DaVita Saúde

Conheça dez benefícios de amamentar

O leite materno tem tudo de que o bebê precisa para ficar saudável e bem alimentado. Mas os benefícios de amamentar vão ainda mais longe. A DaVita selecionou uma dezena de motivos para as mães se dedicarem com afinco a essa nobre tarefa, pelo maior tempo possível. Afinal, quanto mais meses de amamentação, melhores os resultados para todo o núcleo familiar. Não custa lembrar que a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno até 2 anos de idade ou mais, com exclusividade nos primeiros seis meses e, depois, com o complemento de outros alimentos.

  1. Permite que o bebê ganhe peso na medida certa e que a mãe perca peso.

Segundo os especialistas, para produzir um litro de leite, o organismo da mulher gasta cerca de 700 calorias, o que contribui para a perda dos quilos adquiridos durante a gestação num ritmo acelerado. Já o bebê tem um ganho de peso adequado com o leite materno, nada a mais, nada a menos. Isso ocorre porque a quantidade de gordura do alimento varia durante a amamentação e chega a seu ponto máximo perto do fim de cada mamada, saciando a criança e levando-a a parar naturalmente, ao contrário do que ocorre com as fórmulas artificiais – a saciedade pode demorar mais para ocorrer, fazendo o bebê mamar além do necessário porque o nível de gordura é sempre o mesmo.

  1. Protege a criança contra alergias, infecções respiratórias e diarreias.

Por conter inúmeros fatores imunológicos que atuam contra agentes infecciosos e ajudam a evitar respostas inflamatórias exageradas – as reações alérgicas –, o leite materno literalmente funciona como um elixir de prevenção para o bebê. Conforme um estudo da Organização Mundial de Saúde, a redução de diarreias em crianças amamentadas, em comparação com as não amamentadas, chega a 63% nas menores de 6 meses, enquanto a redução de pneumonias alcança um terço naquelas com menos de 2 anos. A chance de desenvolver rinite alérgica também cai 21% nos cinco primeiros anos de vida de quem mama no peito.

  1. Contribui com o desenvolvimento intelectual da criança.

O leite materno é composto de substâncias que ajudam os neurônios a se desenvolverem e a fazerem conexões entre si, ou sinapses, nos três primeiros anos de vida – ocasião em que 90% das sinapses cerebrais de um indivíduo ocorrem. Estudos neozelandeses e irlandeses também mostram que crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses de idade apresentam melhor desempenho escolar. Semelhante conclusão foi encontrada em um trabalho publicado na revista científica Lancet, em 2015. Crianças e adolescentes que receberam leite materno demonstraram um resultado no teste de quociente de inteligência (QI) 3,4 pontos maior que o dos não amamentados. 

  1. Ajuda a prevenir diabetes tipo 2, sobrepeso e obesidade nas diferentes etapas da vida.

Crianças que mamam no peito têm uma redução de 26% no risco de ficar com sobrepeso ou obesidade na infância, na adolescência e na vida adulta, assim como uma diminuição de 35% no risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo dos anos, segundo um estudo publicado em 2015 no suplemento científico Acta Paediatrica. Quando submetido a aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade, o bebê não ingere calorias extras, que são dispensáveis nessa fase do desenvolvimento infantil, e não ganha mais peso do que deveria. Ademais, o leite materno possui substâncias que contribuem para regular o apetite e o metabolismo dos alimentos por toda a vida.

  1. Ajuda a fortalecer a mandíbula e demais estruturas craniofaciais do bebê.

A amamentação é essencial para o desenvolvimento oral e facial dos pequenos. Isso porque, ao sugar o leite, o bebê exercita a boca, os dentes, os músculos da face, a mandíbula e o maxilar. De acordo com um estudo publicado em 2015 no Acta Paediatrica, dois terços das irregularidades nos encaixes dos dentes de leite poderiam ser evitados apenas com o aleitamento materno. Em outro trabalho, que saiu no jornal BMC Public Health, em 2012, os pesquisadores observaram que crianças que receberam leite materno por 12 meses ou mais apresentaram melhor função da mastigação que as amamentadas por menos tempo.

  1. Ajuda a mulher a se recuperar no pós-parto e funciona como método anticoncepcional temporário.

O aleitamento materno contribui para que o útero reassuma seu tamanho normal de forma mais rápida, evitando sangramentos muito intensos e uma consequente anemia. Como se não bastasse, ao amamentar exclusivamente e de forma regular nos primeiros seis meses, a mulher não ovula nem menstrua. Contudo, à medida que as mamadas vão sendo espaçadas, por conta da alternância com outros alimentos, os ciclos menstruais retornam, juntamente com a necessidade de usar um método contraceptivo caso não haja o desejo de uma nova gravidez. Vale pontuar que especialistas recomendam 18 meses de intervalo entre dois partos. Um parto antes desse período apresenta riscos de prematuridade, baixo peso ao nascimento e desenvolvimento abaixo do normal dentro do útero. 

  1. É fator de proteção contra o câncer de mama e outros tumores femininos.

Uma vez que não tem ciclos menstruais durante a amamentação exclusiva, a mulher não fica exposta ao estrógeno, hormônio associado ao câncer de mama. Além disso, quando o bebê suga o leite, promove uma esfoliação do tecido mamário, contribuindo para a renovação celular local. De fato, conforme um grande estudo publicado pela Lancet em 2001, que envolveu mais de 146 mil mulheres de 30 países, o risco de desenvolver o tumor de mama cai 4,3% a cada 12 meses de aleitamento. Quanto mais filhos amamentados, portanto, maior a proteção. Em outro trabalho publicado pela Lancet em 2016, os autores calcularam que a amamentação evita 19 mil mortes por câncer de mama a cada ano em 75 países de média e baixa renda, além de terem estimado que mais 22 mil mortes poderiam ser prevenidas se o aleitamento se prolongasse por 12 meses, nas nações mais ricas, e por 24 meses, nas mais pobres. A prática ainda constitui um fator protetor contra o câncer de ovário – estima-se uma redução de 2% no risco da doença a cada mês de amamentação – e contra o câncer de endométrio (mucosa que recobre a parte interna do útero). 

  1. Reduz o risco de diabetes tipo 2 na mulher.

Para fabricar o leite, o organismo retira diariamente 50 gramas de açúcar da circulação. A mulher que amamenta também tem um expressivo gasto calórico para amamentar. Por fim, existem evidências de que a prolactina, o hormônio que circula no corpo durante a fase de aleitamento, preservaria as células betapancreáticas, justamente as que fabricam insulina, o hormônio encarregado de captar a glicose da circulação e nutrir as células. A combinação desses mecanismos ajuda a explicar por que o risco de desenvolver diabetes tipo 2 cai quase pela metade nas mulheres que amamentam por pelo menos seis meses, de acordo com os achados de um estudo publicado no jornal Jama Internal Medicine, o qual acompanhou 1.238 mulheres por 30 anos.

  1. Constrói laços de afeto entre mãe e bebê.

Durante a amamentação, o vínculo entre a mãe e bebê aumenta por conta do contato visual e da pele entre ambos. Como a criança tem dificuldade para focar imagens a distância, a posição em que fica na hora da mamada, a cerca de 30 centímetros do rosto materno, permite que contemple perfeitamente a mãe, o que contribui para fortalecer esse laço. O afeto cresce também porque, quando o bebê está mamando, o leite é ejetado por ação da ocitocina, o hormônio do amor, cuja liberação causa profundo relaxamento e boas sensações na mulher. Os especialistas afirmam que esse vínculo colabora para facilitar as relações dos pequenos com outras pessoas no futuro.

  1. Economiza dinheiro e recursos naturais.

Já pensou nisso? Há pesquisas da Associação Americana de Pediatria que indicam que mães que amamentam exclusivamente nos primeiros seis meses de vida do bebê deixam de gastar mil dólares entre compra de fórmulas infantis e mamadeiras. Isso no âmbito pessoal. Mas, no público, um estudo publicado na Lancet em 2016, apontou que um aumento de apenas 10% nas taxas de aleitamento materno até os 6 meses de idade ou de amamentação continuada por até 12 ou 24 meses seria capaz de reduzir em 1,8 milhão de dólares os custos anuais dos tratamentos de doenças em crianças no Brasil. Além de fazer diferença nas contas da saúde pública, toda essa economia geraria impacto positivo ao meio ambiente, na medida em que os resíduos de latas de leite, mamadeiras, medicamentos e insumos médicos usados em internações deixariam de existir com a prática do aleitamento nessas condições. Portanto, amamentar também é uma prática sustentável.

Posts Relacionados

28/10/2019
Saúde da Mulher

Câncer de colo de útero: atenção à prevenção

O Outubro Rosa foi criado para conscientizar as mulheres sobre a importância do rastreamento do câncer de mama, mas vale aproveitar a oportunidade e extrapolar a campanha para a prevenção de outras doenças bastante incidentes na população feminina, como o câncer de colo de útero, o terceiro mais comum entre as mulheres, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Predominantemente, o câncer de colo de útero está associado ao papilomavírus humano, o HPV, transmitido pela via sexual. A infecção na vagina e em demais áreas da região genital por esse vírus é muito frequente na população geral e pode até se resolver de modo espontâneo. Contudo, dependendo da imunidade de cada pessoa, combinada a outros fatores de risco, existe a possibilidade de o HPV causar alterações celulares no tecido uterino com risco de evolução para câncer.  Essa transformação, entretanto, costuma levar alguns anos. Por isso se recomenda que as mulheres realizem, após o início da vida sexual, o exame citopatológico, também conhecido como Papanicolaou. Por meio dele, é possível reconhecer precocemente essas lesões precursoras de câncer, permitindo seu tratamento e impedindo sua evolução. Em geral, o exame deve ser feito uma vez por ano, como o rastreamento dos tumores de mama, mas cada mulher pode receber orientações personalizadas, conforme avaliação de seu médico. Atualmente também se indica que as meninas sejam imunizadas contra o HPV antes do início da atividade sexual, dos 9 aos 14 anos, bem como os meninos, dos 11 aos 14 anos. A vacina, tetravalente, protege contra os subtipos mais frequentes do vírus, dois deles associados a verrugas genitais, que também podem afetar o sexo masculino, e outros dois relacionados com nada menos que 70% dos casos de câncer de colo uterino.  Por conta da imunização, talvez as futuras gerações de mulheres tenham menos câncer de colo de útero, mas, por enquanto, essa estratégia não substitui as demais medidas de prevenção, que, além do Papanicolaou, exigem a neutralização e/ou redução dos fatores de risco e o uso de preservativo em todas as relações sexuais. Muito embora proteja apenas parcialmente contra o HPV, o preservativo, não custa lembrar, impede o contágio com outros agentes de doenças sexualmente transmissíveis. Procure seu ginecologista e aproveite este mês para colocar sua saúde em dia! Conheça os fatores de risco para o câncer de colo de útero - Infecção pelo HPV- Múltiplos parceiros sexuais- Início precoce da atividade sexual- Tabagismo- Uso prolongado de pílula anticoncepcional- Queda na imunidade (por doenças ou tratamentos)

21/10/2019
Prevenção

Osteoporose: causas, sintomas, prevenção

Responda rápido: você já pensou em sua saúde óssea? Pois deveria. A osteoporose, condição clínica que torna o esqueleto frágil e predisposto a fraturas bastante incapacitantes, afeta 200 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, 10 milhões só no Brasil. Por fazer parte do processo natural de envelhecimento, num mundo que vem aumentando globalmente a expectativa de vida, tende a atingir cada vez mais pessoas. O sexo feminino é o mais acometido devido à queda brusca, na meia-idade, do hormônio estrógeno, que estimula a fixação de cálcio nos ossos. Segundo os especialistas, nos cinco anos subsequentes à menopausa, as mulheres sofrem uma perda óssea de 3% a cada ano. Os homens também experimentam esse processo, mas numa velocidade bem mais lenta. Até os 65 anos, estima-se que a queda de massa óssea masculina seja de 0,5% ao ano. Por volta dos 70 anos, a perda anual fica em 1% para ambos os sexos. Há também a osteoporose secundária, causada pelo uso crônico de determinados medicamentos, como corticoides e anticonvulsivantes, por diversas outras doenças, de distúrbios endócrinos (diabetes, disfunções da tireoide), passando por afecções reumáticas (artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico), até condições hematológicas (leucemias, linfomas), e também pelo tabagismo e pelo alcoolismo. Como ocorre a perda de massa óssea Qualquer que seja o desencadeante, a perda de osso provém do desequilíbrio entre o trabalho das células ósseas – osteoclastos e osteoblastos – que participam da renovação periódica do esqueleto na vida adulta.  Até os 20 anos, o processo de formação óssea predomina nas pessoas, sendo, em sua maior parte, dependente da genética e, em sua menor parte, da atividade física, da nutrição e do nível de desenvolvimento da puberdade. Após essa faixa etária, prevalece o processo de remodelação óssea, no qual os osteoclastos removem tecido ósseo antigo, abrindo cavidades, e reabsorvem os minerais, enquanto os osteoblastos preenchem tais espaços com osso novo. Tudo isso ocorre sob estímulo hormonal – incluindo a vitamina D, essencial para a absorção de cálcio – e também sob estímulo mecânico gerado pelo exercício físico. A partir da meia-idade, ou até antes, no caso da osteoporose secundária, esse trabalho tão simétrico começa a ficar descoordenado. Os osteoclastos, que degradam osso, trabalham mais rápido que os osteoblastos, que repõem esse tecido. A degeneração óssea, no entanto, não atinge igualmente a todos. Quem consumiu bastante cálcio na juventude forma uma boa reserva e consegue passar ao largo do déficit de produção de osso novo. Contudo, quem poupou pouco do mineral sofre mais as consequências na maturidade.  Sintomas em forma de fraturas A primeira etapa dessa degeneração é a osteopenia, que, sem nenhuma intervenção, evolui em silêncio para osteoporose até que haja uma fratura, que ocorre espontaneamente, diante de um esforço para tossir, por exemplo, ou devido a um trauma leve, geralmente queda. As lesões nas vértebras são as mais comuns em pessoas com a doença. Podem provocar dor crônica e deformidade, além de limitarem os movimentos e até interferirem na capacidade respiratória.  Outra fratura característica é a de fêmur, que representa a face mais grave da osteoporose, já que requer hospitalização para o tratamento cirúrgico da lesão e imobilização prolongada, com risco de complicações importantes, como trombose, tromboembolismo pulmonar e pneumonia, aumentando a taxa mortalidade pela doença – sem falar na dependência de terceiros para a realização de qualquer atividade da vida diária e na perda de produtividade.  Um estudo recente, publicado em março de 2019 no periódico científico Journal of Medical Economics, revelou que o custo da osteoporose no mundo por conta de hospitalização decorrente de fraturas osteoporóticas soma 19,8 bilhões de reais por ano, mais que o do infarto do miocárdio (16,7 bilhões de reais) e do acidente vascular cerebral (11,7 bilhões de reais). O Brasil, sozinho, gasta 1,2 milhão de reais com a doença, entre custos de saúde e previdenciários. Como diagnosticar a osteoporose antes da fratura Diante desse panorama, a osteoporose pode ser considerada mais uma ameaça fantasma na meia-idade, para as mulheres, e na maturidade, devendo ser adequadamente investigada antes que ocorra uma fratura. Para pesquisá-la, os médicos utilizam a densitometria óssea, um exame que mede a densidade do fêmur e da coluna e compara os resultados com os da média de massa óssea de uma população jovem do mesmo sexo do paciente avaliado. O exame é indicado universalmente para mulheres a partir de 65 anos e homens a partir de 70 anos, de acordo com a Sociedade Internacional de Densitometria Clínica, com periodicidade que varia de indivíduo para indivíduo. Abaixo dessa idade, deve ser realizado na presença de fatores de risco, sobretudo antecedente de fratura osteoporótica, doença associada à diminuição da massa óssea e baixo peso. Uma vez constatada a perda inicial de massa óssea, a primeira providência é ajustar a dieta para a ingestão correta de cálcio e vitamina D ou, então, recorrer ao uso de suplementos desses nutrientes. Se, contudo, a osteoporose já estiver em curso, o substrato básico para a formação de ossos não basta, havendo necessidade de medicamentos específicos para impedir a degeneração e estimular a formação óssea, como os bisfosfonatos, a calcitonina e os fármacos biológicos, feitos por meio de biotecnologia.  Mas ninguém precisa chegar a esse ponto. É fundamental consultar um médico regularmente para avaliar também a saúde óssea e, em paralelo, seguir o exemplo das crianças – apostar fortemente em exercícios físicos, ingerir alimentos ricos em cálcio e manter a vitamina D em níveis adequados no organismo. Isso também é garantia de independência e qualidade de vida na maturidade. Prevenção começa na infânciaMesmo se tratando de uma doença relacionada à meia-idade e à maturidade, a osteoporose deve começar a ser prevenida ainda na infância, com a formação de uma boa reserva óssea, o que só é possível com a manutenção dos lácteos na dieta das crianças e dos adolescentes, já que se constituem na principal fonte de cálcio.  Dos 14 aos 18 anos, especialmente, a família deve zelar para que a garotada chegue a um consumo de 1.300 mg de cálcio por dia – quase a mesma ingestão recomendada para mulheres na pós-menopausa e homens acima de 70 anos, de 1.200 mg –, o equivalente a cinco porções lácteas, como um copo de leite de 200 mL, um pote de iogurte de 200 g ou uma fatia de queijo branco de 50 g.  Outra estratégia importante é a prática regular de atividade física, visto que, assim como os músculos, o esqueleto se fortalece com os exercícios, sobretudo os de impacto, como corrida, vôlei, basquete, handebol e vários outros esportes em que os pés em algum momento ficam fora do solo.  Para completar, os especialistas recomendam 20 minutos de exposição diária ao sol, sem protetor, em horários de menor concentração de raios ultravioleta, ou seja, antes das 10 horas e depois das 16 horas. Ocorre que o astro-rei, quando toca a pele, mesmo em parte do corpo – só com braços e pernas expostos –, faz com que o organismo produza a vitamina D necessária para um dia. Pela dieta, essa meta é quase impossível, uma vez que poucos alimentos contêm o nutriente. Mais um motivo para sair de casa e se exercitar com as crianças ao ar livre, no parque ou na quadra.

