalmente com líquidos quentes, inclusive água do banho, e entre as maiores, com substâncias inflamáveis, sobretudo o álcool líquido, usado para limpeza. Além de haver risco de vida quando a queimadura atinge 10% do corpo infantil, as lesões podem deixar cicatrizes e sequelas motoras que afetam o desenvolvimento social, intelectual e psicológico dos pequenos.   Prevenção dentro de casa Diferentemente de outros problemas de saúde pública, a prevenção das queimaduras depende bastante de cuidados de segurança básicos, sobretudo quando há crianças em jogo – curiosas por natureza, elas não sabem calcular os perigos existentes em cima do fogão ou na fiação, por exemplo. Mesmo porque, de acordo com dados da SBQ, 80% dos casos ocorrem dentro de casa. As providências domésticas, contudo, não isentam as autoridades de saúde do cumprimento de seu papel no sentido de educar a população para a prevenção e de estimular a criação de leis que possam reduzir os riscos à população. Afinal, o custo de remediar é mais alto para todos, pacientes e sistema de saúde. Para ter uma ideia, entre junho de 2013 e junho de 2014, o governo gastou cerca de R$ 44 milhões com 43,6 mil internações decorrentes de queimaduras em crianças e jovens de 0 a 24 anos de idade. Números superlativos que, em boa parte, podem ser evitados. Faça a sua parte. Cuidado para não se queimar   Fontes inflamáveis Troque o álcool líquido pelo álcool gel, que não só tem maior poder germicida, já que demora mais para evaporar das superfícies, como também oferece um risco muito reduzido de explosão. Mantenha o gás fora de casa, em local distante de qualquer fonte de calor, e feche o registro sempre que terminar de cozinhar. Fique atento para corrigir qualquer vazamento. Fontes de calor Não permita que as crianças fiquem na cozinha quando estiver usando o fogão. Deixe as panelas nas bocas de trás do fogão, mantendo seus cabos para trás ou para o lado, de modo de que os pequenos não possam puxá-los. Aliás, cuide da manutenção dos cabos das panelas, de modo que não se soltem e provoquem acidentes com líquidos ou preparados fumegantes. Não deixe fósforos e isqueiros ao alcance das crianças. Não espalhe velas pela casa e, caso realmente precise utilizar alguma chama, tire de perto qualquer tecido, como cortinas, toalhas e tapetes, e fique de olho. Jamais acenda a churrasqueira usando álcool e mantenha as crianças distantes da grelha e do fogo, assim como de fogueiras, em festas juninas. Por falar em festas juninas e comemorações, impeça que os pequenos soltem fogos de artifício ou fiquem próximos a locais de uso desses artefatos, que são causa frequente de queimaduras no mês de junho. Quando estiver passando roupa, tire as crianças de perto e mantenha o ferro em pé nos intervalos entre um movimento e outro. Teste a água do banho antes de colocar a criançada debaixo do chuveiro. Na banheira, coloque o antebraço, que é bastante sensível, ou use um termômetro próprio para essa finalidade. A temperatura deve ficar entre 36º e 37º C para não queimar a pele dos bebês. Use protetor solar e não se exponha ao sol nos períodos de maior incidência de raios ultravioleta, entre 10 e 16 horas. Não fume. Além de fazer mal à saúde, o cigarro causa incêndios. Fontes elétricas Oriente as crianças para que não soltem pipa em locais próximos a torres de energia, postes ou cabos de alta tensão nem tentem recuperar uma pipa que tenha ficado presa num fio elétrico.   Procure deixar os eletrônicos que não estejam sendo utilizados fora da tomada para evitar acidentes com crianças pequenas e animais. Use protetores de tomada e não deixe fios desencapados pela casa. Desligue imediatamente qualquer aparelho que soltar faísca e chame um eletricista.   Primeiros socorros em caso de queimaduras O que fazer? Remova a fonte causadora da queimadura. Lave a área atingida com água corrente até que esteja resfriada. Leve a vítima rapidamente para um serviço de saúde mais próximo do local do acidente. Caso seja preciso cobrir a área queimada durante o percurso até o pronto-socorro, use um pano limpo e úmido. Se não houver um local próximo, acione o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193). O que não fazer? Não coloque preparados caseiros nem pomadas sobre a área afetada, pois isso pode aumentar o risco de infecção. Não estoure as bolhas provocadas pela queimadura. Se houver roupas ou corpos estranhos grudados no ferimento, não tente removê-los. Procure retirar pulseiras, anéis e outros acessórios do indivíduo acidentado, uma vez que o corpo fica inchado após uma queimadura e esses itens podem ficar presos.  

27/05/2019
Alimentação

Como ter uma boa digestão

O aparelho digestório processa tudo aquilo que ingerimos a fim de obter nutrientes para a manutenção da saúde do organismo. Para garantir uma digestão adequada, e atingir esse precioso objetivo, o primeiro passo é manter uma dieta balanceada, com alimentos de alto valor nutricional, incluindo vegetais, frutas, cereais e proteínas mais magras, como peixe e frango, além de tomar, no mínimo, seis copos de água por dia – de preferência longe das refeições principais, para não dilatar o estômago e gerar uma falsa sensação de saciedade. Isso não quer dizer que alimentos ricos em gorduras e açúcares devam ser totalmente excluídos do cardápio. Tudo depende da frequência, do tamanho da porção e do momento. Encher o prato de feijoada naquela horinha curta que temos para almoçar e voltar para trabalhar pode ser um desafio para o sistema digestório. Vale escolher um dia em que haja mais tempo para comer, sempre em quantidade moderadas.   Dicas para evitar problemas de digestão Outra medida essencial é prestar muita atenção ao que se come e na forma de comer. O almoço, o jantar ou o desjejum não devem ser automáticos, com o olho no celular, na televisão ou na tela do laptop, ou até mesmo durante o trabalho, como tanta gente faz hoje em dia. A digestão depende muito de uma refeição feita paulatinamente, de 20 a 40 minutos, num ambiente tranquilo. Uma das razões dessa necessidade está no fato de o processo digestivo já começar na boca. Portanto, quem engole a comida muito rápido já sai perdendo logo no início do jogo. Ocorre que a mastigação aciona a produção de enzimas presentes na saliva, as amilases salivares, que servem para digerir parcialmente o amido – encontrado em carboidratos, como pão, macarrão e batata, entre outros. Ainda que essas enzimas não digiram outros grupos de alimentos, a mastigação ajuda a triturar os demais alimentos e a facilitar a próxima etapa do processo digestivo, quando o estômago libera a enzima pepsina para quebrar as moléculas de proteína. Assim sendo, mastigar mal um pedaço de carne, por exemplo, dificulta bastante o trabalho da pepsina e prolonga a lembrança daquele suculento bife do almoço. Como, na prática, poucas pessoas pensam em contar as mastigadas em busca da meta de 30 a 50 vezes, de acordo com o que recomendam os especialistas, uma dica para encompridar esse processo é pousar os talheres no prato cada vez que a comida for levada à boca. Isso não só aumenta o tempo entre uma garfada e outra, como também permite prestar mais atenção ao sabor daquilo que está sendo ingerido.   Nada de pular refeições Juntamente com a alimentação e a mastigação adequadas, a manutenção de uma boa digestão ainda depende do fracionamento de refeições: além das principais, em porções reduzidas, deve-se fazer mais três lanchinhos no intervalo entre elas, com frutas in natura ou sementes oleaginosas, como castanhas. Isso ajuda a evitar aquela sensação cortante de fome, que nos leva a comer mais rápido e em maior quantidade do que precisamos na próxima refeição. Deixar de comer no desjejum, no almoço ou no jantar também é um péssimo hábito para a saúde. Sem ingestão alimentar, o estômago continua produzindo suco gástrico, que pode agredir a mucosa e gerar problemas como a gastrite. Como se não bastasse, o organismo entende que vive um período de restrição alimentar e, para poupar energia, diminui o metabolismo. Ainda que sejam reduzidas, portanto, é sempre mais indicado fazer todas as refeições. Tomando esses cuidados, o objetivo de ter uma boa digestão fica ao alcance de todos. Contudo, na presença de azia, empachamento e outras manifestações gástricas, mesmo que discretas, não use antiácidos ou outros remédios, nem se habitue a esses sintomas. Procure a orientação de um gastroenterologista.   O que fazer para seu estômago não reclamar Não fume. Além de prejudicar vários sistemas orgânicos, o cigarro atrapalha a digestão e aumenta o risco de doenças gástricas. Álcool em excesso igualmente ocasiona esses efeitos. Portanto, não fume e beba ocasionalmente, com moderação. Lave as mãos antes de se alimentar e após evacuar para evitar a contaminação por vírus, bactérias e protozoários que podem afetar o estômago e o intestino. Não ande descalço em lugares cujas condições sanitárias sejam desconhecidas, já que vermes podem ingressar em seu corpo pelos pés. E verminoses também cursam com sintomas de má digestão. Não compartilhe escovas de dente, canudos, copos, gargalos, talheres, que podem transmitir, de uma pessoa para outra, agentes patogênicos potencialmente causadores de problemas gástricos. A saúde do sistema digestório exige que outras doenças crônicas que causam impactos ao estômago e/ou intestino estejam controladas, como o diabetes, o hipotireoidismo, a insuficiência cardíaca e infecções, entre outras. Valorize qualquer incômodo gastrointestinal, sobretudo se tiver parentes diagnosticados com câncer de estômago ou câncer de intestino. Não tome nenhum remédio por conta própria. Anti-inflamatórios costumam ser nocivos às paredes gástricas e, quando realmente necessários, somente um médico pode prescrevê-los e orientar a forma correta de ingeri-los. Reduza o estresse na medida do possível, melhore a qualidade do seu sono e saia do sedentarismo. O descontrole desses fatores favorece maus hábitos alimentares e o consequente surgimento de queixas gástricas.

