DaVita Saúde

Neste espaço, você encontra informações importantes para se cuidar e manter o seu bem-estar e o de sua família, em forma de dicas preparadas pela nossa equipe médica.

Nossa intenção é compartilhar conhecimento e cuidados para a promoção da sua saúde, buscando contribuir nos seus cuidados diários e hábitos, ajudando, assim, a prevenir possíveis doenças.

Alimentação

Riscos da obesidade para a saúde

No período renascentista, a obesidade era sinônimo de riqueza. Quem era gordo tinha acesso a uma boa alimentação e não precisava trabalhar. No século 18, no entanto, a ideia de que a gordura não era só corpulência, mas distúrbio, começou a ganhar terreno. No século seguinte, a condição passou a ser considerada mórbida e associada a problemas de saúde. Mais de 200 anos depois, esse elo se fortaleceu e preocupa bastante diante da epidemia de obesidade que se instaurou em todo o mundo. Só no Brasil, 18,9% da população está obesa e 54% das pessoas encontram-se acima do peso, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgada em maio de 2018.  A preocupação se justifica porque, entre outros prejuízos, o excesso de peso leva a pessoa a ficar intolerante à insulina, o hormônio responsável por colocar a glicose para dentro das células. Sem tratamento, a intolerância se transforma em diabetes do tipo 2, que, por danificar os vasos sanguíneos, favorece a ocorrência de problemas cardiovasculares. Em paralelo, a obesidade cursa com elevação de colesterol e triglicérides na circulação, o que predispõe à formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC, e ainda causa hipertensão arterial, que também danifica o sistema circulatório. Tudo isso cria uma verdadeira bomba-relógio no organismo. Mais recentemente, a condição ainda vem sendo acusada de ajudar a patrocinar o surgimento de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 13 tipos de tumor maligno têm relação com o excesso de gordura corporal, entre eles os mais frequentes na população mundial, como o câncer de mama, o câncer de intestino e o câncer de estômago.  Estratégias contra a obesidade É claro que o incentivo à atividade física e à alimentação saudável, com mais grãos integrais vegetais e frutas, precisa ser uma bandeira constante, mas um dado da Vigitel chama a atenção. Segundo a pesquisa, a obesidade tem maior prevalência entre os jovens de 18 a 24 anos, grupo em que aumentou importantes 110% entre 2007 e 2017. Acontece que as crianças estão crescendo obesas e levando essa condição para a vida adulta. Dados da OMS contabilizaram, em 2016, 124 milhões de obesos ao redor do globo e outros 213 milhões acima do peso na faixa etária de 5 a 19 anos.  A prevenção, portanto, deve vir do berço – literalmente. Estudos indicam que quanto maior o tempo de amamentação exclusiva, menor a chance de a criança ganhar muito peso na fase pré-escolar. Da mesma forma, pesquisadores apontam que o amplo acesso a frutas e hortaliças na infância está relacionado a uma composição corporal mais saudável, com menos gordura e mais massa magra, ou seja, músculos e ossos. Na outra ponta, o consumo frequente de bebidas e sucos açucarados no começo da infância contribui fortemente para a obesidade, de acordo com inúmeras evidências científicas. Mesmo o suco natural tem culpa no cartório e deve ser liberado, com muita parcimônia, só a partir de 1 ano de idade e limitado até entre os adolescentes – que dirá então dos refrigerantes. Em vez do suco, a recomendação dos especialistas é oferecer a fruta. Veja aqui mais dicas de combate à obesidade infantil.   Para crescer de bem com o peso Preste atenção aos sinais de fome e saciedade da criança para não alimentá-la em excesso, especialmente nos primeiros anos. Não use a comida como recompensa (por exemplo, comer chocolate) ou castigo (comer brócolis). Isso pode dar origem a transtornos alimentares na vida adulta. Sirva as refeições em horários regulares e mantenha o hábito de comer em família. Monte pratos coloridos e variados para oferecer aos pequenos todos os grupos de alimentos. Leve a criançada à feira para conhecer e provar novas frutas e vegetais. Desligue as telas (da tevê, do tablete e do celular) às refeições para que as crianças prestem atenção à comida. Prepare lanches com a menor quantidade possível de industrializados (com bolo e biscoito feitos em casa, vegetais e frutas, sanduíche natural). Limite o tempo de jogos eletrônicos e ponha a criançada para brincar e se exercitar. As associações de pediatras recomendam uma hora de atividade por dia. Por último, zele pelo sono dos pequenos. Estudos mostram que poucas horas dormidas favorecem a obesidade.   Para saber se o peso está adequadoOs parâmetros indicados para avaliação do estado nutricional de pessoas entre 20 e 59 anos incluem o índice de massa corporal (IMC) e o perímetro ou circunferência da cintura. O resultado do cálculo do IMC deve ser analisado segundo a classificação abaixo, definida pela Organização Mundial de Saúde. Para crianças e adolescentes, a avaliação envolve outros parâmetros, além do IMC. Nesse caso, converse com o pediatra que os assiste. IMC Classificação < 18,5 Baixo peso ≥ 18,5 e < 25 Peso adequado ≥ 25 e < 30 Sobrepeso ≥ 30 Obesidade    

07/10/2019
Alimentação

Riscos da obesidade para a saúde

No período renascentista, a obesidade era sinônimo de riqueza. Quem era gordo tinha acesso a uma boa alimentação e não precisava trabalhar. No século 18, no entanto, a ideia de que a gordura não era só corpulência, mas distúrbio, começou a ganhar terreno. No século seguinte, a condição passou a ser considerada mórbida e associada a problemas de saúde. Mais de 200 anos depois, esse elo se fortaleceu e preocupa bastante diante da epidemia de obesidade que se instaurou em todo o mundo. Só no Brasil, 18,9% da população está obesa e 54% das pessoas encontram-se acima do peso, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgada em maio de 2018.  A preocupação se justifica porque, entre outros prejuízos, o excesso de peso leva a pessoa a ficar intolerante à insulina, o hormônio responsável por colocar a glicose para dentro das células. Sem tratamento, a intolerância se transforma em diabetes do tipo 2, que, por danificar os vasos sanguíneos, favorece a ocorrência de problemas cardiovasculares. Em paralelo, a obesidade cursa com elevação de colesterol e triglicérides na circulação, o que predispõe à formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC, e ainda causa hipertensão arterial, que também danifica o sistema circulatório. Tudo isso cria uma verdadeira bomba-relógio no organismo. Mais recentemente, a condição ainda vem sendo acusada de ajudar a patrocinar o surgimento de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 13 tipos de tumor maligno têm relação com o excesso de gordura corporal, entre eles os mais frequentes na população mundial, como o câncer de mama, o câncer de intestino e o câncer de estômago.  Estratégias contra a obesidade É claro que o incentivo à atividade física e à alimentação saudável, com mais grãos integrais vegetais e frutas, precisa ser uma bandeira constante, mas um dado da Vigitel chama a atenção. Segundo a pesquisa, a obesidade tem maior prevalência entre os jovens de 18 a 24 anos, grupo em que aumentou importantes 110% entre 2007 e 2017. Acontece que as crianças estão crescendo obesas e levando essa condição para a vida adulta. Dados da OMS contabilizaram, em 2016, 124 milhões de obesos ao redor do globo e outros 213 milhões acima do peso na faixa etária de 5 a 19 anos.  A prevenção, portanto, deve vir do berço – literalmente. Estudos indicam que quanto maior o tempo de amamentação exclusiva, menor a chance de a criança ganhar muito peso na fase pré-escolar. Da mesma forma, pesquisadores apontam que o amplo acesso a frutas e hortaliças na infância está relacionado a uma composição corporal mais saudável, com menos gordura e mais massa magra, ou seja, músculos e ossos. Na outra ponta, o consumo frequente de bebidas e sucos açucarados no começo da infância contribui fortemente para a obesidade, de acordo com inúmeras evidências científicas. Mesmo o suco natural tem culpa no cartório e deve ser liberado, com muita parcimônia, só a partir de 1 ano de idade e limitado até entre os adolescentes – que dirá então dos refrigerantes. Em vez do suco, a recomendação dos especialistas é oferecer a fruta. Veja aqui mais dicas de combate à obesidade infantil.   Para crescer de bem com o peso Preste atenção aos sinais de fome e saciedade da criança para não alimentá-la em excesso, especialmente nos primeiros anos. Não use a comida como recompensa (por exemplo, comer chocolate) ou castigo (comer brócolis). Isso pode dar origem a transtornos alimentares na vida adulta. Sirva as refeições em horários regulares e mantenha o hábito de comer em família. Monte pratos coloridos e variados para oferecer aos pequenos todos os grupos de alimentos. Leve a criançada à feira para conhecer e provar novas frutas e vegetais. Desligue as telas (da tevê, do tablete e do celular) às refeições para que as crianças prestem atenção à comida. Prepare lanches com a menor quantidade possível de industrializados (com bolo e biscoito feitos em casa, vegetais e frutas, sanduíche natural). Limite o tempo de jogos eletrônicos e ponha a criançada para brincar e se exercitar. As associações de pediatras recomendam uma hora de atividade por dia. Por último, zele pelo sono dos pequenos. Estudos mostram que poucas horas dormidas favorecem a obesidade.   Para saber se o peso está adequadoOs parâmetros indicados para avaliação do estado nutricional de pessoas entre 20 e 59 anos incluem o índice de massa corporal (IMC) e o perímetro ou circunferência da cintura. O resultado do cálculo do IMC deve ser analisado segundo a classificação abaixo, definida pela Organização Mundial de Saúde. Para crianças e adolescentes, a avaliação envolve outros parâmetros, além do IMC. Nesse caso, converse com o pediatra que os assiste. IMC Classificação < 18,5 Baixo peso ≥ 18,5 e < 25 Peso adequado ≥ 25 e < 30 Sobrepeso ≥ 30 Obesidade    

