DaVita Saúde

Anabolizantes: consequências e riscos à saúde

A musculação é hoje a segunda atividade física mais praticada no Brasil, segundo pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. De fato, essa modalidade tem indicação para jovens, adultos e idosos, uma vez que promove uma melhora da força, da circulação e do equilíbrio. Como os músculos consomem muita energia, a prática de exercícios resistidos ainda leva a um gasto calórico e, para completar, resulta num aumento da massa muscular, também chamada de massa magra.

De olho nesse último benefício, muitos homens não se contentam com os resultados obtidos com o treinamento e recorrem a esteroides anabolizantes, que são os mais comuns, assim como ao hormônio do crescimento. Para ter uma ideia da frequência desse uso, um em cada 16 estudantes já utilizou tais substâncias, de acordo com levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Feitos a partir do hormônio testosterona, os esteroides causam, sim, hipertrofia muscular, mas trazem uma série de efeitos paradoxais, ou seja, contrários ao que se esperaria de um hormônio masculino, como crescimento das mamas, redução dos testículos, disfunção erétil e diminuição dos espermatozoides.

Isso ocorre porque, quando recebe muita testosterona artificial, o organismo a transforma em estrogênio, um hormônio feminino, por meio de um processo denominado aromatização, capitaneado por uma enzima. O excesso desse tipo anabolizante também bloqueia a secreção de dois hormônios que estimulam os testículos a produzirem espermatozoides e testosterona natural.

Os efeitos, porém, não se restringem aos sistemas reprodutivo e endócrino, mas se espalham pelo organismo. Os esteroides ainda provocam acne importante, calvície e problemas no fígado, inclusive tumores, assim como efeitos que favorecem doenças cardiovasculares, como aumento da pressão arterial, elevação do colesterol, retenção de líquido no organismo e formação de coágulos, sem contar ainda as alterações de comportamento, a exemplo de agressividade e alucinações.

Já os anabolizantes à base de hormônio do crescimento (GH) sintético, também conhecidos como somatropina, produzem aumento da massa magra e queima de gordura, mas igualmente à custa de riscos relevantes. Na prática, seus efeitos vão desde o surgimento do diabetes do tipo 2 e de reações alérgicas graves até o desenvolvimento de tumores malignos, alertam os especialistas.

Uso clínico dos anabolizantes

É importante salientar que a testosterona sintética tem uso clínico, mas em condições muito particulares. Entre elas, destacam-se os casos de deficiência do hormônio masculino, de desnutrição grave que causa emagrecimento muito rápido e no pós-operatório de grandes cirurgias que provocam desgaste físico, entre outras (poucas) situações.

O GH, por sua vez, só é empregado em pacientes com deficiência na produção desse hormônio na infância e em determinadas síndromes genéticas em que podem promover um melhor crescimento para as crianças. Para a finalidade de hipertrofia muscular, vale o grifo, os médicos não prescrevem esteroides nem GH.

É possível, no entanto, associar ao treinamento a ingestão de suplementos alimentares, que estimulam os músculos sem acarretar prejuízos ao organismo, desde que usados corretamente, ou mesmo seguir uma dieta com alimentos que comprovadamente ajudam a formar massa magra. Converse com um médico ou com um nutricionista e descubra o que fazer para atingir seus objetivos nos treinos de musculação.

 

Fontes:
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Ministério da Saúde
Endocrinologistas
Médicos do esporte

Posts Relacionados

23/03/2020
Criança

Um cérebro diferente. Assim é o autismo

A série The Good Doctor trouxe ao público um tema pouco discutido na sociedade: a capacidade de o autista exercer uma profissão, relacionar-se e ser independente. O protagonista, o cirurgião Shaun Murphy, tem autismo e uma síndrome rara (Savant), que lhe permite fazer cálculos complicados e se valer de uma memória fotográfica. Apesar dos preconceitos de colegas e de pacientes, o jovem profissional ajuda a elucidar diagnósticos complexos e a buscar soluções inusitadas na sala cirúrgica e até fora dela, mudando a percepção das pessoas a seu respeito. A série é uma ficção romanceada, mas especialistas não acham impossível que um indivíduo autista seja competente na área do conhecimento de sua escolha, mesmo que isso se aplique a uma minoria. Depende justamente do grau do chamado transtorno do espectro autista, que recebe esse nome por ser um conjunto de condições caracterizadas por alterações no desenvolvimento neurológico, que se manifestam, em conjunto ou isoladamente, por dificuldade de comunicação, de linguagem e de socialização, assim como por interesses e atividades restritas e repetitivas.  O nível de funcionamento intelectual varia muito, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, havendo desde comprometimento cognitivo profundo até níveis superiores de desempenho, sendo ainda muito comum que os indivíduos apresentem outros distúrbios psiquiátricos e neurológicos concomitantes, como epilepsia, depressão, ansiedade e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.  Diversos espectros No autismo clássico, as pessoas são ensimesmadas e não estabelecem contato visual com seus interlocutores, tampouco com o ambiente ao redor. A fala não é usada como recurso de comunicação, apesar de poderem falar e entender ideias e palavras simples, desde que no sentido literal, sem metáforas nem duplos sentidos. Há preferência por brincadeiras solitárias na infância e isolamento conforme os anos passam.  Já no autismo de alto desempenho, também conhecido como síndrome de Asperger, embora possam apresentar as mesmas dificuldades de relacionamento e comportamento em graus variáveis, os indivíduos são bastante verbais e inteligentes, muitas vezes exibindo um desempenho genial em suas atividades. Dependendo do nível de interação social, conseguem levar uma vida sem impedimentos.  Dentro do espectro autista, há ainda os distúrbios globais do desenvolvimento, cujos sintomas, que vão além das dificuldades de comunicação e de relacionamento – incluindo, por exemplo, aversão ao toque, problemas de coordenação motora, alterações de humor e muitos outros –, não se encaixam em nenhuma das duas outras formas, impondo maior desafio ao diagnóstico. Todas as apresentações podem ser muito variáveis, algumas bem discretas, outras mais evidentes. Por isso se usa o termo espectro na denominação da condição – são várias facetas de uma mesma moeda. Na maioria dos casos, os sinais de autismo ficam perceptíveis até os 5 anos de idade e persistem por toda a vida. Com frequência, mães de filhos autistas relatam que seus bebês não as olhavam nos olhos durante a amamentação, já demonstrando uma das características mais marcantes da condição – a falta de contato visual. Apoio e cuidados para muitos A OMS estima que 70 milhões de pessoas em todo o mundo apresentem algum transtorno do espectro autista, das quais 2 milhões no Brasil, embora não tenhamos por aqui nenhum estudo de frequência entre brasileiros. As autoridades sanitárias mundiais observam um aumento no número de casos, que, no entanto, atribuem a uma maior conscientização sobre a condição, ao aprimoramento das informações reportadas e a uma ampliação dos critérios e dos recursos diagnósticos. As causas do transtorno permanecem sob uma certa névoa para a ciência, mas parece haver um consenso de que envolvem sobretudo fatores genéticos. Mutações em proteínas que ficam ancoradas na superfície dos neurônios, para permitir que o estímulo nervoso flua de forma adequada entre eles, provocam desequilíbrio entre os sinais de excitação e inibição que navegam entre as células nervosas, impactando a linguagem, o aprendizado, a interação social e a memória dos indivíduos. Já existem testes genéticos que ajudam a dar suporte ao diagnóstico, contudo a identificação do quadro permanece sendo essencialmente clínica, feita no consultório. Quanto ao tratamento, como qualquer condição que envolva comportamento, o autismo requer uma abordagem personalizada e não tem cura. Em todos os casos, exige o engajamento dos pais, educadores e de uma equipe de saúde multidisciplinar para promover a reabilitação do indivíduo e sua inclusão social. Quanto mais cedo essa estratégia se inicie, melhor o resultado. De qualquer forma, a condição traz impactos econômicos e sociais importantes para o portador e sua família. Voltando ao nosso exemplo inicial, apenas dois em cada dez autistas conseguem ter alguma independência semelhante à do Dr. Shaun. A maioria precisa de apoio social e de cuidados permanentes, o que implica o empoderamento dos cuidadores por parte das autoridades de saúde. Portanto, conhecer exatamente a epidemiologia da condição é essencial para criar políticas públicas para essa população, não só no que tange ao atendimento de saúde, mas também à garantia do cumprimento dos direitos desse grupo, que, afinal, é mais vulnerável em todos os sentidos.  Se você tem dúvidas sobre o comportamento de seu filho, ainda que ele já tenha passado dos 5 anos, não perca tempo. Procure um médico que conheça a história clínica da criança para esclarecimentos e eventual encaminhamento a um especialista. Exemplo real de inclusão Greta Thunberg, a ativista ambiental sueca que tem cutucado a ferida dos grandes poluentes do planeta, foi diagnosticada com Asperger aos 11 anos. Em vez de contê-la, porém, a descoberta a impulsionou, evidentemente graças à boa acolhida na família, na escola, nos serviços de saúde e na sociedade. Assim, conseguiu transformar sua obsessão e seu temor com a degradação ambiental e o aquecimento global numa luta produtiva, que acabou mobilizando milhões de outros jovens. O fato é que a sueca, hoje com 16 anos, é um exemplo real de inclusão do autista na sociedade mundial, que deixa qualquer romance no lugar dele – na esfera ficcional.

17/02/2020
Bem-estar

Aproveite a folia sem descuidar da saúde

Se, por um lado, o carnaval é uma das festas mais alegres do mundo, por outro, a aglomeração, o calor intenso do verão, as chuvas torrenciais e os excessos acabam predispondo as pessoas a adoecerem durante e, especialmente, após esse período. Pensando no seu bem-estar, a DaVita selecionou algumas dicas para você começar e terminar a folia com saúde e alto-astral. Água e companhiaPraia, campo ou blocos na cidade, independentemente do seu destino, hidrate-se de forma abundante a qualquer hora do dia. Para quem não abre mão das bebidas alcoólicas, é imperativo intercalar os drinques com água ou bebidas hidratantes, como água de coco e isotônicos. Como se não bastasse o calor intenso de fevereiro, o álcool também desidrata rapidamente o organismo. Uma boa opção para complementar a hidratação é consumir frutas como melancia, laranja, melão e abacaxi que são ricas em água. Você também pode optar por sorvetes de frutas ou ainda, fazer sucos que combinem vegetais e frutas, pois eles são ótimos para repor sais minerais.  AlimentosNão saia sem se alimentar de verdade, especialmente se for enfrentar uma maratona de blocos e desfiles. O cardápio pré-folia, segundo especialistas, deve conter carboidrato na versão integral, que sacia e garante energia por mais tempo, combinado com uma proteína e vegetais. Um macarrão integral ao sugo, acompanhado de frango grelhado e salada, agrada ao paladar e dá conta do recado. Frituras e alimentos gordurosos, de difícil digestão, são más escolhas. Leve ainda uma fruta ou barrinha de cereais para comer durante a festa. Sanduíche, só se for com recheios que não se deterioram facilmente, como atum ou sardinha em conserva. Procure não comer alimentos preparados por ambulantes, que podem estar contaminados por causa das más condições de higiene e do calor.  SolAinda que esteja longe da praia, não vá para a folia durante o dia sem protetor solar. Para peles claras, use FPS 30, no mínimo, e para peles escuras, FPS 15. Recorra também a acessórios como chapéu ou boné e óculos de sol, bem como roupas leves. Um único dia de exagero pode minar o restante da festa. Evite ainda a exposição solar nos horários de maior incidência dos raios ultravioleta, ou seja, das 10h às 16h. Doenças causadas por mosquitosContra a febre amarela, é possível e recomendado vacinar-se dez dias antes da viagem. Hoje, apenas alguns estados do Nordeste não são considerados áreas endêmicas da doença. Portanto, a maioria dos destinos no Brasil requer esse cuidado. Existe uma vacina que previne a dengue, mas tem indicação limitada e está sujeita à prescrição médica. Vale conversar com seu médico com antecedência. Na prática, as estratégias contra a dengue, a febre chikungunya e a infecção pelo vírus zika, as três causadas pelo Aedes aegypti, infelizmente ainda se restringem à aplicação de um repelente potente nas áreas expostas do corpo e à utilização de telas nas janelas.  Sexo É imprescindível usar métodos de barreira física em todas as relações sexuais para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia, sífilis e HIV/aids, entre outras. Nesse período, o Ministério da Saúde sempre aumenta a distribuição de preservativos femininos e masculinos não só nos postos de saúde, como também em locais de grande fluxo de pessoas. Mas isso não basta. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, o álcool e outras substâncias que prejudicam a capacidade de julgamento também configuram fator de risco para a aquisição de doenças como HIV/aids. Leve em conta mais esse aspecto para moderar o consumo de bebidas alcoólicas e ficar longe de drogas ilícitas.  Viagem Quem vai pegar estrada deve fazer uma revisão no automóvel e nos pneus antes de partir, além de planejar a viagem, com paciência e sem pressa de chegar. É imprescindível se programar para dirigir sem sono ou cansaço. Além disso, deve-se respeitar as placas de sinalização e a velocidade permitida, bem como manter distância do veículo da frente . Convém ainda lembrar que álcool e volante não combinam, tampouco olhar o celular no trânsito. Se houver alguma urgência para resolver por telefone ou por mensagem, vá para o acostamento.  Para quem tem, como destino, locais muito afastados ou exóticos, é interessante levar uma farmacinha para situações mais comuns, como picadas de insetos, alergias, ferimentos leves, diarreias e resfriados. Peça orientações para seu médico.