27/05/2019
Prevenção

Tabagismo tem remédio. É possível parar de fumar

Que fique bem claro: o tabagismo é uma doença crônica, causada pela dependência da nicotina, presente nos produtos feitos com tabaco, dos quais o cigarro é o mais consumido. Portanto, desconfie daquela conversa de que a pessoa não para de fumar porque não quer. Os fumantes que se lançam a essa empreitada de fato sofrem um desconforto não só psicológico, como também físico, e precisam de uma ajuda concreta para que se mantenham firmes em seu intento. Ocorre que a nicotina, quando inalada, altera o sistema nervoso central, modificando o estado emocional e o comportamento do usuário. Esse efeito gera abuso e dependência, que se caracteriza por tolerância ao cigarro, crise de abstinência quando o maço acaba e compulsão para fumar o próximo, criando-se um padrão de uso, muito embora o fumante conheça os riscos do tabagismo à saúde. Que não são poucos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o cigarro mata 428 brasileiros por dia, sobretudo em decorrência de doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica e, claro, vários tipos de câncer, além de estar por trás de outras diversas enfermidades. Os dados econômicos também são sombrios, observa o Inca. Cerca de 56,9 bilhões de reais se perdem a cada ano por conta de despesas médicas e improdutividade, culminando num grande problema de saúde pública, mas que tem solução.   Como é feito o tratamento para o tabagismo A rede pública oferece a todo interessado em deixar o cigarro um tratamento composto por terapia cognitivo-comportamental durante um ano, feita de forma individual e em grupo, combinada ao uso da bupropiona, um antidepressivo para reduzir os sintomas da abstinência, e da chamada terapia de reposição de nicotina (TRN), com adesivos ou goma de mascar, para ajudar o organismo a se desacostumar dessa substância paulatinamente. Uma pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde, de 2013, revelou que esse tipo de abordagem contribui para a cessação do tabagismo em um em cada três fumantes. Outra opção terapêutica, bem mais recente e não disponível no Sistema Único de Saúde, é o uso da vareniclina, um medicamento que interfere no funcionamento dos receptores de nicotina no cérebro, reduzindo a satisfação obtida com as tragadas – isso mesmo, a pessoa perde o prazer de fumar – e, paralelamente, os sintomas de abstinência, à medida que o número de cigarros fumados diminui. Como esse fármaco tem uma ação mais exuberante no sistema nervoso central, os especialistas recomendam tratar inicialmente eventuais transtornos do humor, como a depressão, antes de optar por essa linha terapêutica. Vale ainda lembrar que, enquanto o tratamento com vareniclina começa algum tempo antes de o indivíduo parar de fumar, a associação de bupropiona com TRN exige a interrupção do tabagismo, já que a combinação de produtos para substituir a nicotina com o cigarro pode ser perigosa para o organismo.   Parar de fumar: uma ação em várias frentes Qualquer que seja a escolha, que pode até combinar os tratamentos, sempre de acordo com indicação médica, não dá para esperar milagre dos medicamentos usados na abordagem antitabagista. É o usuário que vence o vício, não a medicação. Por isso mesmo, o remédio deve ser associado a outras frentes, incluindo, além da terapia, atividade física, alimentação adequada, apoio da família e dos amigos e seguimento profissional de uma equipe multidisciplinar. Atualmente, os especialistas que mais manejam o tratamento do tabagismo são pneumologistas, cardiologistas e psiquiatras, mas nada impede que você procure um médico de sua confiança para começar a conversar sobre o assunto. Já é um primeiro passo.

20/05/2019
Prevenção

Saiba como prevenir os riscos do glaucoma

Quando você faz uma consulta médica, quase sempre o exame físico inclui a medida da pressão arterial. No oftalmologista, no entanto, a pressão que esse especialista verifica é a intraocular, aferida por meio de um exame denominado tonometria. Ocorre que uma pressão elevada no interior dos olhos já dá o alerta para a presença de glaucoma, doença que afeta 65 milhões de pessoas ao redor do globo, dentre as quais 1 milhão de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde, e é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Por trás do aumento da pressão está um desequilíbrio entre a produção de humor aquoso, líquido que existe no olho para lubrificar e nutrir a córnea e o cristalino, e o escoamento dessa substância. Esse problema de drenagem pode ser gerado por alterações na anatomia do próprio olho – a causa mais comum, responsável pelo chamado glaucoma de ângulo aberto –, por fatores hereditários, por infecções, por traumas e pelo uso indevido de medicamentos, em especial colírios com corticoides. Na prática, portanto, o acúmulo do humor aquoso nos olhos eleva a pressão intraocular, que, por sua vez, vai lesando lenta e silenciosamente o nervo óptico, estrutura que leva as informações visuais captadas pela retina para o cérebro decodificar e, assim, permitir a visão.     Atenção à pressão dos olhos   O grande problema do glaucoma é que, na maioria dos casos, não há sintomas no início da doença. As manifestações visuais surgem apenas quando o nervo óptico já está bastante comprometido. Contra isso, só funciona mesmo o rastreamento para a identificação precoce do glaucoma. Pessoas com mais de 35 anos ou com outros fatores de risco, como afrodescendência, história familiar da doença e diabetes, devem procurar um oftalmologista ao menos uma vez ao ano para a medida da pressão intraocular com a tonometria e o exame de fundo de olho, que pesquisa lesões nas células do nervo óptico. Caso seja feito o diagnóstico, o tratamento inicialmente requer colírios que ajudam a diminuir a produção de humor aquoso ou estimulam sua drenagem. Na forma mais comum do glaucoma, que é crônica, esses medicamentos precisam ser usados sem interrupção, mantendo-se, evidentemente, as visitas periódicas ao oftalmologista. O acompanhamento constante é indispensável porque os colírios podem parar de funcionar e a pressão intraocular, voltar a subir e lesar o nervo óptico. Em tais casos, o próximo passo é recorrer à cirurgia para a criação de um caminho alternativo para escoar o humor aquoso. Além da técnica convencional, chamada de trabeculectomia, e do procedimento a laser, menos invasivo, recentemente também tem sido usado um microimplante, que, colocado na área de filtração do olho, ajuda a restabelecer a drenagem do líquido. Tão importante quanto a necessidade de passar por uma consulta oftalmológica periódica é a adesão ao tratamento quando o diagnóstico for fechado. O uso dos colírios jamais pode ser abandonado por conta própria. A cirurgia ajuda a drenar o líquido, mas não corrige os estragos feitos ao nervo óptico. Antes de qualquer atitude, converse com um oftalmologista.