14/10/2019
Saúde da Mulher

Prevenção Para Levar Vantagem Sobre O Câncer De Mama

Outubro Rosa DaVita A detecção precoce é uma estratégia em medicina que permite a identificação de um determinado problema de saúde numa fase em que ainda não há sintomas. O rastreamento do câncer de mama com mamografia periódica tem justamente esse objetivo, ou seja, detectar o tumor em seu estágio inicial, quando ele ainda tem uns poucos milímetros e não é palpável nem para a paciente nem para o médico. Embora receber um diagnóstico de câncer seja ainda uma notícia de difícil processamento, a neoplasia de mama, quando diagnosticada precocemente, tem mais de 90% de chance de cura. O tratamento tende a ser mais conservador, o que significa remoção de apenas uma parte da mama, a chamada quadrantectomia, combinada ao uso de radioterapia e de bloqueio hormonal. Além disso, é possível fazer a reconstrução mamária. Previna o câncer de mama: não deixe os exames para depois Apesar dos avanços, a taxa de mortalidade pela doença permanece elevada. O Brasil registrou 15.403 mortes por câncer de mama em 2015, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Ocorre que, na grande maioria dos casos fatais, o diagnóstico é tardio. Por falta de acesso a serviços médicos, desconhecimento, negligência com a própria saúde ou até receio do que possa ser encontrado, muitas mulheres descobrem a doença num momento em que ela está mais evidente e, portanto, mais avançada. Nessa fase, não só o tratamento é mais radical, com cirurgia mais invasiva e quimioterapia, como também há mais chance de as células cancerígenas migrarem para outros órgãos.  O Outubro Rosa propõe justamente uma conscientização para que as mulheres jamais adiem esse compromisso periódico com sua saúde. Para que se informem, procurem seus médicos e realizem os exames periódicos indicados, de forma que, se tiverem de enfrentar um câncer de mama, possam fazê-lo em condições de vantagem. Procure seu ginecologista ou mastologista e marque os exames de rastreamento quanto antes.  

07/10/2019
Criança

Tecnologia e Crianças: menos telas, mais brincadeiras

A tecnologia traz vantagens em vários aspectos, aproxima pessoas, economiza tempo... Há uma longa lista de benefícios. Na educação das crianças e adolescentes, se bem usada, pode contribuir com vários aspectos, como atestam os educadores. Nesse grupo, contudo, o problema está na falta de supervisão e, claro, no exagero no uso das telas. Quem já não se deparou com um bebê que só come se estiver interagindo com o tablet, com uma criança que só sabe brincar se houver um gadget envolvido e com um adolescente que só têm amigos virtuais? O fato é que os especialistas estão preocupados com os impactos do uso excessivo da tecnologia no desenvolvimento mental e social das crianças e jovens, já que, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), muitas horas de tela aumentam a ansiedade desse grupo, favorecem transtornos alimentares, atrapalham o sono, baixam o rendimento escolar e expõem a população infantojuvenil ao cyberbullying, à sexualização precoce e até mesmo ao envolvimento com drogas, entre outras situações de risco. Dessa forma, as associações médicas cujo propósito é preservar a saúde infantil vêm emitindo consensos a esse respeito. A própria SBP criou, há dois anos, uma publicação para orientar pais, educadores e pediatras sobre os perigos que essa exposição ocasiona, sugerindo o que chama de dieta midiática aceitável. Segundo essa recomendação, até os 2 anos de idade o ideal é que a criança tenha pouquíssimo ou nenhum contato passivo com telas, nem mesmo com a tevê, sobretudo às refeições ou na hora de dormir. Isso porque, nessa fase, o pequeno precisa de estímulos que demandem suas habilidades motoras, os cinco sentidos e, sobretudo, a interação com coisas e pessoas. Aprender com a tela é um solitário exercício de repetição, o que, se pode ter alguma serventia mais tarde, não traz benefícios em tal faixa etária. Desde que os pais não fiquem grudados no celular, é fácil seguir essa dieta – do contrário, fatalmente a criança vai querer imitá-los. A seguir, dos 2 aos 5 anos, os especialistas recomendam que o pequeno fique apenas uma hora por dia exposto às telas. Depois, o tempo pode ser negociável, conforme o desenvolvimento cerebral e psicológico de cada um, com diversas ressalvas, porém. Até os 6 anos, por exemplo, é indicado blindar as crianças de jogos e filmes violentos, uma vez que elas ainda não discernem bem o real do fantasioso – aliás, jogos que pontuam com mortes, acidentes e tiros são desaconselhados em qualquer idade.  Antes dos 10 anos, outro cuidado importante: não colocar TV nem computador no quarto dos pequenos, pois essa privacidade facilita seu acesso a conteúdos inapropriados e a consequentes riscos, como ação de pedófilos, contato com drogas, pensamentos de autoagressão e brincadeiras arriscadas. De olho nos conteúdos acessados pelos pequenos Nesses primeiros anos, não só o tempo deve ser limitado, como a supervisão precisa ser permanente, inclusive com a indicação de conteúdos adequados a cada faixa etária. Os especialistas sugerem que a criança sequer tenha seu próprio dispositivo antes dos 12 anos, mas use o dos pais. Isso também ajuda a fazê-los entender que, assim como nas demais áreas importantes de sua vida, a tecnologia também fica sob o comando dos adultos. Para os adolescentes, mesmo com seus próprios gadgets à mão, os pais devem continuar supervisionando os conteúdos e participando daquilo que seus filhos estão fazendo nas redes, de modo que possam prevenir problemas e apontar riscos. As horas de tela têm de ser negociadas e igualmente limitadas, sempre alternadas com outras atividades, como esportes, passeios e momentos de contato com a natureza. Até porque há relação entre o excesso de tecnologia e o sedentarismo, um fator de risco para doenças cardiovasculares no futuro. Mais um argumento para tirar seus filhos da tela.  Se precisar de mais argumentos, leve essa pauta para o pediatra. Como proteger as crianças dos perigos virtuais Oriente seus filhos para que não forneçam senhas virtuais a conhecidos e desconhecidos, assim como dados pessoais ou da família. Estabeleça regras sobre conversas em chats e jogos on-line. Se permitir esse tipo de interação, esteja próximo e mostre-se presente para quem estiver falando com seus pequenos. Verifique a classificação indicativa dos conteúdos e libere os que forem adequados à faixa etária. Eduque suas crianças para que não postem nem repliquem mensagens que, de alguma forma, possam soar ofensivas, preconceituosas, ameaçadoras, violentas ou desqualificantes.  Oriente seus filhos para que não se intimidem com ameaças virtuais nem cedam a qualquer tipo de chantagem de colegas ou conhecidos. Fique atento para entrar no circuito nessas situações e, se for o caso, acionar a lei. Dê o exemplo e desconecte-se quando estiver com seu núcleo familiar, evitando ainda a superexposição de sua vida pessoal nas redes sociais.

07/10/2019
Alimentação

Riscos da obesidade para a saúde

No período renascentista, a obesidade era sinônimo de riqueza. Quem era gordo tinha acesso a uma boa alimentação e não precisava trabalhar. No século 18, no entanto, a ideia de que a gordura não era só corpulência, mas distúrbio, começou a ganhar terreno. No século seguinte, a condição passou a ser considerada mórbida e associada a problemas de saúde. Mais de 200 anos depois, esse elo se fortaleceu e preocupa bastante diante da epidemia de obesidade que se instaurou em todo o mundo. Só no Brasil, 18,9% da população está obesa e 54% das pessoas encontram-se acima do peso, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgada em maio de 2018.  A preocupação se justifica porque, entre outros prejuízos, o excesso de peso leva a pessoa a ficar intolerante à insulina, o hormônio responsável por colocar a glicose para dentro das células. Sem tratamento, a intolerância se transforma em diabetes do tipo 2, que, por danificar os vasos sanguíneos, favorece a ocorrência de problemas cardiovasculares. Em paralelo, a obesidade cursa com elevação de colesterol e triglicérides na circulação, o que predispõe à formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC, e ainda causa hipertensão arterial, que também danifica o sistema circulatório. Tudo isso cria uma verdadeira bomba-relógio no organismo. Mais recentemente, a condição ainda vem sendo acusada de ajudar a patrocinar o surgimento de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 13 tipos de tumor maligno têm relação com o excesso de gordura corporal, entre eles os mais frequentes na população mundial, como o câncer de mama, o câncer de intestino e o câncer de estômago.  Estratégias contra a obesidade É claro que o incentivo à atividade física e à alimentação saudável, com mais grãos integrais vegetais e frutas, precisa ser uma bandeira constante, mas um dado da Vigitel chama a atenção. Segundo a pesquisa, a obesidade tem maior prevalência entre os jovens de 18 a 24 anos, grupo em que aumentou importantes 110% entre 2007 e 2017. Acontece que as crianças estão crescendo obesas e levando essa condição para a vida adulta. Dados da OMS contabilizaram, em 2016, 124 milhões de obesos ao redor do globo e outros 213 milhões acima do peso na faixa etária de 5 a 19 anos.  A prevenção, portanto, deve vir do berço – literalmente. Estudos indicam que quanto maior o tempo de amamentação exclusiva, menor a chance de a criança ganhar muito peso na fase pré-escolar. Da mesma forma, pesquisadores apontam que o amplo acesso a frutas e hortaliças na infância está relacionado a uma composição corporal mais saudável, com menos gordura e mais massa magra, ou seja, músculos e ossos. Na outra ponta, o consumo frequente de bebidas e sucos açucarados no começo da infância contribui fortemente para a obesidade, de acordo com inúmeras evidências científicas. Mesmo o suco natural tem culpa no cartório e deve ser liberado, com muita parcimônia, só a partir de 1 ano de idade e limitado até entre os adolescentes – que dirá então dos refrigerantes. Em vez do suco, a recomendação dos especialistas é oferecer a fruta. Veja aqui mais dicas de combate à obesidade infantil.   Para crescer de bem com o peso Preste atenção aos sinais de fome e saciedade da criança para não alimentá-la em excesso, especialmente nos primeiros anos. Não use a comida como recompensa (por exemplo, comer chocolate) ou castigo (comer brócolis). Isso pode dar origem a transtornos alimentares na vida adulta. Sirva as refeições em horários regulares e mantenha o hábito de comer em família. Monte pratos coloridos e variados para oferecer aos pequenos todos os grupos de alimentos. Leve a criançada à feira para conhecer e provar novas frutas e vegetais. Desligue as telas (da tevê, do tablete e do celular) às refeições para que as crianças prestem atenção à comida. Prepare lanches com a menor quantidade possível de industrializados (com bolo e biscoito feitos em casa, vegetais e frutas, sanduíche natural). Limite o tempo de jogos eletrônicos e ponha a criançada para brincar e se exercitar. As associações de pediatras recomendam uma hora de atividade por dia. Por último, zele pelo sono dos pequenos. Estudos mostram que poucas horas dormidas favorecem a obesidade.   Para saber se o peso está adequadoOs parâmetros indicados para avaliação do estado nutricional de pessoas entre 20 e 59 anos incluem o índice de massa corporal (IMC) e o perímetro ou circunferência da cintura. O resultado do cálculo do IMC deve ser analisado segundo a classificação abaixo, definida pela Organização Mundial de Saúde. Para crianças e adolescentes, a avaliação envolve outros parâmetros, além do IMC. Nesse caso, converse com o pediatra que os assiste. IMC Classificação < 18,5 Baixo peso ≥ 18,5 e < 25 Peso adequado ≥ 25 e < 30 Sobrepeso ≥ 30 Obesidade    