03/02/2020
Prevenção

Cinco escolhas que ajudam a prevenir o câncer

Quem disse que você não pode fazer nada para escapar do câncer? De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a maioria dos casos são relacionados a fatores externos que podem ser modificados de alguma forma. Entre eles, hábitos nocivos como fumar e ingerir bebidas alcoólicas, bem como estilo de vida pouco saudável, que inclui o sedentarismo e o costume de consumir fast-food. Além disso, os problemas decorrentes da ação do próprio homem no meio ambiente também podem ser considerados um fator externo.  Apenas uma pequena parte dos casos de câncer derivam de fatores internos, como falhas no sistema imunológico que impedem o organismo de eliminar células malignas e alterações genéticas relacionadas a diversos tipos de carcinomas. Mesmo assim, com as descobertas da ciência, algumas ações já podem ser tomadas para deter esse inimigo íntimo. Por exemplo, na presença de alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam consideravelmente o risco de tumor de mama e de ovário, pode haver indicação de cirurgias para a remoção preventiva dessas estruturas. Diante disso, a DaVita Serviços Médicos selecionou cinco medidas que você pode tomar para ajudar a evitar o surgimento do câncer ao longo de sua vida. 1. Fique longe do cigarro e do consumo de bebidas alcoólicas O tabagismo está implicado em uma grande porcentagem dos casos de câncer de pulmão, segundo o Inca, bem como em tumores de bexiga, boca, faringe, estômago, fígado, colo do útero, esôfago, rim, além da leucemia mieloide aguda. Vale lembrar que as pessoas que convivem com os fumantes também podem ser afetadas por esses cânceres, dado o consumo passivo das mais de quatro mil substâncias tóxicas do cigarro, 40 delas, inclusive, cancerígenas.  Outra droga socialmente tolerável é o álcool, que assim como o cigarro, também possui grande parcela de culpa quando se trata de câncer. Consumir bebidas alcoólicas pode aumentar o risco de tumores malignos na boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino e mama. E não há níveis seguros de consumo para prevenir a doença, afirma categoricamente o Inca. Assim, convém restringir ao máximo sua ingestão e mesmo assim, em doses pequenas. A combinação de bebidas alcoólicas e tabaco, em particular, aumenta o risco de desenvolver câncer em 150 vezes, segundo o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Isso porque o álcool funciona como uma espécie de solvente nas mucosas, facilitando a entrada dos agentes tóxicos, a exemplo dos contidos no cigarro. 2. Controle o peso e mantenha uma alimentação saudável Com o excesso de gordura o organismo sofre um processo inflamatório que eleva a produção de hormônios capazes de danificar as células e levar ao surgimento de diferentes cânceres. De acordo com o Inca os de esôfago,  estômago, pâncreas, vesícula biliar,  fígado, intestino, rim, mama – inclusive em homens –, ovário, endométrio, próstata e tireoide, além de mieloma múltiplo e linfoma difuso de grandes células B, duas doenças hematológicas malignas. A prática regular de exercícios e a manutenção de uma alimentação adequada, que isoladamente também ajudam a prevenir o câncer, são dois grandes aliados no combate ao sobrepeso e a obesidade. Preferencialmente, impedir a instalação de células de gordura desde cedo é a melhor maneira de chegar a idade adulta com peso normal e portanto, menos sujeito a transformação de células saudáveis em células malignas. Dá para começar desde o nascimento, não abrindo mão da amamentação exclusiva nos seis primeiros meses de vida, o que, comprovadamente, evita o sobrepeso anos mais tarde – para a mulher, vale lembrar, amamentar também configura uma proteção contra o câncer de mama.  Conforme a criança começar a comer, acostume-a com pelo menos, cinco vegetais por dia, sempre variando cores, sabores e texturas, bem como com cereais integrais, frutas, feijões e outras leguminosas como a lentilha, pois esses alimentos contém um sem-número de nutrientes que atuam como agentes anticâncer, além das fibras, que previnem o câncer de intestino. Também convém limitar a ingestão de carne vermelha, gorduras e alimentos industrializados, em especial os ultra processados, como embutidos, comida pronta para aquecer e sucos adoçados, entre muitos outros. Esses hábitos, se iniciados na infância, têm mais chances de perdurar ao longo da vida. Só não se esqueça de dar o exemplo. 3. Pratique sexo seguro e vacine-se O papilomavírus humano, ou HPV, agente sexualmente transmissível, geralmente costuma ser a causa do câncer de colo do útero, mas também está envolvido em casos de câncer de vulva, vagina, pênis, ânus, orofaringe e até de boca. Da mesma forma que o vírus da hepatite B, igualmente considerada uma infecção transmitida sexualmente, tem implicação em boa parte dos casos de câncer de fígado. Usar preservativo ajuda a prevenir essas doenças, porém somente essa medida não basta, principalmente quando se trata do HPV, já que a transmissão desse agente ocorre em qualquer etapa do contato sexual. A forma mais efetiva de se proteger contra esses vírus é a imunização. Quem não foi vacinado contra a hepatite B na primeira infância – em geral, pessoas que nasceram antes da década de 1990, quando a vacina foi incluída no Calendário Infantil de Vacinação do Ministério da Saúde –, pode encontrar essa proteção na rede pública, em qualquer idade. Já a vacina recombinante contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, que causam câncer e verrugas genitais, é aplicada dos 9 aos 14 anos em meninos e meninas.  Para adultos, por sua vez, o produto está disponível até os 26 anos nas Unidades Básicas de Saúde e, após essa idade, apenas na rede privada, sendo indicado para quem não teve contato com nenhum desses vírus – há exames que fornecem tal informação. De qualquer forma, se a pessoa já foi contaminada apenas pelo HPV 11, por exemplo, a vacina continuará oferecendo cobertura para os outros três tipos. Por isso, do ponto de vista individual, sempre vale a pena se imunizar, garantem os especialistas. 4. Proteja-se do sol Em nosso país tropical, o maior número de casos de câncer é o de pele não melanoma, que apesar de ser menos letal que os demais, pode deixar sequelas importantes em áreas expostas. Portanto, não dá para negligenciar esse risco. O uso do protetor solar deve ser cotidiano e não apenas na praia ou na piscina, mas em qualquer exposição, incluindo a saída do escritório durante o dia para almoçar.  Para peles claras, os produtos devem ter FPS no mínimo 30, com cobertura para raios ultravioleta A e B. Para peles negras, o FPS pode variar de 15 a 20, dependendo da tonalidade da cútis. Não se esqueça de proteger os lábios. Quem trabalha ou faz atividades físicas sob o sol rotineiramente também precisa se valer de outros acessórios de proteção, tais como roupas, óculos de sol e boné/chapéu.  Em passeios ou atividades de lazer ao ar livre, convém ainda evitar o sol entre 10h e 16h, período da maior incidência dos raios ultravioleta, responsáveis diretos pelas alterações nas células da pele que causam envelhecimento precoce e câncer de pele. 5. Ponha o corpo em movimento Sim, a atividade física tem papel fundamental na prevenção do câncer porque reduz reações inflamatórias no organismo, as quais favorecem o surgimento de mutações em células, que por sua vez, dão origem à doença. Como ajudam a manter o peso ideal, os exercícios contribuem indiretamente para prevenir todos os tumores associados à obesidade e ao sobrepeso. Além disso, diminuem pela metade o risco de câncer de intestino. A explicação, segundo os especialistas, é que a prática cotidiana de atividade física regula o funcionamento intestinal e assim, evita que as substâncias tóxicas – e potencialmente cancerígenas – fiquem muito tempo em contato com a mucosa da região. Pela mesma razão, a ingestão de fibras possui ação anticâncer. Ademais, exercitar-se com frequência colabora para prevenir o câncer de mama, que tem, entre suas diversas causas, a exposição prolongada ao estrógeno, um hormônio feminino. A movimentação do corpo regulariza a produção dessa substância, assim como elimina o excesso de gordura que igualmente se associa ao desenvolvimento de tumores mamários. E basta?Não. Como o câncer é uma doença causada muitas vezes pela combinação dos vários fatores de risco aqui abordados, não dá para abrir mão de consultar, pelo menos anualmente, um médico que conheça bem seu histórico de saúde, como um médico de família. Esse profissional pode avaliar seu estado geral, prestar orientações sobre os exames de rastreamento recomendados em cada etapa da vida – como o papanicolau, preventivo de câncer de colo do útero – e encaminhar você para especialistas diante de queixas diferentes ou de alterações em testes de rotina.  Com essas estratégias, o risco do câncer aparecer pode ser reduzido ou, ainda que ele surja, será possível aumentar a probabilidade de fazer rapidamente o diagnóstico e o tratamento no estágio inicial da doença, quando, em geral, as chances de cura são elevadas. Vamos começar?