23/09/2019
Alimentação

Coração bem cuidado

Apesar dos avanços da ciência na hora de prevenir e identificar problemas de saúde, as doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral,  ainda apresentam as maiores taxas de mortalidade do planeta, especialmente nos países desenvolvidos e nas nações emergentes. No Brasil, causam 300 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Ocorre que, além dos riscos que já conhecemos – como o tabagismo –, o atual modo de vida, especialmente nas grandes cidades, está ajudando a deixar o coração mais vulnerável. As pessoas são mais sedentárias porque trabalham muito tempo sentadas e se deslocam em veículos automotivos; as crianças dificilmente vão e voltam da escola a pé e trocaram a brincadeira de rua pelos comandos do videogame; a comida caseira, não raro, é trocada por alimentos industrializados e por lanches de arrepiar as artérias. Mas com um pouco de vontade, todos esses hábitos podem ser mudados. Basicamente é preciso se exercitar com regularidade e comer direito, além de se manter longe do tabaco e do excesso de álcool e equilibrar as horas de trabalho ou de estudo com momentos de lazer, reduzindo o estresse.   O impacto do exercício A atividade física regular, quando feita cinco vezes na semana e pelo menos meia hora por dia, não apenas permite um melhor funcionamento do sistema circulatório, como também melhora o metabolismo, contribuindo para reduzir os níveis de colesterol e de glicose no sangue. Além disso, os exercícios ajudam a relaxar corpo e mente, diminuindo o estresse, e evitam o sobrepeso e a obesidade, também considerados fatores de risco cardiovascular por favorecerem o diabetes e a hipertensão arterial.    Prato do bem Já a alimentação deve ser rica em grãos integrais, frutas, vegetais, carnes magras e gorduras boas e, ao mesmo tempo, ter a redução de alimentos processados, gorduras saturadas, açúcar e sódio, inimigos declarados do peito. A grande quantidade de fibras presentes nessa opção confere saciedade por mais tempo, ajudando a manter o peso ideal, atrasa a entrada de glicose nas células e ainda reduz a absorção de gorduras e de colesterol pela corrente sanguínea.   Rotina organizada O controle do estresse é essencial porque esse estado, quando crônico, também agrava fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, e exerce influência negativa nas demais escolhas que ajudam a blindar o coração. Uma pessoa estressada nem sempre interrompe o trabalho para almoçar e nem acha tempo para se exercitar, por exemplo. Por isso é importante escolher atividades para desestressar – além dos exercícios – e organizar a rotina. Muitas vezes, acordar 15 minutos mais cedo pode ser a diferença entre um dia caótico e um dia tranquilo.   O papel do médico Essas mudanças estão ao alcance de qualquer pessoa, mas não custa lembrar que algumas condições que afetam o coração são silenciosas e requerem uma avaliação clínica para que sejam descobertas e tratadas. É o caso da hipertensão arterial, do colesterol elevado e do próprio diabetes. Pelo menos uma vez por ano, portanto, ainda que você não esteja sentindo nada, marque uma consulta para uma avaliação clínica geral e faça os exames laboratoriais solicitados na oportunidade. Com isso, o cerco às doenças cardiovasculares fica completo.