20/05/2019
Alimentação

Diabetes gestacional: diagnóstico, riscos, tratamento

Durante a gravidez, ocorrem diversas alterações hormonais que afetam o funcionamento do organismo da mulher. O metabolismo de carboidratos também se modifica nesse período e reduz a ação da insulina, hormônio encarregado de colocar dentro das células a energia proveniente dos alimentos. Na maioria das grávidas, o pâncreas consegue produzir mais dessa substância para compensar a redução. Contudo, numa parcela estimada pela Sociedade Brasileira de Diabetes em 3% a 25% das gestantes, sobra glicose na circulação, caracterizando o que se conhece por diabetes gestacional. O surgimento da condição, portanto, independe da vigência de diabetes antes da gravidez e pode acometer qualquer mulher, dizem os especialistas. Contudo, alguns fatores aumentam essa possibilidade, como ganho elevado de peso, sobrepeso ou mesmo obesidade na gestação em curso, idade acima de 35 anos, baixa estatura, parentes de primeiro grau diabéticos, crescimento fetal excessivo, pré-eclâmpsia, síndrome dos ovários policísticos e história de aborto espontâneo, malformações e diabetes gestacional em outras gestações. Sem diagnóstico e sem controle, essa forma de diabetes traz riscos para a mulher e para o bebê. A mãe adquire maior chance de se tornar diabética no futuro e de voltar a ter a condição em outra gravidez. Uma vez que a glicose em excesso na circulação atravessa a placenta, o bebê pode nascer com excesso de peso, o que já o predispõe à obesidade na adolescência e na vida adulta, e ainda apresentar complicações importantes ao nascimento, como a queda nos níveis de glicose, já que ele estava acostumado com índices elevados de açúcar no ambiente intrauterino, e dificuldades para passar pelo canal de parto devido ao encaixe do ombro fetal no osso púbico da mãe – a chamada distócia de ombro. Tais complicações, aliadas aos riscos trazidos por essa doença na vida adulta, levaram à criação de um consenso que prevê a investigação do diabetes gestacional já na primeira consulta de pré-natal, seja com um exame de sangue simples para verificar a taxa de glicose, seja com a curva glicêmica, teste em que se mede a glicemia em jejum e após a ingestão de uma solução de glicose, seja com ambos – depende do tempo de início do pré-natal. O fato é que esses testes permitem ao médico diagnosticar a condição ou mesmo saber se o excesso de glicose no sangue já ocorria previamente e, assim, adotar a conduta terapêutica mais adequada. Em geral, o diabetes gestacional pode ser controlado com uma alimentação balanceada e exercícios físicos, na maioria dos casos – aliás, as mesmas estratégias recomendadas para prevenir o diabetes na população geral. Se isso não bastar para manter a taxa de glicose em níveis seguros para a gestante e o bebê, o obstetra tem a opção de associar a tais medidas um tratamento medicamentoso. Faça a sua parte para evitar o diabetes na gestação no dia a dia e compareça assiduamente às consultas do pré-natal. Dicas para ficar longe do diabetes   Controle o ganho de peso, ingerindo, no máximo, de 200 a 300 calorias a mais que uma dieta normalmente recomendada, sobretudo no segundo e terceiro trimestres. Se você não tiver nenhuma contraindicação, pratique exercícios físicos regularmente, sempre com o aval de seu obstetra. Mantenha uma alimentação rica em fibras, que saciam e estabilizam os níveis de glicose no sangue. Elas estão presentes em vegetais, leguminosas (feijão, lentilha) e cereais integrais. Coma frutas ao natural. Como têm muita frutose, transformá-las em sucos ou cremes faz com que a energia desses alimentos seja absorvida muito rapidamente pelo organismo. Procure ingerir os carboidratos sempre com alguma proteína – torrada com queijo, cereal com leite e outras combinações assim – para retardar sua absorção.   Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes Ministério da Saúde

13/05/2019
Prevenção

Enfermagem: conheça mais sobre os mestres do cuidado

Antes, durante e depois da assistência médica, quem presta o cuidado em um serviço de saúde é o profissional de enfermagem, encarregando-se não apenas de executar a prescrição, seguindo os procedimentos técnicos e científicos, mas levando em conta as necessidades de cada paciente em particular. Assim, não se furta a repetir uma orientação quantas vezes forem necessárias para tranquilizar um indivíduo mais aflito, desdobra-se para obter a colaboração de uma criança num procedimento, vale-se de grande empatia num momento de dor e, claro, vibra junto com o paciente diante da melhora do quadro clínico. Além de participar de todas as etapas da assistência, o enfermeiro, assim como o técnico e o auxiliar de enfermagem, hoje está envolvido em muitas outras iniciativas que ajudam a promover saúde para a coletividade, como pesquisas, programas de prevenção, empreendedorismo, saúde ocupacional e atividades acadêmicas, só para citar algumas. O fato é que a atuação dos profissionais dessa área, que já são mais de 2 milhões no Brasil, segundo o Conselho Federal de Enfermagem, vem se ampliando cada vez mais, sem jamais deixar de lado a essência humana do cuidar, que tanta diferença faz na vida de milhões de pessoas a cada dia, em qualquer lugar do mundo. Na DaVita Serviços Médicos, prezamos muito pelo cuidado com os nossos pacientes e isso se reflete em nosso time de enfermagem, que está sempre pronto para atender e cuidar deles com todo o carinho e atenção necessários.   Por isso, gostaríamos de deixar o nosso agradecimento e homenagem a esses profissionais que, todos os dias, atuam de forma dedicada para oferecer sempre o melhor atendimento que nossos pacientes poderiam querer.   Homenagem da DaVita ao Dia Internacional da Enfermagem – 12 de maio

13/05/2019
Prevenção

Você sabe qual a diferença entre pronto atendimento e pronto-socorro?

O serviço de pronto atendimento está capacitado para atender pacientes com doenças e condições clínicas agudas, de surgimento súbito, que não podem esperar uma consulta eletiva, mas que não configuram uma urgência médica. Como exemplos desses casos, podemos citar dor de garganta, gripes e resfriados, crise de dor nas costas, sintomas como febre alta, tosse, diarreia e vômitos, ferimentos leves e lesões ortopédicas. Diante de sintomas ou suspeita de condições que ofereçam algum risco de danos permanentes ou até mesmo risco iminente de vida, o serviço mais indicado é o pronto-socorro, que dispõe de pessoal e estrutura para prestar cuidados intensivos. Nessa categoria, estão incluídas situações clínicas como dor no peito, perda de consciência, convulsões, fraturas, diabetes descompensado, hemorragias, falta de ar, acidentes de trânsito e de trabalho, picada de animais venenosos e ferimentos profundos, entre outras. Entender essa diferença é fundamental para que, em uma ou em outra circunstância, você possa receber rapidamente o cuidado mais eficiente e adequado para a melhora de sua queixa.   Como o pronto atendimento pode ajudar você O pronto atendimento é o serviço capacitado para prestar cuidados aos pacientes com problemas agudos de saúde, aqueles que podem evoluir, se não procurarmos atendimento médico, mas que não representam agravos mais sérios à saúde. Alguns exemplos de condições agudas: Crise de dor nas costas Resfriados e gripes Dor de garganta Dor de ouvido Tosse persistente Ferimentos leves Diarreia e vômitos     Saiba quando você deve procurar um pronto-socorro Diante de sintomas ou de suspeita de doenças graves, que impliquem risco de vida ou de danos permanentes, apenas um pronto-socorro pode oferecer os cuidados que essas situações requerem. Alguns exemplos de urgências: Dor no peito Perda de consciência Hemorragias Ferimentos profundos Acidentes de trânsito Acidentes de trabalho Picada de animais venenosos Falta de ar Fraturas Saber a diferença entre esses dois serviços ajuda a ganhar tempo, num momento em que ele pode ser tão precioso, e permite que você receba o atendimento mais adequado para seu caso.

