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Fibromialgia: entenda o que é, quais são os sintomas e tratamentos

Marcada por dor crônica generalizada, fadiga e alterações no sono, a fibromialgia deve ser diagnosticada e tratada corretamente para devolver aos pacientes sua qualidade de vida.

E tudo dói na fibromialgia

Dores pelo corpo, a ponto de temer um abraço. É o que acontece com quem sofre de fibromialgia, uma condição caracterizada por dor crônica em vários pontos do corpo . De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia , essa condição afeta cerca de 5% da população brasileira, sendo a maioria do sexo feminino, entre 30 e 55 anos.

Frequentemente, o portador da doença tem dificuldade de definir se a dor começou de forma localizada e depois se ampliou ou se sempre atingiu o corpo todo desde o início do quadro.

Outros sintomas importantes incluem a fadiga, especialmente no fim do dia com dificuldade para completar tarefas rotineiras, bem como alterações na qualidade do sono – ainda que o indivíduo durma por muitas horas, não se sente descansado ao acordar. Oscilações de humor e mesmo diagnóstico atual ou episódios anteriores de depressão e outras doenças que acarretam sofrimento psicológico estão presentes em até metade dos pacientes com fibromialgia .

Dor de cabeça, dor facial, falta de disposição e energia, sensibilidade para urinar e ritmo alterado de funcionamento do intestino acompanhado de cólicas são outros sintomas comuns.

Estresses emocionais e sociais de diversos tipos acumulados durante a vida estão frequentemente associados a crises de piora dos sintomas . Como exemplo, a dificuldade travada em algumas relações de convivência dos pacientes, como o não reconhecimento da dor pelos outros.

Pelo fato de a dor não ter nenhuma relação nem com lesões ou processos inflamatórios, como ocorre nas doenças reumáticas, anos atrás a fibromialgia era considerada uma queixa imaginária, da cabeça do indivíduo, já que não havia como justificá-la ou até mesmo demonstrá-la nos exames. No entanto, felizmente, hoje estudos demonstram que essas pessoas são mais sensíveis à dor do que outras .

Em parte, isso se dá devido a uma ativação em seu sistema nervoso central , que as leva a perceberem qualquer estímulo no corpo com maior intensidade e até mesmo emoções fortes podem desencadear esse estímulo doloroso. Um esbarrão ou um abraço forte, por exemplo, mas também a perda de um ente querido ou uma frustração contínua no trabalho, podem em alguns pacientes ter o exato e real efeito de um impulso doloroso porque existe uma comunicação alterada entre o corpo e o cérebro.

Somando-se à dor, esta constante condição de estresse físico e mental a que são submetidas também causa fadiga e alterações de sono e de humor.

Gatilhos para a dor

Mas o que explica o surgimento repentino do quadro ? Ninguém vai dormir numa noite e acorda no outro dia repentinamente com a queixa de dor generalizada. De fato, os sintomas vão surgindo, sorrateiros, primeiro num local, e logo se espalham, dando origem a uma situação quase insustentável, pois, nesses casos, os analgésicos convencionais não fazem efeito.

De qualquer forma, os especialistas ponderam que a condição pode se instalar após a ocorrência de eventos relevantes na vida , como um trauma físico ou psicológico e até mesmo depois de uma infecção grave. Desequilíbrios hormonais, tensão e estresse servem igualmente como gatilhos.

Até 18 pontos de dolorosos

Com tantas variáveis em jogo, os especialistas se guiam para fazer o diagnóstico na história clínica e no exame físico dos pacientes. Normalmente, por meio da investigação de vigência da queixa de dor no corpo por mais de três meses e a presença de pontos dolorosos específicos na musculatura que foram determinados por consensos internacionais.

É comum para o diagnóstico a presença de 11 ou mais pontos dolorosos, somando 18 no total, também conhecido como “ tender points ”. Os principais envolvem nuca, laterais do pescoço, musculatura entre o pescoço e o ombro, segunda costela, ombros, cotovelos, nádegas, quadris e joelhos.

Durante a investigação do quadro, é provável que haja necessidade de fazer alguns exames de sangue com o intuito de afastar outros problemas que possam ter sintomas similares . Em especial, as doenças que cursam com dores articulares e fadiga, como a artrose, artrite reumatóide, espondiloartrites, lúpus e outras condições que podem justificar os sintomas ou mesmo se sobrepor ao diagnóstico de fibromialgia podem confundir as investigações médicas.

Remédios e exercícios

O tratamento disponível atualmente não cura a fibromialgia, mas promove o alívio dos sintomas e proporciona uma melhora importante da qualidade de vida, podendo levar até mesmo a longos períodos de bem-estar geral e vida saudável.

Mas qual é o melhor tratamento para a doença ? No meio científico existem 3 pontos centrais para se atingir a melhor resposta ao tratamento e que podem variar em combinações para cada paciente. São eles:

  • Medicamentos : analgésicos próprios para dor crônica, relaxantes musculares e/ou antidepressivos que também apresentem ações no alívio da dor. Cada paciente melhora com uma combinação singular prescrita pelo médico;
  • Exercício físico: peça chave do tratamento, os exercícios devem ser contínuos, graduais e individualizados. Quando bem indicados, até pacientes com muita dor podem iniciar com exercícios leves e progredir respeitando seus limites. Caminhadas, musculação, hidroginástica, natação, ciclismo, corrida e ioga são exemplos de exercícios que levam a um bom resultado com melhora da dor, fadiga, sono e disposição, principalmente após 3 meses da prática;
  • Terapias psicológicas e/ou meditativas: foram uma grande descoberta do tratamento nos últimos dez anos e são indicadas aos pacientes que apresentam sofrimentos emocionais de diferentes tipos, resistência ao tratamento global, centramento da vida em torno da dor (a dor tem o peso de uma catástrofe), sentimentos de descrença na melhora, ansiedade de outra natureza e também para pessoas que estão sobrecarregadas devido às exigências diversas da vida. Embora outras formas de terapias possam beneficiar alguns pacientes, as que apresentam os melhores resultados são as terapias psicológicas comportamentais e as técnicas de relaxamento e meditação do tipo “ mindfullness ” ou, em português, meditação da atenção plena.

Segundo especialistas, os resultados podem ser frustrantes e passageiros se a estratégia for centrada apenas nos medicamentos, sem incluir o tratamento não medicamentoso.

Não é normal sentir dor no corpo todos os dias, ainda que seja num só local. Se você tiver essa queixa, não caia na armadilha da automedicação. Procure um médico de sua confiança ou, se possível, consulte diretamente um reumatologista para poder fazer o tratamento mais adequado quanto antes.