19/08/2019
Alimentação

Conheça dez benefícios de amamentar

O leite materno tem tudo de que o bebê precisa para ficar saudável e bem alimentado. Mas os benefícios de amamentar vão ainda mais longe. A DaVita selecionou uma dezena de motivos para as mães se dedicarem com afinco a essa nobre tarefa, pelo maior tempo possível. Afinal, quanto mais meses de amamentação, melhores os resultados para todo o núcleo familiar. Não custa lembrar que a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno até 2 anos de idade ou mais, com exclusividade nos primeiros seis meses e, depois, com o complemento de outros alimentos. Permite que o bebê ganhe peso na medida certa e que a mãe perca peso. Segundo os especialistas, para produzir um litro de leite, o organismo da mulher gasta cerca de 700 calorias, o que contribui para a perda dos quilos adquiridos durante a gestação num ritmo acelerado. Já o bebê tem um ganho de peso adequado com o leite materno, nada a mais, nada a menos. Isso ocorre porque a quantidade de gordura do alimento varia durante a amamentação e chega a seu ponto máximo perto do fim de cada mamada, saciando a criança e levando-a a parar naturalmente, ao contrário do que ocorre com as fórmulas artificiais – a saciedade pode demorar mais para ocorrer, fazendo o bebê mamar além do necessário porque o nível de gordura é sempre o mesmo. Protege a criança contra alergias, infecções respiratórias e diarreias. Por conter inúmeros fatores imunológicos que atuam contra agentes infecciosos e ajudam a evitar respostas inflamatórias exageradas – as reações alérgicas –, o leite materno literalmente funciona como um elixir de prevenção para o bebê. Conforme um estudo da Organização Mundial de Saúde, a redução de diarreias em crianças amamentadas, em comparação com as não amamentadas, chega a 63% nas menores de 6 meses, enquanto a redução de pneumonias alcança um terço naquelas com menos de 2 anos. A chance de desenvolver rinite alérgica também cai 21% nos cinco primeiros anos de vida de quem mama no peito. Contribui com o desenvolvimento intelectual da criança. O leite materno é composto de substâncias que ajudam os neurônios a se desenvolverem e a fazerem conexões entre si, ou sinapses, nos três primeiros anos de vida – ocasião em que 90% das sinapses cerebrais de um indivíduo ocorrem. Estudos neozelandeses e irlandeses também mostram que crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses de idade apresentam melhor desempenho escolar. Semelhante conclusão foi encontrada em um trabalho publicado na revista científica Lancet, em 2015. Crianças e adolescentes que receberam leite materno demonstraram um resultado no teste de quociente de inteligência (QI) 3,4 pontos maior que o dos não amamentados.  Ajuda a prevenir diabetes tipo 2, sobrepeso e obesidade nas diferentes etapas da vida. Crianças que mamam no peito têm uma redução de 26% no risco de ficar com sobrepeso ou obesidade na infância, na adolescência e na vida adulta, assim como uma diminuição de 35% no risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo dos anos, segundo um estudo publicado em 2015 no suplemento científico Acta Paediatrica. Quando submetido a aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade, o bebê não ingere calorias extras, que são dispensáveis nessa fase do desenvolvimento infantil, e não ganha mais peso do que deveria. Ademais, o leite materno possui substâncias que contribuem para regular o apetite e o metabolismo dos alimentos por toda a vida. Ajuda a fortalecer a mandíbula e demais estruturas craniofaciais do bebê. A amamentação é essencial para o desenvolvimento oral e facial dos pequenos. Isso porque, ao sugar o leite, o bebê exercita a boca, os dentes, os músculos da face, a mandíbula e o maxilar. De acordo com um estudo publicado em 2015 no Acta Paediatrica, dois terços das irregularidades nos encaixes dos dentes de leite poderiam ser evitados apenas com o aleitamento materno. Em outro trabalho, que saiu no jornal BMC Public Health, em 2012, os pesquisadores observaram que crianças que receberam leite materno por 12 meses ou mais apresentaram melhor função da mastigação que as amamentadas por menos tempo. Ajuda a mulher a se recuperar no pós-parto e funciona como método anticoncepcional temporário. O aleitamento materno contribui para que o útero reassuma seu tamanho normal de forma mais rápida, evitando sangramentos muito intensos e uma consequente anemia. Como se não bastasse, ao amamentar exclusivamente e de forma regular nos primeiros seis meses, a mulher não ovula nem menstrua. Contudo, à medida que as mamadas vão sendo espaçadas, por conta da alternância com outros alimentos, os ciclos menstruais retornam, juntamente com a necessidade de usar um método contraceptivo caso não haja o desejo de uma nova gravidez. Vale pontuar que especialistas recomendam 18 meses de intervalo entre dois partos. Um parto antes desse período apresenta riscos de prematuridade, baixo peso ao nascimento e desenvolvimento abaixo do normal dentro do útero.  É fator de proteção contra o câncer de mama e outros tumores femininos. Uma vez que não tem ciclos menstruais durante a amamentação exclusiva, a mulher não fica exposta ao estrógeno, hormônio associado ao câncer de mama. Além disso, quando o bebê suga o leite, promove uma esfoliação do tecido mamário, contribuindo para a renovação celular local. De fato, conforme um grande estudo publicado pela Lancet em 2001, que envolveu mais de 146 mil mulheres de 30 países, o risco de desenvolver o tumor de mama cai 4,3% a cada 12 meses de aleitamento. Quanto mais filhos amamentados, portanto, maior a proteção. Em outro trabalho publicado pela Lancet em 2016, os autores calcularam que a amamentação evita 19 mil mortes por câncer de mama a cada ano em 75 países de média e baixa renda, além de terem estimado que mais 22 mil mortes poderiam ser prevenidas se o aleitamento se prolongasse por 12 meses, nas nações mais ricas, e por 24 meses, nas mais pobres. A prática ainda constitui um fator protetor contra o câncer de ovário – estima-se uma redução de 2% no risco da doença a cada mês de amamentação – e contra o câncer de endométrio (mucosa que recobre a parte interna do útero).  Reduz o risco de diabetes tipo 2 na mulher. Para fabricar o leite, o organismo retira diariamente 50 gramas de açúcar da circulação. A mulher que amamenta também tem um expressivo gasto calórico para amamentar. Por fim, existem evidências de que a prolactina, o hormônio que circula no corpo durante a fase de aleitamento, preservaria as células betapancreáticas, justamente as que fabricam insulina, o hormônio encarregado de captar a glicose da circulação e nutrir as células. A combinação desses mecanismos ajuda a explicar por que o risco de desenvolver diabetes tipo 2 cai quase pela metade nas mulheres que amamentam por pelo menos seis meses, de acordo com os achados de um estudo publicado no jornal Jama Internal Medicine, o qual acompanhou 1.238 mulheres por 30 anos. Constrói laços de afeto entre mãe e bebê. Durante a amamentação, o vínculo entre a mãe e bebê aumenta por conta do contato visual e da pele entre ambos. Como a criança tem dificuldade para focar imagens a distância, a posição em que fica na hora da mamada, a cerca de 30 centímetros do rosto materno, permite que contemple perfeitamente a mãe, o que contribui para fortalecer esse laço. O afeto cresce também porque, quando o bebê está mamando, o leite é ejetado por ação da ocitocina, o hormônio do amor, cuja liberação causa profundo relaxamento e boas sensações na mulher. Os especialistas afirmam que esse vínculo colabora para facilitar as relações dos pequenos com outras pessoas no futuro. Economiza dinheiro e recursos naturais. Já pensou nisso? Há pesquisas da Associação Americana de Pediatria que indicam que mães que amamentam exclusivamente nos primeiros seis meses de vida do bebê deixam de gastar mil dólares entre compra de fórmulas infantis e mamadeiras. Isso no âmbito pessoal. Mas, no público, um estudo publicado na Lancet em 2016, apontou que um aumento de apenas 10% nas taxas de aleitamento materno até os 6 meses de idade ou de amamentação continuada por até 12 ou 24 meses seria capaz de reduzir em 1,8 milhão de dólares os custos anuais dos tratamentos de doenças em crianças no Brasil. Além de fazer diferença nas contas da saúde pública, toda essa economia geraria impacto positivo ao meio ambiente, na medida em que os resíduos de latas de leite, mamadeiras, medicamentos e insumos médicos usados em internações deixariam de existir com a prática do aleitamento nessas condições. Portanto, amamentar também é uma prática sustentável.

12/08/2019
Alimentação

O que fazer quando o bebê não quer mamar?

Ao longo da gravidez, a mulher recebe orientações sobre a importância de amamentar, já que o leite materno não apenas nutre o bebê, mas protege contra doenças, estimula o desenvolvimento cerebral e acalma a criança – além de ser extremamente conveniente para a mãe. Tudo perfeito na teoria, não fosse por um pequeno detalhe que pode acontecer logo após o nascimento: o bebê se recusa a mamar. O que fazer? Muita calma nessa hora. Segundo os especialistas, a criança chega ao mundo com uma reserva alimentar para os primeiros dois a três dias. Portanto, pode estar simplesmente cansada do esforço do parto, assim como a mãe. Nesse caso, o mais aconselhável é mesmo aconchegá-la e acalmá-la.  Mesmo assim, é preciso tentar de novo, quantas vezes forem necessárias. Em primeiro lugar, convém verificar se a pega está adequada. A criança tem de ficar virada de frente para a mãe, barriga com barriga, e ser estimulada a abrir a boca. Com a mão em formato de letra cê – e nunca com os dedos em forma de tesoura –, a mãe deve levar o peito à boca aberta da criança, de modo que ela abocanhe a aréola, justamente a parte em que há mais leite. Assim, o bebê não precisa fazer tanto esforço e mama sem machucar a mãe. Problemas e soluções para a hora de amamentar Mas pode não ser tão simples. Quanto mais a fome aumenta, mais o pequeno fica agitado – e, não raro, mais a mãe se desespera. Uma boa dica é ordenhar um pouco de leite num copinho bem pequeno – geralmente há desses utensílios na maternidade – e oferecer o líquido devagar na boca do bebê. E, então, recomeçar o processo. Com o estômago forrado, a chance de a mamada ser bem-sucedida cresce.  Outra possibilidade é a de o bebê não dar conta da rapidez com que o fluxo de leite jorra, apesar da fome. Nessa situação, ele começa a mamar e engasgar, acabando por ficar com medo de tentar de novo. Para evitar o desconforto, há necessidade de retirar um pouco do leite para que a ejeção não seja tão forte.   A obstrução do nariz por secreção também pode atrapalhar, assim como a falta de força para sugar. No primeiro caso, recomenda-se limpar as narinas do bebê antes da mamada e, no segundo, dar o leite ordenhado num copinho até que ele ganhe peso e fique mais forte. Bicos e chupetas não são recomendados, uma vez que podem atrapalhar a sucção. Se a criança conhecer a mamadeira, aumentará a probabilidade de ela não querer o peito. Vale ponderar que a recusa, quando acompanhada de sintomas como vômitos, diarreia e sonolência excessiva, entre outros, deve ser tratada como emergência médica, pois indica que o bebê pode estar doente.  Por outro lado, na ausência de sinais preocupantes, a persistência do insucesso não deve levar a mãe a desistir dessa empreitada tão importante para a saúde da criança. Hoje há consultores em amamentação e bancos de leite que podem ajudar. Acima de tudo, conte com o apoio do pediatra.