20/01/2020
Bem-estar

Ano novo, saúde nova: confira dicas para ampliar sua saúde nos próximos anos

Durante a virada de ano, podemos observar muita gente que nem é supersticiosa adulando a sorte. Por via das dúvidas, as pessoas pulam sete ondas, comem sete bagos de uva, vestem branco com o adereço amarelo para atrair dinheiro e, assim, iniciam o novo ciclo cheias de esperanças e, claro, resoluções. Em geral, todas essas metas envolvem melhorias na aparência, na carreira, nas conquistas materiais e nos relacionamentos. Bem, mas onde fica a saúde? A saúde não costuma ganhar a atenção que merece nessas listas e, quando aparece, é  travestida com a necessidade de emagrecer e de modelar o corpo – não exatamente de ficar mais saudável. Em uma pesquisa feita, por um site norte-americano há alguns anos, com 8 mil pessoas, a perda de peso foi a meta número um para quase 20% dos entrevistados.  Por outro lado, esse desejo indiretamente pode levar a escolhas menos nocivas no estilo de vida, mas o fato é que as resoluções podem e devem ser ampliadas no que diz respeito à saúde. Para ajudar você a dar um upgrade no seu bem-estar neste ano, os médicos da DaVita dão algumas sugestões. Resoluções para melhorar a saúde no novo ano 1. Mexa-se regularmenteA realização de exercícios regulares deve estar no topo da lista de resoluções. Afinal, a prática  traz benefícios gerais: ajuda a perder peso, modela o corpo, melhora o condicionamento físico, aumenta a disposição para qualquer atividade, favorece o bom funcionamento geral do organismo, notadamente do sistema cardiorrespiratório, e contribui para afastar a depressão. As vantagens são de brilhar os olhos, porém não adianta começar com metas muito ousadas. Se você está sedentário há muito tempo, pense em objetivos factíveis. Se não gosta de academia, caminhe, corra, pedale, entre num grupo de dança, aprenda a nadar ou faça exercícios na piscina. Mas comece devagar – nada de abraçar o mundo. E, antes de tudo, converse com um médico que conheça bem sua saúde para que ele possa verificar se você está apto para o exercício escolhido. Qualquer dor mais pronunciada depois de uma semana de pedaladas, por exemplo, pode jogar ladeira abaixo sua resolução. 2. Coma melhorNinguém está dizendo para você entrar numa dieta, mas sim, para ter uma alimentação balanceada na maioria dos dias e não fazer das guloseimas uma rotina. Pode comer hambúrguer com batata frita? Claro que sim. Contudo, esse lanche não pode ser a base da alimentação, pois lhe faltam nutrientes essenciais para saúde e, além disso, contém altos níveis de sódio e gorduras saturadas, nocivas ao coração. Mais do que contar calorias, é necessário ingerir todos os tipos de nutrientes, o que facilmente se consegue com o consumo de uma variedade de frutas, vegetais, proteínas (carne, peixe, frango), cereais integrais (diferentes tipos de arroz, trigo, cevada) e leguminosas (feijão, lentilha, soja, grão de bico). Doces, sal, gorduras e industrializados em geral exigem moderação.   4. Beba mais água Nas pausas para o cafezinho, tome também um copo de água ou encha uma garrafa para deixar junto de você. O certo não é esperar sentir sede, mas se hidratar o dia todo. Ora, se nosso corpo é formado por cerca de 60% a 70% de água, a falta de reposição desse combustível afeta seu funcionamento, provocando cãibras, cansaço, pele ressecada, alterações na pressão arterial, prisão de ventre, cálculos renais e até problemas de cognição – sim, o cérebro depende bastante da hidratação corporal. Não há exatamente um consenso sobre o volume recomendado, mas isso varia de pessoa a pessoa. Quem transpira mais devido à prática de atividade física, por exemplo, precisa aumentar o consumo hídrico. De qualquer modo, uma boa medida é a cor da urina, que deve estar sempre amarelo-clara para sinalizar boa hidratação. Fique atento a esse indicador e insira a meta da água no dia a dia. 5. Durma bemEstabeleça um horário máximo para se deitar e faça a chamada higiene do sono. Não jante logo antes de dormir nem se exercite à noite. No mais, procure criar um ritual: prepare o quarto, diminua as luzes e mantenha a temperatura agradável. Nada de tentar adormecer com a TV ligada, tampouco de olhar o celular quando já quando estiver deitado no travesseiro. No máximo, vale ler algumas páginas de um livro para relaxar. Dormir bem é um dos pilares para uma vida saudável. Noites maldormidas interferem na concentração e na disposição, além de aumentarem o risco de acidentes. Mexem também com o sistema endócrino, bagunçando o metabolismo e aumentando a necessidade de insulina em até um terço, segundo os especialistas. Isso significa que quem dorme mal não apenas ganha mais peso, como também apresenta maior risco de desenvolver o diabetes tipo 2.  6. Tome banhos diários de sol Cerca de 10 a 25 minutos diários, fora do horário de maior incidência dos raios ultravioleta, entre 10 e 16 horas, exponha braços e pernas ao sol, como se faz com os bebês. O banho de sol, no jargão dos especialistas, ajuda a “fazer osso”. Isso porque a pele, quando em contato com o astro-rei, produz vitamina D, um pró-hormônio que ajuda o cálcio a ser absorvido pelo corpo e é depositado no esqueleto.  Para cumprir a meta, você precisa incorporar algum hábito que o faça ter alguma exposição solar – só ficar com um braço para fora do carro não resolve. Quer sugestões? Leve as crianças a pé para a escola, compre pães frescos todos os dias na padaria mais distante do bairro ou saia para passear com o cachorro antes de ir para o trabalho – o que, aliás, vai fazer bem para a saúde dele também. Vale lembrar que a vitamina D, além de regular o metabolismo ósseo em todas as idades, tem participação no sistema imunológico, de modo que sua deficiência está ligada com o desenvolvimento de doenças autoimunes, nas quais as células de defesa atacam estruturas do próprio corpo, a exemplo de artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico. 7. Não envenene o organismoCigarro, álcool, automedicação... Seu corpo não merece esse disparate. Parar de fumar talvez seja a meta mais difícil, mas não impossível. O tabagismo é uma condição clínica que, como tal, precisa de tratamento (link para matéria de tratamento para parar de fumar). Só determinação não basta. Hoje há programas antitabagismo interessantes, que combinam terapia e medicamentos. Converse com um médico da sua confiança e estabeleça uma data para deixar de se intoxicar. Você vai ficar livre de mais de 4 mil substâncias tóxicas, voltará a sentir cheiros e sabores que antes se perdiam na fumaça e diminuirá aos poucos o seu risco para alguns tipos de câncer e, especialmente, para doenças cardiovasculares.  Bastante tolerado e associado às comemorações, o álcool, em excesso, pode se tornar um problema sério. Além de fazer o fígado adoecer, a ingestão exagerada de bebida alcoólica produz efeitos no sistema nervoso que afetam o comportamento e, não raramente, resultam em problemas familiares e sociais, sem falar em acidentes. Antes que esse hábito se transforme numa dependência, reduza a frequência com que bebe, bem como suas doses. Se não conseguir, tente buscar a ajuda de um profissional. Por fim, não abuse de remédios sem prescrição. Aumentar uma dose por conta própria pode ser letal. Mesmo que se trate de uma aparentemente inofensiva Aspirina®. Se você precisa de medicações a toda hora, ainda que para dor de cabeça ou qualquer sintoma inespecífico, há algo errado que deve ser resolvido e investigado com um médico que conheça bem seu histórico de saúde. 8. Passe mais tempo com a família e os amigosAs relações humanas são fundamentais para a saúde. Quem vive sozinho tem mais chance de adoecer. Uma pesquisa do Ministério da Saúde, por exemplo, mostrou que homens que vivem solitários na terceira idade têm uma expectativa de vida menor porque se descuidam – são as companheiras que os fazem procurar atendimento médico diante de alguma queixa. O isolamento, em qualquer idade, ainda favorece o desenvolvimento de transtornos de humor, sobretudo a depressão. Assim, por mais que você precise trabalhar, determine um limite de horas dedicadas às atividades profissionais para que possa estar com amigos, companheiro, filhos e pais, de forma que não seja sempre o último a chegar em casa e fazer suas refeições sozinho. A partir deste ano, deixe de sair tarde do escritório. Use o almoço para encontrar amigos, tome um café com seus pais em alguns dias da semana, surpreenda sua família com um programa inesperado. O que vale nessa vida são as horas que passamos com quem mais amamos.  9. Combata o estresseNão, ele não vai embora porque existe desde sempre. O estresse prepara o corpo para reagir a um perigo, liberando adrenalina e cortisol. Na época das cavernas, o homem dava vazão a essas substâncias ao fugir das ameaças ou mesmo ao enfrentá-las. Hoje, porém, o organismo continua se comportando da mesma forma, mas as ameaças são de outra natureza – o engarrafamento, o medo da violência, as metas profissionais, as dificuldades no trabalho, as preocupações financeiras – e não conseguimos nos livrar facilmente dos efeitos desses dois hormônios, que aceleram os batimentos cardíacos, aumentam a pressão arterial e, em longo prazo, polarizam doenças.  A prática de atividade física é uma forma de debelar o estresse – portanto, se você cumprir a resolução número um, automaticamente dará conta desta. Cultivar hobbies também ajuda a reduzir as tensões. Cozinhar, cuidar do jardim, desenhar e pintar são alguns exemplos de atividades que podem ajudar seu corpo a entender que você não está sob ameaça o tempo todo.  10. Aprenda uma nova tarefaQue tal voltar a estudar? Não precisa ser uma nova faculdade, tampouco a conclusão de um curso interrompido. Você pode ingressar num programa para aprender alguma coisa diferente, desafiante mesmo. Tal decisão ajuda você de todas as formas. Amplia sua rede de relacionamentos e também sua rede de conexões neuronais. Quanto mais aprendemos, menos desenvolvemos demências na terceira idade, garantem os especialistas. Para atender a mais de um objetivo com os estudos, você pode envolver alguém da família nessa iniciativa, por exemplo, e, assim, passar mais tempo com essa pessoa. 11. Use as redes sociais com moderaçãoAs redes sociais tornam as pessoas mais próximas, ajudam a marcar encontros e a divulgar informações relevantes, mas têm seu lado B. Na área da saúde, prestaram um grande desserviço nos últimos anos, ao circularem notícias falsas sobre vacinação, que ainda hoje atrapalham muito a adesão das pessoas a essa proteção. No panorama sociopolítico, provocam desavenças, perseguições e culminam com um resultado contrário: separam pessoas ao invés de agregá-las. E há ainda outra vertente perigosa: o vício nas redes, que roubam horas de trabalho e de sono, assim como a atenção que poderia ser dada aos entes queridos, gerando improdutividade, isolamento, ansiedade e depressão. Contra tudo isso, mude a forma de empregar essas ferramentas. Utilize o WhatsApp para mensagens pontuais – já cheguei, espero você no endereço tal, deixei a encomenda na sua portaria. Não se exponha nas demais, tampouco sua família e filhos pequenos. Não gaste tempo sondando a vida de colegas, famosos e formadores de opinião – o jardim do vizinho é sempre mais verde. O melhor mesmo, após o trabalho, é usar o celular para a primeira finalidade do aparelho – como telefone – e aproveitar o pouco tempo livre para viver. Parafraseando o verso de uma música que o ex-Beatle John Lennon dedicou ao seu filho, a vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados fazendo outros planos.

13/01/2020
Prevenção

Hiperplasia benigna: um dos problemas mais comuns de próstata

Exclusiva do aparelho reprodutor masculino, a próstata é uma glândula que fabrica esperma, o líquido que nutre os espermatozoides e que representa cerca de 30% da composição do sêmen. Está localizada junto de estruturas do trato urinário, ou seja, logo abaixo da bexiga e ao redor da uretra, por onde a urina sai. Apesar de suas dimensões diminutas perto de outros órgãos – pesa em torno de 20 gramas –, pode passar a incomodar à medida que os anos avançam.  Isso porque, na meia-idade, as células prostáticas começam se multiplicar, o que ainda não está bem explicado pela ciência, mas parece decorrer do envelhecimento e de uma combinação de fatores hormonais, genéticos e ambientais. Em consequência, ocorre um crescimento anormal da glândula na maioria dos homens, configurando a chamada hiperplasia da próstata, que vale deixar bem claro, nada tem a ver com câncer nem aumenta o risco. A hiperplasia é uma lesão benigna, restrita à glândula. No tumor maligno, as células crescem e invadem outros tecidos. Devido à localização da próstata, no entanto, o aumento de suas dimensões vai pressionando a bexiga e apertando a uretra. Por isso, a condição pode causar sintomas urinários obstrutivos ou de armazenamento – na prática, dificuldade para urinar e aumento da frequência das micções. Essas manifestações podem ser bem toleradas no começo, mas, conforme o tempo passa, atrapalham bastante a qualidade de vida do homem e também elevam o risco de infecções urinárias, obstruções graves, retenção importante de urina, cálculos urinários e até insuficiência renal.  Como se detecta a hiperplasia de próstata  O diagnóstico depende do exame clínico – de toque retal – e do levantamento da história do paciente para que o médico possa afastar outros problemas urinários e saber, por exemplo, se há uso de medicamentos que interferem no funcionamento da bexiga, tais como antialérgicos e diuréticos, além de consumo excessivo de líquidos e de cafeína, que estimulam a diurese. Alguns testes complementares são necessários, como a dosagem sanguínea do antígeno prostático específico, ou PSA, um marcador de alterações na glândula, que se eleva discretamente nesses casos. Por sua vez, o exame de urina e a ultrassonografia das vias urinárias ajudam a afastar a possibilidade de distúrbios exclusivos do trato urinário. Por fim, existem métodos diagnósticos específicos para medir a força do jato de urina e o esvaziamento da bexiga, entre outros parâmetros que dão suporte ao diagnóstico, como é caso da urodinâmica e da urofluxometria. Opções de tratamento para a hiperplasia prostática Uma vez detectada a hiperplasia benigna da próstata, os especialistas costumam tratar apenas os pacientes sintomáticos. Do contrário, mantém-se uma vigilância periódica das dimensões da próstata, com exame clínico e dosagem de PSA, pelo menos. Para casos que vão de leves a moderados, o problema pode ser tratado com medicamentos. Existem hoje várias categorias de fármacos usadas nesse contexto, que são selecionadas conforme o tipo de sintoma apresentado pelo paciente, de forma isolada ou combinada. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, os alfabloqueadores estão entre as drogas mais utilizadas, já que aliviam as queixas urinárias logo nas primeiras semanas.  Todas as classes de medicamentos, no entanto, apresentam efeitos adversos que devem ser discutidos entre médico e paciente antes de tudo. Ademais, nenhum deles cura a condição. São remédios de uso contínuo, o que significa que, se interrompida sua administração por qualquer razão, os sintomas tornam a aparecer. Quem apresenta um quadro clínico mais intenso ou não responde aos fármacos tem indicação de realizar cirurgia. Hoje, o tratamento cirúrgico é feito sobretudo por métodos menos invasivos, como o procedimento endoscópico, que usa uma microcâmera dotada de um tipo de garra, que vai da uretra até a próstata e ali abre um caminho para o escoamento da urina, ou intervenção a laser, semelhante na execução, mas com menores efeitos indesejáveis. A cirurgia convencional, com incisão abdominal, fica reservada a poucos casos. Da mesma forma que no caso dos medicamentos, o paciente deve entender vantagens e desvantagens. O fato é que nenhum homem precisa ter sua qualidade de vida comprometida por conta do aumento da próstata. Mais um motivo para visitar periodicamente o urologista a partir da meia-idade e não ser pego de surpresa pela condição. Sintomas do aumento da próstata De armazenamento: - Urgência em urinar;- Aumento da frequência das micções, especialmente à noite;- Incontinência urinária (escape);- Dores para urinar. Obstrutivos: - Demora para iniciar a micção, mesmo quando precisa urinar;- Interrupção involuntária da micção;- Jato de urina fraco;- Sensação de que a bexiga não foi totalmente esvaziada;- Gotejamento ao fim da micção. Dá para prevenir a hiperplasia de próstata? Se o homem caminha para viver cada vez mais, a hiperplasia de próstata acabará chegando no futuro, mais dia menos dia. Contudo, os especialistas acreditam que a manutenção de um estilo de vida saudável ao longo dos anos, com atividade física regular, controle do peso e ingestão de vegetais, frutas, peixes e castanhas, exerça algum efeito sobre a prevenção da condição. Vale tentar, mesmo porque essa conduta também evita muitas outras doenças.