23/09/2019
Prevenção

Quem doa órgãos, promove a vida

Em 2012, a jovem britânica Jemima estava ajudando a preparar a festa de aniversário da mãe quando, subitamente, desmaiou. Levada ao Hospital de Bristol, na Inglaterra, foi diagnosticada com um aneurisma cerebral e veio a falecer quatro dias depois. Como ela não apresentou nenhum problema de saúde antes do ocorrido, vários de seus órgãos estavam em condições para ser doados. E assim foi feito. Seus pais autorizaram os procedimentos e, dessa forma, o coração, o pâncreas, os pulmões, os rins, o intestino delgado e o fígado, dividido em duas partes, mudaram o destino de oito pessoas – um recorde –, sendo cinco delas crianças. Hoje, a família da menina dirige a ONG The Jemima Layzell Trust, que tem como um de seus objetivos incentivar a doação de órgãos. A doação de órgãos da pessoa falecida ainda representa um tema controverso. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o índice brasileiro de recusa, há anos, permanece na casa dos 40%. A situação é compreensível, já que envolve famílias que estão passando por um momento difícil e de sofrimento. A própria mãe de Jemima admitiu à imprensa do Reino Unido que hesitou muito para decidir, mas acabou sendo motivada por uma reportagem que mostrava a dificuldade e a baixa expectativa de vida das crianças que necessitavam de transplante de coração. No Brasil, para ser um doador basta avisar os familiares e não é necessário deixar algum documento por escrito. Por isso é tão importante conversar sobre o assunto naturalmente e expressar esse desejo, de modo a facilitar a decisão dos entes queridos num momento tão doloroso, já que a doação depende da autorização deles. Nem todos os países, no entanto, seguem a mesma legislação. A Holanda, por exemplo, aprovou há pouco tempo uma lei que torna todos os cidadãos automaticamente doadores, a não ser que a pessoa se registre como não doadora.   Remoção dos órgãos Evidentemente, os órgãos só podem ser retirados do doador após a constatação da morte encefálica, o que significa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, sem nenhuma chance de recuperação. Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é feito por exames clínicos repetidos em determinados intervalos por médicos desvinculados da equipe de transplantes (a equipe que constata o óbito não faz parte daquela responsável pela retirada dos órgãos), associados a exames complementares, como eletroencefalograma, que mede a atividade cerebral, e angiografia cerebral, que verifica o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro. Enquanto isso ocorre, o possível doador fica ligado a um ventilador, máquina que permite levar oxigênio para os órgãos, inclusive para o coração – o que possibilita que os batimentos cardíacos continuem –, de forma que todos eles permaneçam viáveis para doação. Além de rins, pulmões, fígado, intestino, coração e pâncreas, podem ainda ser aproveitados em outros pacientes os ossos, os tendões, as válvulas cardíacas, a pele e as córneas. Independentemente do caso, o órgão e/ou tecido são  retirados por meio de uma cirurgia como qualquer outra (a exemplo da remoção do apêndice ou da vesícula) e o corpo do doador não fica com deformidades relacionadas ao procedimento.   Espera ainda grande O Brasil tem avançado nesse cenário, muito embora ainda haja um número expressivo de indivíduos à espera de órgãos. De acordo com dados da ABTO, em 2018, a fila de transplantes tinha mais de 33,4 mil pessoas – a maioria aguardando rins ou córneas. Nem todos puderam ser atendidos, mas, segundo o Ministério da Saúde, foram realizados mais de 26,5 mil procedimentos – número menor que o de 2017, que contabilizou em torno de 27,4 mil procedimentos, porém significativamente superior ao de 2008, quando 18,9 mil transplantes foram realizados. Para os especialistas, o crescimento no número de doadores se deve, principalmente, ao treinamento das equipes dentro dos hospitais para a comunicação da possibilidade de doação à família do falecido. Segundo a Aliança Brasileira para a Doação de Órgãos e Tecidos, evidências científicas do mundo todo mostram que o aumento nas taxas de doação, quando as pessoas são abordadas de forma adequada, pode chegar a 500%. Mas há outros coadjuvantes nessa história. Desde junho de 2016, o Brasil mantém um avião da Força Aérea Brasileira reservado só para transportar órgãos. Além disso, um decreto de 2017 estabeleceu que qualquer médico qualificado pode notificar a morte encefálica – até então, apenas um neurologista era autorizado a fazê-lo e, na ausência dele, não raro se perdia a oportunidade do transplante.   Doação em vida Vale lembrar que esse ato nobre nem sempre ocorre num momento de dor: os órgãos provenientes de pacientes vivos também valem muito nesse contexto. Em 2018, dos 5.999 transplantes renais realizados, 17,6% foram possibilitados por pessoas vivas, que ainda podem doar parte do fígado, parte do pulmão e a medula óssea. Também existe uma legislação específica para esses casos no Brasil, que permite a doação para parentes de até quarto grau e cônjuges. Se não houver nenhum grau de parentesco entre doador e receptor, o transplante depende de autorização judicial – com exceção da medula óssea, que dispensa o aval da Justiça entre não aparentados e conta com um cadastro específico e uma gestão à parte. Para ser doador em vida, a pessoa precisa estar em bom estado de saúde, sem riscos de ter suas aptidões vitais comprometidas com o procedimento, além de ser maior de idade ou menor emancipado e juridicamente capaz. Finalmente, deve haver um receptor com indicação formal do transplante. Com esses critérios atendidos, o doador precisa fazer testes de compatibilidade com o paciente que aguarda o transplante. Se ambos forem compatíveis, uma equipe multidisciplinar acompanhará o caso para providenciar consultas e demais exames, agendando, a seguir, o dia do procedimento. Para saber mais, acesse: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-orgaos.

23/09/2019
Alimentação

Coração bem cuidado

Apesar dos avanços da ciência na hora de prevenir e identificar problemas de saúde, as doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral,  ainda apresentam as maiores taxas de mortalidade do planeta, especialmente nos países desenvolvidos e nas nações emergentes. No Brasil, causam 300 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Ocorre que, além dos riscos que já conhecemos – como o tabagismo –, o atual modo de vida, especialmente nas grandes cidades, está ajudando a deixar o coração mais vulnerável. As pessoas são mais sedentárias porque trabalham muito tempo sentadas e se deslocam em veículos automotivos; as crianças dificilmente vão e voltam da escola a pé e trocaram a brincadeira de rua pelos comandos do videogame; a comida caseira, não raro, é trocada por alimentos industrializados e por lanches de arrepiar as artérias. Mas com um pouco de vontade, todos esses hábitos podem ser mudados. Basicamente é preciso se exercitar com regularidade e comer direito, além de se manter longe do tabaco e do excesso de álcool e equilibrar as horas de trabalho ou de estudo com momentos de lazer, reduzindo o estresse.   O impacto do exercício A atividade física regular, quando feita cinco vezes na semana e pelo menos meia hora por dia, não apenas permite um melhor funcionamento do sistema circulatório, como também melhora o metabolismo, contribuindo para reduzir os níveis de colesterol e de glicose no sangue. Além disso, os exercícios ajudam a relaxar corpo e mente, diminuindo o estresse, e evitam o sobrepeso e a obesidade, também considerados fatores de risco cardiovascular por favorecerem o diabetes e a hipertensão arterial.    Prato do bem Já a alimentação deve ser rica em grãos integrais, frutas, vegetais, carnes magras e gorduras boas e, ao mesmo tempo, ter a redução de alimentos processados, gorduras saturadas, açúcar e sódio, inimigos declarados do peito. A grande quantidade de fibras presentes nessa opção confere saciedade por mais tempo, ajudando a manter o peso ideal, atrasa a entrada de glicose nas células e ainda reduz a absorção de gorduras e de colesterol pela corrente sanguínea.   Rotina organizada O controle do estresse é essencial porque esse estado, quando crônico, também agrava fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, e exerce influência negativa nas demais escolhas que ajudam a blindar o coração. Uma pessoa estressada nem sempre interrompe o trabalho para almoçar e nem acha tempo para se exercitar, por exemplo. Por isso é importante escolher atividades para desestressar – além dos exercícios – e organizar a rotina. Muitas vezes, acordar 15 minutos mais cedo pode ser a diferença entre um dia caótico e um dia tranquilo.   O papel do médico Essas mudanças estão ao alcance de qualquer pessoa, mas não custa lembrar que algumas condições que afetam o coração são silenciosas e requerem uma avaliação clínica para que sejam descobertas e tratadas. É o caso da hipertensão arterial, do colesterol elevado e do próprio diabetes. Pelo menos uma vez por ano, portanto, ainda que você não esteja sentindo nada, marque uma consulta para uma avaliação clínica geral e faça os exames laboratoriais solicitados na oportunidade. Com isso, o cerco às doenças cardiovasculares fica completo.

19/08/2019
Alimentação

Conheça dez benefícios de amamentar

O leite materno tem tudo de que o bebê precisa para ficar saudável e bem alimentado. Mas os benefícios de amamentar vão ainda mais longe. A DaVita selecionou uma dezena de motivos para as mães se dedicarem com afinco a essa nobre tarefa, pelo maior tempo possível. Afinal, quanto mais meses de amamentação, melhores os resultados para todo o núcleo familiar. Não custa lembrar que a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno até 2 anos de idade ou mais, com exclusividade nos primeiros seis meses e, depois, com o complemento de outros alimentos. Permite que o bebê ganhe peso na medida certa e que a mãe perca peso. Segundo os especialistas, para produzir um litro de leite, o organismo da mulher gasta cerca de 700 calorias, o que contribui para a perda dos quilos adquiridos durante a gestação num ritmo acelerado. Já o bebê tem um ganho de peso adequado com o leite materno, nada a mais, nada a menos. Isso ocorre porque a quantidade de gordura do alimento varia durante a amamentação e chega a seu ponto máximo perto do fim de cada mamada, saciando a criança e levando-a a parar naturalmente, ao contrário do que ocorre com as fórmulas artificiais – a saciedade pode demorar mais para ocorrer, fazendo o bebê mamar além do necessário porque o nível de gordura é sempre o mesmo. Protege a criança contra alergias, infecções respiratórias e diarreias. Por conter inúmeros fatores imunológicos que atuam contra agentes infecciosos e ajudam a evitar respostas inflamatórias exageradas – as reações alérgicas –, o leite materno literalmente funciona como um elixir de prevenção para o bebê. Conforme um estudo da Organização Mundial de Saúde, a redução de diarreias em crianças amamentadas, em comparação com as não amamentadas, chega a 63% nas menores de 6 meses, enquanto a redução de pneumonias alcança um terço naquelas com menos de 2 anos. A chance de desenvolver rinite alérgica também cai 21% nos cinco primeiros anos de vida de quem mama no peito. Contribui com o desenvolvimento intelectual da criança. O leite materno é composto de substâncias que ajudam os neurônios a se desenvolverem e a fazerem conexões entre si, ou sinapses, nos três primeiros anos de vida – ocasião em que 90% das sinapses cerebrais de um indivíduo ocorrem. Estudos neozelandeses e irlandeses também mostram que crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses de idade apresentam melhor desempenho escolar. Semelhante conclusão foi encontrada em um trabalho publicado na revista científica Lancet, em 2015. Crianças e adolescentes que receberam leite materno demonstraram um resultado no teste de quociente de inteligência (QI) 3,4 pontos maior que o dos não amamentados.  Ajuda a prevenir diabetes tipo 2, sobrepeso e obesidade nas diferentes etapas da vida. Crianças que mamam no peito têm uma redução de 26% no risco de ficar com sobrepeso ou obesidade na infância, na adolescência e na vida adulta, assim como uma diminuição de 35% no risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo dos anos, segundo um estudo publicado em 2015 no suplemento científico Acta Paediatrica. Quando submetido a aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade, o bebê não ingere calorias extras, que são dispensáveis nessa fase do desenvolvimento infantil, e não ganha mais peso do que deveria. Ademais, o leite materno possui substâncias que contribuem para regular o apetite e o metabolismo dos alimentos por toda a vida. Ajuda a fortalecer a mandíbula e demais estruturas craniofaciais do bebê. A amamentação é essencial para o desenvolvimento oral e facial dos pequenos. Isso porque, ao sugar o leite, o bebê exercita a boca, os dentes, os músculos da face, a mandíbula e o maxilar. De acordo com um estudo publicado em 2015 no Acta Paediatrica, dois terços das irregularidades nos encaixes dos dentes de leite poderiam ser evitados apenas com o aleitamento materno. Em outro trabalho, que saiu no jornal BMC Public Health, em 2012, os pesquisadores observaram que crianças que receberam leite materno por 12 meses ou mais apresentaram melhor função da mastigação que as amamentadas por menos tempo. Ajuda a mulher a se recuperar no pós-parto e funciona como método anticoncepcional temporário. O aleitamento materno contribui para que o útero reassuma seu tamanho normal de forma mais rápida, evitando sangramentos muito intensos e uma consequente anemia. Como se não bastasse, ao amamentar exclusivamente e de forma regular nos primeiros seis meses, a mulher não ovula nem menstrua. Contudo, à medida que as mamadas vão sendo espaçadas, por conta da alternância com outros alimentos, os ciclos menstruais retornam, juntamente com a necessidade de usar um método contraceptivo caso não haja o desejo de uma nova gravidez. Vale pontuar que especialistas recomendam 18 meses de intervalo entre dois partos. Um parto antes desse período apresenta riscos de prematuridade, baixo peso ao nascimento e desenvolvimento abaixo do normal dentro do útero.  É fator de proteção contra o câncer de mama e outros tumores femininos. Uma vez que não tem ciclos menstruais durante a amamentação exclusiva, a mulher não fica exposta ao estrógeno, hormônio associado ao câncer de mama. Além disso, quando o bebê suga o leite, promove uma esfoliação do tecido mamário, contribuindo para a renovação celular local. De fato, conforme um grande estudo publicado pela Lancet em 2001, que envolveu mais de 146 mil mulheres de 30 países, o risco de desenvolver o tumor de mama cai 4,3% a cada 12 meses de aleitamento. Quanto mais filhos amamentados, portanto, maior a proteção. Em outro trabalho publicado pela Lancet em 2016, os autores calcularam que a amamentação evita 19 mil mortes por câncer de mama a cada ano em 75 países de média e baixa renda, além de terem estimado que mais 22 mil mortes poderiam ser prevenidas se o aleitamento se prolongasse por 12 meses, nas nações mais ricas, e por 24 meses, nas mais pobres. A prática ainda constitui um fator protetor contra o câncer de ovário – estima-se uma redução de 2% no risco da doença a cada mês de amamentação – e contra o câncer de endométrio (mucosa que recobre a parte interna do útero).  Reduz o risco de diabetes tipo 2 na mulher. Para fabricar o leite, o organismo retira diariamente 50 gramas de açúcar da circulação. A mulher que amamenta também tem um expressivo gasto calórico para amamentar. Por fim, existem evidências de que a prolactina, o hormônio que circula no corpo durante a fase de aleitamento, preservaria as células betapancreáticas, justamente as que fabricam insulina, o hormônio encarregado de captar a glicose da circulação e nutrir as células. A combinação desses mecanismos ajuda a explicar por que o risco de desenvolver diabetes tipo 2 cai quase pela metade nas mulheres que amamentam por pelo menos seis meses, de acordo com os achados de um estudo publicado no jornal Jama Internal Medicine, o qual acompanhou 1.238 mulheres por 30 anos. Constrói laços de afeto entre mãe e bebê. Durante a amamentação, o vínculo entre a mãe e bebê aumenta por conta do contato visual e da pele entre ambos. Como a criança tem dificuldade para focar imagens a distância, a posição em que fica na hora da mamada, a cerca de 30 centímetros do rosto materno, permite que contemple perfeitamente a mãe, o que contribui para fortalecer esse laço. O afeto cresce também porque, quando o bebê está mamando, o leite é ejetado por ação da ocitocina, o hormônio do amor, cuja liberação causa profundo relaxamento e boas sensações na mulher. Os especialistas afirmam que esse vínculo colabora para facilitar as relações dos pequenos com outras pessoas no futuro. Economiza dinheiro e recursos naturais. Já pensou nisso? Há pesquisas da Associação Americana de Pediatria que indicam que mães que amamentam exclusivamente nos primeiros seis meses de vida do bebê deixam de gastar mil dólares entre compra de fórmulas infantis e mamadeiras. Isso no âmbito pessoal. Mas, no público, um estudo publicado na Lancet em 2016, apontou que um aumento de apenas 10% nas taxas de aleitamento materno até os 6 meses de idade ou de amamentação continuada por até 12 ou 24 meses seria capaz de reduzir em 1,8 milhão de dólares os custos anuais dos tratamentos de doenças em crianças no Brasil. Além de fazer diferença nas contas da saúde pública, toda essa economia geraria impacto positivo ao meio ambiente, na medida em que os resíduos de latas de leite, mamadeiras, medicamentos e insumos médicos usados em internações deixariam de existir com a prática do aleitamento nessas condições. Portanto, amamentar também é uma prática sustentável.

12/08/2019
Alimentação

O que fazer quando o bebê não quer mamar?