05/08/2019
Alimentação

Saiba a diferença entre o bom e o mau colesterol

Quem já passou de 20 anos e vai ao médico periodicamente já deve ter feito um exame de sangue para medir o colesterol, uma gordura que integra a membrana de todas as células e que, quando em excesso na circulação, pode causar doenças cardiovasculares. A maior parte do colesterol que se encontra no organismo é produzida pelo fígado porque essa substância cumpre papel fundamental para a saúde celular. O restante vem da alimentação, sobretudo de alimentos de origem animal, como leite e derivados, ovos e carnes, a vermelha principalmente.  Para distribuir colesterol a todas as células, existem duas lipoproteínas, uma de baixa densidade, denominada LDL-colesterol, cuja sigla, LDL, vem de low density lipoprotein, e outra de alta densidade, HDL-colesterol, sendo a sigla HDL referente à expressão high density lipoprotein.  O LDL é o mais importante transportador dessa gordura pela circulação. Contudo, quando está elevado, acaba depositado nas paredes dos vasos sanguíneos, estreitando seu calibre ou obstruindo-os. Ocorre que, junto com outras substâncias, ele forma placas, que podem se romper e provocar graves problemas cardiovasculares: se a ruptura ocorrer numa artéria do coração, por exemplo, há risco de infarto agudo do miocárdio; se for em um vaso cerebral, de acidente vascular cerebral.  Em vista dessa associação nada fortuita, o LDL ganhou a alcunha de mau colesterol e, para conviver pacificamente com ele, espera-se que sua concentração no sangue esteja sempre abaixo dos valores de referência. Isso, porém, é determinado de forma personalizada pelos médicos, conforme o risco cardiovascular de cada paciente.  Já o HDL executa ação contrária à do LDL, removendo o colesterol abundante na circulação e transportando-o de volta para o fígado, o que resulta num efeito protetor para as artérias do coração e do cérebro, particularmente. Assim, o HDL figura como o bom colesterol nessa história, devendo ficar sempre acima de 40 mg/dL, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia.     Como reverter o colesterol LDL alto e melhorar os níveis do HDL   A prevenção cardiovascular baseia-se na manutenção do LDL e HDL na medida certa, assim como em dieta adequada, perda de peso, prática de exercícios físicos, entre outros. Quem fuma também deve rever esse hábito. A escolha de alimentos com baixo índice de colesterol pode fazer uma grande diferença na redução da concentração do LDL, enquanto a atividade física é a medida que mais tem impacto no aumento do HDL, sobretudo as modalidades aeróbicas, como caminhada, ciclismo e corrida. Contudo, quando a pessoa já está com um nível bastante elevado de LDL e, mesmo com exercícios e dieta, não consegue bom resultado, podem entrar em cena medicamentos para diminuir especificamente esse tipo de molécula, os quais – é importante frisar – devem ser associados com as demais medidas para o controle do colesterol pelo tempo determinado pelo médico.  As estatinas são os remédios mais usados para reduzir o LDL, mas já existem novidades nessa seara, como os inibidores da proteína PCSK9, que degrada receptores do mau colesterol no fígado. Se essa proteína deixa de trabalhar, o LDL em excesso consegue sair da circulação e voltar a seu ponto de partida. Essa nova classe de fármacos costuma ser prescrita para quem não responde às estatinas e a outros medicamentos convencionais, bem como a portadores de hipercolesterolemia familiar, na qual a elevação do colesterol deriva de mutações em genes, aumentando muito o risco de doenças cardiovasculares. Antes de pensar em tratamento, no entanto, há um longo caminho pela frente, que começa com uma consulta com um médico, mesmo que você já tenha ido antes, e pode terminar simplesmente em ajuste da dieta e prática de atividade física. Dê logo esse primeiro passo. A queda do LDL na mira Conforme o risco cardiovascular de cada paciente, o médico determina a meta do LDL-colesterol, que deve ser atingida com dieta e perda de peso e, quando isso não for suficiente, também com medicamentos: Risco cardiovascular: Meta de LDL: Indivíduos com risco baixo Abaixo de 130 mg/dL Indivíduos com risco intermediário Abaixo de 100 mg/dL Indivíduos com risco alto  Abaixo de 70 mg/dL Indivíduos com risco muito alto Abaixo de 50 mg/dL Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia   O que mudar na alimentação para baixar o colesterol Para quem não apresenta alto risco cardiovascular, como uma pessoa que já sofreu um AVC ou que tem hipercolesterolemia familiar, é possível, sim, diminuir os níveis do LDL no sangue com mudanças na dieta. Além de dobrar a ingestão de fibras, na forma de grãos, cereais integrais, frutas e vegetais, vale a pena promover as seguintes trocas:   Em vez de: Fique com: Pão, arroz e macarrão comuns Pão, arroz e macarrão integrais Leite e derivados integrais Leite e derivados desnatados Carne vermelha Carne branca magra (frango sem pele e peixe) e lombo de porco Snacks e biscoitos Castanhas e nozes Pizza de muçarela Pizza de vegetais (abobrinha, berinjela, escarola) Queijos amarelos Queijo branco, ricota, cottage Frutos do mar Salmão Doces cremosos Frutas in natura ou, no máximo, em compotas Molho branco, quatro queijos Molho de tomate feito em casa Manteiga Margarina com fitoesteróis Chocolate ao leite e branco Chocolate amargo    