06/05/2019
Prevenção

Como e por que manter a higienização correta das mãos

Na década de 1840, impressionado com o número de mortes de mulheres por febre puerperal, o médico húngaro Ignaz Philipp Semmelweis começou a buscar as causas do problema na maternidade do Hospital de Viena, no qual trabalhava, e constatou que as pacientes morriam mais na ala em que eram atendidas por médicos e estudantes do que na ala em que eram assistidas por parteiras. Depois de observar que quanto mais rápido era o parto, menos as parturientes adoeciam, o médico concluiu que não se tratava de nenhuma epidemia, mas de uma causa endêmica, ou seja, de dentro da instituição. Seu raciocínio já se aproximava da solução quando um professor de Medicina Legal veio a morrer após ter contraído uma infecção decorrente de um ferimento ocasionado por seus alunos durante as autópsias. Ao comparar o quadro clínico do colega com o das mulheres que tinham a infecção pós-parto, Semmelweis percebeu que estava diante de uma causa comum. As mãos de médicos e estudantes carregavam bactérias dos cadáveres para as gestantes, as mesmas que infectaram o professor. Diante disso, o obstetra determinou que toda a equipe médica e de enfermagem, incluindo estudantes, passasse a usar, naquele hospital, uma solução clorada para a lavagem das mãos após as autópsias e antes de examinar as gestantes. Em pouco tempo, a mortalidade despencou de 12,2% para 1,2%. Hoje, quase 200 anos depois, a higienização correta de mãos continua sendo a medida mais importante para evitar infecções em serviços de saúde – e, portanto, para salvar vidas –, incluindo aquelas provocadas por microrganismos multirresistentes, que não respondem aos tratamentos clássicos. A solução clorada foi substituída por produtos de eficiência comprovada contra agentes patogênicos, como sabonete antisséptico, álcool e clorexidina, só para citar os mais conhecidos. Mas a verdade é que o tema, desde então, jamais saiu da pauta diária no ambiente de assistência à saúde.   Contra epidemias   Fora dos serviços de saúde, a recomendação é a mesma para manter a família a salvo de doenças – lavar as mãos adequadamente, apenas com água e sabão ou sabonete. A Organização Pan-Americana de Saúde recomenda que o cuidado seja ensinado desde cedo, como parte da educação, em casa e na escola, de modo que as crianças levem esse hábito vida afora e se mantenham protegidas das infecções, já que são alvo de muitas das doenças provocadas pela negligência a essa recomendação. Para ter uma ideia, 50% das mortes por diarreia e 25% das mortes por infecções respiratórias na população abaixo de 5 anos podem ser evitadas com a lavagem das mãos com água e sabão, antes das refeições e após o uso do banheiro, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A correta higienização das mãos também previne 41% dos óbitos de recém-nascidos, de acordo com o Unicef, sendo reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como a atitude mais eficaz contra epidemias. Então, o que está esperando para se prevenir?   Quando lavar as mãos   Na assistência à saúde: - Antes e depois do contato com o paciente;- Antes da realização de um procedimento;- Após a exposição a fluidos corporais do paciente;- Depois do contato com áreas próximas ao paciente. No dia a dia: - Antes e depois de preparar os alimentos; - Antes de fazer cada refeição;- Antes e depois de manusear qualquer machucado, sobretudo em crianças;- Antes e depois do contato com pessoas doentes;- Depois de usar o banheiro;- Ao chegar em casa. Passo a passo da lavagem das mãos   Abra a torneira e molhe as mãos. Use sabão, sabonete ou detergente. Friccione as palmas das mãos, esfregando a da direita contra o dorso da esquerda e vice-versa, além de entrelaçar os dedos. Esfregue pontas dos dedos, unhas, polegares e punhos. Enxágue as mãos e remova os resíduos de sabonete. Enxugue bem as mãos com toalha ou pano limpos ou, ainda, papel-toalha.  

29/04/2019
Prevenção

Hanseníase ainda existe. Conheça os sintomas

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa que ocorre desde a Antiguidade, havendo relatos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, de que existiria há mais de 4 mil anos em países como Índia, China e Egito. Mas não pense que esse problema sumiu do mapa. O Brasil, acredite, ainda registra cerca de 30 mil casos por ano, ficando só atrás da Índia no ranking mundial. Antes conhecida como lepra, a moléstia é causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, em referência a Armauer Hansen, o cientista que descobriu esse microrganismo, em 1873. Apesar de se tratar de uma doença de pele, o bacilo não é transmitido pelo contato físico com doentes, mas por gotículas de saliva e espirros, o que se dá mais facilmente quando há convivência prolongada com um paciente que não sabe ser portador da hanseníase. Para ter uma ideia, o período de incubação, entre a contaminação e o surgimento dos sintomas, varia de seis meses a cinco anos. A alta prevalência nos dias atuais se deve ao fato de muitas pessoas ainda viverem sob péssimas condições de saneamento básico ao redor do mundo, razão por que os especialistas consideram que a hanseníase é uma enfermidade típica de países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos e nos países europeus, por exemplo, a doença foi erradicada no século passado, após a melhoria da qualidade de vida de suas populações.   Quando suspeitar da doença? Como é o diagnóstico e o tratamento da hanseníase?   A hanseníase causa manchas claras, vermelhas e até escuras, de limites imprecisos. Ao exame clínico-dermatológico, observa-se diminuição ou até perda da sensibilidade nas áreas afetadas – a pessoa pode encostar o local afetado numa superfície muito quente e nada sentir –, associadas à queda de pelos e ausência de transpiração. Isso ocorre porque o M. leprae afeta nervos e músculos. Também pode haver dormência e fraqueza muscular, retração dos dedos e até incapacidade física. Ainda na fase aguda, existe a possibilidade de aparecerem caroços e/ou inchaços nas partes mais frias do corpo, tais como orelhas, mãos, cotovelos e pés. Geralmente o médico faz o diagnóstico por meio do exame físico, ou dermatoneurológico, mas, caso tenha dúvidas, segue com a coleta de secreções úmidas presentes em orelhas, cotovelos e pele em geral, que encaminha para análise laboratorial, além de fazer a biópsia de pele, que consiste na obtenção de minúsculos fragmentos das áreas lesionadas para estudo anatomopatológico, exame que verifica macro e microscopicamente a natureza das alterações. Uma vez confirmada a infecção pelo bacilo de Hansen, o paciente é submetido a um tratamento de longa duração, de seis meses a um ano, feito com uma combinação de antibióticos e fornecido gratuitamente pelo SUS. Após a primeira dose, não há mais risco de transmissão, porém a cura só vem com o término da terapêutica. Diante de qualquer mancha na pele, convém buscar esclarecimento com um dermatologista. Além disso, em caso de conviver com algum paciente com hanseníase, é necessário receber a vacina BCG, também disponível na rede pública, que configura um cuidado essencial para evitar a contaminação e a disseminação do bacilo. Se tiver dúvidas, procure um dermatologista.