Ao longo da gravidez, a mulher recebe orientações sobre a importância de amamentar, já que o leite materno não apenas nutre o bebê, mas protege contra doenças, estimula o desenvolvimento cerebral e acalma a criança – além de ser extremamente conveniente para a mãe. Tudo perfeito na teoria, não fosse por um pequeno detalhe que pode acontecer logo após o nascimento: o bebê se recusa a mamar. O que fazer? Muita calma nessa hora. Segundo os especialistas, a criança chega ao mundo com uma reserva alimentar para os primeiros dois a três dias. Portanto, pode estar simplesmente cansada do esforço do parto, assim como a mãe. Nesse caso, o mais aconselhável é mesmo aconchegá-la e acalmá-la.  Mesmo assim, é preciso tentar de novo, quantas vezes forem necessárias. Em primeiro lugar, convém verificar se a pega está adequada. A criança tem de ficar virada de frente para a mãe, barriga com barriga, e ser estimulada a abrir a boca. Com a mão em formato de letra cê – e nunca com os dedos em forma de tesoura –, a mãe deve levar o peito à boca aberta da criança, de modo que ela abocanhe a aréola, justamente a parte em que há mais leite. Assim, o bebê não precisa fazer tanto esforço e mama sem machucar a mãe. Problemas e soluções para a hora de amamentar Mas pode não ser tão simples. Quanto mais a fome aumenta, mais o pequeno fica agitado – e, não raro, mais a mãe se desespera. Uma boa dica é ordenhar um pouco de leite num copinho bem pequeno – geralmente há desses utensílios na maternidade – e oferecer o líquido devagar na boca do bebê. E, então, recomeçar o processo. Com o estômago forrado, a chance de a mamada ser bem-sucedida cresce.  Outra possibilidade é a de o bebê não dar conta da rapidez com que o fluxo de leite jorra, apesar da fome. Nessa situação, ele começa a mamar e engasgar, acabando por ficar com medo de tentar de novo. Para evitar o desconforto, há necessidade de retirar um pouco do leite para que a ejeção não seja tão forte.   A obstrução do nariz por secreção também pode atrapalhar, assim como a falta de força para sugar. No primeiro caso, recomenda-se limpar as narinas do bebê antes da mamada e, no segundo, dar o leite ordenhado num copinho até que ele ganhe peso e fique mais forte. Bicos e chupetas não são recomendados, uma vez que podem atrapalhar a sucção. Se a criança conhecer a mamadeira, aumentará a probabilidade de ela não querer o peito. Vale ponderar que a recusa, quando acompanhada de sintomas como vômitos, diarreia e sonolência excessiva, entre outros, deve ser tratada como emergência médica, pois indica que o bebê pode estar doente.  Por outro lado, na ausência de sinais preocupantes, a persistência do insucesso não deve levar a mãe a desistir dessa empreitada tão importante para a saúde da criança. Hoje há consultores em amamentação e bancos de leite que podem ajudar. Acima de tudo, conte com o apoio do pediatra.

05/08/2019
Alimentação

Saiba a diferença entre o bom e o mau colesterol

Quem já passou de 20 anos e vai ao médico periodicamente já deve ter feito um exame de sangue para medir o colesterol, uma gordura que integra a membrana de todas as células e que, quando em excesso na circulação, pode causar doenças cardiovasculares. A maior parte do colesterol que se encontra no organismo é produzida pelo fígado porque essa substância cumpre papel fundamental para a saúde celular. O restante vem da alimentação, sobretudo de alimentos de origem animal, como leite e derivados, ovos e carnes, a vermelha principalmente.  Para distribuir colesterol a todas as células, existem duas lipoproteínas, uma de baixa densidade, denominada LDL-colesterol, cuja sigla, LDL, vem de low density lipoprotein, e outra de alta densidade, HDL-colesterol, sendo a sigla HDL referente à expressão high density lipoprotein.  O LDL é o mais importante transportador dessa gordura pela circulação. Contudo, quando está elevado, acaba depositado nas paredes dos vasos sanguíneos, estreitando seu calibre ou obstruindo-os. Ocorre que, junto com outras substâncias, ele forma placas, que podem se romper e provocar graves problemas cardiovasculares: se a ruptura ocorrer numa artéria do coração, por exemplo, há risco de infarto agudo do miocárdio; se for em um vaso cerebral, de acidente vascular cerebral.  Em vista dessa associação nada fortuita, o LDL ganhou a alcunha de mau colesterol e, para conviver pacificamente com ele, espera-se que sua concentração no sangue esteja sempre abaixo dos valores de referência. Isso, porém, é determinado de forma personalizada pelos médicos, conforme o risco cardiovascular de cada paciente.  Já o HDL executa ação contrária à do LDL, removendo o colesterol abundante na circulação e transportando-o de volta para o fígado, o que resulta num efeito protetor para as artérias do coração e do cérebro, particularmente. Assim, o HDL figura como o bom colesterol nessa história, devendo ficar sempre acima de 40 mg/dL, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia.     Como reverter o colesterol LDL alto e melhorar os níveis do HDL   A prevenção cardiovascular baseia-se na manutenção do LDL e HDL na medida certa, assim como em dieta adequada, perda de peso, prática de exercícios físicos, entre outros. Quem fuma também deve rever esse hábito. A escolha de alimentos com baixo índice de colesterol pode fazer uma grande diferença na redução da concentração do LDL, enquanto a atividade física é a medida que mais tem impacto no aumento do HDL, sobretudo as modalidades aeróbicas, como caminhada, ciclismo e corrida. Contudo, quando a pessoa já está com um nível bastante elevado de LDL e, mesmo com exercícios e dieta, não consegue bom resultado, podem entrar em cena medicamentos para diminuir especificamente esse tipo de molécula, os quais – é importante frisar – devem ser associados com as demais medidas para o controle do colesterol pelo tempo determinado pelo médico.  As estatinas são os remédios mais usados para reduzir o LDL, mas já existem novidades nessa seara, como os inibidores da proteína PCSK9, que degrada receptores do mau colesterol no fígado. Se essa proteína deixa de trabalhar, o LDL em excesso consegue sair da circulação e voltar a seu ponto de partida. Essa nova classe de fármacos costuma ser prescrita para quem não responde às estatinas e a outros medicamentos convencionais, bem como a portadores de hipercolesterolemia familiar, na qual a elevação do colesterol deriva de mutações em genes, aumentando muito o risco de doenças cardiovasculares. Antes de pensar em tratamento, no entanto, há um longo caminho pela frente, que começa com uma consulta com um médico, mesmo que você já tenha ido antes, e pode terminar simplesmente em ajuste da dieta e prática de atividade física. Dê logo esse primeiro passo. A queda do LDL na mira Conforme o risco cardiovascular de cada paciente, o médico determina a meta do LDL-colesterol, que deve ser atingida com dieta e perda de peso e, quando isso não for suficiente, também com medicamentos: Risco cardiovascular: Meta de LDL: Indivíduos com risco baixo Abaixo de 130 mg/dL Indivíduos com risco intermediário Abaixo de 100 mg/dL Indivíduos com risco alto  Abaixo de 70 mg/dL Indivíduos com risco muito alto Abaixo de 50 mg/dL Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia   O que mudar na alimentação para baixar o colesterol Para quem não apresenta alto risco cardiovascular, como uma pessoa que já sofreu um AVC ou que tem hipercolesterolemia familiar, é possível, sim, diminuir os níveis do LDL no sangue com mudanças na dieta. Além de dobrar a ingestão de fibras, na forma de grãos, cereais integrais, frutas e vegetais, vale a pena promover as seguintes trocas:   Em vez de: Fique com: Pão, arroz e macarrão comuns Pão, arroz e macarrão integrais Leite e derivados integrais Leite e derivados desnatados Carne vermelha Carne branca magra (frango sem pele e peixe) e lombo de porco Snacks e biscoitos Castanhas e nozes Pizza de muçarela Pizza de vegetais (abobrinha, berinjela, escarola) Queijos amarelos Queijo branco, ricota, cottage Frutos do mar Salmão Doces cremosos Frutas in natura ou, no máximo, em compotas Molho branco, quatro queijos Molho de tomate feito em casa Manteiga Margarina com fitoesteróis Chocolate ao leite e branco Chocolate amargo    

05/08/2019
Alimentação

Hábitos saudáveis: mudanças na rotina para ganhar saúde

É verdade que a ciência caminha a passos largos no desenvolvimento de soluções para aumentar a saúde e conseguir a cura para enfermidades que, pouco mais de algumas décadas atrás, soavam como ameaças quase invencíveis. Contudo, ainda não saiu das bancadas dos laboratórios farmacêuticos ou das universidades uma pílula capaz de prolongar a vida do ser humano com qualidade e prevenir a maior parte das doenças. Uma das formas mais efetivas de fazer ao menos uma parcela desse aparente milagre é mesmo a adoção de hábitos saudáveis ou, para quem está longe de andar na linha, a mudança do estilo de vida. Tome-se o exemplo do câncer. Muito embora existam fatores de risco que não podemos mudar, como idade e histórico familiar, os demais são passíveis de modificação. Tanto é assim que a Sociedade Americana de Câncer atribui um terço das mortes por essa causa à manutenção de dietas desequilibradas e à falta de atividade física. Da mesma forma, diversos estudos já demonstraram a associação entre a redução de doenças do coração e a combinação de prática regular de exercícios físicos, adoção da dieta mediterrânea – rica em peixes, castanhas e azeite de oliva extravirgem –, controle do peso e, claro, distância do tabagismo.  Além desses hábitos, outras atitudes, algumas mais trabalhosas, outras menos, estão por trás da manutenção da boa saúde e da prevenção de enfermidades e desequilíbrios orgânicos, ainda que momentâneos. A boa notícia é que muitas vezes uma única mudança pode trazer múltiplos benefícios. Quando dormimos melhor, não só conseguimos ter mais disposição para enfrentar os desafios do dia seguinte, com diminuição do estresse, mas também ajudamos a melhorar o metabolismo e prevenir a obesidade, que, entre outros prejuízos, ocasiona o diabetes, doença associada a eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio. O fato é que a incorporação cotidiana de hábitos saudáveis tem um efeito positivo sistêmico no organismo. Converse com seu médico e comece agora mesmo a trabalhar pela sua saúde. Caso precise de ajuda, procure ainda apoio psicológico.   Dicas para manter a saúde Não fume.  O cigarro tem cerca de 4.700 substâncias nocivas e está implicado com problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer e afecções pulmonares, como a doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras.   Pratique exercícios físicos.  A Organização Mundial de Saúde recomenda um mínimo de 150 minutos de atividade física moderada por semana. Sempre que possível, vá até os lugares caminhando ou pedalando. Exercícios físicos regulares ajudam a perder peso, elevam a autoestima, evitam doenças e melhoram o humor.   Coma alimentos saudáveis. Opte por comida de verdade, preparada em casa, com alimentos in natura. Produtos processados, como preparações congeladas, macarrão instantâneo, mistura para sopas e bolos, molhos e temperos prontos, ou ultraprocessados, a exemplo de embutidos, linguiça e nuggets, carregam muito sal, açúcar e gorduras nocivas para o organismo.   Reduza o consumo de sal. O excesso de sódio, presente no sal, está relacionado com a hipertensão arterial e com a doença renal crônica. Leia os rótulos dos produtos, evitando levar os ricos em sódio, e troque parte do sal nas receitas por ervas. Importante: não leve o saleiro à mesa.   Beba água. Os especialistas preferem usar, como parâmetro, não quantidade de litros ou copos, mas um volume suficiente para deixar a urina amarelo-clara. Só evite a ingestão de água e outros líquidos durante as refeições para não dilatar o estômago e acabar comendo mais do que você realmente necessita.    Evite refrigerantes. Fuja mesmo dos que não levam açúcar e prefira comer as frutas a transformá-las em sucos. O organismo demora mais a metabolizar a sacarose das frutas em pedaços, postergando a sensação de saciedade, e as fibras ingeridas ajudam o intestino a funcionar.   Aliás, consuma fibras. Homens devem ingerir 34 gramas e mulheres, 28 gramas, segundo a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes. Além das frutas, as fibras estão nos vegetais e nos grãos integrais. São importantes para a saúde do aparelho digestório, ajudam a baixar o colesterol e a controlar o peso e contribuem para prevenir o câncer de intestino.   Evite bebidas alcoólicas. Não dá para falar em sinal verde em matéria de álcool, dados os prejuízos do alcoolismo à saúde física e mental do dependente e de seu núcleo familiar, mas o vinho tem alguma qualidade nessa seara, uma vez que possui o resveratrol, um antioxidante que protege contra doenças cardiovasculares. Contudo, não ultrapasse um cálice por dia.    Lave as mãos. É imprescindível manter esse hábito, especialmente antes de comer e cozinhar, bem como após usar o banheiro, para evitar a contaminação com possíveis agentes infecciosos.   Controle o estresse.  Um dos fatores vitais nesse sentido é administrar bem o tempo, dividindo-o melhor entre atividades de trabalho, de lazer e da rotina em casa. Ademais, encontre uma válvula de escape. A atividade física costuma dar conta desse recado e ainda acrescenta outros benefícios.   Cuide de seus vínculos afetivos e sociais. Mantenha um círculo de pessoas, amigos e parentes, com quem possa contar para dividir seus problemas, comemorar suas conquistas e se distrair.   Durma bem.  A falta de sono altera o metabolismo e pode acabar resultando em sobrepeso e resistência à insulina, hormônio que coloca a energia para dentro das células, com consequente risco de evolução para o diabetes. Para se dar bem com o travesseiro, não coma demais à noite nem se exercite antes de dormir. Quando for para a cama, desligue todos os eletrônicos e diminua a luminosidade do quarto, bem como os ruídos.   Use filtro solar. O protetor deve ter FPS 30, no mínimo, para pessoas de pele clara, e FPS 15, no mínimo, para pessoas afrodescendentes. Além disso, a exposição ao sol deve ocorrer nos horários de menor radiação ultravioleta (antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas).   Vá ao médico periodicamente. Faça um check-up de saúde uma vez ao ano ou conforme recomendação médica. Caso tenha algum sintoma no intervalo entre uma consulta e outra, procure seu médico ou um serviço de emergência.

01/08/2019
Prevenção

O que causa a icterícia?

Amarelo. Essa é cor que predomina na icterícia, um sintoma de diversas doenças, e não uma condição patológica em si, que tinge pele, mucosas e o branco dos olhos (denominado esclera). O aspecto amarelado provém da elevação não natural de um pigmento na corrente sanguínea, a bilirrubina, que resulta da morte dos glóbulos vermelhos do sangue.  Numa situação de normalidade, o fígado capta esse pigmento da circulação após a morte das hemácias envelhecidas e o processa. Só para ter uma ideia do caráter ininterrupto desse trabalho, as células vermelhas se renovam a cada 120 dias. Após ser metabolizada, a bilirrubina fica armazenada nas vias biliares e é excretada pelo intestino, juntamente com a bile.  Numa situação anormal, porém, ou a quantidade de bilirrubina produzida ultrapassa a capacidade de processamento do fígado devido à destruição acelerada de glóbulos vermelhos ou, então, o metabolismo do pigmento está prejudicado por alguma alteração no fígado ou nas vias biliares. Bilirrubina que não sai do corpo Na prática, o fígado pode ficar com a capacidade comprometida de captar a bilirrubina e de processá-la em decorrência de hepatites causadas por vírus, por medicamentos, alcoolismo, de cirrose hepática, febre amarela e enfermidades genéticas raras, como na Síndrome de Crigler-Najjar e na Síndrome de Gilbert.  Já a degradação anormal dos glóbulos vermelhos ocorre em anemias hemolíticas, em que há destruição aumentada e precoce dessas células, com destaque para a anemia falciforme, e também em doenças infecciosas, como a malária, o que faz aumentar bastante a quantidade do pigmento na circulação, sem que o fígado possa dar conta do volume de trabalho.  Por fim, a bilirrubina, após ser metabolizada, pode não encontrar o caminho livre nas vias biliares, rumo ao intestino. Isso ocorre no cálculo biliar, ou pedra na vesícula, em tumores ou estreitamentos nessa região, bem como na colangite biliar primária, uma doença autoimune na qual o organismo produz autoanticorpos que inflamam e obstruem as vias biliares.  O fato é que, em todas essas condições, o pigmento não consegue sair e acaba se acumulando na pele, nas mucosas e nos olhos.    O que há por trás do amarelo da icterícia Por ser um sinal clínico aparente, a presença de icterícia pode levar naturalmente a uma consulta médica, em especial se estiver acompanhada de outras manifestações ligadas ao aumento de bilirrubina, como urina escura, fezes esbranquiçadas e coceira, que muitas vezes chamam mais a atenção do paciente que o tom da pele.  A história clínica já fornece ao médico pistas para ele suspeitar de alguma das doenças que causam icterícia, mas a investigação inicial não prescinde de exames de sangue para medir a quantidade de bilirrubina e de glóbulos vermelhos, bem como para avaliar a função hepática. A partir dos resultados, outros testes geralmente são necessários para o diagnóstico. A elevação de determinadas enzimas do fígado, por exemplo, pode sugerir inflamação e levar o médico a pesquisar as hepatites virais.  O tratamento visa a combater a causa da icterícia que, uma vez removida, termina de vez com a manifestação amarelada. Contudo, os especialistas também recomendam outras medidas de proteção, como o aumento da hidratação corporal, a restrição de alimentos gordurosos e o uso de anti-histamínicos para combater a coceira.   Ficar amarelo não é normal. Ainda que não sinta nada, procure esclarecimento médico. Meu bebê está com icterícia. E agora? A icterícia neonatal costuma surgir em até 60% dos bebês, em geral no terceiro dia de vida, sendo detectada pelo exame clínico e confirmada pela dosagem de bilirrubina no sangue. Mas, na grande maioria das vezes, decorre de uma imaturidade da função do fígado, que não consegue dar conta de metabolizar o pigmento – por isso mesmo, recebe o nome de icterícia fisiológica (função habitual do organismo). A condição não costuma preocupar, mas precisa de controle para evitar complicações, o que é feito com fototerapia ainda na maternidade. Quando não fisiológica, pode derivar de incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, síndromes genéticas, obstruções nas vias biliares, anemias hemolíticas e infecções por vírus e bactérias, entre outras causas pouco frequentes nesse grupo.

08/07/2019
Alimentação

Alergia alimentar: conheça causas e sintomas

É muito frequente encontrar pessoas alérgicas, já que pelo menos 30% da população brasileira apresenta algum tipo de alergia, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). A doença consiste na resposta exagerada do sistema de defesa a um alérgeno, seja ele a poeira doméstica ou os polens, nos casos de alergia respiratória, seja a proteína de determinado alimento, no caso de alergia alimentar. Afetando 6-8% das crianças e 2-3% dos adultos, de acordo com a Asbai, a alergia alimentar é uma reação adversa que ocorre depois da ingestão de determinados alimentos ou aditivos alimentares. Pode desencadear manifestações na pele, no sistema respiratório e no sistema digestório ou, ainda, envolver vários órgãos, culminando no que se chama de reação anafilática, uma condição grave, que precisa ser revertida imediatamente.  Todo alimento tem potencial de causar alergia, porém os mais envolvidos com esses quadros são o leite de vaca, o ovo, a soja, os crustáceos, o trigo e os peixes. Além disso, há possibilidade de reações cruzadas. Quem sabidamente é alérgico a camarão pode não tolerar mariscos, ostras e afins. Do mesmo modo, a sensibilidade ao amendoim não raro se estende a grãos como soja, ervilha e feijões.  A reação adversa a conservantes, corantes e outros aditivos alimentares ocorre mais raramente, mas deve ser valorizada. Entre os agentes mais comuns desse grupo, vale destacar o corante tartrazina, usado em sucos artificiais, gelatinas e balas, assim como o glutamato monossódico, que entra em alimentos salgados, a exemplo de temperos, e os sulfitos, que conservam frutas desidratadas, vinhos e sucos, além de serem adicionados a alguns medicamentos.   A reação alérgica ocorre sempre logo depois de ingerir o alimento? O diagnóstico costuma ser feito pelo alergista por meio de um completo detalhamento da história do paciente, que inclui o relato dos alimentos ingeridos de forma rotineira e eventual para que o médico possa associar sintomas à ingestão, bem como do exame físico. Nas crianças, os casos envolvem principalmente leite e ovo, enquanto, nos adultos, o camarão é o maior implicado. De qualquer forma, nem sempre as reações ocorrem logo após o consumo, o que dificulta a identificação da doença. Para ajudar a esclarecer o quadro, o especialista pode pedir testes alérgicos cutâneos e exames de sangue. O tratamento consiste no uso de anti-histamínicos para controlar os sintomas e na retirada, da dieta, do alimento que provoca alergia, sempre com o cuidado de substituí-lo adequadamente para evitar deficiências nutricionais – o que é crucial em crianças para evitar prejuízos a seu pleno desenvolvimento. O paciente e os familiares são orientados para que evitem novos contatos com o agente causador da alergia e para que se habituem a ler rótulos em busca da presença do alimento e de nomes associados, como, ainda no caso do leite, manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato.  Essa missão foi simplificada com a resolução RDC 26/2015, da Anvisa, que determina que os fabricantes informem, no rótulo dos produtos, a existência de até 17 alimentos potencialmente causadores de alergia. A mesma norma também exige que os rótulos exibam avisos de que podem conter traços desses alimentos. Isso porque há industrializados que, mesmo sem ter nenhum deles, são fabricados em máquinas que processam produtos que levam efetivamente tais itens em sua composição. Um biscoito feito com água, farinha e sal, por exemplo, pode ser produzido no mesmo maquinário que um outro, composto de ovos e leite, tendo, portanto, possibilidade de contaminação cruzada.     O que fazer quando a alergia ocorre por exposição acidental? Apesar dos cuidados, excluir totalmente um item da dieta não é missão fácil e a exposição acidental acaba acontecendo com muita frequência, de acordo com os especialistas. Nesses casos, as reações leves podem ser controladas com os anti-histamínicos ou até desaparecerem espontaneamente. Contudo, para o grupo com histórico de reações mais graves, recomenda-se até andar com medicamentos próprios para a reversão dos sintomas – um autoinjetor de adrenalina. Mesmo assim, essas pessoas devem ser encaminhadas para um serviço médico após a exposição porque há risco de uma segunda reação tardia. Felizmente, o prognóstico costuma ser bom na alergia alimentar. Segundo a Asbai, cerca de 85% das crianças deixam de reagir à maioria dos alimentos que lhes causa alergia entre os 3 e os 5 anos, sobretudo ovos, leite, trigo e soja, que, afinal, estão nos produtos industrializados e nos cardápios mais comuns. Para tanto, o especialista vai fazendo a reintrodução gradual do alimento. Já a sensibilidade a amendoim, nozes, crustáceos e peixe costuma permanecer pela vida toda.   Como prevenir a alergia alimentar na primeira infância? Por se tratar de uma doença que afeta crianças, parece razoável identificar quem pode ter esse quadro, em especial na primeira infância, quando o leite de vaca responde por grande parte da dieta. Mas, na prática, a preocupação deve existir justamente em famílias de alérgicos, já que, segundo a Asbai, de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar têm parentes com o mesmo problema. Além disso, se tanto o pai quanto a mãe apresentarem qualquer tipo de condição alérgica, a chance de gerarem um filho com alergia alimentar chega a 75%. Nesse grupo, portanto, os especialistas estimulam ainda mais o aleitamento materno, assim como a introdução tardia dos alimentos mais associados a quadros de alergia: sólidos somente após o sexto mês de vida, leite de vaca após 1 ano de idade, ovos aos 2 anos e amendoim, nozes e peixes apenas depois dos 3 anos.    Se você suspeita de alguma ligação entre a ingestão de alimentos e reações adversas, procure um alergista para esclarecer o quadro. Conheça os sintomas da alergia alimentar Reações na pele: placas salientes na superfície do corpo (urticária), inchaço, coceira e inflamação cutânea (dermatite atópica). Reações gastrointestinais: diarreia, vômitos, dor no abdome e, nas crianças, perda de sangue nas fezes, com consequente anemia e atraso no crescimento. Reações respiratórias: tosse, chiado no peito e rouquidão. Raramente, pode haver obstrução nasal. Reação anafilática: coceira generalizada, inchaço, dificuldade respiratória, diarreia e vômitos, dor abdominal, aperto na garganta e no peito, queda da pressão arterial, descompasso dos batimentos cardíacos e incapacidade do sistema vascular de irrigar todos os tecidos do corpo (choque vascular).  

01/07/2019
Prevenção

Teste de pezinho

Mais do que um diagnóstico, a oportunidade de viver plenamente Além do teste de Apgar, no qual o recém-nascido é avaliado quanto a fatores como frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, prontidão reflexa e cor da pele, nas horas seguintes ao nascimento o bebê passa por outras avaliações, algumas obrigatórias, outras recomendadas. Entre as obrigatórias está a triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho. O exame consiste na coleta, em papel-filtro, de algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê entre o terceiro e o quinto dia de vida – tempo necessário para o organismo do pequeno já estar trabalhando sozinho. O objetivo é pesquisar doenças congênitas importantes, que causam prejuízo à saúde física e mental da criança, antes mesmo que ela possa apresentar sintomas, e permitir que os médicos possam intervir em tempo hábil.  Na rede pública, o teste está disponível gratuitamente desde 1992 e investiga seis doenças, as mais prevalentes na população de neonatos: o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, a fenilcetonúria, a hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase. A amostra é enviada para um serviço de referência nesse tipo de análise. Em São Paulo, vai para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), entidade que implementou o método no Brasil em 1976. Se houver alguma alteração na triagem, a família é reconvocada para que o bebê realize um exame específico para a condição suspeita, a fim de confirmá-la ou afastá-la. Uma vez fechado o diagnóstico, o pediatra consegue estabelecer a conduta rapidamente, o que, para as crianças, pode fazer toda a diferença entre um desenvolvimento normal e algum grau de atraso físico ou mental. Num caso de fenilcetonúria, por exemplo, a terapêutica consiste na adoção de uma dieta com baixo teor de fenilalanina, aminoácido presente em alimentos proteicos. As crianças que nascem com a doença acumulam essa substância e, sem a instituição da dieta alimentar antes dos 3 meses de vida, acabam apresentando atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, hiperatividade ou autismo, convulsões e problemas de pele. Ainda que o portador da condição precise passar a vida controlando o que ingere e recorrendo a fórmulas especiais, ter uma informação como essa logo ao nascer representa um benefício inestimável, que justifica a realização do rastreamento em todos os recém-nascidos.  Teste do pezinho ampliado: qual a diferença? É com esse raciocínio que a rede particular vem oferecendo, há algumas décadas, versões ampliadas do teste, que rastreiam de 10 a 53 condições graves ao nascimento, entre afecções metabólicas, congênitas e infecciosas. Recentemente, as triagens passaram a incluir ainda a pesquisa de alguns defeitos inatos da imunidade, denominados imunodeficiências primárias, que, em geral, apresentam um prognóstico muito ruim quando identificados tardiamente. Embora essas enfermidades sejam – felizmente – pouco frequentes, o diagnóstico e o tratamento precoce de qualquer uma delas muda o destino da criança, dando-lhe uma oportunidade de viver com saúde e quase sem limitações.  Caso faça planos de aumentar a família ou já esteja prestes a receber um herdeiro, não deixe de conversar com seu médico sobre as opções disponíveis de triagem neonatal. Quais são as doenças rastreadas pelo teste do pezinho? Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias: alterações anormais da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio no sangue, as quais dificultam a circulação e a devida oxigenação das células. Podem causar atraso no crescimento e infecções generalizadas. Exigem acompanhamento frequente de uma equipe multidisciplinar para a adoção de medidas terapêuticas conforme cada necessidade, como transfusões.  Deficiência de biotinidase: doença metabólica caracterizada por um defeito da enzima biotinidase, que responde pela absorção da biotina dos alimentos, vitamina presente em diversos alimentos da alimentação normal. Quando não corrigida, ocasiona distúrbios neurológicos e problemas de pele. Contudo, o tratamento é simples e se baseia no uso diário da biotina. Fenilcetonúria: deriva de um defeito na produção da enzima fenilalanina hidroxilase, que leva o portador a acumular o aminoácido fenilalanina. O diagnóstico precoce permite a instituição precoce da conduta, de modo que, ao deixar o aleitamento exclusivo, o bebê já receba uma fórmula com baixo teor de fenilalanina e, assim, não corra risco de comprometimento neurológico. Fibrose cística: doença genética que afeta o funcionamento das glândulas que produzem muco, suor e enzimas pancreáticas, tornando essas secreções mais espessas, com repercussões importantes para os pulmões, o pâncreas e o sistema digestório. O tratamento consiste no uso de medicamentos, em especial para reduzir as complicações pulmonares e garantir a absorção de nutrientes. Hipotireoidismo congênito: ocorre quando a glândula tireoide do bebê não produz adequadamente os hormônios tireoidianos, T3 e T4, o que, sem tratamento com reposição do hormônio sintético, a levotiroxina, determina danos neurológicos permanentes.  Hiperplasia adrenal congênita: alteração na glândula adrenal, decorrente de defeitos enzimáticos que causam a falta dos hormônios cortisol e aldosterona, fundamentais para o crescimento e o equilíbrio de minerais no organismo. A forma mais grave resulta na perda acentuada de sal, uma emergência em Pediatria. A condição é tratada com glicocorticoides, para resolver a falta de cortisol, e mineralocorticoides, para equilibrar os sais minerais.   