05/08/2019
Alimentação

Hábitos saudáveis: mudanças na rotina para ganhar saúde

É verdade que a ciência caminha a passos largos no desenvolvimento de soluções para aumentar a saúde e conseguir a cura para enfermidades que, pouco mais de algumas décadas atrás, soavam como ameaças quase invencíveis. Contudo, ainda não saiu das bancadas dos laboratórios farmacêuticos ou das universidades uma pílula capaz de prolongar a vida do ser humano com qualidade e prevenir a maior parte das doenças. Uma das formas mais efetivas de fazer ao menos uma parcela desse aparente milagre é mesmo a adoção de hábitos saudáveis ou, para quem está longe de andar na linha, a mudança do estilo de vida. Tome-se o exemplo do câncer. Muito embora existam fatores de risco que não podemos mudar, como idade e histórico familiar, os demais são passíveis de modificação. Tanto é assim que a Sociedade Americana de Câncer atribui um terço das mortes por essa causa à manutenção de dietas desequilibradas e à falta de atividade física. Da mesma forma, diversos estudos já demonstraram a associação entre a redução de doenças do coração e a combinação de prática regular de exercícios físicos, adoção da dieta mediterrânea – rica em peixes, castanhas e azeite de oliva extravirgem –, controle do peso e, claro, distância do tabagismo.  Além desses hábitos, outras atitudes, algumas mais trabalhosas, outras menos, estão por trás da manutenção da boa saúde e da prevenção de enfermidades e desequilíbrios orgânicos, ainda que momentâneos. A boa notícia é que muitas vezes uma única mudança pode trazer múltiplos benefícios. Quando dormimos melhor, não só conseguimos ter mais disposição para enfrentar os desafios do dia seguinte, com diminuição do estresse, mas também ajudamos a melhorar o metabolismo e prevenir a obesidade, que, entre outros prejuízos, ocasiona o diabetes, doença associada a eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio. O fato é que a incorporação cotidiana de hábitos saudáveis tem um efeito positivo sistêmico no organismo. Converse com seu médico e comece agora mesmo a trabalhar pela sua saúde. Caso precise de ajuda, procure ainda apoio psicológico.   Dicas para manter a saúde Não fume.  O cigarro tem cerca de 4.700 substâncias nocivas e está implicado com problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer e afecções pulmonares, como a doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras.   Pratique exercícios físicos.  A Organização Mundial de Saúde recomenda um mínimo de 150 minutos de atividade física moderada por semana. Sempre que possível, vá até os lugares caminhando ou pedalando. Exercícios físicos regulares ajudam a perder peso, elevam a autoestima, evitam doenças e melhoram o humor.   Coma alimentos saudáveis. Opte por comida de verdade, preparada em casa, com alimentos in natura. Produtos processados, como preparações congeladas, macarrão instantâneo, mistura para sopas e bolos, molhos e temperos prontos, ou ultraprocessados, a exemplo de embutidos, linguiça e nuggets, carregam muito sal, açúcar e gorduras nocivas para o organismo.   Reduza o consumo de sal. O excesso de sódio, presente no sal, está relacionado com a hipertensão arterial e com a doença renal crônica. Leia os rótulos dos produtos, evitando levar os ricos em sódio, e troque parte do sal nas receitas por ervas. Importante: não leve o saleiro à mesa.   Beba água. Os especialistas preferem usar, como parâmetro, não quantidade de litros ou copos, mas um volume suficiente para deixar a urina amarelo-clara. Só evite a ingestão de água e outros líquidos durante as refeições para não dilatar o estômago e acabar comendo mais do que você realmente necessita.    Evite refrigerantes. Fuja mesmo dos que não levam açúcar e prefira comer as frutas a transformá-las em sucos. O organismo demora mais a metabolizar a sacarose das frutas em pedaços, postergando a sensação de saciedade, e as fibras ingeridas ajudam o intestino a funcionar.   Aliás, consuma fibras. Homens devem ingerir 34 gramas e mulheres, 28 gramas, segundo a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes. Além das frutas, as fibras estão nos vegetais e nos grãos integrais. São importantes para a saúde do aparelho digestório, ajudam a baixar o colesterol e a controlar o peso e contribuem para prevenir o câncer de intestino.   Evite bebidas alcoólicas. Não dá para falar em sinal verde em matéria de álcool, dados os prejuízos do alcoolismo à saúde física e mental do dependente e de seu núcleo familiar, mas o vinho tem alguma qualidade nessa seara, uma vez que possui o resveratrol, um antioxidante que protege contra doenças cardiovasculares. Contudo, não ultrapasse um cálice por dia.    Lave as mãos. É imprescindível manter esse hábito, especialmente antes de comer e cozinhar, bem como após usar o banheiro, para evitar a contaminação com possíveis agentes infecciosos.   Controle o estresse.  Um dos fatores vitais nesse sentido é administrar bem o tempo, dividindo-o melhor entre atividades de trabalho, de lazer e da rotina em casa. Ademais, encontre uma válvula de escape. A atividade física costuma dar conta desse recado e ainda acrescenta outros benefícios.   Cuide de seus vínculos afetivos e sociais. Mantenha um círculo de pessoas, amigos e parentes, com quem possa contar para dividir seus problemas, comemorar suas conquistas e se distrair.   Durma bem.  A falta de sono altera o metabolismo e pode acabar resultando em sobrepeso e resistência à insulina, hormônio que coloca a energia para dentro das células, com consequente risco de evolução para o diabetes. Para se dar bem com o travesseiro, não coma demais à noite nem se exercite antes de dormir. Quando for para a cama, desligue todos os eletrônicos e diminua a luminosidade do quarto, bem como os ruídos.   Use filtro solar. O protetor deve ter FPS 30, no mínimo, para pessoas de pele clara, e FPS 15, no mínimo, para pessoas afrodescendentes. Além disso, a exposição ao sol deve ocorrer nos horários de menor radiação ultravioleta (antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas).   Vá ao médico periodicamente. Faça um check-up de saúde uma vez ao ano ou conforme recomendação médica. Caso tenha algum sintoma no intervalo entre uma consulta e outra, procure seu médico ou um serviço de emergência.

08/07/2019
Alimentação

Alergia alimentar: conheça causas e sintomas

É muito frequente encontrar pessoas alérgicas, já que pelo menos 30% da população brasileira apresenta algum tipo de alergia, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). A doença consiste na resposta exagerada do sistema de defesa a um alérgeno, seja ele a poeira doméstica ou os polens, nos casos de alergia respiratória, seja a proteína de determinado alimento, no caso de alergia alimentar. Afetando 6-8% das crianças e 2-3% dos adultos, de acordo com a Asbai, a alergia alimentar é uma reação adversa que ocorre depois da ingestão de determinados alimentos ou aditivos alimentares. Pode desencadear manifestações na pele, no sistema respiratório e no sistema digestório ou, ainda, envolver vários órgãos, culminando no que se chama de reação anafilática, uma condição grave, que precisa ser revertida imediatamente.  Todo alimento tem potencial de causar alergia, porém os mais envolvidos com esses quadros são o leite de vaca, o ovo, a soja, os crustáceos, o trigo e os peixes. Além disso, há possibilidade de reações cruzadas. Quem sabidamente é alérgico a camarão pode não tolerar mariscos, ostras e afins. Do mesmo modo, a sensibilidade ao amendoim não raro se estende a grãos como soja, ervilha e feijões.  A reação adversa a conservantes, corantes e outros aditivos alimentares ocorre mais raramente, mas deve ser valorizada. Entre os agentes mais comuns desse grupo, vale destacar o corante tartrazina, usado em sucos artificiais, gelatinas e balas, assim como o glutamato monossódico, que entra em alimentos salgados, a exemplo de temperos, e os sulfitos, que conservam frutas desidratadas, vinhos e sucos, além de serem adicionados a alguns medicamentos.   A reação alérgica ocorre sempre logo depois de ingerir o alimento? O diagnóstico costuma ser feito pelo alergista por meio de um completo detalhamento da história do paciente, que inclui o relato dos alimentos ingeridos de forma rotineira e eventual para que o médico possa associar sintomas à ingestão, bem como do exame físico. Nas crianças, os casos envolvem principalmente leite e ovo, enquanto, nos adultos, o camarão é o maior implicado. De qualquer forma, nem sempre as reações ocorrem logo após o consumo, o que dificulta a identificação da doença. Para ajudar a esclarecer o quadro, o especialista pode pedir testes alérgicos cutâneos e exames de sangue. O tratamento consiste no uso de anti-histamínicos para controlar os sintomas e na retirada, da dieta, do alimento que provoca alergia, sempre com o cuidado de substituí-lo adequadamente para evitar deficiências nutricionais – o que é crucial em crianças para evitar prejuízos a seu pleno desenvolvimento. O paciente e os familiares são orientados para que evitem novos contatos com o agente causador da alergia e para que se habituem a ler rótulos em busca da presença do alimento e de nomes associados, como, ainda no caso do leite, manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato.  Essa missão foi simplificada com a resolução RDC 26/2015, da Anvisa, que determina que os fabricantes informem, no rótulo dos produtos, a existência de até 17 alimentos potencialmente causadores de alergia. A mesma norma também exige que os rótulos exibam avisos de que podem conter traços desses alimentos. Isso porque há industrializados que, mesmo sem ter nenhum deles, são fabricados em máquinas que processam produtos que levam efetivamente tais itens em sua composição. Um biscoito feito com água, farinha e sal, por exemplo, pode ser produzido no mesmo maquinário que um outro, composto de ovos e leite, tendo, portanto, possibilidade de contaminação cruzada.     O que fazer quando a alergia ocorre por exposição acidental? Apesar dos cuidados, excluir totalmente um item da dieta não é missão fácil e a exposição acidental acaba acontecendo com muita frequência, de acordo com os especialistas. Nesses casos, as reações leves podem ser controladas com os anti-histamínicos ou até desaparecerem espontaneamente. Contudo, para o grupo com histórico de reações mais graves, recomenda-se até andar com medicamentos próprios para a reversão dos sintomas – um autoinjetor de adrenalina. Mesmo assim, essas pessoas devem ser encaminhadas para um serviço médico após a exposição porque há risco de uma segunda reação tardia. Felizmente, o prognóstico costuma ser bom na alergia alimentar. Segundo a Asbai, cerca de 85% das crianças deixam de reagir à maioria dos alimentos que lhes causa alergia entre os 3 e os 5 anos, sobretudo ovos, leite, trigo e soja, que, afinal, estão nos produtos industrializados e nos cardápios mais comuns. Para tanto, o especialista vai fazendo a reintrodução gradual do alimento. Já a sensibilidade a amendoim, nozes, crustáceos e peixe costuma permanecer pela vida toda.   Como prevenir a alergia alimentar na primeira infância? Por se tratar de uma doença que afeta crianças, parece razoável identificar quem pode ter esse quadro, em especial na primeira infância, quando o leite de vaca responde por grande parte da dieta. Mas, na prática, a preocupação deve existir justamente em famílias de alérgicos, já que, segundo a Asbai, de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar têm parentes com o mesmo problema. Além disso, se tanto o pai quanto a mãe apresentarem qualquer tipo de condição alérgica, a chance de gerarem um filho com alergia alimentar chega a 75%. Nesse grupo, portanto, os especialistas estimulam ainda mais o aleitamento materno, assim como a introdução tardia dos alimentos mais associados a quadros de alergia: sólidos somente após o sexto mês de vida, leite de vaca após 1 ano de idade, ovos aos 2 anos e amendoim, nozes e peixes apenas depois dos 3 anos.    Se você suspeita de alguma ligação entre a ingestão de alimentos e reações adversas, procure um alergista para esclarecer o quadro. Conheça os sintomas da alergia alimentar Reações na pele: placas salientes na superfície do corpo (urticária), inchaço, coceira e inflamação cutânea (dermatite atópica). Reações gastrointestinais: diarreia, vômitos, dor no abdome e, nas crianças, perda de sangue nas fezes, com consequente anemia e atraso no crescimento. Reações respiratórias: tosse, chiado no peito e rouquidão. Raramente, pode haver obstrução nasal. Reação anafilática: coceira generalizada, inchaço, dificuldade respiratória, diarreia e vômitos, dor abdominal, aperto na garganta e no peito, queda da pressão arterial, descompasso dos batimentos cardíacos e incapacidade do sistema vascular de irrigar todos os tecidos do corpo (choque vascular).  