22/04/2019
Prevenção

Aprenda a cuidar da sua voz. Confira dicas

Como qualquer outra estrutura do corpo, a voz também precisa de atenção para não sofrer alterações, envelhecimento precoce – sim, ela muda com o passar dos anos – e impactos dos distúrbios no aparelho fonador, dos quais os mais comuns são os calos, ou nódulos, nas cordas vocais. Essa missão exige, além de disciplina, um estilo de vida saudável. Segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o fumo e o álcool comprometem a saúde vocal. O cigarro afeta os tecidos da laringe, justamente onde estão as cordas vocais, e aumenta os riscos de câncer nessa cavidade. As bebidas alcoólicas, por sua vez, promovem inicialmente um efeito anestésico, com possibilidade até de suavizar problemas. Tal qual o cigarro, são irritativas e ainda diminuem o controle sobre a voz – podendo resultar num abuso vocal, como falar muito alto e gritar. A exposição ao ar condicionado igualmente pode ser prejudicial, não pela temperatura mais fria do ambiente, mas pela falta de umidade que afeta todo o aparelho fonador. A solução, dizem os especialistas, é beber bastante água, que hidrata as cordas vocais e reduz o esforço necessário para produzir o som da fala. A recomendação de comer maçã para complementar os cuidados não é mito. Os fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas indicam o consumo da fruta por conta de suas propriedades adstringentes – ou seja, ela ajuda a limpar a boca e a laringe, melhorando a ressonância da voz. Fora isso, a mastigação que a maçã exige solta a musculatura responsável pela articulação das palavras. Ainda dentro do quesito alimentação, vale lembrar que extremos de temperatura irritam a laringe, de acordo com os especialistas, e comprometem a saúde vocal. Os fumegantes, particularmente, fazem mal inclusive para o esôfago. O mais seguro, portanto, é optar por alimentos e líquidos nem tão gelados nem muito quentes.   Como educar a voz   Além de tudo isso, a forma de usar a voz precisa ser educada. Uma vez que ocasiona um forte atrito entre as cordas vocais, o ato de gritar constantemente acaba dando origem a lesões na região – quem nunca acordou rouco depois de se empolgar em um show ou uma partida de futebol? Por outro lado, sussurrar com frequência causa impacto ao aparelho fonador porque, para a emissão do sussurro, há necessidade de tensão para bloquear o som natural da voz. Na prática, deve-se buscar o equilíbrio, ou seja, falar sem fazer força e abrir bem a boca para articular cada palavra, evitando ambientes muito ruidosos, que acabam resultando em abuso vocal. O cuidado pode precisar ser ainda mais intenso se a voz for, digamos, um instrumento de trabalho. Atores, advogados, apresentadores, jornalistas, radialistas, professores, cantores, políticos e, mais recentemente, palestrantes, operadores de telemarketing e youtubers, entre muitos outros, soltam o verbo no dia a dia para defender suas ideias e vender seu peixe. Para essas pessoas, a realização de exercícios vocais com fonoaudiólogo pode ajudar a manter a voz bonita e minimizar o risco de lesões.   Problemas com a voz. O que fazer?   Até aqui, tratamos de prevenção. Mas, se já houver queixas, apenas essas providências não bastam. De acordo com os especialistas, qualquer dificuldade deve ser valorizada. Isso vai desde mudanças perceptíveis na voz – ficou fina, grossa ou entrecortada –, passando por cansaço ao falar, pigarro e tosse, até rouquidão e dor ao engolir. Vale observar se as manifestações aumentam quando há uso excessivo da voz ou se diminuem em momentos de repouso vocal. Nesses casos, procure logo um otorrinolaringologista e não caia na tentação de recorrer a soluções caseiras, como fazer gargarejos, que podem até piorar o quadro.  

22/04/2019
Prevenção

Hipertensão: cuidado com o consumo de sal

Provavelmente você já deve ter ouvido por aí que o sal está associado ao aumento da pressão sistólica e diastólica nas artérias e que, em excesso, contribui para o surgimento da hipertensão arterial, condição caracterizada por índices pressóricos iguais ou superiores a 140/90 milímetros de mercúrio – ou 14 por 9 –, que configura importante fator de risco para o acidente vascular cerebral e a insuficiência renal. Essa relação realmente existe e se deve à ação do cloreto de sódio, elemento presente no sal. Ocorre que, quando ingerimos alimentos muito salgados, o sódio se acumula não só na corrente sanguínea, como também nos fluidos que ficam fora das células. Como ele atrai moléculas de água, o organismo passa a reter líquidos para manter o equilíbrio entre o volume hídrico no espaço extracelular e no sangue, cuja quantidade em circulação aumenta. Com mais sangue no interior dos vasos, a pressão que ele faz para contornar o sistema circulatório fica maior, já que naturalmente as artérias oferecem alguma resistência à sua passagem – é como se o fluxo de uma torneira fosse aberto e a água passasse a avançar violentamente pelo interior de uma mangueira. Se isso ocorre de forma crônica, está estabelecida a hipertensão arterial.   Prevenção pede menos sal no prato e nas prateleiras   Por ser uma doença silenciosa, que costuma causar sintomas só quando o organismo já está bastante exposto aos efeitos de níveis pressóricos elevados, pode demorar até que uma pessoa saiba ser hipertensa, principalmente se não vai ao médico de forma periódica. Desse modo, a redução do consumo de sal para níveis aceitáveis é uma medida acessível e eficaz para prevenir o aumento da pressão arterial – muito embora a hipertensão tenha também outras causas. Entretanto, não dá para cortar o sal de vez porque o cloreto de sódio tem funções importantes no corpo, visto que atua no equilíbrio da água, participa das contrações dos músculos e fornece energia. Assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a necessidade diária de sódio é de 2.000 mg, equivalentes a 5 g de sal. Os brasileiros, porém, consomem mais que o dobro desse limite, por volta de 12 g, segundo o Ministério da Saúde. E, na maioria das vezes, fazemos isso por hábito, veja só. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelaram que a indústria responde por 23,8% do sódio consumido em território nacional, enquanto o restante, 76,2%, é adicionado no fim da preparação dos alimentos como tempero. Faça a sua parte para controlar a ingestão de sal e não deixe de ir ao médico periodicamente para avaliar sua pressão arterial.   Dicas para reduzir o consumo de sódio   - Retire o saleiro da mesa. - Cozinhe sem nenhum sal e depois acrescente apenas a quantidade recomendada, especialmente se for hipertenso. - Abuse de ervas e temperos naturais – alho, cebola, orégano, salsinha, manjericão, limão e gengibre, entre outros –, usando-os no lugar do sal. - Dê preferência ao consumo de alimentos frescos, como carnes, frutas e vegetais. - Fora de casa, prefira estabelecimentos que servem comida pouco temperada e restaurantes por quilo, que oferecem mais opções de alimentos frescos. - Antes de comprar industrializados, leia o rótulo e leve apenas os que tiverem baixo teor de sódio. - Evite alimentos ultraprocessados, como linguiça e bacon, além de molhos prontos, como maionese, shoyo, catchup e mostarda.   Outras causas da hipertensão arterial Além do consumo de sal em excesso, outros fatores contribuem para uma pessoa se tornar hipertensa:- História familiar da doença (o único não modificável)- Bebidas alcoólicas- Cigarro- Obesidade- Estresse- Níveis altos de colesterol- Falta de atividade física

15/04/2019
Saúde da Mulher

Como reduzir o risco de câncer de mama

Diversos aspectos estão relacionados ao surgimento do câncer de mama, incluindo fatores biológicos, hormonais, genéticos e comportamentais. Muitos não podem ser modificados, como a idade. De cada cinco casos da neoplasia, quatro ocorrem em pacientes com mais de 50 anos. Contudo, naquilo que compete a cada mulher, há, sim, muito que fazer para evitar o desenvolvimento da doença – é o que médicos chamam de prevenção primária. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que seja possível reduzir o risco em até 30% com algumas mudanças no estilo de vida. Saiba como se prevenir contra o câncer de mama: Controle o pesoManter-se no peso ideal é uma estratégia de prevenção bastante importante, em especial na menopausa. As gorduras que sobram produzem estrógeno em excesso, numa fase em que as mulheres precisam menos dele porque os ovários já não funcionam. O estrógeno produzido pelo tecido gorduroso estimula a proliferação de células mamárias. Isso, somado ao estado inflamatório crônico gerado pela obesidade, cria um cenário próprio para a multiplicação desordenada de células mamárias malignas.   Faça atividade físicaExercitar-se beneficia todo o organismo e favorece a prevenção de diversas outras doenças, além do câncer de mama. A atividade física, quando feita regularmente e sob orientação, é essencial para a manutenção do peso ideal, impedindo a formação de um ambiente propício ao desenvolvimento de células mamárias malignas. Além disso, previne o envelhecimento celular. Evite bebidas alcoólicasO consumo de álcool está cada vez mais associado aos tumores de mama. Pesquisadores europeus e norte-americanos têm constatado que a ingestão de apenas uma dose por dia de qualquer bebida com mais de 10 gramas de álcool – por exemplo, uma taça de vinho – já aumenta o risco de câncer de mama em 5% e 9% na pré-menopausa e na menopausa, respectivamente. Especula-se que o fator por trás dessa relação também seja a produção estrogênica demasiada. Convém lembrar que o álcool ainda compromete outros órgãos, causa acidentes de trânsito e traz inúmeros prejuízos sociais quando usado de forma crônica. Mantenha uma alimentação balanceadaEstudos populacionais indicam que o consumo de uma dieta baseada em frutas, vegetais e grãos integrais reduz o risco de desenvolver câncer de mama, o que é maior quando esse hábito já vem da adolescência – mais um motivo para as garotas não rejeitarem a salada! Em comum, tais alimentos estão repletos de fibras, que contribuem para a saciedade e o controle do peso. Vale lembrar que esse cardápio também diminui o risco de outros cânceres, como de intestino, de esôfago, de próstata e de estômago, segundo o Inca. Diga sim à amamentaçãoSe você engravidar, faça o impossível para amamentar. Além de proporcionar inúmeros benefícios ao bebê, essa prática é considerada um fator protetor da saúde das mamas. De acordo com informações do Ministério da Saúde, o risco de ter câncer de mama cai 4,3% a cada ano de amamentação. O mecanismo de proteção não está bem esclarecido, mas se acredita que, pelo fato de não ovular nesse período, a mulher fica menos exposta à ação do estrógeno. Esse hormônio, afinal, guarda relação com a maioria dos casos de câncer de mama. Não fumeO cigarro está relacionado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de problemas cardiovasculares. Em relação aos tumores de mama, há evidências da participação do tabagismo no aumento do risco, mas os resultados ainda são contraditórios, no entender do Inca. De qualquer forma, vale também ficar bem longe desse hábito no contexto da prevenção da doença.

15/04/2019
Prevenção

Saiba como é garantida a segurança do paciente

Quando você utiliza qualquer serviço de saúde, espera que o médico e a equipe de enfermagem entendam suas queixas clínicas e ofereçam uma solução para atenuá-las, seja uma orientação, seja um procedimento mais invasivo, seja um exame de sangue ou de imagem, seja a administração ou a prescrição de medicamentos. Muito embora as instituições de saúde também tenham a expectativa de que tudo funcione a contento, sempre há um pequeno risco do que os especialistas chamam de evento adverso, ou seja, qualquer incidente que resulte em dano para o paciente, desde falhas em sua identificação, passando por lesões, como hematomas após coleta de sangue ou infusão de medicações, até erros em procedimentos cirúrgicos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil ainda tem uma alta incidência desses problemas, beirando os 10%, segundo estudos recentes. Procurando reduzir o número de eventos adversos no País, o Ministério da Saúde lançou, em 2013, o Programa Nacional de Segurança ao Paciente, seguindo o modelo da Organização Mundial de Saúde, que mantém a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente. O objetivo da iniciativa é reduzir, para um mínimo aceitável, o risco de dano para quem recebe qualquer tipo de assistência à saúde, em qualquer ponto do território nacional. Além de estabelecer continuamente diversos protocolos de segurança, a Anvisa determinou, dentro do programa, a criação de Núcleos de Segurança ao Paciente, uma instância obrigatória, tanto nos serviços públicos quanto nos privados, para promover ações voltadas à segurança do paciente. Juntamente com atividades de prevenção, essa estrutura deve controlar e mitigar riscos, integrar setores de trabalho e articular processos e informações que impactam o indivíduo assistido.   Abril: mês da segurança do paciente Como o programa foi criado em 1º abril de 2013, muitas instituições de saúde dedicam justamente esse mês para reforçar os procedimentos a fim de garantir a segurança na abordagem do paciente e, assim, melhorar a qualidade do serviço como um todo. Entre os assuntos revisitados nessas ocasiões, podem estar, por exemplo, os protocolos de manuseio e descarte de material perfurocortante e aqueles que versam sobre segurança cirúrgica, apenas para citar alguns temas em foco. Para a Anvisa, tudo isso contribui para a qualificação dos processos de cuidado e da prestação de serviços nos estabelecimentos instalados no Brasil, o que permite oferecer maior segurança não apenas para quem recebe a assistência, mas também para quem a presta e para todo o ambiente em que ocorre o cuidado.   O que pode afetar a segurança do paciente Conheça alguns dos temas que merecem profunda atenção de quem trabalha para evitar eventos adversos na assistência à saúde: Higiene das mãos Aspectos relacionados a cirurgias Prescrição, uso e administração de medicamentos Transfusões de sangue e hemocomponentes Utilização de equipamentos e materiais Prevenção de quedas Prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde    

08/04/2019
Prevenção

Mamografia substitui o autoexame das mamas?

Quem já está na casa dos 30, 40 anos deve se lembrar dos folhetos explicativos que mostravam, há algumas décadas, o passo a passo do autoexame em campanhas sobre a prevenção do câncer de mama. Naquele momento, preconizava-se esse procedimento como uma estratégia essencial para a detecção precoce da doença. Mas vieram os avanços em Medicina Diagnóstica, especialmente na área de imagem. Com o surgimento da mamografia, capaz de flagrar tumores com milímetros, ainda em estágio inicial, por um baixo custo, as autoridades de saúde passaram a ser mais parcimoniosas com a recomendação do autoexame. Afinal, perto da mamografia, essa prática só consegue identificar sinais visíveis ou massas palpáveis, que, se confirmados como manifestações de um tumor maligno, já podem corresponder a um câncer num estágio mais avançado. Mas isso não significa que o autoexame tenha saído de cena. Os especialistas concordam em que a mulher deve reservar periodicamente um tempo para buscar qualquer alteração interna ou externa nas mamas, mesmo uma ligeira assimetria, fazendo uma palpação minuciosa e uma observação detalhada. Isso pode fazer diferença, por exemplo, no intervalo entre uma mamografia e outra – que geralmente é de um ano – ou mesmo numa região com pouca disponibilidade de serviços de saúde.   O fato é que o autoexame permanece importante, desde que integre um programa de rastreamento de câncer de mama. Quando isolado, não reduz a mortalidade pela doença, o que foi comprovado por estudos internacionais que envolveram milhares de mulheres. Assim, as sociedades médicas não desestimulam a estratégia, porém deixam claro que, para rastrear os tumores mamários, é indispensável realizar o exame clínico das mamas, durante a consulta com ginecologista ou mastologista, bem como os métodos de imagem indicados para cada mulher, notadamente a mamografia. Autoexame é válido, mas dentro desse pacote. Converse com seu ginecologista ou mastologista e saiba mais.

01/04/2019
Atividade Física

Exercícios físicos geram benefícios à saúde mental

Não é segredo que a atividade física tem mil e uma utilidades no que diz respeito à saúde. A prática regular de exercícios participa de forma bastante relevante na prevenção de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo todo, promove um funcionamento mais harmônico de todos os órgãos e, claro, melhora a forma e a disposição, entre muitos outros benefícios ao corpo. Não é à toa que boa parte das pessoas, quando começa algum programa de treinamento tem, como propósito, emagrecer ou tratar – isso mesmo – outras enfermidades. Por exemplo, em associação a uma dieta equilibrada, os exercícios regulares podem manter os índices de glicemia controlados em pacientes com diabetes tipo 2, diminuindo ou reduzindo a necessidade de medicamentos. Se esses efeitos são incontestáveis, cada vez mais se associa o trabalho corporal à manutenção da boa saúde mental. Além de a atividade física fazer o cérebro liberar endorfina, o “hormônio da felicidade”, e outros neurotransmissores associados ao bem-estar, os exercícios, segundo os especialistas, parecem estimular o crescimento de células nervosas no hipocampo, área que regular o humor e que, em pacientes com depressão, é menor, quando vista em exames de imagem. Contudo, se a liberação de substâncias que conferem satisfação ocorre logo após o treino, o impacto da malhação na regeneração neuronal de um cérebro deprimido depende da regularidade da prática. Exercícios como antídoto contra a depressão As linhas de pesquisa demonstram ainda que os exercícios não apenas contribuem para tratar, como também para prevenir transtornos de humor. Um estudo publicado pelo The American Journal of Psichiatry no ano passado mostrou que movimentar o corpo exerce um efeito protetor contra a depressão em indivíduos saudáveis, independentemente da idade da pessoa e da região geográfica em que vive. Feito por pesquisadores de quatro universidades brasileiras e sete estrangeiras, esse estudo reuniu informações de 49 trabalhos e analisou dados de 265 mil pessoas, de 20 países. Outros benefícios dos exercícios físicos Além dos mecanismos neuronais e bioquímicos, os exercícios interferem em outros fatores que impactam a saúde mental. Reduzem os efeitos do estresse do dia a dia, o que dispensa explicações, e elevam a qualidade do sono, permitindo que o indivíduo ingresse em suas fases mais profundas e possa acordar mais relaxado e disposto. Por último, mas não menos importante, a prática de atividades físicas favorece igualmente o ganho de autoestima, uma vez que modela o corpo, e, sobretudo quando feita em grupo, possibilita interações com outras pessoas, tirando o indivíduo do isolamento. Uma coleção de motivos para ficar de bem com a vida. Lembre-se sempre de procurar um médico antes de começar a se exercitar. O efeito da atividade física no corpo Contribui para o bom funcionamento dos órgãos, sobretudo do sistema cardiorrespiratório Ajuda o intestino a funcionar bem Previne doenças, tais como problemas cardiovasculares, diabetes, osteoporose e reumatismo, entre outras, além de ser adjuvante em seu tratamento Contribui para a perda de gordura e o ganho de músculos Ajuda a equilibrar a ingestão de calorias e o gasto de energia  

01/04/2019
Prevenção

Câncer: tire suas dúvidas sobre a doença

Tipos de Câncer   As células normais do corpo humano O corpo humano é composto por trilhões de células vivas, que crescem, têm uma divisão ordenada e morrem. Na fase adulta, a maioria delas se divide para substituir células desgastadas ou para reparar danos.   Como o câncer começa O câncer resulta de uma multiplicação celular desordenada. Esse crescimento é diferente do normal, pois, em vez de morrer, a célula continua formando unidades anormais. Essas células cancerosas crescem e invadem outros tecidos, algo que as normais não fazem. Além disso, são capazes de formar novos vasos sanguíneos para receber oxigênio e nutrientes e driblar nosso sistema imunológico. Algumas chegam a se desprender desse tumor inicial, caem na corrente sanguínea ou nos vasos linfáticos e dão origem a novos tumores em órgãos distantes, o que os médicos chamam de metástases.   Por que o câncer ocorre A multiplicação desordenada de células pode ser desencadeada por motivos biológicos internos, como herança genética, envelhecimento celular ou doenças do próprio organismo, ou por motivo externo, como o ambiente. Em muitos casos, a causa do câncer ainda é desconhecida e a doença pode se desenvolver em qualquer tecido ou órgão. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a exposição solar, o tabagismo, o sedentarismo e a alimentação inadequada são os principais fatores ambientais que favorecem o surgimento de tumores.   Novas perspectivas Com base nos dados do Inca, foram estimados, no Brasil, aproximadamente 600 mil casos novos de câncer no ano de 2018. A importância de um diagnóstico precoce, com exames clínicos e rastreamento de rotina, pode fazer com que a história dessa doença tenha um desfecho muito favorável na grande maioria das vezes, alcançando melhores resultados no tratamento e, em muitos casos, até a cura. Dessa forma, a necessidade de acompanhamento médico periódico e realização de exames específicos faz toda a diferença na vida do paciente.   O papel da genética Em aproximadamente 10% dos casos, o fator que altera o material genético, levando à predisposição ao surgimento de câncer, é herdado do pai, da mãe ou de ambos, os quais, por sua vez, o herdam de gerações anteriores. São os cânceres hereditários, que incluem alguns casos de tumor de mama, ovário, intestino, tireoide e rim, entre outros. Com a evolução da Medicina Genética, hoje podem ser identificadas alterações em determinados genes por meio de exames de DNA. A detecção dessas mutações permite intervir no rumo da doença e, em algumas circunstâncias, até evitar seu aparecimento. Como exemplo, podemos referir o câncer de mama e ovário, no qual se observam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.   Avanços terapêuticos Conhecer o câncer em profundidade possibilita escolher o melhor tratamento para o paciente. Tradicionalmente, o tratamento dos diversos tipos de câncer baseia-se na quimioterapia, na radioterapia e em cirurgias. Enquanto a quimioterapia, criada em 1970, ataca todas as células de crescimento rápido do corpo, trazendo resultados muito aquém dos esperados, com efeitos colaterais penosos para o paciente, o surgimento de novas modalidades terapêuticas vem mudando esse cenário, com resultados surpreendentemente superiores à quimioterapia e ainda com efeitos colaterais imensamente menores, promovendo uma qualidade de vida excepcional. São eles: -Os agentes antiangiogênicos, que promovem o bloqueio dos vasos sanguíneos do tumor, impedindo seu crescimento. -Os agentes imunoterápicos, que estimulam o sistema imunológico a atacar especificamente as células cancerígenas e vêm se destacando em alguns tipos de câncer, como o melanoma, o renal e o de pulmão. -E, o que parece ser o maior dos avanços atuais, o surgimento do tratamento personalizado para cada tipo de câncer, chamado de terapia-alvo.  Trata-se de uma modalidade que surgiu por meio do melhor entendimento da ação dos genes, das proteínas e de moléculas presentes nas células tumorais. Na prática, esses medicamentos identificam e atacam características específicas das células cancerígenas, bloqueando o crescimento e a disseminação do câncer. Alguns exemplos da aplicação dessa terapêutica: Câncer de mama – Cerca de 20% a 25% dos casos da doença têm a proteína denominada receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2), que estimula o crescimento das células tumorais. Assim, em pacientes com câncer de mama invasivo, recomenda-se que sejam realizados testes para HER2. Se os resultados mostram que o tumor é positivo para essa proteína, vários medicamentos podem ser utilizados como opções de tratamento. Câncer colorretal – Medicamentos que bloqueiam o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), que, muitas vezes, é produzido em excesso nesse tipo de câncer, podem ser eficazes para parar ou retardar o crescimento do tumor colorretal, desde que este não tenha uma mutação no gene KRAS. Além disso, a terapia-alvo pode ser direcionada para o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), uma proteína que ajuda a formar novos vasos sanguíneos. Câncer de pulmão – Medicamentos que bloqueiam o EGFR podem ser eficazes para deter ou retardar o crescimento desse câncer, especialmente se o gene EGFR contiver determinadas mutações. A terapia-alvo também está disponível para tratar o tumor de pulmão acionado pelo gene ALK mutado. Melanoma – Aproximadamente 50% dos melanomas têm um gene BRAF mutante ou ativado. Pesquisas recentes mostraram que alterações específicas nesse gene funcionam como bons alvos para fármacos. Leucemia mieloide crônica – É causada por uma lesão genética específica, denominada BCR-ABL ou, ainda, cromossomo Filadélfia. Vários medicamentos foram criados para atacar especificamente essa alteração genética, como imatinib, dasatinib e nilotinib. Notavelmente, esses tratamentos podem ser administrados por via oral, têm poucos efeitos colaterais e alguns pacientes podem ser efetivamente curados.   Apesar de o cenário de tratamento do câncer estar se transformando a cada ano, é importante também buscar um estilo de vida saudável, não fumar, ingerir bebidas alcoólicas com muita parcimônia, manter uma dieta equilibrada, rica em fibras e alimentos frescos, controlar o peso, fazer exercícios regulares e se proteger do sol. Esse conjunto de medidas, segundo o Inca, pode ajudar a prevenir pelo menos uma parcela de todos os casos de câncer que ocorrem a cada ano. Faça a sua parte.   Fontes: AC Camargo Instituto Nacional do CâncerOncoguia