10/06/2019
Prevenção

Vacinar as crianças: proteção que vale para todos

Existe alguma razão para não vacinar a população infantil? Não há, segundo os especialistas, uma justificativa razoável para negar essa prevenção a uma criança saudável, já que os imunizantes ensinam o sistema imunológico a se defender naturalmente dos agentes patogênicos causadores de moléstias infectocontagiosas importantes. Assim, quando o organismo entra em contato com os patógenos, já tem uma memória imunológica que o permite produzir anticorpos para debelar o agente infeccioso. O fato é que a vacinação configura-se como uma estratégia preventiva altamente eficiente, além de evitar que a criança passe pelo sofrimento imposto pela doença, por mais benigna que ela seja – o que, convenhamos, não tem preço. Quem contraiu catapora na infância conhece bem o desconforto de ficar com o corpo coberto de vesículas que doem e coçam, além de deixarem cicatrizes. Do ponto de vista da saúde pública, prevenir sai muito mais barato que remediar. Surtos de doenças infectocontagiosas, num passado não muito distante, abarrotavam as alas pediátricas dos hospitais, onerando o sistema de saúde como um todo. Ademais, quanto mais gente vacinada contra essas enfermidades, menos pessoas são contaminadas mesmo entre aquelas que não foram imunizadas por qualquer motivo, dada a baixa circulação de vírus e bactérias. A proteção, embora pareça individual, estende-se a toda a comunidade. Por conta disso, os especialistas sustentam que não vacinar as crianças é uma negligência, que, ainda por cima, coloca em risco a população de uma determinada localidade, à medida que traz a possibilidade de reintrodução de doenças erradicadas, a exemplo do que ocorreu com o sarampo recentemente. A moléstia havia sido varrida do Brasil em 2016, mas acabou retornando por aqui por conta de um surto não controlado na Venezuela. O caso descortinou uma realidade preocupante: a cobertura vacinal contra essa e outras doenças imunopreveníveis estava baixa em nosso país e nos pegou desprevenidos. Mesmo com as iniciativas do Ministério da Saúde para imunizar as crianças, tivemos 10.374 casos de sarampo entre fevereiro de 2018 e fevereiro de 2019, boa parte em bebês de até 1 ano. De olho na carteirinha de vacinação O que já ocorreu, não tem remédio. Agora é correr para deter o crescimento dessa ameaça – que, no mundo todo, já registrou um crescimento de 300% só nos três primeiros meses de 2019, segundo dados da Organização Mundial de Saúde –, além de evitar que o problema se repita com outras enfermidades infectocontagiosas não erradicadas, como tétano, coqueluche e difteria, mas controladas graças ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Se, do lado das autoridades de saúde, isso se faz com a realização de campanhas e o constante incentivo à imunização, do lado do cidadão, basta seguir à risca o Calendário Nacional de Vacinação, conforme cada faixa etária. As vacinas oferecidas pelo programa estão disponíveis em Unidades Básicas de Saúde de todo o território nacional e são gratuitas. Preocupação com segurança na imunização Feitas com partículas de microrganismos, enfraquecidos ou inativados e, portanto, incapazes de provocar infecção, as vacinas mostram-se bastante seguras e passam por muitos testes antes de terem seu uso liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No Brasil, 96% das doses utilizadas pelo PNI são produzidas dentro do nosso próprio país por instituições reconhecidas por sua qualidade, como o Instituto Butantan (SP) e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (RJ). Os efeitos adversos podem ocorrer, mas geralmente se limitam a dor no local e febre, que cessam com analgésico e antitérmico, respectivamente. É importante assinalar que, na infância, a maioria dos imunizantes requer a aplicação de mais de uma dose e que a criança não fica protegida se receber apenas uma delas – algo que também foi observado na análise das justificativas para a baixa cobertura vacinal dos pequenos durante o surto de sarampo. Portanto, fique atento às demandas do Calendário Nacional de Vacinação e, o principal, não deixe de fazer o seguimento com o pediatra, especialmente nos primeiros anos de vida. Um dos objetivos das consultas de puericultura é também verificar se a criança está sendo vacinada corretamente. A vacina só perde o sentido quando a doença some do mapa Na década de 1950, a varíola figurava ainda como causa de internação e morte de adultos e crianças no Brasil, mas, graças à vacinação em massa, foi erradicada das Américas, em 1971, e do mundo, em 1977. Hoje nem precisamos imunizar as crianças contra essa doença. O Brasil deu cabo da poliomielite da mesma forma, usando a vacina Sabin, aquela administrada por via oral. O último caso foi registrado em 1990 em território nacional. Contudo, como a doença continua existindo em alguns países, a necessidade de imunização permanece, hoje com a fórmula injetável combinada ao reforço com a fórmula oral.  

27/05/2019
Alimentação

Como ter uma boa digestão

O aparelho digestório processa tudo aquilo que ingerimos a fim de obter nutrientes para a manutenção da saúde do organismo. Para garantir uma digestão adequada, e atingir esse precioso objetivo, o primeiro passo é manter uma dieta balanceada, com alimentos de alto valor nutricional, incluindo vegetais, frutas, cereais e proteínas mais magras, como peixe e frango, além de tomar, no mínimo, seis copos de água por dia – de preferência longe das refeições principais, para não dilatar o estômago e gerar uma falsa sensação de saciedade. Isso não quer dizer que alimentos ricos em gorduras e açúcares devam ser totalmente excluídos do cardápio. Tudo depende da frequência, do tamanho da porção e do momento. Encher o prato de feijoada naquela horinha curta que temos para almoçar e voltar para trabalhar pode ser um desafio para o sistema digestório. Vale escolher um dia em que haja mais tempo para comer, sempre em quantidade moderadas.   Dicas para evitar problemas de digestão Outra medida essencial é prestar muita atenção ao que se come e na forma de comer. O almoço, o jantar ou o desjejum não devem ser automáticos, com o olho no celular, na televisão ou na tela do laptop, ou até mesmo durante o trabalho, como tanta gente faz hoje em dia. A digestão depende muito de uma refeição feita paulatinamente, de 20 a 40 minutos, num ambiente tranquilo. Uma das razões dessa necessidade está no fato de o processo digestivo já começar na boca. Portanto, quem engole a comida muito rápido já sai perdendo logo no início do jogo. Ocorre que a mastigação aciona a produção de enzimas presentes na saliva, as amilases salivares, que servem para digerir parcialmente o amido – encontrado em carboidratos, como pão, macarrão e batata, entre outros. Ainda que essas enzimas não digiram outros grupos de alimentos, a mastigação ajuda a triturar os demais alimentos e a facilitar a próxima etapa do processo digestivo, quando o estômago libera a enzima pepsina para quebrar as moléculas de proteína. Assim sendo, mastigar mal um pedaço de carne, por exemplo, dificulta bastante o trabalho da pepsina e prolonga a lembrança daquele suculento bife do almoço. Como, na prática, poucas pessoas pensam em contar as mastigadas em busca da meta de 30 a 50 vezes, de acordo com o que recomendam os especialistas, uma dica para encompridar esse processo é pousar os talheres no prato cada vez que a comida for levada à boca. Isso não só aumenta o tempo entre uma garfada e outra, como também permite prestar mais atenção ao sabor daquilo que está sendo ingerido.   Nada de pular refeições Juntamente com a alimentação e a mastigação adequadas, a manutenção de uma boa digestão ainda depende do fracionamento de refeições: além das principais, em porções reduzidas, deve-se fazer mais três lanchinhos no intervalo entre elas, com frutas in natura ou sementes oleaginosas, como castanhas. Isso ajuda a evitar aquela sensação cortante de fome, que nos leva a comer mais rápido e em maior quantidade do que precisamos na próxima refeição. Deixar de comer no desjejum, no almoço ou no jantar também é um péssimo hábito para a saúde. Sem ingestão alimentar, o estômago continua produzindo suco gástrico, que pode agredir a mucosa e gerar problemas como a gastrite. Como se não bastasse, o organismo entende que vive um período de restrição alimentar e, para poupar energia, diminui o metabolismo. Ainda que sejam reduzidas, portanto, é sempre mais indicado fazer todas as refeições. Tomando esses cuidados, o objetivo de ter uma boa digestão fica ao alcance de todos. Contudo, na presença de azia, empachamento e outras manifestações gástricas, mesmo que discretas, não use antiácidos ou outros remédios, nem se habitue a esses sintomas. Procure a orientação de um gastroenterologista.   O que fazer para seu estômago não reclamar Não fume. Além de prejudicar vários sistemas orgânicos, o cigarro atrapalha a digestão e aumenta o risco de doenças gástricas. Álcool em excesso igualmente ocasiona esses efeitos. Portanto, não fume e beba ocasionalmente, com moderação. Lave as mãos antes de se alimentar e após evacuar para evitar a contaminação por vírus, bactérias e protozoários que podem afetar o estômago e o intestino. Não ande descalço em lugares cujas condições sanitárias sejam desconhecidas, já que vermes podem ingressar em seu corpo pelos pés. E verminoses também cursam com sintomas de má digestão. Não compartilhe escovas de dente, canudos, copos, gargalos, talheres, que podem transmitir, de uma pessoa para outra, agentes patogênicos potencialmente causadores de problemas gástricos. A saúde do sistema digestório exige que outras doenças crônicas que causam impactos ao estômago e/ou intestino estejam controladas, como o diabetes, o hipotireoidismo, a insuficiência cardíaca e infecções, entre outras. Valorize qualquer incômodo gastrointestinal, sobretudo se tiver parentes diagnosticados com câncer de estômago ou câncer de intestino. Não tome nenhum remédio por conta própria. Anti-inflamatórios costumam ser nocivos às paredes gástricas e, quando realmente necessários, somente um médico pode prescrevê-los e orientar a forma correta de ingeri-los. Reduza o estresse na medida do possível, melhore a qualidade do seu sono e saia do sedentarismo. O descontrole desses fatores favorece maus hábitos alimentares e o consequente surgimento de queixas gástricas.

20/05/2019
Alimentação

Diabetes gestacional: diagnóstico, riscos, tratamento

Durante a gravidez, ocorrem diversas alterações hormonais que afetam o funcionamento do organismo da mulher. O metabolismo de carboidratos também se modifica nesse período e reduz a ação da insulina, hormônio encarregado de colocar dentro das células a energia proveniente dos alimentos. Na maioria das grávidas, o pâncreas consegue produzir mais dessa substância para compensar a redução. Contudo, numa parcela estimada pela Sociedade Brasileira de Diabetes em 3% a 25% das gestantes, sobra glicose na circulação, caracterizando o que se conhece por diabetes gestacional. O surgimento da condição, portanto, independe da vigência de diabetes antes da gravidez e pode acometer qualquer mulher, dizem os especialistas. Contudo, alguns fatores aumentam essa possibilidade, como ganho elevado de peso, sobrepeso ou mesmo obesidade na gestação em curso, idade acima de 35 anos, baixa estatura, parentes de primeiro grau diabéticos, crescimento fetal excessivo, pré-eclâmpsia, síndrome dos ovários policísticos e história de aborto espontâneo, malformações e diabetes gestacional em outras gestações. Sem diagnóstico e sem controle, essa forma de diabetes traz riscos para a mulher e para o bebê. A mãe adquire maior chance de se tornar diabética no futuro e de voltar a ter a condição em outra gravidez. Uma vez que a glicose em excesso na circulação atravessa a placenta, o bebê pode nascer com excesso de peso, o que já o predispõe à obesidade na adolescência e na vida adulta, e ainda apresentar complicações importantes ao nascimento, como a queda nos níveis de glicose, já que ele estava acostumado com índices elevados de açúcar no ambiente intrauterino, e dificuldades para passar pelo canal de parto devido ao encaixe do ombro fetal no osso púbico da mãe – a chamada distócia de ombro. Tais complicações, aliadas aos riscos trazidos por essa doença na vida adulta, levaram à criação de um consenso que prevê a investigação do diabetes gestacional já na primeira consulta de pré-natal, seja com um exame de sangue simples para verificar a taxa de glicose, seja com a curva glicêmica, teste em que se mede a glicemia em jejum e após a ingestão de uma solução de glicose, seja com ambos – depende do tempo de início do pré-natal. O fato é que esses testes permitem ao médico diagnosticar a condição ou mesmo saber se o excesso de glicose no sangue já ocorria previamente e, assim, adotar a conduta terapêutica mais adequada. Em geral, o diabetes gestacional pode ser controlado com uma alimentação balanceada e exercícios físicos, na maioria dos casos – aliás, as mesmas estratégias recomendadas para prevenir o diabetes na população geral. Se isso não bastar para manter a taxa de glicose em níveis seguros para a gestante e o bebê, o obstetra tem a opção de associar a tais medidas um tratamento medicamentoso. Faça a sua parte para evitar o diabetes na gestação no dia a dia e compareça assiduamente às consultas do pré-natal. Dicas para ficar longe do diabetes   Controle o ganho de peso, ingerindo, no máximo, de 200 a 300 calorias a mais que uma dieta normalmente recomendada, sobretudo no segundo e terceiro trimestres. Se você não tiver nenhuma contraindicação, pratique exercícios físicos regularmente, sempre com o aval de seu obstetra. Mantenha uma alimentação rica em fibras, que saciam e estabilizam os níveis de glicose no sangue. Elas estão presentes em vegetais, leguminosas (feijão, lentilha) e cereais integrais. Coma frutas ao natural. Como têm muita frutose, transformá-las em sucos ou cremes faz com que a energia desses alimentos seja absorvida muito rapidamente pelo organismo. Procure ingerir os carboidratos sempre com alguma proteína – torrada com queijo, cereal com leite e outras combinações assim – para retardar sua absorção.   Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes Ministério da Saúde

06/05/2019
Alimentação

Como manter uma alimentação saudável na gravidez

Foi-se o tempo em que o fato de estar grávida era desculpa para comer por dois. Com a epidemia de obesidade e de diabetes que assola o planeta, mais do que nunca as autoridades de saúde recomendam uma dieta saudável não desde o berço, mas logo após a concepção. Bebês gerados com alimentos inflamatórios, como o açúcar e a farinha refinada, que se convertem rapidamente em glicose no organismo da mãe, têm maior probabilidade de se tornar adultos obesos e diabéticos, alertam os especialistas, com risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro. É claro que as necessidades de energia aumentam nesse período, mas, em termos calóricos, não mais do que algo em torno de 200 a 300 calorias por dia, em média, especialmente no segundo e terceiro trimestres – só para ter uma ideia comparativa, seria como acrescentar ao cardápio um copo de leite desnatado e uma porção de salada de frutas. Além disso, há pesquisas que sugerem que a alimentação da mãe pode alterar a função de genes responsáveis por reparar mutações, como um trabalho publicado em 2015 no periódico científico Genome Biology. A oferta de bons nutrientes, segundo esse estudo, garantiria a integridade do material genético do bebê, enquanto a falta deles silenciaria esses genes de proteção, elevando a predisposição a doenças na vida adulta. Em vez de pensar em quantidade, portanto, a gestante deve se preocupar com a qualidade dos alimentos para manter a própria saúde e permitir que o bebê tenha todos os nutrientes de que precisa para seu pleno desenvolvimento. Para tanto, deve ingerir boas fontes de energia, de proteínas, de gorduras boas – com destaque para o ômega-3 –, de vitaminas e de minerais, notadamente o cálcio, que ajuda a construir o esqueleto fetal, e o ferro, que forma a hemoglobina, proteína transportadora de oxigênio no sangue.   Coma sem exageros durante a gestação   De acordo com os especialistas em nutrição, com exceção das bebidas alcoólicas, nenhum alimento está proibido na gravidez, a não ser que o obstetra tenha dado orientações expressas. Contudo, além de reduzir o consumo de carboidratos simples, a gestante só tem benefícios ao excluir da dieta alguns itens. Entre eles, a carne seca e o bacalhau, por conterem muito sódio, bebidas gaseificadas, por estufarem, bebidas estimulantes, por serem ricas em cafeína, e embutidos, por terem muitos conservantes, bem como comidas e sobremesas processadas, pobres em nutrientes e repletas de sódio, açúcar e gorduras nocivas. Por outro lado, há de se ter cuidado para não exacerbar a preocupação com a alimentação, a ponto de transformar os nove meses num regime prolongado, com receio de engordar. Até porque isso vai acontecer de todo jeito. Para mulheres com peso normal ao engravidar, considera-se que um ganho de peso entre 10 e 12 quilos na gestação está dentro do esperado. Assim sendo, uma dieta demasiadamente restritiva, que não permite à gestante ganhar o peso adequado, pode impedir que o bebê receba o aporte necessário para uma vida intrauterina saudável. Na prática, o bom senso, que não significa abrir mão do prazer do comer, deve guiar as escolhas. Veja as dicas dos especialistas e não deixe de pôr esse assunto em discussão logo no início das consultas de pré-natal.   Cardápio da gestante   Divida as refeições ao longo do dia, de três em três horas, mantendo, evidentemente, o almoço e o jantar, sempre com porções moderadas e variedade de cores e sabores.   A mistura de arroz com feijão continua ótima na gestação. Fique com a versão integral do cereal e, para variar, substitua o feijão por outras leguminosas, como soja, grão-de-bico e lentilha, todas ricas em fibras e em proteínas.   Aposte nas frutas e nos vegetais, ótimos aliados dessa fase por conterem, em comum, água, fibras, vitaminas e minerais. Os verde-escuros são fontes de ácido fólico, essencial para a formação do tubo neural do bebê. As frutas ainda têm carboidratos de absorção mais lenta, desde que ingeridas in natura.   Prefira aves, peixes e cortes magros de carne vermelha e ingira-os sempre muito bem cozidos para impedir eventual contaminação por bactérias e protozoários. Especialmente no primeiro trimestre gestacional, convém não consumir preparações cruas da culinária japonesa.   Evite comida industrializada. Esse grupo abrange carnes processadas, como linguiça e salsicha, preparações congeladas, misturas para bolo, sopas em pó, bolacha recheada, macarrão instantâneo, gelatina em pó, sucos artificiais, salgadinhos de pacote e tantos outros desse naipe.   Por mais que o excesso de doce seja prejudicial na gestação, só troque o açúcar de mesa por algum adoçante com o aval de seu obstetra.   Maneire no café e no chocolate, por conta da presença de cafeína nesses alimentos, que deve ser limitada a 300 mg/dia – o equivalente a duas xícaras de expresso.   Consuma diariamente leite e derivados, como queijos e iogurtes, optando pelas versões magras ou desnatadas.   Tome por volta de dois litros de água por dia, mas evite fazê-lo durante as refeições, para evitar azia. A hidratação do corpo contribui para a manutenção da placenta e do líquido amniótico, assim como para o bom trânsito intestinal.   Por último, uma dica prática para reduzir os enjoos: coma alimentos secos assim que acordar, a exemplo de uma bolacha de água e sal ou uma torrada.   Fontes: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica Genome Biology

29/04/2019
Criança

Cuidados com o sono das crianças

Os estímulos da vida moderna estão roubando nossas horas de descanso e também as das crianças. Se, há pouco menos de duas décadas, o sono competia com as atrações da tevê, com o surgimento dos canais com programação exclusiva infantil, agora há sempre uma tela à mão dos pequenos, com inúmeras possibilidades de entretenimento e interação. Some-se a isso o estilo de vida atual. Os pais trabalham até tarde e, quando retornam ao lar, querem compensar o tempo longe dos filhos. O fato é que o dia começa cedo e termina muito tarde para as famílias. Essa rotina tem um preço alto para as crianças. Os especialistas são unânimes em afirmar que a ausência de um sono reparador está associada ao desenvolvimento de problemas de saúde e de comportamento, incluindo baixo rendimento na escola e dificuldades de aprendizado, obesidade infantil, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, queda na imunidade, variações de humor e até depressão. Mas como evitar que a casa se transforme num verdadeiro palco de atrações à noite e a hora de dormir vire uma queda de braço? Diante das tentativas dos pais, a criançada reluta, qualquer que seja a idade. Um não termina a lição sem a ajuda materna; outro não desliga o celular mesmo quando está na cama; o mais novo esperneia ante a possibilidade de ficar sozinho no berço e, algumas horas de protesto depois, vai para a cama dos pais. O segredo para melhorar a quantidade e a qualidade do sono das crianças é apostar desde cedo na chamada higiene do sono, um conjunto de medidas comportamentais e ambientais que ajuda a proporcionar horas bem-dormidas. O processo já deve começar logo na segunda semana de vida do bebê, dizem os especialistas, a fim de prevenir problemas com o travesseiro mais tarde. O melhor é que os adultos insones também podem pôr essa estratégia em prática. Comece hoje mesmo e mantenha o pediatra informado dos resultados.   Higiene do sono: dicas para a criança dormir melhor   Determine um horário para a criança ir para a cama e siga essa rotina mesmo aos fins de semana, com uma variação máxima de 30 minutos.   Estabeleça também um horário para desligar todos os eletrônicos pelo menos 30 minutos antes da hora de dormir. Cuidado para não trocar os aparelhos por brincadeiras muito estimulantes.   Crie um ritual pré-soninho, que já ajuda a criança a entender que chegou a hora de diminuir o ritmo. Tomar banho, escovar os dentes, colocar o pijama e contar história, por exemplo.   Torne o ambiente propício ao descanso. Apague a luz principal do quarto, acenda o abajur e mantenha uma temperatura aconchegante, quentinho quando está frio e fresquinho quando está calor. A casa não precisa ficar em modo silencioso, mas vale baixar os volumes.   Não deixe a criança adormecer em qualquer lugar. Leve-a acordada ao quarto para que ela entenda que tem um cantinho seu só para isso. Assim, se despertar durante a noite, vai pegar no sono sozinha com mais segurança.   Não prolongue o sono da tarde daqueles que ainda fazem a sesta e, durante a noite, não acorde a criança para mamar, a não ser que ela seja muito pequena ou que o pediatra tenha feito essa recomendação.

22/04/2019
Prevenção

Hipertensão: cuidado com o consumo de sal

Provavelmente você já deve ter ouvido por aí que o sal está associado ao aumento da pressão sistólica e diastólica nas artérias e que, em excesso, contribui para o surgimento da hipertensão arterial, condição caracterizada por índices pressóricos iguais ou superiores a 140/90 milímetros de mercúrio – ou 14 por 9 –, que configura importante fator de risco para o acidente vascular cerebral e a insuficiência renal. Essa relação realmente existe e se deve à ação do cloreto de sódio, elemento presente no sal. Ocorre que, quando ingerimos alimentos muito salgados, o sódio se acumula não só na corrente sanguínea, como também nos fluidos que ficam fora das células. Como ele atrai moléculas de água, o organismo passa a reter líquidos para manter o equilíbrio entre o volume hídrico no espaço extracelular e no sangue, cuja quantidade em circulação aumenta. Com mais sangue no interior dos vasos, a pressão que ele faz para contornar o sistema circulatório fica maior, já que naturalmente as artérias oferecem alguma resistência à sua passagem – é como se o fluxo de uma torneira fosse aberto e a água passasse a avançar violentamente pelo interior de uma mangueira. Se isso ocorre de forma crônica, está estabelecida a hipertensão arterial.   Prevenção pede menos sal no prato e nas prateleiras   Por ser uma doença silenciosa, que costuma causar sintomas só quando o organismo já está bastante exposto aos efeitos de níveis pressóricos elevados, pode demorar até que uma pessoa saiba ser hipertensa, principalmente se não vai ao médico de forma periódica. Desse modo, a redução do consumo de sal para níveis aceitáveis é uma medida acessível e eficaz para prevenir o aumento da pressão arterial – muito embora a hipertensão tenha também outras causas. Entretanto, não dá para cortar o sal de vez porque o cloreto de sódio tem funções importantes no corpo, visto que atua no equilíbrio da água, participa das contrações dos músculos e fornece energia. Assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a necessidade diária de sódio é de 2.000 mg, equivalentes a 5 g de sal. Os brasileiros, porém, consomem mais que o dobro desse limite, por volta de 12 g, segundo o Ministério da Saúde. E, na maioria das vezes, fazemos isso por hábito, veja só. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelaram que a indústria responde por 23,8% do sódio consumido em território nacional, enquanto o restante, 76,2%, é adicionado no fim da preparação dos alimentos como tempero. Faça a sua parte para controlar a ingestão de sal e não deixe de ir ao médico periodicamente para avaliar sua pressão arterial.   Dicas para reduzir o consumo de sódio   - Retire o saleiro da mesa. - Cozinhe sem nenhum sal e depois acrescente apenas a quantidade recomendada, especialmente se for hipertenso. - Abuse de ervas e temperos naturais – alho, cebola, orégano, salsinha, manjericão, limão e gengibre, entre outros –, usando-os no lugar do sal. - Dê preferência ao consumo de alimentos frescos, como carnes, frutas e vegetais. - Fora de casa, prefira estabelecimentos que servem comida pouco temperada e restaurantes por quilo, que oferecem mais opções de alimentos frescos. - Antes de comprar industrializados, leia o rótulo e leve apenas os que tiverem baixo teor de sódio. - Evite alimentos ultraprocessados, como linguiça e bacon, além de molhos prontos, como maionese, shoyo, catchup e mostarda.   Outras causas da hipertensão arterial Além do consumo de sal em excesso, outros fatores contribuem para uma pessoa se tornar hipertensa:- História familiar da doença (o único não modificável)- Bebidas alcoólicas- Cigarro- Obesidade- Estresse- Níveis altos de colesterol- Falta de atividade física

15/04/2019
Saúde da Mulher

Como reduzir o risco de câncer de mama

Diversos aspectos estão relacionados ao surgimento do câncer de mama, incluindo fatores biológicos, hormonais, genéticos e comportamentais. Muitos não podem ser modificados, como a idade. De cada cinco casos da neoplasia, quatro ocorrem em pacientes com mais de 50 anos. Contudo, naquilo que compete a cada mulher, há, sim, muito que fazer para evitar o desenvolvimento da doença – é o que médicos chamam de prevenção primária. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que seja possível reduzir o risco em até 30% com algumas mudanças no estilo de vida. Saiba como se prevenir contra o câncer de mama: Controle o pesoManter-se no peso ideal é uma estratégia de prevenção bastante importante, em especial na menopausa. As gorduras que sobram produzem estrógeno em excesso, numa fase em que as mulheres precisam menos dele porque os ovários já não funcionam. O estrógeno produzido pelo tecido gorduroso estimula a proliferação de células mamárias. Isso, somado ao estado inflamatório crônico gerado pela obesidade, cria um cenário próprio para a multiplicação desordenada de células mamárias malignas.   Faça atividade físicaExercitar-se beneficia todo o organismo e favorece a prevenção de diversas outras doenças, além do câncer de mama. A atividade física, quando feita regularmente e sob orientação, é essencial para a manutenção do peso ideal, impedindo a formação de um ambiente propício ao desenvolvimento de células mamárias malignas. Além disso, previne o envelhecimento celular. Evite bebidas alcoólicasO consumo de álcool está cada vez mais associado aos tumores de mama. Pesquisadores europeus e norte-americanos têm constatado que a ingestão de apenas uma dose por dia de qualquer bebida com mais de 10 gramas de álcool – por exemplo, uma taça de vinho – já aumenta o risco de câncer de mama em 5% e 9% na pré-menopausa e na menopausa, respectivamente. Especula-se que o fator por trás dessa relação também seja a produção estrogênica demasiada. Convém lembrar que o álcool ainda compromete outros órgãos, causa acidentes de trânsito e traz inúmeros prejuízos sociais quando usado de forma crônica. Mantenha uma alimentação balanceadaEstudos populacionais indicam que o consumo de uma dieta baseada em frutas, vegetais e grãos integrais reduz o risco de desenvolver câncer de mama, o que é maior quando esse hábito já vem da adolescência – mais um motivo para as garotas não rejeitarem a salada! Em comum, tais alimentos estão repletos de fibras, que contribuem para a saciedade e o controle do peso. Vale lembrar que esse cardápio também diminui o risco de outros cânceres, como de intestino, de esôfago, de próstata e de estômago, segundo o Inca. Diga sim à amamentaçãoSe você engravidar, faça o impossível para amamentar. Além de proporcionar inúmeros benefícios ao bebê, essa prática é considerada um fator protetor da saúde das mamas. De acordo com informações do Ministério da Saúde, o risco de ter câncer de mama cai 4,3% a cada ano de amamentação. O mecanismo de proteção não está bem esclarecido, mas se acredita que, pelo fato de não ovular nesse período, a mulher fica menos exposta à ação do estrógeno. Esse hormônio, afinal, guarda relação com a maioria dos casos de câncer de mama. Não fumeO cigarro está relacionado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de problemas cardiovasculares. Em relação aos tumores de mama, há evidências da participação do tabagismo no aumento do risco, mas os resultados ainda são contraditórios, no entender do Inca. De qualquer forma, vale também ficar bem longe desse hábito no contexto da prevenção da doença.

15/04/2019
Criança

Criança e cachorro: benefícios da convivência com o pet

Qual seria o melhor presente para uma criança? Algo capaz de deixá-la entretida por dias a fio, proporcionar-lhe lições de afeto inesquecíveis, fazê-la se movimentar, desenvolver seu senso de responsabilidade... E que tenha também um impacto positivo sobre sua saúde. Definitivamente não é um joguinho novo nem um smartphone, tampouco uma boneca que interage. Mas o que pensar de um presente que sente fome, sede e sono, que é fiel a toda prova e, ainda por cima, adora uma bagunça? Segundo os especialistas em comportamento, o contato das crianças com animais de estimação – não só com os cães, vale sublinhar – contribui muito para seu desenvolvimento social, uma vez que permite que elas aprendam a expressar a afetividade e a lidar com regras de convívio. Mesmo as menores rapidamente percebem que não devem interferir quando o pet está comendo e que têm de respeitar o tempo do bicho quando ele está esgotado, precisa descansar e não quer mais brincar. Existem também diversas evidências do benefício dessa convivência para a saúde física das crianças. Embora haja associação entre animais e alergias na infância, pesquisas comprovam que, se o pequeno desde cedo for exposto a um bicho de estimação, terá menos chance de desenvolver não somente reações alérgicas a pelos, como também a pólen, poeira e outros alérgenos inaláveis. Um estudo americano recente, publicado num importante jornal de Pediatria, o JAMA Pediatrics, observou uma queda de 13% no desenvolvimento de asma em crianças que conviveram com cachorros no primeiro ano de vida. A presença do animal na casa também melhora a imunidade do organismo infantil, diminuindo a incidência de resfriados, assim como de dores de cabeça e problemas gástricos, de acordo com os especialistas. Os estudos disponíveis mostram que o contato com o pet faz aumentar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação de vírus e bactérias. Outros trabalhos científicos constataram que crianças doentes se recuperam mais rápido quando têm contato com um cãozinho, gatinho ou afim. Não por acaso, atualmente várias equipes de voluntários em todo o mundo visitam hospitais pediátricos acompanhadas de “cães-terapeutas”, com ótimos resultados. Cachorro em casa: as responsabilidades Tudo parece fazer muito sentido, mas, pensando igualmente no bem-estar do bicho, algumas ponderações de ordem prática devem ser feitas. O animal vive por volta de 13 a 18 anos e, durante esse período, demanda muita atenção dos donos. Precisa tomar banho periodicamente, ser vermifugado e vacinado – para a própria segurança das crianças –, ter comida e água fresca à disposição, passear com regularidade e ficar num local seguro quando a família viaja. Para que a criança cresça feliz com esse companheiro, os pais devem se perguntar, antes de tudo, se conseguem dar conta de tais cuidados. Por mais que estejam dispostos a dividir algumas responsabilidades com os filhos – como trocar a água, dar comida, escovar os pelos, etc. –, são os adultos que ficam com grande parte das atribuições nas mãos. Pense sobre essas questões práticas e converse com o pediatra a esse respeito.  

08/04/2019
Prevenção

Mamografia substitui o autoexame das mamas?

Quem já está na casa dos 30, 40 anos deve se lembrar dos folhetos explicativos que mostravam, há algumas décadas, o passo a passo do autoexame em campanhas sobre a prevenção do câncer de mama. Naquele momento, preconizava-se esse procedimento como uma estratégia essencial para a detecção precoce da doença. Mas vieram os avanços em Medicina Diagnóstica, especialmente na área de imagem. Com o surgimento da mamografia, capaz de flagrar tumores com milímetros, ainda em estágio inicial, por um baixo custo, as autoridades de saúde passaram a ser mais parcimoniosas com a recomendação do autoexame. Afinal, perto da mamografia, essa prática só consegue identificar sinais visíveis ou massas palpáveis, que, se confirmados como manifestações de um tumor maligno, já podem corresponder a um câncer num estágio mais avançado. Mas isso não significa que o autoexame tenha saído de cena. Os especialistas concordam em que a mulher deve reservar periodicamente um tempo para buscar qualquer alteração interna ou externa nas mamas, mesmo uma ligeira assimetria, fazendo uma palpação minuciosa e uma observação detalhada. Isso pode fazer diferença, por exemplo, no intervalo entre uma mamografia e outra – que geralmente é de um ano – ou mesmo numa região com pouca disponibilidade de serviços de saúde.   O fato é que o autoexame permanece importante, desde que integre um programa de rastreamento de câncer de mama. Quando isolado, não reduz a mortalidade pela doença, o que foi comprovado por estudos internacionais que envolveram milhares de mulheres. Assim, as sociedades médicas não desestimulam a estratégia, porém deixam claro que, para rastrear os tumores mamários, é indispensável realizar o exame clínico das mamas, durante a consulta com ginecologista ou mastologista, bem como os métodos de imagem indicados para cada mulher, notadamente a mamografia. Autoexame é válido, mas dentro desse pacote. Converse com seu ginecologista ou mastologista e saiba mais.

28/03/2019
Alimentação

Meu Filho Não Quer Comer. O Que Faço?

Se as sociedades médicas, por um lado, estão preocupadas com as taxas crescentes de obesidade, por outro, muitos pediatras são confrontados com um relato comum nas consultas de acompanhamento: “Meu filho não come, doutor, não come nada”. A hora da refeição, que deveria ser um momento feliz e prazeroso para a família, vira um campo de batalha. Mas essa queixa não deveria tirar (tanto) o sono dos pais – em especial da mãe, que tem uma necessidade intrínseca de alimentar a criança porque o fez desde o nascimento do bebê, por meio da amamentação. Isso porque, de acordo com os especialistas, a demanda de energia dos pequenos realmente muda conforme o tempo passa. No primeiro ano de vida, o bebê come bastante porque se desenvolve muito rapidamente. Aos 5 meses de idade, o peso, em geral, é o dobro daquele registrado ao nascimento e, entre 11 e 12 meses, o triplo. No segundo ano de vida, o crescimento continua acelerado, mas vai perdendo velocidade até alcançar um ritmo mais lento, dos 3 aos 10 anos. O apetite, portanto, acompanha essa necessidade do organismo. Alimentação para crianças: qualidade vs. quantidade Assim, se seu filho não come nada – os pediatras dizem que alguma coisa sempre comem, sejam as mamadeiras, sejam os petiscos – e continua crescendo de forma adequada, esse comportamento não deve preocupar, relaxe. Continue insistindo naturalmente, levando em conta que aos pais cabe determinar a qualidade, ou seja, o que os pequenos vão comer e quando, mas a quantidade, quem decide, é a criança. Quando cresce, faz birra, protesta e fica agitada se for obrigada a comer. Evidentemente, uns dias serão melhores, outros piores, conforme o cardápio e o paladar da criança. Não adianta cair na tentação de fazer rotineiramente só o que eles aceitam porque essa tática, além de cansativa, cria uma fobia por tudo quanto seja novo e ainda reduz a qualidade da dieta. Ora, uma alimentação pouco variada pode ocasionar deficiência de nutrientes necessários. Dessa forma, as principais refeições devem ser compostas por comidinhas que contenham todos os grupos de alimentos, ou seja, carboidratos, leguminosas, proteínas, folhas, raízes e frutas – que, vale assinalar, permitem uma ampla variação de cardápio ao longo da semana. Se os pequenos comerem apenas uma colherada de cada preparação, pode acreditar, o dia estará ganho. Veja aqui outras dicas e, na dúvida sobre a origem da falta de apetite da criança, converse com o pediatra.   Alimentação dos pequenos: como construir uma boa relação com a comida - A partir dos 6 meses, coloque a criança para fazer as principais (ou possíveis) refeições com os demais membros da família. O ideal é que os intervalos entre uma e outra sejam de três a quatro horas. - Adapte o assento dos pequenos à mesa de jantar, de forma que fiquem limitados a esse espaço – pode ser o cadeirão, se ainda for bebê. - Desligue os eletrônicos de modo geral. Uma sopa de feijão não consegue competir com um personagem que responde a estímulos no tablet. - Ofereça à criança a mesma preparação que a família está comendo e deixe-a por conta própria. - Experimente dispor pedaços da comida ao alcance do bebê – se ele põe tudo na boca, por que não vai fazê-lo com os alimentos? - Para os que já comem com talheres, sirva porções pequenas, do tamanho do punho da criança. - Insista na oferta de novos alimentos. Os especialistas recomendam apresentar as novidades repetidamente à criança, de 10 a 15 vezes, antes de desistir. - Não prolongue a refeição por mais de meia hora e aguente firme a bagunça. Será por uma ótima causa.     A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade.

19/03/2019
Saúde da Mulher

Conheça Mitos E Verdades Sobre A Mamografia

Uma vez que o câncer de mama é o segundo mais frequente entre as mulheres, a campanha Outubro Rosa surgiu na década de 1990 com o objetivo de falar sobre a doença e incentivar a população feminina a procurar serviços de saúde para fazer consultas e exames de rastreamento. Entre eles, o destaque fica por conta da mamografia, que comprovadamente reduz a mortalidade pelo câncer de mama por conseguir detectar o tumor em estágio inicial, numa fase em que as chances de cura são maiores. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer e o Ministério da Saúde recomendam a realização do exame a partir de 50 anos para mulheres sem histórico da doença na família, enquanto o Colégio Brasileiro de Radiologia sugere fazer a primeira avaliação mamográfica a partir dos 40 anos. Na prática, porém, vale a indicação de seu médico. Apesar de a mamografia ser um exame simples, não invasivo, o assunto ainda gera dúvidas, que a DaVita ajuda a esclarecer nesta oportunidade. Não tenho nódulos nem alterações nas mamas, então estou dispensada da mamografia.Mito. A mamografia procura justamente alterações milimétricas, que podem corresponder ao câncer de mama em estágio inicial, quando tem maiores chances de cura. Quando o nódulo está palpável ou a mama se encontra visivelmente alterada, existe a possibilidade de se tratar de um tumor em estágio mais avançado e, por conseguinte, mais difícil de tratar. Não preciso fazer o exame porque ninguém da minha família teve câncer de mama.Mito. A maioria dos casos de câncer de mama não é hereditária. Portanto, toda mulher pode vir a desenvolver a doença e, dessa forma, deve fazer o estudo mamográfico para rastreá-la quanto antes. Mantenho um estilo de vida saudável e não preciso me preocupar com o risco desse câncer.Mito. Apesar da importância de bons hábitos de vida para diminuir o risco de qualquer tumor, isso não basta para prevenir a neoplasia de mama, cujo surgimento está relacionado também a fatores genéticos e hormonais, sobre os quais temos pouco ou nenhum controle. A radiação emitida pelo exame pode fazer mal.Mito. Só há contraindicações em caso de gravidez, condição mais difícil na faixa etária em que se indica a mamografia. Fora dessa circunstância, o exame está liberado, pois a radiação que emite é muito baixa e insuficiente para causar problemas em outros órgãos do corpo. A mamografia causa desconforto.Verdade. Mesmo não sendo invasivo, o exame comprime as mamas entre duas placas, o que, para determinadas mulheres, gera incômodo, embora tolerável. De qualquer forma, é possível tornar a mamografia menos desconfortável, marcando-a no começo do ciclo menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis. Há médicos que recomendam a ingestão de um analgésico simples antes do exame. Converse com o seu e veja o que ele também pode sugerir nesse sentido. Como tenho mamas pequenas, o exame será doloroso.Mito. O eventual desconforto com a compressão das mamas não está relacionado a tamanho, mas à sensibilidade individual de cada mulher. A prótese mamária torna a mamografia menos eficaz.Verdade. Mas não significa que o exame não deva ser feito, e, sim, eventualmente complementado com outro método de imagem, se assim for indicado pelo médico. Se você tem mais dúvidas, não deixe de esclarecê-las com um ginecologista ou mastologista antes da próxima mamografia.

14/03/2019
Criança

Atividade Física Para Crianças: Importância E Benefícios

Em qualquer nível social, as telas vêm dominando a preferência da garotada. No pátio da escola, dentro de casa, na rua, no parque, no transporte coletivo ou no carro, crianças e adolescentes estão permanentemente com os olhos abaixados e os dedos ocupados em celulares, tablets e joguinhos de toda sorte. Os especialistas alertam que, além de favorecer o sedentarismo, um fator de risco para diversas doenças na vida adulta, esse comportamento compromete o convívio social, levando ao isolamento. Preocupada com esse cenário, já que 7,3% das crianças brasileiras com menos de 5 anos estão acima do peso, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou, em 2017, um manual de orientação para promover a atividade física na infância e na adolescência e para ajudar médicos e educadores, incluindo pais, a encaminhar os pequeninos e jovens para a prática diária de exercícios físicos. Atividades físicas de acordo com a idade da criança Segundo o documento, até os 2 anos de idade, as crianças precisam ser estimuladas a se movimentar diversas vezes ao dia, engatinhando, buscando objetos e movendo membros do corpo. Eletrônicos – incluindo TV – são contraindicados para essa faixa etária. De 3 a 5 anos, as brincadeiras e atividades de qualquer intensidade devem ocupar pelo menos 180 minutos diários, incluindo bicicleta, esconde-esconde, pega-pega, bola, etc. Nessa fase, opções como lutas, danças e natação já podem começar a ser introduzidas. Dos 6 aos 19 anos, por fim, a recomendação é de uma hora por dia de prática de esportes e exercícios mais intensos, que demandem um pouco mais da capacidade cardiorrespiratória – dependendo da modalidade, vale questionar o pediatra sobre a necessidade de avaliação médica prévia. Adolescentes têm sinal verde para fazer musculação até três vezes por semana, desde que com o acompanhamento de um educador físico. Claro que nem sempre os pais têm tempo e mesmo recursos financeiros para ajudar os filhos a cumprir essas metas. Muitas vezes, as próprias demandas escolares lotam a agenda dos pequenos e dos adolescentes. Contudo, diante do fácil acesso aos eletrônicos, geralmente o grande empecilho é mesmo conseguir a adesão da criança ou do jovem quando eles finalmente estão livres. Para mudar essa rotina, confira as dicas a seguir e aproveite a próxima consulta com o pediatra para conversar a respeito. Dicas para tirar a garotada do sofá - Estabeleça um limite máximo de duas horas por dia de exposição às telas, incluindo televisão, e mude a maneira como seus filhos as utilizam, substituindo uma pela outra. É nesse meio-tempo que devem entrar outras atividades. - Aproveite as vantagens dos eletrônicos. Use com as crianças aplicativos que incentivam o progresso em determinados exercícios – como o contador de passos do celular – e games baseados em movimentos, como os de esportes e dança. - Abra espaço para brincadeiras dentro de casa. Reserve alguns dias – especialmente os chuvosos – para transformar a sala num circuito, com túneis de caixas de papelão, pula-pula nas almofadas, colchões para cambalhotas e por aí afora. Tudo com supervisão, evidentemente. Se puder incluir os amiguinhos, fica melhor ainda. Depois, ponha todo mundo para organizar a bagunça que isso também consome energia. - A propósito, distribua tarefas domésticas em casa. Colaborar na rotina do lar é importante para desenvolver o senso de responsabilidade dos pequenos e ajudar na construção de sua autonomia. De quebra, ainda faz a criança se movimentar pela casa. - Exemplo funciona mais que mil palavras. Se você se exercita regularmente, mostre às crianças que não há tempo feio que iniba você de malhar. Dessa forma, desde cedo vão perceber que a atividade física ocupa um lugar prioritário na rotina da família e aderir naturalmente a uma vida ativa. - Sempre que possível, deixe o carro na garagem e faça os percursos a pé com as crianças e os jovens. Estudantes que vão e voltam da escola caminhando já cumprem boa parte da meta de atividade semanal preconizada pelos especialistas.

13/02/2019
Bem-estar

Aproveite a folia sem descuidar da saúde

Se, por um lado, o carnaval é uma das festas mais alegres do mundo, por outro, a aglomeração de pessoas, o calor intenso do verão, as chuvas torrenciais e os excessos de toda a sorte acabam predispondo as pessoas a adoecerem durante e, especialmente, após esse período. Pensando no seu bem-estar, a DaVita selecionou algumas dicas para você começar e terminar a folia com saúde e alto-astral. Água e companhiaQualquer que seja seu destino, praia, campo ou blocos na cidade, hidrate-se de forma abundante a qualquer hora do dia. Para quem não abre mão das bebidas alcoólicas, é imperativo intercalar os drinques com água ou bebidas hidratantes, como água de coco e isotônicos. Como se não bastasse o calor intenso de fevereiro, o álcool também desidrata rapidamente o organismo. Uma boa opção para complementar a hidratação é consumir frutas como melancia, laranja, melão e abacaxi, ricas em água, optar por sorvetes de frutas ou, ainda, fazer sucos que combinem vegetais e frutas, ótimos para repor sais minerais. AlimentosNão saia sem se alimentar de verdade, especialmente se for enfrentar uma maratona de blocos e desfiles. O cardápio pré-folia, segundo especialistas, deve conter carboidrato na versão integral, que sacia e confere energia por mais tempo, combinado com uma proteína e vegetais. Um macarrão integral ao sugo, acompanhado de frango grelhado e salada, agrada ao paladar e dá conta do recado. Frituras e alimentos gordurosos, de difícil digestão, são más escolhas. Leve ainda uma fruta ou barrinha de cereais para comer durante a festa. Sanduíche, só se for com recheios que não se deterioram facilmente, como atum ou sardinha em conserva. Procure não comer alimentos preparados por ambulantes, que podem estar contaminados por causa das más condições de higiene e mesmo do calor. SolAinda que esteja longe da praia, não vá para a folia durante o dia sem protetor solar – FPS 30, no mínimo, para peles claras, e FPS 15, no mínimo, para peles escuras. Use também acessórios como chapéu ou boné e óculos de sol, bem como roupas leves. Um único dia de exagero pode minar o restante da festa. Evite ainda a exposição solar nos horários de maior incidência dos raios ultravioletas, ou seja, das 10 às 16 horas. Doenças causadas por mosquitosContra a febre amarela, é possível e recomendado vacinar-se dez dias antes da viagem – hoje, apenas alguns Estados do Nordeste não são considerados áreas endêmicas da doença. Portanto, a maioria dos destinos no Brasil requer esse cuidado. Existe uma vacina que previne a dengue, mas tem indicação limitada e está sujeita à prescrição médica. Vale conversar com seu médico com antecedência. Na prática, as estratégias contra a dengue, a febre chikungunya e a infecção pelo vírus zika, as três causadas pelo Aedes aegypti, infelizmente ainda se restringem à aplicação de um repelente potente nas áreas expostas do corpo e à utilização de telas nas janelas. Sexo É imprescindível usar métodos de barreira física em todas as relações sexuais para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia, sífilis e HIV/aids, entre outras. Nesse período, o Ministério da Saúde sempre aumenta a distribuição de preservativos femininos e masculinos não só nos postos de saúde, como também em locais de grande afluxo de pessoas. Mas isso não basta. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, o álcool e outras substâncias que prejudicam a capacidade de julgamento também configuram fator de risco para a aquisição de doenças como HIV/aids. Leve em conta mais esse aspecto para moderar o consumo de bebidas alcoólicas e ficar longe de drogas ilícitas. Viagem Quem vai pegar estrada deve fazer uma revisão no automóvel e nos pneus antes de partir, além de planejar a viagem, com paciência e sem pressa de chegar. É imprescindível se programar para dirigir sem sono ou cansaço em demasia e respeitar as placas de sinalização e a velocidade permitida, bem como manter distância do veículo da frente. Convém ainda lembrar que álcool e volante não combinam, tampouco olhar o celular no trânsito. Se houver alguma urgência para resolver por telefone ou por mensagem, vá para o acostamento. Para quem tem, como destino, locais muito afastados ou exóticos, é interessante levar uma farmacinha para situações mais comuns, como picadas de insetos, alergias, ferimentos leves, diarreias e resfriados. Peça orientações para seu médico.