27/05/2019
Alimentação

Como ter uma boa digestão

O aparelho digestório processa tudo aquilo que ingerimos a fim de obter nutrientes para a manutenção da saúde do organismo. Para garantir uma digestão adequada, e atingir esse precioso objetivo, o primeiro passo é manter uma dieta balanceada, com alimentos de alto valor nutricional, incluindo vegetais, frutas, cereais e proteínas mais magras, como peixe e frango, além de tomar, no mínimo, seis copos de água por dia – de preferência longe das refeições principais, para não dilatar o estômago e gerar uma falsa sensação de saciedade. Isso não quer dizer que alimentos ricos em gorduras e açúcares devam ser totalmente excluídos do cardápio. Tudo depende da frequência, do tamanho da porção e do momento. Encher o prato de feijoada naquela horinha curta que temos para almoçar e voltar para trabalhar pode ser um desafio para o sistema digestório. Vale escolher um dia em que haja mais tempo para comer, sempre em quantidade moderadas.   Dicas para evitar problemas de digestão Outra medida essencial é prestar muita atenção ao que se come e na forma de comer. O almoço, o jantar ou o desjejum não devem ser automáticos, com o olho no celular, na televisão ou na tela do laptop, ou até mesmo durante o trabalho, como tanta gente faz hoje em dia. A digestão depende muito de uma refeição feita paulatinamente, de 20 a 40 minutos, num ambiente tranquilo. Uma das razões dessa necessidade está no fato de o processo digestivo já começar na boca. Portanto, quem engole a comida muito rápido já sai perdendo logo no início do jogo. Ocorre que a mastigação aciona a produção de enzimas presentes na saliva, as amilases salivares, que servem para digerir parcialmente o amido – encontrado em carboidratos, como pão, macarrão e batata, entre outros. Ainda que essas enzimas não digiram outros grupos de alimentos, a mastigação ajuda a triturar os demais alimentos e a facilitar a próxima etapa do processo digestivo, quando o estômago libera a enzima pepsina para quebrar as moléculas de proteína. Assim sendo, mastigar mal um pedaço de carne, por exemplo, dificulta bastante o trabalho da pepsina e prolonga a lembrança daquele suculento bife do almoço. Como, na prática, poucas pessoas pensam em contar as mastigadas em busca da meta de 30 a 50 vezes, de acordo com o que recomendam os especialistas, uma dica para encompridar esse processo é pousar os talheres no prato cada vez que a comida for levada à boca. Isso não só aumenta o tempo entre uma garfada e outra, como também permite prestar mais atenção ao sabor daquilo que está sendo ingerido.   Nada de pular refeições Juntamente com a alimentação e a mastigação adequadas, a manutenção de uma boa digestão ainda depende do fracionamento de refeições: além das principais, em porções reduzidas, deve-se fazer mais três lanchinhos no intervalo entre elas, com frutas in natura ou sementes oleaginosas, como castanhas. Isso ajuda a evitar aquela sensação cortante de fome, que nos leva a comer mais rápido e em maior quantidade do que precisamos na próxima refeição. Deixar de comer no desjejum, no almoço ou no jantar também é um péssimo hábito para a saúde. Sem ingestão alimentar, o estômago continua produzindo suco gástrico, que pode agredir a mucosa e gerar problemas como a gastrite. Como se não bastasse, o organismo entende que vive um período de restrição alimentar e, para poupar energia, diminui o metabolismo. Ainda que sejam reduzidas, portanto, é sempre mais indicado fazer todas as refeições. Tomando esses cuidados, o objetivo de ter uma boa digestão fica ao alcance de todos. Contudo, na presença de azia, empachamento e outras manifestações gástricas, mesmo que discretas, não use antiácidos ou outros remédios, nem se habitue a esses sintomas. Procure a orientação de um gastroenterologista.   O que fazer para seu estômago não reclamar Não fume. Além de prejudicar vários sistemas orgânicos, o cigarro atrapalha a digestão e aumenta o risco de doenças gástricas. Álcool em excesso igualmente ocasiona esses efeitos. Portanto, não fume e beba ocasionalmente, com moderação. Lave as mãos antes de se alimentar e após evacuar para evitar a contaminação por vírus, bactérias e protozoários que podem afetar o estômago e o intestino. Não ande descalço em lugares cujas condições sanitárias sejam desconhecidas, já que vermes podem ingressar em seu corpo pelos pés. E verminoses também cursam com sintomas de má digestão. Não compartilhe escovas de dente, canudos, copos, gargalos, talheres, que podem transmitir, de uma pessoa para outra, agentes patogênicos potencialmente causadores de problemas gástricos. A saúde do sistema digestório exige que outras doenças crônicas que causam impactos ao estômago e/ou intestino estejam controladas, como o diabetes, o hipotireoidismo, a insuficiência cardíaca e infecções, entre outras. Valorize qualquer incômodo gastrointestinal, sobretudo se tiver parentes diagnosticados com câncer de estômago ou câncer de intestino. Não tome nenhum remédio por conta própria. Anti-inflamatórios costumam ser nocivos às paredes gástricas e, quando realmente necessários, somente um médico pode prescrevê-los e orientar a forma correta de ingeri-los. Reduza o estresse na medida do possível, melhore a qualidade do seu sono e saia do sedentarismo. O descontrole desses fatores favorece maus hábitos alimentares e o consequente surgimento de queixas gástricas.