19/03/2019
Saúde da Mulher

Conheça Mitos E Verdades Sobre A Mamografia

Uma vez que o câncer de mama é o segundo mais frequente entre as mulheres, a campanha Outubro Rosa surgiu na década de 1990 com o objetivo de falar sobre a doença e incentivar a população feminina a procurar serviços de saúde para fazer consultas e exames de rastreamento. Entre eles, o destaque fica por conta da mamografia, que comprovadamente reduz a mortalidade pelo câncer de mama por conseguir detectar o tumor em estágio inicial, numa fase em que as chances de cura são maiores. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer e o Ministério da Saúde recomendam a realização do exame a partir de 50 anos para mulheres sem histórico da doença na família, enquanto o Colégio Brasileiro de Radiologia sugere fazer a primeira avaliação mamográfica a partir dos 40 anos. Na prática, porém, vale a indicação de seu médico. Apesar de a mamografia ser um exame simples, não invasivo, o assunto ainda gera dúvidas, que a DaVita ajuda a esclarecer nesta oportunidade. Não tenho nódulos nem alterações nas mamas, então estou dispensada da mamografia.Mito. A mamografia procura justamente alterações milimétricas, que podem corresponder ao câncer de mama em estágio inicial, quando tem maiores chances de cura. Quando o nódulo está palpável ou a mama se encontra visivelmente alterada, existe a possibilidade de se tratar de um tumor em estágio mais avançado e, por conseguinte, mais difícil de tratar. Não preciso fazer o exame porque ninguém da minha família teve câncer de mama.Mito. A maioria dos casos de câncer de mama não é hereditária. Portanto, toda mulher pode vir a desenvolver a doença e, dessa forma, deve fazer o estudo mamográfico para rastreá-la quanto antes. Mantenho um estilo de vida saudável e não preciso me preocupar com o risco desse câncer.Mito. Apesar da importância de bons hábitos de vida para diminuir o risco de qualquer tumor, isso não basta para prevenir a neoplasia de mama, cujo surgimento está relacionado também a fatores genéticos e hormonais, sobre os quais temos pouco ou nenhum controle. A radiação emitida pelo exame pode fazer mal.Mito. Só há contraindicações em caso de gravidez, condição mais difícil na faixa etária em que se indica a mamografia. Fora dessa circunstância, o exame está liberado, pois a radiação que emite é muito baixa e insuficiente para causar problemas em outros órgãos do corpo. A mamografia causa desconforto.Verdade. Mesmo não sendo invasivo, o exame comprime as mamas entre duas placas, o que, para determinadas mulheres, gera incômodo, embora tolerável. De qualquer forma, é possível tornar a mamografia menos desconfortável, marcando-a no começo do ciclo menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis. Há médicos que recomendam a ingestão de um analgésico simples antes do exame. Converse com o seu e veja o que ele também pode sugerir nesse sentido. Como tenho mamas pequenas, o exame será doloroso.Mito. O eventual desconforto com a compressão das mamas não está relacionado a tamanho, mas à sensibilidade individual de cada mulher. A prótese mamária torna a mamografia menos eficaz.Verdade. Mas não significa que o exame não deva ser feito, e, sim, eventualmente complementado com outro método de imagem, se assim for indicado pelo médico. Se você tem mais dúvidas, não deixe de esclarecê-las com um ginecologista ou mastologista antes da próxima mamografia.

14/02/2019
Prevenção

Os benefícios do sol para a saúde

Está certo que a exposição solar em excesso causa queimaduras, câncer de pele e envelhecimento precoce.  Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 30% dos tumores malignos no Brasil são câncer de pele, com uma estimativa de 165,5 mil novos casos do tumor não melanoma entre os anos 2018-2019.  Mas, apesar dos cuidados que inspira, o sol está longe de ser um vilão para a saúde. Um dos benefícios mais importantes proporcionados pelo astro-rei é a produção de vitamina D, essencial para consolidar a absorção de cálcio e manter os ossos saudáveis. Há poucos alimentos ricos nesse nutriente e, na prática, sua maior fonte é mesmo a exposição solar por 20 minutos, sem filtro de proteção – sempre nos períodos de menor incidência dos raios UVA e UVB, vale o grifo, antes das 10 horas e depois das 16 horas –, o que permite a obtenção de 10.000 unidades de vitamina D, a meta diária para um adulto. Tomar sol ainda contribui para fortalecer o sistema imunológico, igualmente por ação da polivalente vitamina D, e atua como adjuvante no tratamento de doenças de pele, como vitiligo, já que os raios solares estimulam a produção de células que fabricam pigmentos, que não funcionam bem em portadores dessa doença. No campo da saúde mental, a luz solar também oferece contribuição ao ajudar no controle da depressão. Isso porque, ao ser exposto ao sol, o cérebro reduz a produção de melatonina, hormônio que causa relaxamento e sonolência e que, em excesso, pode levar o indivíduo a se ensimesmar. Ao mesmo tempo, o sol promove um incremento na síntese de serotonina, um neurotransmissor associado ao bem-estar, melhorando o humor. Fotoproteção Apesar dessas qualidades, não dá para abrir mão da fotoproteção. Se é possível dispensar o protetor solar para obter a cota diária de vitamina D naqueles poucos minutos, fora dessa circunstância a Sociedade Brasileira de Dermatologia preconiza o uso de FPS 30, no mínimo, tanto para sair diariamente à rua quanto para exposições mais prolongadas, na praia, na piscina ou no campo, nesses casos com reaplicações a cada duas horas ou, então, após entrar na água ou transpirar demasiadamente. Essa recomendação não vale apenas para pessoas de pele mais clara, mas também para indivíduos de pele negra. Contudo, por conterem maior quantidade de melanina, que funciona como uma proteção natural, os afrodescendentes podem usar um produto com FPS menor, mas nunca inferior a 15. O filtro solar deve ser utilizado em bebês apenas a partir dos 6 meses de idade, em forma de produtos específicos à pele da criança, prescritos pelo médico pediatra ou dermatologista. É importante lembrar que a conscientização da fotoproteção deve começar desde a infância e a adolescência para evitar os efeitos nocivos do sol ao longo dos anos. Além do filtro solar, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de outros acessórios para se proteger do sol, como boné e chapéu, assim como o de camisetas de algodão nas atividades ao ar livre, pois estas roupas bloqueiam a maior parte da radiação ultravioleta. Óculos escuros são essenciais também para prevenir catarata e outras doenças nos olhos. Na praia, vale utilizar ainda barracas de lona ou de algodão, que absorvem pelo menos metade da radiação ultravioleta, de acordo com a entidade. De qualquer forma, mesmo com filtro solar e a paramentação necessária, onde quer que seja o cenário, invariavelmente é mais seguro encarar o sol antes das 10 horas e depois das 16 horas, além de se manter sob a sombra sempre que possível. Para quem quer se bronzear, esse objetivo vai ser alcançado do mesmo jeito, mas sem agressão à pele nem risco de lesão maligna. Consulte um dermatologista ao menos uma vez por ano para fazer um check-up da pele ou sempre que tiver alguma queixa.