23/12/2019
Saúde da Mulher

Sífilis Não é coisa do passado. Saiba como se prevenir

Da mesma forma que a aids assustou a comunidade científica nos anos 80, pela rapidez com que levou as pessoas contaminadas pelo vírus HIV à deficiência quase completa das defesas orgânicas, a sífilis deixou os médicos atordoados no século 16, quando se espalhou numa velocidade impressionante em todas as esferas sociais da Europa de então. Foi a primeira epidemia de infecção sexualmente transmissível de que se tem notícia. A medicina da época não apresentava registros sobre a doença, que começa com pequenas feridas na área genital, as quais desaparecem espontaneamente e não deixam cicatrizes (fase primária), sendo seguida, em alguns meses, por manchas no corpo, febre e mal-estar (fase secundária), que também podem regredir sem nenhuma intervenção. Num intervalo de tempo bastante variável, após um período sem sintomas (fase latente), o quadro muitas vezes culmina com graves complicações neurológicas e cardíacas, assim como com lesões nos ossos e na pele (fase terciária).  Não demorou muito para que a doença fosse associada ao ato sexual, porém inicialmente a culpa pela transmissão foi atribuída apenas às relações ilícitas. Logo também se observou que mães contaminadas podiam gerar filhos doentes, com consequências que variavam de malformações, surdez e cegueira até aborto espontâneo e morte ao nascer. Foram séculos difíceis para muita gente do velho continente – assim como do novo –, já que não havia tratamento eficaz. Enfim, no começo do século 20, o causador de tanto estrago foi descoberto. Tratava-se da bactéria Treponema pallidum, transmitida em qualquer tipo de relação sexual, mas também em transfusões sanguíneas e de forma vertical, da mãe para o bebê, durante a gestação ou no momento do parto, conforme a fase da doença da gestante. A partir de então, surgiram formas terapêuticas mais efetivas, até a descoberta da penicilina, em 1943, que trouxe finalmente a cura para a enfermidade. Sífilis não ficou no passado Com esse histórico, é natural que muitas pessoas pensem que sífilis é coisa do passado. É aí que mora o perigo. A doença nunca deixou de existir e, diferentemente de algumas enfermidades infectocontagiosas, uma pessoa contaminada pode ser curada da infecção e voltar a contraí-la ao praticar sexo sem proteção. Hoje, 12 milhões de pessoas ao redor do globo estão infectados, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, o último Boletim Epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde, divulgado em dezembro do ano passado, com dados sobre 2017, mostrou que fechamos aquele ano com 120 mil casos de sífilis contraídas por relações sexuais desprotegidas, 24,6 mil casos da forma congênita – de crianças que nasceram com a doença – e 49 mil casos em gestantes. Parece pouco perto do contingente global, mas o que vem preocupando as autoridades de saúde é o aumento significativo da quantidade de casos. O número de pessoas que contraíram a doença através do ato sexual desprotegido cresceu 29 vezes em sete anos no País, tendo passado de 2 casos por 100 mil habitantes, em 2010, quando a infecção começou a ser notificada compulsoriamente, para 58,1 por 100 mil, em 2017. O que facilita a transmissão de sífilis? Alguns fatores explicam esse surto, segundo os especialistas. O principal é a falta de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis. As gerações atuais não conheceram a epidemia de aids, não viram as consequências decorrentes de complicações da doença e já nasceram com a falsa segurança do coquetel de medicamentos antirretrovirais para controlar a multiplicação do vírus HIV. Assim, o uso de preservativo nas relações sexuais tem sido ignorado, o que abre espaço para a sífilis e outras doenças sexualmente transmitidas. O grupo mais afetado, segundo o Ministério da Saúde, é justamente o das mulheres jovens, na faixa dos 20 a 29 anos, no auge da fertilidade, o que ajuda a explicar o crescimento da infecção em gestantes e bebês. Outro fator que contribuiu para esse cenário foi a falta de antibióticos para combater a sífilis, como a injeção de penicilina benzatina, entre 2016 e 2017, nos hospitais e serviços de saúde. A OMS reconheceu esse problema, que também atingiu outros 20 países, incluindo os Estados Unidos, o que favoreceu o crescimento do número global de casos.  O número de casos aumentou também pela falta de informação sobre as formas de contágio, sintomas e prevenção. Muitos desconhecem estar infectados pelo Treponema pallidum por conta da variação dos sintomas nas diferentes fases da infecção, que se alternam com períodos de melhora. Por isso, é importante aprender a reconhecer os sintomas da sífilis e, diante de qualquer suspeita, procurar a orientação de um médico ou buscar uma Unidade Básica de Saúde para fazer os exames necessários, que são gratuitos na rede pública.  Como é feito o diagnóstico de sífilis? Em 30 minutos, a pessoa realiza um teste rápido, que indica um resultado negativo ou positivo para sífilis. Em caso de positivo, é preciso confirmá-lo com um exame diferente, que leva mais tempo para ficar pronto. Com o diagnóstico estabelecido, o tratamento é feito por meio de injeções de penicilina benzatina, conforme a fase da doença, sendo estendido ao parceiro sexual da pessoa infectada. Há ainda necessidade de acompanhamento laboratorial até que os testes fiquem negativos. Já o diagnóstico na gestante ocorre no pré-natal, com a pesquisa de sífilis nos três trimestres gestacionais para confirmar uma possível contaminação. Se o resultado de algum dos exames for positivo, a gestante e o parceiro sexual são imediatamente tratados para evitar uma nova infecção e não comprometer a saúde do feto. Caso a gestante esteja infectada por algum motivo e não faça o tratamento adequado, o bebê, ao nascer, deve passar por uma bateria de exames e, com o diagnóstico confirmado, fica internado por dez dias para receber antibiótico.  Como se prevenir contra a sífilis? O ideal é planejar a gravidez e realizar o exame para sífilis antes de qualquer tentativa de engravidar, só estando seguro diante de um resultado negativo ou, no caso de haver infecção, apenas após tratamento e confirmação da cura. Como esse cuidado nem sempre acontece, seguir o pré-natal à risca é a melhor opção para a prevenção da sífilis congênita. Para evitar a sífilis através do ato sexual, a regra é usar preservativo masculino ou feminino em qualquer relação sexual, além de visitar um médico periodicamente para um check-up. Conheça as fases da sífilis e os sintomas PrimáriaFerida, geralmente única, no local de entrada da bactéria em qualquer região do aparelho genital, colo uterino, ânus, boca ou mesmo pele, que surge entre 10 e 90 dias após o contágio. A ferida não dói nem arde, muito menos coça ou apresenta pus, desaparecendo de forma espontânea. Pode causar também aumento dos linfonodos na virilha.  SecundáriaOcorre entre seis semanas e seis meses após a cicatrização da ferida, com manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, que não coçam, além de febre, mal-estar, dor de cabeça e aumento dos linfonodos. Essas manifestações podem regredir sem tratamento, embora a doença continue ativa no organismo. TerciáriaExiste a possibilidade de se manifestar num longo intervalo de tempo após o início da infecção, entre 2 e 40 anos depois da fase primária, com manifestações graves no coração, no sistema nervoso central, na pele e nos ossos.  LatenteNão apresenta sintomas, muito embora a bactéria permaneça no organismo, e se divide em sífilis latente recente, quando ocorre há menos de dois anos da infecção, e sífilis latente tardia, quando ocorre há mais de dois anos. Pode ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

02/12/2019
Saúde do Homem

Hiperplasia benigna: um dos problemas mais comuns de próstata

Exclusiva do aparelho reprodutor masculino, a próstata é uma glândula que fabrica esperma, o líquido que nutre os espermatozoides e que representa cerca de 30% da composição do sêmen. Está localizada junto de estruturas do trato urinário, ou seja, logo abaixo da bexiga e ao redor da uretra, por onde a urina sai. Apesar de suas dimensões diminutas perto de outros órgãos – pesa em torno de 20 gramas –, pode passar a incomodar à medida que os anos avançam.  Isso porque, na meia-idade, as células prostáticas começam se multiplicar, o que ainda não está bem explicado pela ciência, mas parece decorrer do envelhecimento e de uma combinação de fatores hormonais, genéticos e ambientais. Em consequência, ocorre um crescimento anormal da glândula na maioria dos homens, configurando a chamada hiperplasia da próstata, que, vale deixar bem claro, nada tem a ver com câncer nem aumenta esse risco. A hiperplasia é uma lesão benigna, restrita à glândula. No tumor maligno, as células crescem e invadem outros tecidos. Devido à localização da próstata, no entanto, o aumento de suas dimensões vai pressionando a bexiga e apertando a uretra. Por isso, a condição pode causar sintomas urinários obstrutivos ou de armazenamento – na prática, dificuldade para urinar e aumento da frequência das micções. Essas manifestações podem ser bem toleradas no começo, mas, conforme o tempo passa, atrapalham bastante a qualidade de vida do homem e também elevam o risco de infecções urinárias, obstruções graves, com retenção importante de urina, cálculos urinários e até de insuficiência renal.  Como se detecta a hiperplasia de próstata  O diagnóstico depende do exame clínico – de toque retal – e do levantamento da história do paciente para que o médico possa afastar outros problemas urinários e saber, por exemplo, se há uso de medicamentos que interferem no funcionamento da bexiga, tais como antialérgicos e diuréticos, além de consumo excessivo de líquidos e de cafeína, que estimulam a diurese. Alguns testes complementares são necessários, como a dosagem sanguínea do antígeno prostático específico, ou PSA, um marcador de alterações na glândula, que se eleva discretamente nesses casos. Por sua vez, o exame de urina e a ultrassonografia das vias urinárias ajudam a afastar a possibilidade de distúrbios exclusivos do trato urinário. Por fim, existem métodos diagnósticos específicos para medir a força do jato de urina e o esvaziamento da bexiga, entre outros parâmetros que dão suporte ao diagnóstico, como é caso da urodinâmica e da urofluxometria. Opções de tratamento para a hiperplasia prostática Uma vez detectada a hiperplasia benigna da próstata, os especialistas costumam tratar apenas os pacientes sintomáticos. Do contrário, mantém-se uma vigilância periódica das dimensões da próstata, com exame clínico e dosagem de PSA, pelo menos. Para casos que vão de leves a moderados, o problema pode ser tratado com medicamentos. Existem hoje várias categorias de fármacos usadas nesse contexto, que são selecionadas conforme o tipo de sintoma apresentado pelo paciente, de forma isolada ou combinada. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, os alfabloqueadores estão entre as drogas mais utilizadas, já que aliviam as queixas urinárias logo nas primeiras semanas.  Todas as classes de medicamentos, no entanto, apresentam efeitos adversos que devem ser discutidos entre médico e paciente antes de tudo. Ademais, nenhum deles cura a condição. São remédios de uso contínuo, o que significa que, se interrompida sua administração por qualquer razão, os sintomas tornam a aparecer. Quem apresenta um quadro clínico mais intenso ou não responde aos fármacos tem indicação de realizar cirurgia. Hoje, o tratamento cirúrgico é feito sobretudo por métodos menos invasivos, como o procedimento endoscópico, que usa uma microcâmera dotada de um tipo de garra, que vai da uretra até a próstata e ali abre um caminho para o escoamento da urina, ou intervenção a laser, semelhante na execução, mas com menores efeitos indesejáveis. A cirurgia convencional, com incisão abdominal, fica reservada a poucos casos. Da mesma forma que no caso dos medicamentos, o paciente deve entender vantagens e desvantagens. O fato é que nenhum homem precisa ter sua qualidade de vida comprometida por conta do aumento da próstata. Mais um motivo para visitar periodicamente o urologista a partir da meia-idade e não ser pego de surpresa pela condição. Sintomas do aumento da próstata De armazenamento: - Urgência em urinar;- Aumento da frequência das micções, especialmente à noite;- Incontinência urinária (escape);- Dores para urinar. Obstrutivos: - Demora para iniciar a micção, mesmo quando precisa urinar;- Interrupção involuntária da micção;- Jato de urina fraco;- Sensação de que a bexiga não foi totalmente esvaziada;- Gotejamento ao fim da micção. Dá para prevenir a hiperplasia de próstata? Se o homem caminha para viver cada vez mais, a hiperplasia de próstata acabará chegando no futuro, mais dia menos dia. Contudo, os especialistas acreditam que a manutenção de um estilo de vida saudável ao longo dos anos, com atividade física regular, controle do peso e ingestão de vegetais, frutas, peixes e castanhas, exerça algum efeito sobre a prevenção da condição. Vale tentar, mesmo porque essa conduta também evita muitas outras doenças.

18/11/2019
Saúde do Homem

Próstata: chegou a hora da consulta com o urologista

Novembro Azul na DaVita De acordo com um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mais da metade da população masculina só vai ao médico a pedido da esposa ou do empregador. Isso ajuda, em parte, a justificar a alta taxa de mortalidade pelo câncer de próstata no Brasil, de 25%, apesar de se tratar de um tumor de desenvolvimento lento – segundo o Instituto Nacional do Câncer, a maioria leva cerca de 15 anos para crescer um centímetro cúbico.  Essa hesitação em visitar o consultório, em particular o do urologista, já melhorou com o advento dos tratamentos para disfunção erétil, popularmente conhecida como impotência sexual, mas persiste nos dias atuais. Para os especialistas, o homem, sobretudo aquele que precisa marcar a consulta com o urologista pela primeira vez, ainda teme o exame de toque retal por preconceito e medo de dor.  Ocorre que o exame é essencial para avaliar a saúde da próstata, uma vez que permite ao urologista palpar a glândula e perceber quaisquer anormalidades ali presentes. Essa avaliação, em conjunto com a dosagem do antígeno prostático específico (PSA), um exame de sangue que, quando aumentado, sugere que a glândula apresenta algum distúrbio, alcança mais de 90% de eficiência para diagnosticar um tumor na região.  Na ausência de alterações físicas na próstata e na dosagem de PSA, médico e paciente combinam, de forma personalizada, o intervalo até a nova avaliação, que varia conforme riscos e achados de cada consulta. Já diante de resultados alterados, a investigação costuma prosseguir com ultrassonografia e biópsia da glândula, procedimento que retira fragmentos das lesões para análise no laboratório e pode revelar se elas são benignas ou malignas. Vale lembrar que a visita ao urologista configura igualmente uma boa oportunidade para que esse médico possa avaliar o estado geral da saúde do homem – e voltamos ao início deste texto –, já que, como indica a pesquisa da SBU, ele não é muito de passar na porta do consultório. Prevenção do câncer de próstata para as futuras gerações  Para desmistificar essa consulta no universo masculino, os especialistas vêm recomendando que os garotos adolescentes sejam levados para a primeira consulta com o urologista assim que iniciarem sua vida sexual – da mesma forma que as garotas, que logo são estimuladas a procurar o ginecologista para que recebam orientações sobre saúde sexual e prevenção de gravidez precoce, de doenças sexualmente transmissíveis e de outros problemas incidentes no sexo feminino. Com essa iniciativa, além de ser devidamente orientado em relação aos cuidados para uma vida sexual saudável, o rapaz pode criar um vínculo com esse especialista, que vai facilitar as coisas, no futuro, quando a questão da próstata estiver em evidência.  Dê esse passo e vá conversar com um urologista sobre sua saúde integral.  

12/11/2019
Prevenção

Automedicação e disfunção erétil: problemas à vista

Ainda no século passado, em 1998, a indústria farmacêutica apresentava ao mundo o citrato de sildenafila, ou sildenafil, para disfunção erétil, que é a incapacidade de ter ou manter uma ereção suficiente para a atividade sexual. O remédio, famoso como o “comprimido azul”, antes usado no manejo de doenças cardíacas, permitiu que muitos homens na maturidade voltassem a se relacionar sexualmente e pôs em pauta um assunto sobre o qual não se falava abertamente.  Na esteira do sildenafil ainda vieram outros fármacos da mesma classe, que funcionam de modo parecido, dilatando os vasos sanguíneos existentes dentro do pênis e aumentando o fluxo de sangue nos corpos cavernosos para facilitar a ereção.  Passados 20 anos, no entanto, o sucesso do tratamento vem trazendo algumas preocupações para os médicos. Apesar de a novidade ter aproximado o homem do consultório do urologista, hoje 62% dos indivíduos do sexo masculino compram esses remédios sem prescrição, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia.  Os perigos da automedicação A automedicação é uma prática condenada pela comunidade médica por oferecer vários riscos e atrasar, ou até mesmo impedir, o correto diagnóstico de uma queixa. Com a disfunção erétil não é diferente. Ela pode ser originada por múltiplos fatores, entre os quais distúrbios circulatórios, desequilíbrio hormonal, doenças crônicas como diabetes e alterações neurológicas, sem falar nos aspectos emocionais. O urologista, portanto, precisa investigar e identificar a causa para poder tratá-la e, dependendo da necessidade – que pode nem existir –, prescrever algum medicamento, desde que não haja contraindicações. Outra preocupação está no uso sem prescrição de vários medicamentos ao mesmo tempo. Os remédios da família do sildenafil não podem ser misturados com medicações à base de nitratos – usadas para algumas doenças cardíacas –, já que essa combinação provoca uma queda da pressão arterial muito acentuada. Como o leigo, muitas vezes, desconhece os componentes dos fármacos que utiliza, a prescrição de um eventual medicamento para disfunção erétil deve vir invariavelmente de um médico que conheça o histórico completo do paciente – doenças pregressas e atuais, antecedentes familiares, tratamentos realizados, etc.  Os riscos do uso recreativo de remédios para disfunção erétil Com a popularização do sildenafil, há também homens saudáveis que, embora não tenham problema algum, usam esses remédios de forma recreativa, seja por curiosidade, seja por medo de falhar no ato sexual. Os médicos observam que especialmente os mais jovens têm aderido a essa prática, que, além não trazer benefícios extras à relação, não está isenta de efeitos indesejáveis, entre eles dor de cabeça, rubor na face, congestão nasal, zumbido, palpitações cardíacas e alterações visuais, para citar os mais relatados.  Especialistas em comportamento ainda alertam para o risco de dependência psicológica desses medicamentos em tais circunstâncias, sobretudo entre os rapazes mais novos, que podem passar a atribuir a qualidade de suas relações ao remédio e deixar de acreditar que são capazes de manter a ereção sem esse apoio químico justamente quando estão no ápice de seu vigor sexual, obrigando-se ao uso contínuo de um fármaco que, de outra forma, seria totalmente dispensável.  Mas dá para evitar tudo isso com uma boa conversa com o urologista. Aproveite o Novembro Azul, mês da saúde masculina, e marque uma consulta.

04/11/2019
Saúde do Homem

Hora de pensar na próstata: o que é? Cuidados

Novembro Azul na DaVita Em primeiro lugar, saiba mais sobre ela. Localizada na parte baixa do abdome, a próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino e tem a função de fabricar esperma, líquido que nutre os espermatozoides e facilita seu deslizamento até o óvulo, cumprindo, portanto, importante papel na fase reprodutiva do homem.  Acontece que, entre os 40 e 50 anos de idade, as células prostáticas começam a se multiplicar, em parte estimuladas pela própria testosterona, e promovem um crescimento anormal da glândula, a chamada hiperplasia benigna da próstata, que afeta de 80% a 90% dos indivíduos do sexo masculino na meia-idade, segundo especialistas. Dada sua proximidade com os órgãos do trato urinário, a glândula, aumentada, pressiona a bexiga. Com isso, o homem passa a ter dificuldade para expelir todo o volume urinário acumulado, sentindo necessidade de urinar várias vezes, especialmente durante a noite.   Apesar de os sintomas se intensificarem a partir dos 60 anos, muitos homens chegam a conviver pacificamente com eles. Contudo, para cerca de um terço da população masculina afetada, esse quadro prejudica bastante a qualidade de vida e requer tratamento, que pode ser cirúrgico ou medicamentoso, tanto com fármacos que relaxam a uretra quanto com os que bloqueiam a ação da testosterona na glândula. Tudo vai depender do grau de aumento da próstata. Câncer de próstata – como se prevenir  Pode acontecer também de as células que se multiplicam na região serem malignas e capazes de invadir tecidos vizinhos, dando origem ao câncer de próstata, o segundo mais comum no sexo masculino – o Instituto Nacional do Câncer estima que surgem mais de 60 mil novos casos por ano no Brasil. Por se tratar de uma doença mais frequente depois dos 65 anos, seu desenvolvimento costuma ser lento e assintomático. As manifestações clínicas, que incluem também queixas urinárias, só aparecem num estágio avançado, quando as chances de cura são menores. Por isso, é preciso ter uma postura vigilante para flagrar o tumor no início, conhecer sua natureza e definir a conduta, que, não raro, pode ser simplesmente de acompanhamento com exames. Contudo, diferentemente do que ocorre com o câncer de mama, em que se recomenda o rastreamento mamográfico para todas as mulheres sem sintomas em determinados grupos etários, a pesquisa do câncer de próstata em indivíduos que não apresentam queixas não é feita indistintamente, mas conforme a idade, a história e os riscos de cada paciente. Para facilitar, as sociedades médicas recomendam que homens a partir de 50 anos visitem um urologista para uma avaliação individualizada. Já aqueles que têm risco aumentado de câncer de próstata, como afrodescendentes e pessoas com histórico da doença na família, devem procurar o médico mais cedo, aos 45 anos.  Nos dois grupos, a avaliação pode incluir o exame da glândula, realizado no consultório, e testes laboratoriais, como a dosagem do antígeno prostático específico, ou PSA, um biomarcador, presente no sangue, que aumenta quando há alterações de qualquer natureza na próstata. A periodicidade das consultas é definida caso a caso. Aproveite este mês para cuidar de sua saúde. Marque uma consulta com um urologista.

23/09/2019
Prevenção

Quem doa órgãos, promove a vida

Em 2012, a jovem britânica Jemima estava ajudando a preparar a festa de aniversário da mãe quando, subitamente, desmaiou. Levada ao Hospital de Bristol, na Inglaterra, foi diagnosticada com um aneurisma cerebral e veio a falecer quatro dias depois. Como ela não apresentou nenhum problema de saúde antes do ocorrido, vários de seus órgãos estavam em condições para ser doados. E assim foi feito. Seus pais autorizaram os procedimentos e, dessa forma, o coração, o pâncreas, os pulmões, os rins, o intestino delgado e o fígado, dividido em duas partes, mudaram o destino de oito pessoas – um recorde –, sendo cinco delas crianças. Hoje, a família da menina dirige a ONG The Jemima Layzell Trust, que tem como um de seus objetivos incentivar a doação de órgãos. A doação de órgãos da pessoa falecida ainda representa um tema controverso. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o índice brasileiro de recusa, há anos, permanece na casa dos 40%. A situação é compreensível, já que envolve famílias que estão passando por um momento difícil e de sofrimento. A própria mãe de Jemima admitiu à imprensa do Reino Unido que hesitou muito para decidir, mas acabou sendo motivada por uma reportagem que mostrava a dificuldade e a baixa expectativa de vida das crianças que necessitavam de transplante de coração. No Brasil, para ser um doador basta avisar os familiares e não é necessário deixar algum documento por escrito. Por isso é tão importante conversar sobre o assunto naturalmente e expressar esse desejo, de modo a facilitar a decisão dos entes queridos num momento tão doloroso, já que a doação depende da autorização deles. Nem todos os países, no entanto, seguem a mesma legislação. A Holanda, por exemplo, aprovou há pouco tempo uma lei que torna todos os cidadãos automaticamente doadores, a não ser que a pessoa se registre como não doadora.   Remoção dos órgãos Evidentemente, os órgãos só podem ser retirados do doador após a constatação da morte encefálica, o que significa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, sem nenhuma chance de recuperação. Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é feito por exames clínicos repetidos em determinados intervalos por médicos desvinculados da equipe de transplantes (a equipe que constata o óbito não faz parte daquela responsável pela retirada dos órgãos), associados a exames complementares, como eletroencefalograma, que mede a atividade cerebral, e angiografia cerebral, que verifica o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro. Enquanto isso ocorre, o possível doador fica ligado a um ventilador, máquina que permite levar oxigênio para os órgãos, inclusive para o coração – o que possibilita que os batimentos cardíacos continuem –, de forma que todos eles permaneçam viáveis para doação. Além de rins, pulmões, fígado, intestino, coração e pâncreas, podem ainda ser aproveitados em outros pacientes os ossos, os tendões, as válvulas cardíacas, a pele e as córneas. Independentemente do caso, o órgão e/ou tecido são  retirados por meio de uma cirurgia como qualquer outra (a exemplo da remoção do apêndice ou da vesícula) e o corpo do doador não fica com deformidades relacionadas ao procedimento.   Espera ainda grande O Brasil tem avançado nesse cenário, muito embora ainda haja um número expressivo de indivíduos à espera de órgãos. De acordo com dados da ABTO, em 2018, a fila de transplantes tinha mais de 33,4 mil pessoas – a maioria aguardando rins ou córneas. Nem todos puderam ser atendidos, mas, segundo o Ministério da Saúde, foram realizados mais de 26,5 mil procedimentos – número menor que o de 2017, que contabilizou em torno de 27,4 mil procedimentos, porém significativamente superior ao de 2008, quando 18,9 mil transplantes foram realizados. Para os especialistas, o crescimento no número de doadores se deve, principalmente, ao treinamento das equipes dentro dos hospitais para a comunicação da possibilidade de doação à família do falecido. Segundo a Aliança Brasileira para a Doação de Órgãos e Tecidos, evidências científicas do mundo todo mostram que o aumento nas taxas de doação, quando as pessoas são abordadas de forma adequada, pode chegar a 500%. Mas há outros coadjuvantes nessa história. Desde junho de 2016, o Brasil mantém um avião da Força Aérea Brasileira reservado só para transportar órgãos. Além disso, um decreto de 2017 estabeleceu que qualquer médico qualificado pode notificar a morte encefálica – até então, apenas um neurologista era autorizado a fazê-lo e, na ausência dele, não raro se perdia a oportunidade do transplante.   Doação em vida Vale lembrar que esse ato nobre nem sempre ocorre num momento de dor: os órgãos provenientes de pacientes vivos também valem muito nesse contexto. Em 2018, dos 5.999 transplantes renais realizados, 17,6% foram possibilitados por pessoas vivas, que ainda podem doar parte do fígado, parte do pulmão e a medula óssea. Também existe uma legislação específica para esses casos no Brasil, que permite a doação para parentes de até quarto grau e cônjuges. Se não houver nenhum grau de parentesco entre doador e receptor, o transplante depende de autorização judicial – com exceção da medula óssea, que dispensa o aval da Justiça entre não aparentados e conta com um cadastro específico e uma gestão à parte. Para ser doador em vida, a pessoa precisa estar em bom estado de saúde, sem riscos de ter suas aptidões vitais comprometidas com o procedimento, além de ser maior de idade ou menor emancipado e juridicamente capaz. Finalmente, deve haver um receptor com indicação formal do transplante. Com esses critérios atendidos, o doador precisa fazer testes de compatibilidade com o paciente que aguarda o transplante. Se ambos forem compatíveis, uma equipe multidisciplinar acompanhará o caso para providenciar consultas e demais exames, agendando, a seguir, o dia do procedimento. Para saber mais, acesse: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-orgaos.

23/09/2019
Alimentação

Coração bem cuidado

Apesar dos avanços da ciência na hora de prevenir e identificar problemas de saúde, as doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral,  ainda apresentam as maiores taxas de mortalidade do planeta, especialmente nos países desenvolvidos e nas nações emergentes. No Brasil, causam 300 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Ocorre que, além dos riscos que já conhecemos – como o tabagismo –, o atual modo de vida, especialmente nas grandes cidades, está ajudando a deixar o coração mais vulnerável. As pessoas são mais sedentárias porque trabalham muito tempo sentadas e se deslocam em veículos automotivos; as crianças dificilmente vão e voltam da escola a pé e trocaram a brincadeira de rua pelos comandos do videogame; a comida caseira, não raro, é trocada por alimentos industrializados e por lanches de arrepiar as artérias. Mas com um pouco de vontade, todos esses hábitos podem ser mudados. Basicamente é preciso se exercitar com regularidade e comer direito, além de se manter longe do tabaco e do excesso de álcool e equilibrar as horas de trabalho ou de estudo com momentos de lazer, reduzindo o estresse.   O impacto do exercício A atividade física regular, quando feita cinco vezes na semana e pelo menos meia hora por dia, não apenas permite um melhor funcionamento do sistema circulatório, como também melhora o metabolismo, contribuindo para reduzir os níveis de colesterol e de glicose no sangue. Além disso, os exercícios ajudam a relaxar corpo e mente, diminuindo o estresse, e evitam o sobrepeso e a obesidade, também considerados fatores de risco cardiovascular por favorecerem o diabetes e a hipertensão arterial.    Prato do bem Já a alimentação deve ser rica em grãos integrais, frutas, vegetais, carnes magras e gorduras boas e, ao mesmo tempo, ter a redução de alimentos processados, gorduras saturadas, açúcar e sódio, inimigos declarados do peito. A grande quantidade de fibras presentes nessa opção confere saciedade por mais tempo, ajudando a manter o peso ideal, atrasa a entrada de glicose nas células e ainda reduz a absorção de gorduras e de colesterol pela corrente sanguínea.   Rotina organizada O controle do estresse é essencial porque esse estado, quando crônico, também agrava fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, e exerce influência negativa nas demais escolhas que ajudam a blindar o coração. Uma pessoa estressada nem sempre interrompe o trabalho para almoçar e nem acha tempo para se exercitar, por exemplo. Por isso é importante escolher atividades para desestressar – além dos exercícios – e organizar a rotina. Muitas vezes, acordar 15 minutos mais cedo pode ser a diferença entre um dia caótico e um dia tranquilo.   O papel do médico Essas mudanças estão ao alcance de qualquer pessoa, mas não custa lembrar que algumas condições que afetam o coração são silenciosas e requerem uma avaliação clínica para que sejam descobertas e tratadas. É o caso da hipertensão arterial, do colesterol elevado e do próprio diabetes. Pelo menos uma vez por ano, portanto, ainda que você não esteja sentindo nada, marque uma consulta para uma avaliação clínica geral e faça os exames laboratoriais solicitados na oportunidade. Com isso, o cerco às doenças cardiovasculares fica completo.

16/09/2019
Prevenção

Prevenção do suicídio: há luz no fim do túnel

Na história contemporânea, diversos ícones da música, da literatura e da indústria do entretenimento foram parar nas manchetes dos meios de comunicação não só por suas obras, mas por terem decidido interromper a vida por conta própria. Não raro, estavam no auge de suas carreiras e saíram de cena, sem explicações e sem pistas de que fossem desistir. Muitas vezes, no entanto, essas pessoas tinham em comum histórias de transtornos como depressão e dependência química, ainda que pudessem estar abstêmias no momento do ato. Apesar de o suicídio já ser considerado um problema de saúde pública – no Brasil, são 32 mortes dessa natureza por dia, segundo o Ministério da Saúde –, não há melhor meio de preveni-las do que falar abertamente sobre saúde mental e mostrar rotas seguras de ajuda para a pessoa que está perdendo a vontade de viver e para seu núcleo afetivo. Até porque os especialistas estimam que nove entre dez casos podem ser prevenidos.   Sinais de alerta Em primeiro lugar, fique atento aos sinais de alerta. Frases de alarme – como “quero sumir”, “vou embora” e “não aguento mais” – devem ser valorizadas, especialmente no caso de adolescentes, entre os quais o número de casos vem crescendo muito nos últimos anos, apesar de os idosos serem o grupo de maior risco. Além disso, mudanças radicais de comportamento – como deixar de gostar de algo pelo qual havia grande interesse antes – também pedem atenção. Na outra ponta, uma melhoria súbita pode indicar apenas simulação e esconder uma decisão já tomada. Por fim, tentativas anteriores elevam o risco. Quem já tentou uma vez, está mais vulnerável. Se você perceber algum desses comportamentos, é importante não deixar a pessoa em risco sozinha, ouvi-la e levá-la para a avaliação de um psiquiatra. O Centro de Valorização da Vida, o CVV, que atende gratuitamente a todo o Brasil pelo número 188, também é um canal imediato para quem precisa de um ombro amigo com urgência. Treinados para escutar, acima de tudo, os voluntários do serviço estão capacitados para oferecer o que há de mais necessário nesse momento: apoio emocional e esperança.   O que fazer para ajudar? Outro ponto sempre importante, dentro ou fora desse contexto, é esclarecer a população sobre os problemas mentais e os perigos das drogas e do álcool numa mente em conflito, especialmente se essa mente ainda está em formação (como ocorre na adolescência). A depressão, o mais frequente transtorno por trás de tais casos, é doença e exige um tratamento multidisciplinar, que pode combinar medicação, psicoterapia, prática de atividade física e terapias alternativas. A mesma estratégia se aplica à dependência química. Por último, os especialistas recomendam não manter nada que seja letal por perto: venenos, pesticidas e estoque de remédios, tampouco armas brancas ou de fogo. Convém não facilitar. Isso vale ainda para estratégias de segurança em casa, como manter grades nas janelas e no espaço público. Não dá para levar uma pessoa nessas condições para um local externo que possa oferecer algum risco. Esses cuidados contribuem para dificultar o ato e ajudam a levar o indivíduo a repensar sua decisão. Não custa lembrar que, apesar de ter causas multifatoriais, o suicídio é uma atitude impulsiva. No dia seguinte, quase sempre tudo parece mais simples. Procure um profissional da área de saúde mental para conversar sobre a vida.

12/09/2019
Saúde do Homem

Linfoma, um câncer do sistema linfático

Nos últimos anos, o linfoma ganhou as manchetes da grande imprensa depois que algumas pessoas públicas anunciaram ter recebido tal diagnóstico. Mesmo assim, a condição ainda permanece desconhecida por muitos, apesar de não se tratar de uma doença rara. Apenas para dar uma ideia, em 2018, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) calculou uma estimativa de quase 13 mil novos casos por ano no Brasil, os quais incidem com maior frequência no sexo masculino e na população idosa. Grupo de diversos cânceres formados por células de defesa do organismo, o linfoma classicamente se divide em Hodgkin e não Hodgkin – nome do patologista inglês que primeiro descreveu a doença, em 1832, Thomas Hodgkin. A diferença está nas características das células que geram o tumor e também no prognóstico. Enquanto o primeiro envolve um tipo celular específico, conhecido como Reed-Sternberg, e tem um desfecho clínico melhor, o segundo pode surgir a partir de qualquer célula do sistema linfático e apresenta menor probabilidade de cura. Tanto é assim que o INCA contabilizou 4.394 mortes que tiveram como causa o linfoma não Hodgkin, em 2015, ante 562 mortes pelo linfoma de Hodgkin no mesmo ano. Nos dois casos, no entanto, o câncer se desenvolve da mesma forma. Uma célula de defesa, por razões desconhecidas na maioria das vezes, sofre transformação maligna passando a se dividir de maneira desordenada e a se multiplicar descontroladamente dentro dos gânglios linfáticos – também chamados de linfonodos ou de ínguas –, podendo afetar diferentes partes do corpo, já que a circulação linfática percorre todo o organismo. A principal manifestação clínica é o aumento indolor desses linfonodos, sobretudo nas laterais do pescoço, nas axilas, nas virilhas e acima da clavícula. Diferentemente daqueles gânglios que aparecem durante infecções, os do linfoma crescem rapidamente, têm consistência de borracha, muitas vezes podem ser vistos e sentidos pelo toque e persistem por semanas. Nem todos os pacientes relatam os mesmos sintomas mas, além dos linfonodos, há possibilidade da doença causar queixas comuns a outras enfermidades, especialmente febre, perda de peso inexplicável e sudorese noturna, que molha a roupa de cama. Como o linfoma pode acometer diversos órgãos, por vezes acontece também de ocorrerem manifestações específicas envolvendo, por exemplo, o sistema digestório (dor abdominal, náuseas e vômitos), a pele (manchas vermelhas e coceira) e o sistema nervoso central (dor de cabeça e alterações na visão, na coordenação motora e no comportamento). A origem do linfoma Embora o fator que explique o surgimento do linfoma não seja totalmente conhecido, o risco aumenta em fumantes, em indivíduos que passam muito tempo expostos a produtos químicos, sobretudo agrícolas, em portadores de doenças que afetam o sistema imunológico, como HIV/AIDS, e em pessoas que usam medicamentos imunossupressores. Alguns agentes infecciosos igualmente podem estar associados ao desenvolvimento desse câncer – apesar de o fato de ter tido infecções causadas por eles não determinar, necessariamente, a ocorrência da doença –, como o vírus Epstein-Barr, que está por trás da mononucleose, o vírus HTLV-1, uma espécie de primo do HIV, visto que se comporta de modo semelhante, e a bactéria Helicobacter pylori, envolvida em casos de gastrite e úlcera. A partir da história clínica, o diagnóstico é confirmado por meio de biópsia do linfonodo e do estudo anatomopatológico, que analisa a natureza de seus tecidos. Exames de imagem costumam ser pedidos para avaliar a extensão do linfoma. Até pouco tempo atrás, o tratamento não diferia do de qualquer câncer, com quimioterapia associada à radioterapia. Hoje, porém, os protocolos mais modernos usam agentes quimioterápicos combinados a fármacos mais inteligentes, que atuam exclusivamente sobre as células doentes, seja atacando-as diretamente, seja bloqueando vias que permitem a progressão da doença. A prevenção se restringe a evitar as situações que elevam o risco de linfoma, como o tabagismo, a exposição a produtos químicos e a prática de sexo sem proteção, que pode levar a infecções sexualmente transmissíveis associadas ao surgimento da condição. De qualquer modo, conhecer bem o próprio corpo ajuda a notar qualquer sinal diferente, suspeito de linfonodo aumentado, o que vale sobretudo para quem já tem problemas de saúde que comprometem o sistema imunológico ou toma remédios que minam as defesas.  Diante de qualquer dúvida, o mais importante é procurar um médico quanto antes para esclarecimentos, uma vez que o diagnóstico precoce sempre amplia as possibilidades de cura. Conheça o sistema linfáticoTrabalhando em conjunto com o sistema imunológico, o sistema linfático tem a função de combater infecções e de eliminar microrganismos e outras impurezas do organismo. Para tanto, conta com vasos linfáticos que percorrem o mesmo trajeto da circulação sanguínea, pelos quais passa a linfa, um fluido transparente resultante de uma pequena fração do plasma, a parte líquida do sangue. A linfa recolhe todo o lixo orgânico dos tecidos e o deposita nos linfonodos, onde as células de defesa podem, então, entrar em ação.  

26/08/2019
Comportamento

Psicólogo: especialista em promover saúde mental

Vivemos num mundo em que os avanços tecnológicos, por nos inundarem com informações sobre fatos e pessoas a todo momento, dão margem para suposições e preocupações que podem culminar em distúrbios emocionais e transtornos de humor ou, até mesmo, agravar os já existentes. Aí entra a figura do psicólogo, um profissional cada vez mais importante nesse cenário de superexposição e superinformação, na medida em que é capacitado para ajudar cada indivíduo a encontrar seu equilíbrio e a buscar as respostas dentro de si mesmo. No Brasil, segundo o Conselho Federal de Psicologia, temos cerca de 343 mil psicólogos atualmente. Mas é claro que nem todos trabalham na área clínica. Hoje esses profissionais estão em empresas, clubes desportivos, escolas, associações voltadas à educação de crianças com necessidades especiais, instituições ligadas ao trânsito e centros sociais, como abrigos e asilos, entre outros, sempre buscando extrair das pessoas suas melhores potencialidades. O fato é que, onde quer que atue, o psicólogo contribui diretamente para promover a saúde mental e, assim, melhorar o mundo.  Homenagem da DaVita ao Dia do Psicólogo, 27 de agosto.

03/06/2019
Bem-estar

É tempo de agir para proteger o meio ambiente

No desenho Wall-e, da Pixar-Disney, um robô vive sozinho numa Terra coberta de lixo e poluição depois de décadas de consumismo em massa. Na ficção, os seres humanos foram compulsoriamente transportados para uma nave, no espaço, depois que o ar se tornou irrespirável no ano de 2110. De fato, as coisas não caminham muito bem para planeta e humanidade. A poluição do ar mata anualmente 7 milhões de pessoas no mundo todo, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado no ano passado. Nove em cada dez indivíduos inalam cronicamente partículas com elevados teores de poluentes que penetram nos pulmões e no sistema cardiovascular, ocasionando problemas nas vias aéreas, como infecções respiratórias e a doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, doenças do coração e acidente vascular cerebral. O relatório aponta ainda que, além da poluição ambiental, causada sobretudo pela queima de combustíveis por veículos automotores, por usinas termelétricas e por indústrias em geral, a poluição interna também contribui para a ocorrência dessas mortes. Ao redor do mundo, mais de 3 bilhões de pessoas – em especial, mulheres e crianças de países mais pobres – ficam expostos à fumaça proveniente do uso de carvão e da madeira para cozinhar, assim como do emprego de querosene para aquecer os ambientes. Tudo porque não têm acesso nem à eletricidade nem a soluções limpas de cozinha. Infelizmente não temos uma nave nos esperando. A solução, de acordo com a OMS, está no desenvolvimento de tecnologias não poluentes para moradias, indústrias e meios de transporte, no estímulo à construção de residências energeticamente mais eficazes e na melhoria do planejamento urbano, o que inclui, por exemplo, apostar em mais áreas verdes. Parece perfeito, mas tudo isso exige a criação de políticas públicas, além de muito investimento. Levará tempo, portanto. O cidadão comum pouco consegue interferir nesses macroproblemas, mas, por outro lado, pode cobrar iniciativas dos governantes e, claro, procurar não agravar a situação do planeta com seu estilo de vida e hábitos de consumo. Aqui, no Brasil, segundo um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo, carros, ônibus e motocicletas respondem por 60% da poluição nas grandes cidades – com exceção daquelas que são polos industriais, nas quais as fábricas lideram o ranking de poluidores –, seguidos pelo lixo, que participa com 25%, e pelos poluentes emitidos pela indústria, que ficam com os 15% restantes. Esses números sinalizam, de modo prático, que existe espaço para a contribuição individual no sentido de melhorar a qualidade do ar e do ambiente como um todo. Comece agora mesmo.   O que fazer para reduzir a poluição? Menos lixo Aproveite bem todos os alimentos. Além de poderem entrar em diferentes receitas, talos, folhas, sementes e cascas, por exemplo, têm alto valor nutritivo. Só coloque no prato o que vai comer e não encha demais a geladeira com produtos perecíveis. Você não vai dar conta de prepará-los e os alimentos acabarão no lixo. Separe os resíduos orgânicos dos recicláveis e dê a estes uma finalidade. Em condomínios, há empresas que compram o material que pode ser reciclado, desde que esteja separado e limpo. Consuma menos, de modo geral. Reforme roupas e acessórios antigos e procure não comprar itens de que não precisa ou fazer compras por impulso. Prefira produtos de consumo que contenham menos embalagens ou que estejam embalados em recipientes que possam ser reaproveitados. Ao fazer supermercado, leve uma sacola ecológica ou um carrinho de feira Cuide do destino de móveis ou eletrodomésticos que queira descartar, os quais sempre podem ser consertados ou reformados para que sirvam a outras pessoas. Lembre-se de que o serviço de coleta de lixo não recolhe itens grandes. Descarte pilhas, baterias e medicamentos em locais próprios para recolher esses itens, que podem contaminar de forma importante o solo e lençóis freáticos.   Menos energia Evite usar muitos eletrodomésticos nos horários de pico de consumo de energia. Aproveite a iluminação natural, evitando acender luzes durante o dia. Não sobrecarregue tomadas com vários plugues ligados ao mesmo tempo. Além de gastar mais energia, isso ainda pode causar um curto-circuito. Tire da tomada os aparelhos que não estejam em uso. Prefira lâmpadas fluorescentes, que utilizam até cinco vezes menos energia. Verifique sempre se a porta da geladeira está bem vedada e não sobrecarregue as prateleiras. Junte roupas para lavar em uma única vez, conforme a capacidade da máquina, e ligue o ferro de passar também numa só oportunidade. Tome banhos rápidos e desligue o chuveiro para se ensaboar. Cozinhe mais com a panela de pressão, que abrevia o tempo do preparo e utiliza muito menos gás. Menos poluentes Deixe o carro na garagem tanto quanto for possível. Para pequenas distâncias, caminhe ou pedale, mesmo porque essa mudança só traz saúde para seu corpo. Caso não consiga utilizar transporte coletivo, qualquer que seja o motivo, experimente montar um sistema de carona solidária. A cada dia, um colega de trabalho faz as vezes de motorista de três ou quatro pessoas. Plante árvores e cultive plantas ornamentais, temperos, etc. No condomínio ou dentro de casa, esses aliados naturais melhoram a qualidade do ar.  

29/04/2019
Criança

Cuidados com o sono das crianças

Os estímulos da vida moderna estão roubando nossas horas de descanso e também as das crianças. Se, há pouco menos de duas décadas, o sono competia com as atrações da tevê, com o surgimento dos canais com programação exclusiva infantil, agora há sempre uma tela à mão dos pequenos, com inúmeras possibilidades de entretenimento e interação. Some-se a isso o estilo de vida atual. Os pais trabalham até tarde e, quando retornam ao lar, querem compensar o tempo longe dos filhos. O fato é que o dia começa cedo e termina muito tarde para as famílias. Essa rotina tem um preço alto para as crianças. Os especialistas são unânimes em afirmar que a ausência de um sono reparador está associada ao desenvolvimento de problemas de saúde e de comportamento, incluindo baixo rendimento na escola e dificuldades de aprendizado, obesidade infantil, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, queda na imunidade, variações de humor e até depressão. Mas como evitar que a casa se transforme num verdadeiro palco de atrações à noite e a hora de dormir vire uma queda de braço? Diante das tentativas dos pais, a criançada reluta, qualquer que seja a idade. Um não termina a lição sem a ajuda materna; outro não desliga o celular mesmo quando está na cama; o mais novo esperneia ante a possibilidade de ficar sozinho no berço e, algumas horas de protesto depois, vai para a cama dos pais. O segredo para melhorar a quantidade e a qualidade do sono das crianças é apostar desde cedo na chamada higiene do sono, um conjunto de medidas comportamentais e ambientais que ajuda a proporcionar horas bem-dormidas. O processo já deve começar logo na segunda semana de vida do bebê, dizem os especialistas, a fim de prevenir problemas com o travesseiro mais tarde. O melhor é que os adultos insones também podem pôr essa estratégia em prática. Comece hoje mesmo e mantenha o pediatra informado dos resultados.   Higiene do sono: dicas para a criança dormir melhor   Determine um horário para a criança ir para a cama e siga essa rotina mesmo aos fins de semana, com uma variação máxima de 30 minutos.   Estabeleça também um horário para desligar todos os eletrônicos pelo menos 30 minutos antes da hora de dormir. Cuidado para não trocar os aparelhos por brincadeiras muito estimulantes.   Crie um ritual pré-soninho, que já ajuda a criança a entender que chegou a hora de diminuir o ritmo. Tomar banho, escovar os dentes, colocar o pijama e contar história, por exemplo.   Torne o ambiente propício ao descanso. Apague a luz principal do quarto, acenda o abajur e mantenha uma temperatura aconchegante, quentinho quando está frio e fresquinho quando está calor. A casa não precisa ficar em modo silencioso, mas vale baixar os volumes.   Não deixe a criança adormecer em qualquer lugar. Leve-a acordada ao quarto para que ela entenda que tem um cantinho seu só para isso. Assim, se despertar durante a noite, vai pegar no sono sozinha com mais segurança.   Não prolongue o sono da tarde daqueles que ainda fazem a sesta e, durante a noite, não acorde a criança para mamar, a não ser que ela seja muito pequena ou que o pediatra tenha feito essa recomendação.

15/04/2019
Criança

Criança e cachorro: benefícios da convivência com o pet

Qual seria o melhor presente para uma criança? Algo capaz de deixá-la entretida por dias a fio, proporcionar-lhe lições de afeto inesquecíveis, fazê-la se movimentar, desenvolver seu senso de responsabilidade... E que tenha também um impacto positivo sobre sua saúde. Definitivamente não é um joguinho novo nem um smartphone, tampouco uma boneca que interage. Mas o que pensar de um presente que sente fome, sede e sono, que é fiel a toda prova e, ainda por cima, adora uma bagunça? Segundo os especialistas em comportamento, o contato das crianças com animais de estimação – não só com os cães, vale sublinhar – contribui muito para seu desenvolvimento social, uma vez que permite que elas aprendam a expressar a afetividade e a lidar com regras de convívio. Mesmo as menores rapidamente percebem que não devem interferir quando o pet está comendo e que têm de respeitar o tempo do bicho quando ele está esgotado, precisa descansar e não quer mais brincar. Existem também diversas evidências do benefício dessa convivência para a saúde física das crianças. Embora haja associação entre animais e alergias na infância, pesquisas comprovam que, se o pequeno desde cedo for exposto a um bicho de estimação, terá menos chance de desenvolver não somente reações alérgicas a pelos, como também a pólen, poeira e outros alérgenos inaláveis. Um estudo americano recente, publicado num importante jornal de Pediatria, o JAMA Pediatrics, observou uma queda de 13% no desenvolvimento de asma em crianças que conviveram com cachorros no primeiro ano de vida. A presença do animal na casa também melhora a imunidade do organismo infantil, diminuindo a incidência de resfriados, assim como de dores de cabeça e problemas gástricos, de acordo com os especialistas. Os estudos disponíveis mostram que o contato com o pet faz aumentar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação de vírus e bactérias. Outros trabalhos científicos constataram que crianças doentes se recuperam mais rápido quando têm contato com um cãozinho, gatinho ou afim. Não por acaso, atualmente várias equipes de voluntários em todo o mundo visitam hospitais pediátricos acompanhadas de “cães-terapeutas”, com ótimos resultados. Cachorro em casa: as responsabilidades Tudo parece fazer muito sentido, mas, pensando igualmente no bem-estar do bicho, algumas ponderações de ordem prática devem ser feitas. O animal vive por volta de 13 a 18 anos e, durante esse período, demanda muita atenção dos donos. Precisa tomar banho periodicamente, ser vermifugado e vacinado – para a própria segurança das crianças –, ter comida e água fresca à disposição, passear com regularidade e ficar num local seguro quando a família viaja. Para que a criança cresça feliz com esse companheiro, os pais devem se perguntar, antes de tudo, se conseguem dar conta de tais cuidados. Por mais que estejam dispostos a dividir algumas responsabilidades com os filhos – como trocar a água, dar comida, escovar os pelos, etc. –, são os adultos que ficam com grande parte das atribuições nas mãos. Pense sobre essas questões práticas e converse com o pediatra a esse respeito.  

08/04/2019
Atividade Física

Anabolizantes: consequências e riscos à saúde

A musculação é hoje a segunda atividade física mais praticada no Brasil, segundo pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. De fato, essa modalidade tem indicação para jovens, adultos e idosos, uma vez que promove uma melhora da força, da circulação e do equilíbrio. Como os músculos consomem muita energia, a prática de exercícios resistidos ainda leva a um gasto calórico e, para completar, resulta num aumento da massa muscular, também chamada de massa magra. De olho nesse último benefício, muitos homens não se contentam com os resultados obtidos com o treinamento e recorrem a esteroides anabolizantes, que são os mais comuns, assim como ao hormônio do crescimento. Para ter uma ideia da frequência desse uso, um em cada 16 estudantes já utilizou tais substâncias, de acordo com levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Feitos a partir do hormônio testosterona, os esteroides causam, sim, hipertrofia muscular, mas trazem uma série de efeitos paradoxais, ou seja, contrários ao que se esperaria de um hormônio masculino, como crescimento das mamas, redução dos testículos, disfunção erétil e diminuição dos espermatozoides. Isso ocorre porque, quando recebe muita testosterona artificial, o organismo a transforma em estrogênio, um hormônio feminino, por meio de um processo denominado aromatização, capitaneado por uma enzima. O excesso desse tipo anabolizante também bloqueia a secreção de dois hormônios que estimulam os testículos a produzirem espermatozoides e testosterona natural. Os efeitos, porém, não se restringem aos sistemas reprodutivo e endócrino, mas se espalham pelo organismo. Os esteroides ainda provocam acne importante, calvície e problemas no fígado, inclusive tumores, assim como efeitos que favorecem doenças cardiovasculares, como aumento da pressão arterial, elevação do colesterol, retenção de líquido no organismo e formação de coágulos, sem contar ainda as alterações de comportamento, a exemplo de agressividade e alucinações. Já os anabolizantes à base de hormônio do crescimento (GH) sintético, também conhecidos como somatropina, produzem aumento da massa magra e queima de gordura, mas igualmente à custa de riscos relevantes. Na prática, seus efeitos vão desde o surgimento do diabetes do tipo 2 e de reações alérgicas graves até o desenvolvimento de tumores malignos, alertam os especialistas. Uso clínico dos anabolizantes É importante salientar que a testosterona sintética tem uso clínico, mas em condições muito particulares. Entre elas, destacam-se os casos de deficiência do hormônio masculino, de desnutrição grave que causa emagrecimento muito rápido e no pós-operatório de grandes cirurgias que provocam desgaste físico, entre outras (poucas) situações. O GH, por sua vez, só é empregado em pacientes com deficiência na produção desse hormônio na infância e em determinadas síndromes genéticas em que podem promover um melhor crescimento para as crianças. Para a finalidade de hipertrofia muscular, vale o grifo, os médicos não prescrevem esteroides nem GH. É possível, no entanto, associar ao treinamento a ingestão de suplementos alimentares, que estimulam os músculos sem acarretar prejuízos ao organismo, desde que usados corretamente, ou mesmo seguir uma dieta com alimentos que comprovadamente ajudam a formar massa magra. Converse com um médico ou com um nutricionista e descubra o que fazer para atingir seus objetivos nos treinos de musculação.   Fontes:Sociedade Brasileira de Endocrinologia e MetabologiaMinistério da SaúdeEndocrinologistasMédicos do esporte

01/04/2019
Atividade Física

Exercícios físicos geram benefícios à saúde mental

Não é segredo que a atividade física tem mil e uma utilidades no que diz respeito à saúde. A prática regular de exercícios participa de forma bastante relevante na prevenção de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo todo, promove um funcionamento mais harmônico de todos os órgãos e, claro, melhora a forma e a disposição, entre muitos outros benefícios ao corpo. Não é à toa que boa parte das pessoas, quando começa algum programa de treinamento tem, como propósito, emagrecer ou tratar – isso mesmo – outras enfermidades. Por exemplo, em associação a uma dieta equilibrada, os exercícios regulares podem manter os índices de glicemia controlados em pacientes com diabetes tipo 2, diminuindo ou reduzindo a necessidade de medicamentos. Se esses efeitos são incontestáveis, cada vez mais se associa o trabalho corporal à manutenção da boa saúde mental. Além de a atividade física fazer o cérebro liberar endorfina, o “hormônio da felicidade”, e outros neurotransmissores associados ao bem-estar, os exercícios, segundo os especialistas, parecem estimular o crescimento de células nervosas no hipocampo, área que regular o humor e que, em pacientes com depressão, é menor, quando vista em exames de imagem. Contudo, se a liberação de substâncias que conferem satisfação ocorre logo após o treino, o impacto da malhação na regeneração neuronal de um cérebro deprimido depende da regularidade da prática. Exercícios como antídoto contra a depressão As linhas de pesquisa demonstram ainda que os exercícios não apenas contribuem para tratar, como também para prevenir transtornos de humor. Um estudo publicado pelo The American Journal of Psichiatry no ano passado mostrou que movimentar o corpo exerce um efeito protetor contra a depressão em indivíduos saudáveis, independentemente da idade da pessoa e da região geográfica em que vive. Feito por pesquisadores de quatro universidades brasileiras e sete estrangeiras, esse estudo reuniu informações de 49 trabalhos e analisou dados de 265 mil pessoas, de 20 países. Outros benefícios dos exercícios físicos Além dos mecanismos neuronais e bioquímicos, os exercícios interferem em outros fatores que impactam a saúde mental. Reduzem os efeitos do estresse do dia a dia, o que dispensa explicações, e elevam a qualidade do sono, permitindo que o indivíduo ingresse em suas fases mais profundas e possa acordar mais relaxado e disposto. Por último, mas não menos importante, a prática de atividades físicas favorece igualmente o ganho de autoestima, uma vez que modela o corpo, e, sobretudo quando feita em grupo, possibilita interações com outras pessoas, tirando o indivíduo do isolamento. Uma coleção de motivos para ficar de bem com a vida. Lembre-se sempre de procurar um médico antes de começar a se exercitar. O efeito da atividade física no corpo Contribui para o bom funcionamento dos órgãos, sobretudo do sistema cardiorrespiratório Ajuda o intestino a funcionar bem Previne doenças, tais como problemas cardiovasculares, diabetes, osteoporose e reumatismo, entre outras, além de ser adjuvante em seu tratamento Contribui para a perda de gordura e o ganho de músculos Ajuda a equilibrar a ingestão de calorias e o gasto de energia  

28/03/2019
Bem-estar

Epilepsia: dá para viver bem com a doença

O que o escritor brasileiro Machado de Assis, a heroína francesa Joana D’arc, o escritor russo Fiódor Dostoiévski, o pintor holandês Vincent van Gogh e o escritor francês Gustave Flaubert tinham em comum? Há relatos de que todos viviam com epilepsia, doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e em excesso no cérebro, que desencadeiam crises repentinas, com alterações ou perda da consciência, torpor, alucinações e convulsões – estas marcadas por contrações musculares e movimentos involuntários. Se estivessem entre nós, essas celebridades integrariam os 50 milhões de portadores da doença que existem no planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 3 milhões dos quais no Brasil. E que procuram tocar suas vidas normalmente, não obstante o estigma que a epilepsia continua carregando. Desde a Antiguidade, afinal, a condição já foi associada a forças sobrenaturais e à possessão espiritual, à loucura e até a moléstias contagiosas. Nos Estados Unidos, acredite, até os anos 70 o acesso a restaurantes, teatros, centros recreativos e outros locais públicos não era permitido a esse grupo. E, ainda hoje, alguns países refletem o desconhecimento em leis e costumes. Segundo a OMS, China e Índia, por exemplo, permitem a anulação do casamento se um cônjuge alegar a epilepsia do esposo/esposa como motivo. Mas por que tudo isso? Ocorre que a doença mina a sensação de controle que julgamos ter sobre nós mesmos. Embora possa ser precipitada por alguns fatores, a crise é capaz de chegar a qualquer momento e subjugar completamente o portador. As pessoas em volta não raro se assustam, alimentadas pela ignorância em relação ao assunto, e muitas vezes não sabem o que fazer.   Outros tempos para o tratamento da epilepsia Hoje se sabe que a epilepsia é uma doença complexa, na verdade uma disfunção na comunicação entre as células nervosas, que ocorre devido a fatores como predisposição genética, traumas durante ou após o parto, malformações e até sequelas de acidente vascular cerebral e de infecções, como a meningite. Numa situação de normalidade, os neurônios se comunicam e se organizam usando suas propriedades excitantes e inibidoras. No momento da crise, porém, há um processo acelerado de excitação que se propaga de um neurônio para outro, sem interrupção, como se eles estivessem em rebelião. Se, no passado, havia escassas tentativas terapêuticas, as coisas melhoraram muito atualmente. Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia, 70% dos casos podem ser tratados de forma bem-sucedida com medicamentos. A ponto de, depois de um tempo variável de tratamento, a medicação poder até ser suspensa em alguns casos, dependendo do tipo de epilepsia. O diagnóstico também evoluiu, muito embora o clássico eletroencefalograma – exame que capta o ritmo das ondas cerebrais – continue sendo o método de escolha para avaliar esses pacientes. A questão é que, graças às descobertas da ciência, os neurologistas já sabem que cada tipo de epilepsia responde melhor a determinado fármaco, o que permite individualizar a prescrição, que pode ser selecionada dentre mais de duas dezenas de anticonvulsivantes existentes. De qualquer forma, ainda persistem os casos resistentes aos medicamentos, nos quais a cirurgia costuma ser uma opção. O fato é que algum caminho sempre pode ser tentado quando se procura ajuda médica especializada. Inaceitável, nos dias atuais, é se isolar e deixar de aproveitar a vida por causa da condição.   Dá para fazer de tudo com epilepsia? O portador de epilepsia bem controlada pode fazer tudo que qualquer um faz: estudar, trabalhar, praticar esportes, namorar, constituir família... Apenas deve evitar o que favorece crises, como privação de sono, luzes estroboscópicas – utilizadas em danceterias – e uso de álcool, mesmo durante o tratamento. A condução de veículos de passeio é permitida pelo Detran, desde que se corrobore, com laudo médico, que a pessoa está há 12 meses sem crises na vigência de anticonvulsivante ou, quando já não toma mais remédio, que se encontra há dois anos sem crises após a suspensão da medicação. Nesse último caso, a retirada do medicamento deve contar com, no mínimo, seis meses – e, claro, não pode ter havido nenhuma crise nesse período. A gravidez também está liberada, mas deve ser planejada, segundo os especialistas, com antecedência de um ano e contar com uma ampla interação entre obstetra e neurologista. Ocorre que alguns anticonvulsivantes têm potencial de causar malformações fetais e, para reduzi-lo, pode haver necessidade de troca da medicação ou redução de sua dose, o que precisa ser feito sempre antes da concepção. Da mesma forma, o uso do ácido fólico, que previne defeitos do tubo neural no bebê, costuma ser implementado nessa fase prévia à gestação. Praticar atividade física é mais do que recomendado para portadores da doença. Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas concluiu que os exercícios aumentam a autoestima, a resiliência e a qualidade de vida desses indivíduos, além de reduzirem sintomas depressivos, comuns em pessoas com epilepsia (link para matéria de Atividade física e humor). Apenas as modalidades aquáticas devem ser praticadas ao lado de um instrutor. Já os esportes radicais são pouco incentivados porque, mesmo em dupla, há risco de acidentes em caso de crise. Para outros esclarecimentos, procure um neurologista. Epilepsia: o que fazer ao presenciar uma crise - Mantenha a calma e procure tranquilizar quem estiver por perto.- Se possível, evite que a pessoa caia bruscamente no chão e a coloque num local onde ela não possa se machucar, mas não tente impedir os movimentos involuntários.- Coloque alguma peça macia sob a cabeça do indivíduo.- Procure acomodar o paciente de lado, de forma que não haja risco de aspiração de excesso de saliva ou vômito.- Não coloque a mão na boca da pessoa para desenrolar a língua. Isso é mito e pode acabar em mordida.- Quando o episódio cessar, conte o que ocorreu e se ofereça para chamar um familiar.

14/03/2019
Criança

Atividade Física Para Crianças: Importância E Benefícios

Em qualquer nível social, as telas vêm dominando a preferência da garotada. No pátio da escola, dentro de casa, na rua, no parque, no transporte coletivo ou no carro, crianças e adolescentes estão permanentemente com os olhos abaixados e os dedos ocupados em celulares, tablets e joguinhos de toda sorte. Os especialistas alertam que, além de favorecer o sedentarismo, um fator de risco para diversas doenças na vida adulta, esse comportamento compromete o convívio social, levando ao isolamento. Preocupada com esse cenário, já que 7,3% das crianças brasileiras com menos de 5 anos estão acima do peso, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou, em 2017, um manual de orientação para promover a atividade física na infância e na adolescência e para ajudar médicos e educadores, incluindo pais, a encaminhar os pequeninos e jovens para a prática diária de exercícios físicos. Atividades físicas de acordo com a idade da criança Segundo o documento, até os 2 anos de idade, as crianças precisam ser estimuladas a se movimentar diversas vezes ao dia, engatinhando, buscando objetos e movendo membros do corpo. Eletrônicos – incluindo TV – são contraindicados para essa faixa etária. De 3 a 5 anos, as brincadeiras e atividades de qualquer intensidade devem ocupar pelo menos 180 minutos diários, incluindo bicicleta, esconde-esconde, pega-pega, bola, etc. Nessa fase, opções como lutas, danças e natação já podem começar a ser introduzidas. Dos 6 aos 19 anos, por fim, a recomendação é de uma hora por dia de prática de esportes e exercícios mais intensos, que demandem um pouco mais da capacidade cardiorrespiratória – dependendo da modalidade, vale questionar o pediatra sobre a necessidade de avaliação médica prévia. Adolescentes têm sinal verde para fazer musculação até três vezes por semana, desde que com o acompanhamento de um educador físico. Claro que nem sempre os pais têm tempo e mesmo recursos financeiros para ajudar os filhos a cumprir essas metas. Muitas vezes, as próprias demandas escolares lotam a agenda dos pequenos e dos adolescentes. Contudo, diante do fácil acesso aos eletrônicos, geralmente o grande empecilho é mesmo conseguir a adesão da criança ou do jovem quando eles finalmente estão livres. Para mudar essa rotina, confira as dicas a seguir e aproveite a próxima consulta com o pediatra para conversar a respeito. Dicas para tirar a garotada do sofá - Estabeleça um limite máximo de duas horas por dia de exposição às telas, incluindo televisão, e mude a maneira como seus filhos as utilizam, substituindo uma pela outra. É nesse meio-tempo que devem entrar outras atividades. - Aproveite as vantagens dos eletrônicos. Use com as crianças aplicativos que incentivam o progresso em determinados exercícios – como o contador de passos do celular – e games baseados em movimentos, como os de esportes e dança. - Abra espaço para brincadeiras dentro de casa. Reserve alguns dias – especialmente os chuvosos – para transformar a sala num circuito, com túneis de caixas de papelão, pula-pula nas almofadas, colchões para cambalhotas e por aí afora. Tudo com supervisão, evidentemente. Se puder incluir os amiguinhos, fica melhor ainda. Depois, ponha todo mundo para organizar a bagunça que isso também consome energia. - A propósito, distribua tarefas domésticas em casa. Colaborar na rotina do lar é importante para desenvolver o senso de responsabilidade dos pequenos e ajudar na construção de sua autonomia. De quebra, ainda faz a criança se movimentar pela casa. - Exemplo funciona mais que mil palavras. Se você se exercita regularmente, mostre às crianças que não há tempo feio que iniba você de malhar. Dessa forma, desde cedo vão perceber que a atividade física ocupa um lugar prioritário na rotina da família e aderir naturalmente a uma vida ativa. - Sempre que possível, deixe o carro na garagem e faça os percursos a pé com as crianças e os jovens. Estudantes que vão e voltam da escola caminhando já cumprem boa parte da meta de atividade semanal preconizada pelos especialistas.