20/05/2019
Alimentação

Diabetes gestacional: diagnóstico, riscos, tratamento

Durante a gravidez, ocorrem diversas alterações hormonais que afetam o funcionamento do organismo da mulher. O metabolismo de carboidratos também se modifica nesse período e reduz a ação da insulina, hormônio encarregado de colocar dentro das células a energia proveniente dos alimentos. Na maioria das grávidas, o pâncreas consegue produzir mais dessa substância para compensar a redução. Contudo, numa parcela estimada pela Sociedade Brasileira de Diabetes em 3% a 25% das gestantes, sobra glicose na circulação, caracterizando o que se conhece por diabetes gestacional. O surgimento da condição, portanto, independe da vigência de diabetes antes da gravidez e pode acometer qualquer mulher, dizem os especialistas. Contudo, alguns fatores aumentam essa possibilidade, como ganho elevado de peso, sobrepeso ou mesmo obesidade na gestação em curso, idade acima de 35 anos, baixa estatura, parentes de primeiro grau diabéticos, crescimento fetal excessivo, pré-eclâmpsia, síndrome dos ovários policísticos e história de aborto espontâneo, malformações e diabetes gestacional em outras gestações. Sem diagnóstico e sem controle, essa forma de diabetes traz riscos para a mulher e para o bebê. A mãe adquire maior chance de se tornar diabética no futuro e de voltar a ter a condição em outra gravidez. Uma vez que a glicose em excesso na circulação atravessa a placenta, o bebê pode nascer com excesso de peso, o que já o predispõe à obesidade na adolescência e na vida adulta, e ainda apresentar complicações importantes ao nascimento, como a queda nos níveis de glicose, já que ele estava acostumado com índices elevados de açúcar no ambiente intrauterino, e dificuldades para passar pelo canal de parto devido ao encaixe do ombro fetal no osso púbico da mãe – a chamada distócia de ombro. Tais complicações, aliadas aos riscos trazidos por essa doença na vida adulta, levaram à criação de um consenso que prevê a investigação do diabetes gestacional já na primeira consulta de pré-natal, seja com um exame de sangue simples para verificar a taxa de glicose, seja com a curva glicêmica, teste em que se mede a glicemia em jejum e após a ingestão de uma solução de glicose, seja com ambos – depende do tempo de início do pré-natal. O fato é que esses testes permitem ao médico diagnosticar a condição ou mesmo saber se o excesso de glicose no sangue já ocorria previamente e, assim, adotar a conduta terapêutica mais adequada. Em geral, o diabetes gestacional pode ser controlado com uma alimentação balanceada e exercícios físicos, na maioria dos casos – aliás, as mesmas estratégias recomendadas para prevenir o diabetes na população geral. Se isso não bastar para manter a taxa de glicose em níveis seguros para a gestante e o bebê, o obstetra tem a opção de associar a tais medidas um tratamento medicamentoso. Faça a sua parte para evitar o diabetes na gestação no dia a dia e compareça assiduamente às consultas do pré-natal. Dicas para ficar longe do diabetes   Controle o ganho de peso, ingerindo, no máximo, de 200 a 300 calorias a mais que uma dieta normalmente recomendada, sobretudo no segundo e terceiro trimestres. Se você não tiver nenhuma contraindicação, pratique exercícios físicos regularmente, sempre com o aval de seu obstetra. Mantenha uma alimentação rica em fibras, que saciam e estabilizam os níveis de glicose no sangue. Elas estão presentes em vegetais, leguminosas (feijão, lentilha) e cereais integrais. Coma frutas ao natural. Como têm muita frutose, transformá-las em sucos ou cremes faz com que a energia desses alimentos seja absorvida muito rapidamente pelo organismo. Procure ingerir os carboidratos sempre com alguma proteína – torrada com queijo, cereal com leite e outras combinações assim – para retardar sua absorção.   Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes Ministério da Saúde

06/05/2019
Alimentação

Como manter uma alimentação saudável na gravidez

Foi-se o tempo em que o fato de estar grávida era desculpa para comer por dois. Com a epidemia de obesidade e de diabetes que assola o planeta, mais do que nunca as autoridades de saúde recomendam uma dieta saudável não desde o berço, mas logo após a concepção. Bebês gerados com alimentos inflamatórios, como o açúcar e a farinha refinada, que se convertem rapidamente em glicose no organismo da mãe, têm maior probabilidade de se tornar adultos obesos e diabéticos, alertam os especialistas, com risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro. É claro que as necessidades de energia aumentam nesse período, mas, em termos calóricos, não mais do que algo em torno de 200 a 300 calorias por dia, em média, especialmente no segundo e terceiro trimestres – só para ter uma ideia comparativa, seria como acrescentar ao cardápio um copo de leite desnatado e uma porção de salada de frutas. Além disso, há pesquisas que sugerem que a alimentação da mãe pode alterar a função de genes responsáveis por reparar mutações, como um trabalho publicado em 2015 no periódico científico Genome Biology. A oferta de bons nutrientes, segundo esse estudo, garantiria a integridade do material genético do bebê, enquanto a falta deles silenciaria esses genes de proteção, elevando a predisposição a doenças na vida adulta. Em vez de pensar em quantidade, portanto, a gestante deve se preocupar com a qualidade dos alimentos para manter a própria saúde e permitir que o bebê tenha todos os nutrientes de que precisa para seu pleno desenvolvimento. Para tanto, deve ingerir boas fontes de energia, de proteínas, de gorduras boas – com destaque para o ômega-3 –, de vitaminas e de minerais, notadamente o cálcio, que ajuda a construir o esqueleto fetal, e o ferro, que forma a hemoglobina, proteína transportadora de oxigênio no sangue.   Coma sem exageros durante a gestação   De acordo com os especialistas em nutrição, com exceção das bebidas alcoólicas, nenhum alimento está proibido na gravidez, a não ser que o obstetra tenha dado orientações expressas. Contudo, além de reduzir o consumo de carboidratos simples, a gestante só tem benefícios ao excluir da dieta alguns itens. Entre eles, a carne seca e o bacalhau, por conterem muito sódio, bebidas gaseificadas, por estufarem, bebidas estimulantes, por serem ricas em cafeína, e embutidos, por terem muitos conservantes, bem como comidas e sobremesas processadas, pobres em nutrientes e repletas de sódio, açúcar e gorduras nocivas. Por outro lado, há de se ter cuidado para não exacerbar a preocupação com a alimentação, a ponto de transformar os nove meses num regime prolongado, com receio de engordar. Até porque isso vai acontecer de todo jeito. Para mulheres com peso normal ao engravidar, considera-se que um ganho de peso entre 10 e 12 quilos na gestação está dentro do esperado. Assim sendo, uma dieta demasiadamente restritiva, que não permite à gestante ganhar o peso adequado, pode impedir que o bebê receba o aporte necessário para uma vida intrauterina saudável. Na prática, o bom senso, que não significa abrir mão do prazer do comer, deve guiar as escolhas. Veja as dicas dos especialistas e não deixe de pôr esse assunto em discussão logo no início das consultas de pré-natal.   Cardápio da gestante   Divida as refeições ao longo do dia, de três em três horas, mantendo, evidentemente, o almoço e o jantar, sempre com porções moderadas e variedade de cores e sabores.   A mistura de arroz com feijão continua ótima na gestação. Fique com a versão integral do cereal e, para variar, substitua o feijão por outras leguminosas, como soja, grão-de-bico e lentilha, todas ricas em fibras e em proteínas.   Aposte nas frutas e nos vegetais, ótimos aliados dessa fase por conterem, em comum, água, fibras, vitaminas e minerais. Os verde-escuros são fontes de ácido fólico, essencial para a formação do tubo neural do bebê. As frutas ainda têm carboidratos de absorção mais lenta, desde que ingeridas in natura.   Prefira aves, peixes e cortes magros de carne vermelha e ingira-os sempre muito bem cozidos para impedir eventual contaminação por bactérias e protozoários. Especialmente no primeiro trimestre gestacional, convém não consumir preparações cruas da culinária japonesa.   Evite comida industrializada. Esse grupo abrange carnes processadas, como linguiça e salsicha, preparações congeladas, misturas para bolo, sopas em pó, bolacha recheada, macarrão instantâneo, gelatina em pó, sucos artificiais, salgadinhos de pacote e tantos outros desse naipe.   Por mais que o excesso de doce seja prejudicial na gestação, só troque o açúcar de mesa por algum adoçante com o aval de seu obstetra.   Maneire no café e no chocolate, por conta da presença de cafeína nesses alimentos, que deve ser limitada a 300 mg/dia – o equivalente a duas xícaras de expresso.   Consuma diariamente leite e derivados, como queijos e iogurtes, optando pelas versões magras ou desnatadas.   Tome por volta de dois litros de água por dia, mas evite fazê-lo durante as refeições, para evitar azia. A hidratação do corpo contribui para a manutenção da placenta e do líquido amniótico, assim como para o bom trânsito intestinal.   Por último, uma dica prática para reduzir os enjoos: coma alimentos secos assim que acordar, a exemplo de uma bolacha de água e sal ou uma torrada.   Fontes: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica Genome Biology

22/04/2019
Alimentação

Hipertensão: cuidado com o consumo de sal

Provavelmente você já deve ter ouvido por aí que o sal está associado ao aumento da pressão sistólica e diastólica nas artérias e que, em excesso, contribui para o surgimento da hipertensão arterial, condição caracterizada por índices pressóricos iguais ou superiores a 140/90 milímetros de mercúrio – ou 14 por 9 –, que configura importante fator de risco para o acidente vascular cerebral e a insuficiência renal. Essa relação realmente existe e se deve à ação do cloreto de sódio, elemento presente no sal. Ocorre que, quando ingerimos alimentos muito salgados, o sódio se acumula não só na corrente sanguínea, como também nos fluidos que ficam fora das células. Como ele atrai moléculas de água, o organismo passa a reter líquidos para manter o equilíbrio entre o volume hídrico no espaço extracelular e no sangue, cuja quantidade em circulação aumenta. Com mais sangue no interior dos vasos, a pressão que ele faz para contornar o sistema circulatório fica maior, já que naturalmente as artérias oferecem alguma resistência à sua passagem – é como se o fluxo de uma torneira fosse aberto e a água passasse a avançar violentamente pelo interior de uma mangueira. Se isso ocorre de forma crônica, está estabelecida a hipertensão arterial.   Prevenção pede menos sal no prato e nas prateleiras   Por ser uma doença silenciosa, que costuma causar sintomas só quando o organismo já está bastante exposto aos efeitos de níveis pressóricos elevados, pode demorar até que uma pessoa saiba ser hipertensa, principalmente se não vai ao médico de forma periódica. Desse modo, a redução do consumo de sal para níveis aceitáveis é uma medida acessível e eficaz para prevenir o aumento da pressão arterial – muito embora a hipertensão tenha também outras causas. Entretanto, não dá para cortar o sal de vez porque o cloreto de sódio tem funções importantes no corpo, visto que atua no equilíbrio da água, participa das contrações dos músculos e fornece energia. Assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a necessidade diária de sódio é de 2.000 mg, equivalentes a 5 g de sal. Os brasileiros, porém, consomem mais que o dobro desse limite, por volta de 12 g, segundo o Ministério da Saúde. E, na maioria das vezes, fazemos isso por hábito, veja só. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelaram que a indústria responde por 23,8% do sódio consumido em território nacional, enquanto o restante, 76,2%, é adicionado no fim da preparação dos alimentos como tempero. Faça a sua parte para controlar a ingestão de sal e não deixe de ir ao médico periodicamente para avaliar sua pressão arterial.   Dicas para reduzir o consumo de sódio   - Retire o saleiro da mesa. - Cozinhe sem nenhum sal e depois acrescente apenas a quantidade recomendada, especialmente se for hipertenso. - Abuse de ervas e temperos naturais – alho, cebola, orégano, salsinha, manjericão, limão e gengibre, entre outros –, usando-os no lugar do sal. - Dê preferência ao consumo de alimentos frescos, como carnes, frutas e vegetais. - Fora de casa, prefira estabelecimentos que servem comida pouco temperada e restaurantes por quilo, que oferecem mais opções de alimentos frescos. - Antes de comprar industrializados, leia o rótulo e leve apenas os que tiverem baixo teor de sódio. - Evite alimentos ultraprocessados, como linguiça e bacon, além de molhos prontos, como maionese, shoyo, catchup e mostarda.   Outras causas da hipertensão arterial Além do consumo de sal em excesso, outros fatores contribuem para uma pessoa se tornar hipertensa:- História familiar da doença (o único não modificável)- Bebidas alcoólicas- Cigarro- Obesidade- Estresse- Níveis altos de colesterol- Falta de atividade física

28/03/2019
Alimentação

Meu Filho Não Quer Comer. O Que Faço?

Se as sociedades médicas, por um lado, estão preocupadas com as taxas crescentes de obesidade, por outro, muitos pediatras são confrontados com um relato comum nas consultas de acompanhamento: “Meu filho não come, doutor, não come nada”. A hora da refeição, que deveria ser um momento feliz e prazeroso para a família, vira um campo de batalha. Mas essa queixa não deveria tirar (tanto) o sono dos pais – em especial da mãe, que tem uma necessidade intrínseca de alimentar a criança porque o fez desde o nascimento do bebê, por meio da amamentação. Isso porque, de acordo com os especialistas, a demanda de energia dos pequenos realmente muda conforme o tempo passa. No primeiro ano de vida, o bebê come bastante porque se desenvolve muito rapidamente. Aos 5 meses de idade, o peso, em geral, é o dobro daquele registrado ao nascimento e, entre 11 e 12 meses, o triplo. No segundo ano de vida, o crescimento continua acelerado, mas vai perdendo velocidade até alcançar um ritmo mais lento, dos 3 aos 10 anos. O apetite, portanto, acompanha essa necessidade do organismo. Alimentação para crianças: qualidade vs. quantidade Assim, se seu filho não come nada – os pediatras dizem que alguma coisa sempre comem, sejam as mamadeiras, sejam os petiscos – e continua crescendo de forma adequada, esse comportamento não deve preocupar, relaxe. Continue insistindo naturalmente, levando em conta que aos pais cabe determinar a qualidade, ou seja, o que os pequenos vão comer e quando, mas a quantidade, quem decide, é a criança. Quando cresce, faz birra, protesta e fica agitada se for obrigada a comer. Evidentemente, uns dias serão melhores, outros piores, conforme o cardápio e o paladar da criança. Não adianta cair na tentação de fazer rotineiramente só o que eles aceitam porque essa tática, além de cansativa, cria uma fobia por tudo quanto seja novo e ainda reduz a qualidade da dieta. Ora, uma alimentação pouco variada pode ocasionar deficiência de nutrientes necessários. Dessa forma, as principais refeições devem ser compostas por comidinhas que contenham todos os grupos de alimentos, ou seja, carboidratos, leguminosas, proteínas, folhas, raízes e frutas – que, vale assinalar, permitem uma ampla variação de cardápio ao longo da semana. Se os pequenos comerem apenas uma colherada de cada preparação, pode acreditar, o dia estará ganho. Veja aqui outras dicas e, na dúvida sobre a origem da falta de apetite da criança, converse com o pediatra.   Alimentação dos pequenos: como construir uma boa relação com a comida - A partir dos 6 meses, coloque a criança para fazer as principais (ou possíveis) refeições com os demais membros da família. O ideal é que os intervalos entre uma e outra sejam de três a quatro horas. - Adapte o assento dos pequenos à mesa de jantar, de forma que fiquem limitados a esse espaço – pode ser o cadeirão, se ainda for bebê. - Desligue os eletrônicos de modo geral. Uma sopa de feijão não consegue competir com um personagem que responde a estímulos no tablet. - Ofereça à criança a mesma preparação que a família está comendo e deixe-a por conta própria. - Experimente dispor pedaços da comida ao alcance do bebê – se ele põe tudo na boca, por que não vai fazê-lo com os alimentos? - Para os que já comem com talheres, sirva porções pequenas, do tamanho do punho da criança. - Insista na oferta de novos alimentos. Os especialistas recomendam apresentar as novidades repetidamente à criança, de 10 a 15 vezes, antes de desistir. - Não prolongue a refeição por mais de meia hora e aguente firme a bagunça. Será por uma ótima causa.     A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade.